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A história do GP do México

Mais do que um público entusiasmado, o GP do México é casa de diversas decisões de título e grandes histórias do Mundial de F1. Após 23 anos de ausência, a nova versão da corrida mexicana retorna para sua quarta edição

A casa do GP do México é um autódromo cheio de história. Antes chamado Magdalena Mixhuca, a pista ganhou o nome de Hermanos Rodríguez no começo dos anos 1970 após o segundo dos irmãos Rodríguez morrer em um acidente automobilístico. Heróis nacionais, Ricardo e Pedro morreram respectivamente em 1962 e 1971. Após a morte de Pedro, a F1 deixou o México para voltar apenas em 1986.

Outra coisa que existe dentro do Hermanos? Um estádio de beisebol chamado Foro Sol, localizado dentro da curva 14, a famosa Peraltada. O local é também uma praça popular de shows musicais.

O GP do México fez parte do campeonato da F1 entre 1963 e 1971, depois de 1986 até 1992 e, por fim, um regresso em 2015. O GRANDE PREMIUM destaca dez momentos históricos da F1 na Cidade do México.

Moisés Solana (Moisés Solana (Foto: Reprodução/Twitter))

1963 – Moisés Solana único #13 na F1 até Pastor Maldonado em 2014

 

O número 13 é visto como algo de azar no automobilismo sobretudo europeu desde os anos 1920. A F1, portanto, jamais havia visto um carro com esse número até 1963. No GP do México daquele ano, o mexicano Moisés Solana entrou com uma equipe particular para a corrida com um BRM. No carro, o #13.

Solana fez uma corrida até interessante para quem participava da F1 pela primeira vez e apenas numa prova pontual. Foi até a 57ª de 65 voltas e abandonou com um problema de motor, mas com o 11º posto oficial da corrida. Foi a única vez que um piloto se classificou para um GP da F1 usando o #13 até Pastor Maldonado adotar o número em 2014.

John Surtees e Lorenzo Bandini (John Surtees e Lorenzo Bandini (Foto: Reprodução/Pinterest))

1964 – Clark perde título na penúltima volta, Ferrari faz jogo de equipe e Surtees leva

 

Naqueles longínquos tempos, 54 anos atrás, o GP do México encerrava o Campeonato Mundial de F1. Em 1964, Graham Hill liderava na última corrida, com John Surtees em segundo e Jim Clark no terceiro posto. Para que Clark fosse campeão, ele precisava ganhar e que Hill ficasse abaixo do terceiro posto e Surtees abaixo do segundo.

O escocês marcou a pole no sábado e vencia a prova com algum conforto no domingo. Como Hill havia se envolvido num acidente com Lorenzo Bandini e abandonou com problemas no exaustor, enquanto Surtees andava no quarto lugar. Duas voltas antes do fim, porém, uma pane na distribuição de óleo da Lotus de Clark forçou o abandono. Sem os rivais no páreo, Surtees precisava ser segundo colocado. A Ferrari entrou em ação. Bandini, companheiro de Surtees, abriu a passagem e deixou o parceiro passar para o segundo lugar e confirmar o título.

Richie Ginther (Richie Ginther (Foto: Reprodução/The Revs Institute))

1965 – A primeira vitória da Honda

 

A Honda aproveitou a pista mexicana para realizar baterias de testes em 1965 e encostar nas rivais mais estabelecidas na F1. Quando o GP do México chegou, enfim, Jim Clark colocou a Lotus na liderança, com Dan Gurney e a Brabham no segundo posto.

Na corrida, porém, as equipes mais fortes do grid daquele ano tiveram problemas sérios. Clark e Graham Hill abandonaram com problemas no motor, enquanto Jackie Stewart sofreu com a embreagem e Jack Brabham deixou a disputa com um vazamento de óleo. As Ferrari se bateram em dado momento, comandadas por Pedro rodríguez e Lorenzo Bandini. No fim das contas, Richie Ginter superou Dan Gurney na luta pela vitória. Com Ginter, a Honda conquistou sua primeira vitória na F1.

Denny Hulme (Denny Hulme (Foto: F1))

1967 – Denny Hulme assegurou o título

 

O campeonato de 1967 chegou à etapa derradeira com uma disputa fortíssima pelo título. Uma competição pitoresca, aliás: o dono da equipe Brabham, Jack Brabham, era o segundo colocado na classificação, atrás de Denny Hulme. Jack era bicampeão mundial e o campeão vigente já pelo time próprio.

Mas não teve moleza. Com cinco pontos de vantagem para o companheiro e chefe, Hulme largou uma posição atrás, mas na terceira fila – um foi quinto, outro foi sexto. O domínio de Jim Clark na corrida foi total: ele disparou da pole para a vitória com 1min25s36 de vantagem para o segundo colocado, Brabham. Hulme completou em terceiro e assegurou seu único título.

Jim Clark (Jim Clark (Foto: Reprodução/Pinterest))

1967 – Vitória de Clark com problemas de embreagem

 

Mais uma do GP do México de 1967 que mrece destaque separado? Após um começo problemático da temporada com a Lotus, Clark chegou ao fim do ano com a melhor combinação carro/piloto, mas sem chances de ser campeão. Vencera três corridas, inclusive a anterior, em Watkins Glen, e partiu com domínio no México. Fez pole e abriu na corrida. Até que começou a ter problemas na embreagem.

