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Da F1 para a Stock Car

A Corrida de Duplas, etapa de abertura da Stock Car 2018, contou com 10 ex-F1 em seu grid. Ao longo dos anos, a categoria brasileira tem sido procurada cada vez mais por pilotos que voltam ao país em busca de desafios e grids competitivos

A Stock Car teve seu início da temporada 2018 no último fim de semana em Interlagos. De volta com a já tradicional Corrida de Duplas — realizada antes em 2014, 2015 e 2016 —, a principal categoria do esporte a motor brsileiro teve a presença de pilotos nacionais e internacionais e contou com um grid graúdo, com 66 grandes nomes do automobilismo.

Entre os pilotos oriundos de categorias como DTM, Endurance e GT, por exemplo, havia nada menos que dez ex-F1 no grid, entre titulares e convidados. Nomes como Felipe Massa, Felipe Nasr, Rubens Barrichello, Ricardo Zonta, Lucas Di Grassi e Nelsinho Piquet fizeram parte da caótica e emocionante prova no autódromo paulista.

Ao longo dos anos, o certame brasileiro tem sido a escolha de pilotos que deixaram a F1 e procuram um novo desafio para a carreira. O GRANDE PREMIUM, então, listou dez competidores que voltaram para correr no Brasil.

Rubens Barrichello

A chegada de Barrichello à Stock Car aconteceu aos poucos. Após 19 temporadas na F1, com dois vice-campeonatos e dois terceiros lugares, e uma na Indy, em 2012 fez as três últimas corridas da temporada. Foi o suficiente para que em 2013 já entrasse de cabeça na categoria, defendendo as cores da forte Full Time, chefiada por Maurício Ferreira, o 'Mau Mau'. 

No certame nacional se encontrou rapidamente.  Logo em 2014 abocanhou sua primeira vitória, na tradicional Corrida do Milhão, e o título daquele ano. Em 2016 conquistou o vice após brigar pelo título até a última corrida.

Mas a chegada de Barrichello à Stock Car é muito mais significativa que seus resultados na pista. A categoria cresceu muito do ponto de vista do profissionalismo. Não é exagero nenhum dizer que a vinda de Rubinho foi um divisor de águas na Stock Car, tornando-a cada vez mais atraente para pilotos brasileiros e internacionais, além de servir como grande plataforma de marketing e novos negócios para os patrocinadores.

 

Barrichello se emocionou ao chegar no pódio na Corrida de Duplas

 

Ricardo Zonta

Ricardo Zonta começou na F1 em 1997, como piloto de testes da McLaren, mas apenas em 1999 que disputou sua primeira corrida, pela BAR. Seguiu na equipe em 2000 e chegou a correr algumas corridas em 2001 e 2004. Sua entrada efetiva na Stock Car aconteceu em 2007, quando dividia seu tempo como pilotos de testes da Renault.

Na categoria brasileira, seu currículo é mais extenso. Chegou a correr em sua própria equipe, a RZ Motorsport, e ganhou a Corrida do Milhão em 2013, disputada em Interlagos. Sua melhor colocação em um campeonato foi sétimo, nesse mesmo ano.

Em 2017, Zonta teve sua temporada mais sólida do ponto de vista de vitórias. Correndo pela Shell Racing, equipe chefiada por Thiago Meneghel, o curitibano subiu duas vezes no topo do pódio. E na Corrida de Duplas deste ano, em Interlagos, Ricardo mostrou que segue muito competitivo.

 

Antônio Pizzonia

Antônio Pizzonia teve seu primeiro contato com a F1 em 2002, quando era piloto de testes em Williams. Após resultados impressionantes na F300, assinou com a Jaguar no ano seguinte. No entanto, por falta de resultados acabou trocado no meio da temporada. Chegou a correr algumas corridas em 2004 e 2005, mas ficou sem espaço na categoria, e foi quando voltou ao Brasil e para a Stock Car.

Sua primeira aparição no certame brasileiro foi em 2007, assumindo o carro da RS Competições após as quatro primeiras etapas. Desde então, alinhou no grid em todos os anos, competindo em seis temporadas completas. Em 2016, fora da lista de pilotos, disputou a Corrida de Duplas ao lado de Marcos Gomes e conquistou a vitória.

No ano passado, o 'Jungle Boy' voltou à Stock Car como um dos pilotos da Prati-Donaduzzi/RX Mattheis, reeditando uma dupla vitoriosa com Júlio Campos.

Antônio Pizzonia

Ingo Hoffmann

A passagem de Ingo Hoffmann pela F1 foi bastante reduzida. O piloto competiu no segundo carro da equipe Copersucar, então disputou apenas determinadas etapas nos anos de 1976 e 1977. No total, fez alinhou seis corridas e largou apenas em três, conquistando uma sétima colocação como melhor resultado.

No entanto, na Stock Car o cenário foi completamente diferente para o Alemão, como era conhecido. Desde 1979, quando o certame surgiu, e 2008, quando se aposentou, esteve presente em todas as corridas, com exceção da primeira.

Seu currículo na Stock Car é incomparável: 76 vitórias e 12 títulos, tornando-se o maior campeão e vencedor da história. Sua reverência é tamanha que o lendário número #17 ostentado pelo 'Alemão' foi aposentado. 

Atualmente, o ex-piloto lidera um trabalho de grande referência, definido por ele mesmo como a maior vitória da sua vida: o Instituto Ingo Hoffmann, que trabalha junto ao Centro Boldrini, em Campinas, e cuida de crianças portadoras de câncer.