Passou grande parte da corrida sem sequer usar a embreagem da Lotus e, mesmo assim, não apenas ganhou: ganhou com 1min25s de vantagem para o segundo colocado. Infelizmente, foi a penúltima vitória de Clark na F1. O escocês abriu a temporada seguinte com favoritismo e nova vitória, na África do Sul, mas sofreu um acidente fatal numa corrida não-oficial da F2 em Hockenheim três meses depois.

Graham Hill (Graham Hill (Foto: Reprodução/Pinterest))

1968 – Corrida atrasada por conta dos Jogos Olímpicos e título de Hill

 

O GP do México de 1968 estava marcado para o fim de outubro daquele ano, mas precisou ser adiado para o início de novembro por conta de um outro evento, que talvez o leitor tenha ouvido falar: os Jogos Olímpicos! A realização das Olimpíadas na Cidade do México causou uma onda de protestos populares, que ficaram representados como Movimento dos Estudantes. As autoridades responderam com repressão autoritária e impressionaram até a F1. O Mundial levou isso em consideração entre outros problemas e resolveu não voltar no ano seguinte.

Na pista, três pilotos lutavam pelo título: Graham Hill, Jackie Stewart e Denny Hulme. Hulme, que era o campeão vigente, sofreu um acidente logo no começo e viu sua McLaren pegar fogo. Stewart também teve problemas no carro da Matra. Com o motor apagando e o fluxo de combustível em pane, também abandonou. Hill tomou controle da corrida na sequência e venceu para se tornar bicampeão mundial de F1.

O GP do México de 1970 (O GP do México de 1970 (Foto: Reprodução/Pinterest))

1970 – Uma multidão por Pedro Rodríguez

 

Nove anos após a morte de Ricardo Rodríguez, um herói nacional, o público mexicano teve a oportunidade de acompanhar o crescimento do outro Rodríguez, Pedro, que vivia sua melhor temporada na F1 em 1970. Após vencer o GP da Bélgica e terminar na segunda colocação nos Estados Unidos, o público comprou o barulho e resolver aparecer em peso.

Quase 200 mil pessoas comparaceram ao autódromo de Magdalena Mixhuca no GP do México daquele ano, grande parte alucinados por Pedro Rodríguez. O esquema de segurança para a corrida não conseguia controlar o público, assim como em 1968, e teve de adiar a prova em uma hora. Durante a corrida, houve quem jogasse garrafa na pista. Até um cachorro infelizmente foi atropelado por Jackie Stewart ao invadir o traçado. No fim das contas, uma dobradinha da Ferrari com Jacky Ickx à frente de Clay Regazzoni e Rodríguez no sexto lugar. Foi a última vez que Pedro correu em casa. Em julho do ano seguinte, morreu após um acidente grave com um protótipo na Interserie, em Norisring.

Gerhard Berger (Gerhard Berger (Foto: F1))

1986 – O debute da glória da Benetton

 

No retorno da F1 ao México, em 1986, valeu a disputa de pneus. A primeira fila da corrida teve Ayrton Senna, então na Lotus, e Nelson Piquet, na Williams. Nigel Mansell era o terceiro. Mas foi o quarto colocado, Gerhard Berger, quem venceu a prova. O pulo do gato? A Benetton tinha pneus Pirelli, enquanto os rivais contavam com Goodyear. A durabilidade dos pneus italianos fez com que Berger não precisasse parar no pit-lane para trocar os pneus.

A quadriculada para Berger foi a primeira vitória da Benetton – e a última vitória do motor BMW turbo – na F1.

O forte acidente de Ayrton Senna na Peraltada (O forte acidente de Ayrton Senna na Peraltada (Foto: Reprodução/Youtube))

1991 – Acidente de Senna

 

O GP do México de 1991 ficou marcado por um acidente dos mais impressionantes já registrados na pista. E foi com Ayrton Senna. O piloto da McLaren estava no caminho para o tricampeonato e já vencera quatro etapas naquele ano, mas um acidente de jet-ski assustou Senna antes da prova. Mesmo após ter que sofrer pontos na cabeça ele foi para a prova.

Durante a classificação, Senna perdeu o controle do carro na famosa, perigosa e hoje extinta Peraltada, rodou e foi para a brita. Quando bateu na barreira de pneus, o carro foi catapultado e parou de lado. Bertrand Gachot havia passado por um acidente parecido pouco antes, mas não fora tão impressionante. Apesar disso, Senna foi para a corrida e terminou no terceiro lugar. Riccardo Patrese foi quem venceu.

Lewis Hamilton (AFP)

2017 – Hamilton tetracampeão

 

Lewis Hamilton passou grande parte do Mundial de 2017 atrás de Sebastian Vettel. Uma vez que tomou a dianteira, no entanto, disparou. A vantagem ao chegar no México era tamanha que Hamilton precisava somente de um quinto posto – caso Sebastian Vettel vencesse – na etapa para garantir o tetra.

A Mercedes apresentou dificuldades com o traçado de alto downforce durante todo o fim de semana. Vettel anotou a pole, com Max Verstappen em segundo e Hamilton e Valtteri Bottas na segunda fila. Um toque triplo entre os primeiros colocados logo no começo deu a liderança para Verstappen e jogou Vettel e Hamilton para os últimos lugares. Ambos começaram a escalar o pelotão e, com muita cautela, Hamilton chegou apenas no nono posto. Vettel, entretanto, não conseguiu passar do quarto lugar. Com a combinação, o campeonato se encerrou a favor de Lewis.

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