Ingo Hoffmann na época em que corria na Stock Car
 

Chico Serra

Chico Serra chegou à F1 nos anos 80, disputando sua primeira corrida em 1981 pela Arrows. Seguiu na categoria pelos dois anos seguintes, conseguindo apenas um ponto após uma sexta colocação. Após um tempo, então, voltou ao Brasil para decolar.

Em 1986 iniciou uma vitoriosa carreira na Stock Car. Além das 33 vitórias e 24 pole-positions, o piloto conquistou seus três títulos consecutivamente, nos anos de 1999, 2000 e 2001. Ficou fora da temporada 2008 e voltou em 2009, e depois disputou a Corrida de Duplas de 2014 ao lado de Felipe Lapenna.

Mas sua última corrida na Stock Car aconteceu no ano seguinte. Chico teve a chance singular de correr ao lado do filho, Daniel Serra, na Corrida de Duplas ocorrida em 2015, em Goiânia. 

Dois anos depois, Chico viu o filho Serrinha repetir seu feito e ser consagrado como campeão da Stock Car. Certamente, deixando o papai bem orgulhoso.

 

 

Luciano Burti

Sua relação com a F1 se iniciou em 1999 como piloto de testes da Stewart. No ano seguinte chegou a disputar uma corrida para substituir Eddie Irvine, e em 2001 fez a temporada completa da categoria, alcançando dois oitavos postos como melhores resultados. Chegou a ser piloto de testes por mais alguns anos, mas em 2005 foi para a Stock Car.

Na categoria brasileira, ficou por 11 temporadas completas. Em 2016 chegou a correr duas etapas, mas logo na terceira corrida do ano deixou a categoria.

Neste ano voltou ao grid, mas como piloto convidado da Corrida de Duplas, disputando em Interlagos ao lado de Diego Nunes no carro #70 da Full Time.

 

Christian Fittipaldi

O ano de 1992 marcou o primeiro de Christian Fittipaldi na F1, defendendo as cores da Minardi. Ficou por mais duas temporadas após a sua de estreia, uma ainda pela mesma equipe e sua última na Footwork. Depois, foi para os Estados Unidos para competir por oito temporadas na Indy.

Veio para o Brasil, então, em 2005 para alinhar na Stock Car. Pela equipe Avalone, somou 32 pontos e fechou o ano em 23º. No campeonato seguinte, começou pelo mesmo time e encerrou pela RC3 Bassani.

Teve um hiato de três anos para retornar em 2010, pela Gramacho. Em seguida, voltou aos Estados Unidos para ser um dos protagonistas do SportsCar. Christian, hoje no posto de diretor da Action Express, venceu por três vezes as icônicas 24h de Daytona.

Christian Fittipaldi durante a etapa de Ribeirão Preto
 

Tarso Marques

Tarso Marques fez sua estreia na F1 em 1996, quando começou a defender a Minardi. Nesse e no ano seguinte teve que dividir o carro com diversos outros pilotos, como Giancarlo Fisichella e Jarno Trulli. Fora por três temporadas, voltou em 2001, e após um ano sem grandes resultados, encerrou sua carreira no Mundial.

Em 2006 disputou as últimas quatro corridas do campeonato. E logo em seu ano de début abocanhou sua primeira vitória. Em 2007 voltou a triunfar, e fez sua última temporada completa no ano seguinte.

Nas últimas temporadas, Marques realizou corridas esporádicas na Stock Car. Aos 42 anos, o paranaense foi o titular da Mico's na Corrida de Duplas do último fim de semana em Interlagos, dividindo o carro com Fernando Croce. 

 

Enrique Bernoldi

Enrique Bernoldi chegou aos poucos na F1, fazendo testes com a Sauber e fazendo parte do programa de pilotos da Red Bull. Sua chance chegou com a Arrows, em 2001, onde ficou até 2002, mas sem terminar a temporada, pois a equipe deixou a categoria.

Sua ida para a Stock Car aconteceria em 2007, após alguns anos de piloto de testes no Mundial. Na Action Power, conseguiu dois pódios e terminou o campeonato em 13º. Correu quatro etapas em 2008 e foi convidado da Corrida de Duplas em 2014 e 2015.

Enrique Bernoldi em sua época na Stock Car

Wilsinho Fittipaldi

Wilson Fittipaldi Júnior é uma das lendas do automobilismo brasileiro. Ele próprio construiu os carros de corrida nos anos 1960, quando correu na Fórmula Vê. E foi um dos líderes do pioneiro e inédito projeto de criar uma equipe brasileira na F1: a Copersucar Fittipaldi.

Ao todo, Wilsinho disputou três temporadas na F1 como piloto, e entre 1976 e 1980 foi o chefe de equipe da Copersucar Fittipaldi, que teve ao volante de um dos seus carros o irmão e bicampeão mundial, o icônico Emerson Fittipaldi.

Na Stock Car, Wilsinho teve uma carreira de sucesso. Sua chegada aconteceu no ano de 1982, onde correu todas as provas. No ano seguinte, largou apenas em uma. Ainda disputou nos anos de 1994, 1995 e 1996, e conquistou, ao todo, duas vitórias e 20 pódios.

Wilson Fittipaldi (Wilson Fittipaldi (Foto: Duda Bairros))

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