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O melhor da primeira parte da Stock Car 2018

Ainda falta pouco mais de um mês para a retomada da temporada 2018 da Stock Car com a Corrida do Milhão. Mas o campeonato, liderado por Daniel Serra, já reservou grandes imagens. E o GRANDE PREMIUM traz as melhores delas neste primeiro semestre

Dentre as principais categorias de turismo do automobilismo mundial, a Stock Car foi a única que considerou a Copa do Mundo e reservou uma pausa no seu calendário que se mostrou providencial. Mas entre os grandes jogos lá na Rússia, já dá saudades de ver os melhores pilotos em atividade no Brasil acelerando nos circuitos por aqui.

Por isso, até para amenizar as saudades, o GRANDE PREMIUM fez uma lista dos dez melhores momentos que marcaram a primeira parte de uma temporada 2018 que tem Daniel Serra como o grande líder do campeonato, porém com outros tantos nomes que brilharam e emocionaram os amantes da velocidade.

Enquanto a Corrida do Milhão — marcada para 5 de agosto em Goiânia — não chega, confira o que de mais marcante aconteceu nas cinco etapas, ou nove corridas, realizadas até agora.

10) O FÃ QUE DECIDE
 

Mais do que nunca, Átila Abreu precisava de um grande resultado para ir para as férias da Stock Car mais aliviado depois de uma série de azares na primeira parte da temporada. Em Santa Cruz do Sul, o piloto da Shell Racing teve uma ajuda providencial para subir ao topo do pódio pela primeira vez no ano.

Antes da largada da corrida 2 no interior gaúcho, Átila foi um dos vencedores do Fan Push, botão de ultrapassagem extra por meio de votação com os fãs da Stock Car. Abreu foi um dos seis escolhidos, e foi quem melhor tirou proveito do push-to-pass a mais em seu carro.

Átila vinha em grande disputa pela ponta com Thiago Camilo. Mas foi o sorocabano quem levou a melhor. Antes de sair da curva, o #51 acionou o Fan Push e aproveitou a potência extra na reta de Santa Cruz do Sul para fazer a ultrapassagem e rumar para uma vitória redentora na carreira.
 

(Átila Abreu passa Thiago Camilo com a ajuda do Fan Push (Foto: Fernanda Freixosa/Vicar/Vipcomm))

Rubens Barrichello e a pole que veio após volta mágica em Curitiba (Rubens Barrichello)

9) A VOLTA MÁGICA
 

Rubens Barrichello chegou a Curitiba depois de ter vivido um dos momentos mais emocionantes da carreira e da vida — falaremos mais sobre isso logo mais. O grande favorito à pole-position, até por conta do seu histórico recente e do bom desempenho nos treinos livres, era Daniel Serra. Mas o campeão de 2014 sempre é um dos protagonistas dos treinos classificatórios da Stock Car. E roubou a cena no momento decisivo no AIC.

No Q2, os seis mais rápidos ficaram separados por apenas 0s090. O que indicava uma batalha ainda mais parelha pela pole-position. Mas Barrichello tratou de contrariar as previsões com uma volta mágica. Rubens tirou o coelho da cartola na hora certa para cravar 1min18s029. A vantagem para o segundo do grid, que foi Serrinha, ficou em 0s274, uma enormidade para os padrões da Stock Car.

Rubens Barrichello, mais uma vez, emocionava o fã do automobilismo com outro grande feito na Stock Car.

8) O CONVIDADO DE LUXO

Cerca de três meses depois de ter encerrado uma carreira muito digna e vencedora na F1, Felipe Massa tinha a chance de voltar a acelerar. E com a ansiedade de um menino, o piloto foi o convidado de Cacá Bueno para compartilhar o volante do carro #0 da Cimed durante a Corrida de Duplas no começo de março, em Interlagos.

Mesmo diante de um hiato de quase 20 anos sem guiar de forma competitiva um carro de turismo, Massa mostrou toda a sua categoria a bordo do bólido verde e amarelo do pentacampeão da Stock Car e não fez feio, mostrando rápida adaptação. Fora das pistas, Massa foi um dos grandes centros das atenções da prova.

Na corrida, marcada por muita chuva no começo e pista mais seca na segunda parte, Cacá Bueno foi bem e chegou a andar em segundo depois de ter largado em 11º. Massa, no entanto, deu azar ao enfrentar problemas no motor depois que assumiu a condução do #0. A dupla terminou em 13º, mas com a sensação de que poderia ter ido muito mais além.

A Stock Car agradou Massa e vice-versa. E é possível que o piloto, agora envolvido no projeto da Venturi na Fórmula E, acelere novamente no Brasil e faça parte da Corrida do Milhão. É esperar e ver o que vai acontecer.
(Felipe Massa se mostra à vontade no seu debute pela Stock Car (Foto: Bruno Terena/RF1))

7) A GRANDE VIRADA
 

Imagine que você tem um carro rápido, na mão, capaz de lutar por vitória e candidato a figurar no rol dos maiores pontuadores de uma etapa. Era essa a condição de Felipe Fraga na gelada e caótica etapa de Santa Cruz do Sul.

Por conta das fortes chuvas no sábado, o treino classificatório no interior gaúcho foi transferido para a manhã de domingo. E Fraga, que tinha chances reais de largar na pole, foi vítima de um problema raro na Stock Car: uma quebra no motor. A falha mecânica, num momento crucial, o levou para o fim do grid.

A Cimed trabalhou duro para conseguir fazer a troca e colocar o campeão de 2016 de volta à briga. O esforço valeu a pena. De último no grid, Fraga fez várias ultrapassagens e terminou a corrida 1 em 15º — que virou 14º após uma punição imposta a Thiago Camilo. E na corrida 2, Felipe foi ainda melhor e sacramentou a volta por cima com outro grande desempenho, que foi coroado com o terceiro lugar. Certamente, um terceiro com sabor de vitória para Fraga.
 

(Felipe Fraga em Santa Cruz do Sul (Foto: Duda Bairros/Vicar/Vipcomm))

Lucas Di Grassi entrou para a galeria dos vencedores da Stock Car (Lucas Di Grassi festeja mais uma vitória na Stock Car (Foto: Fernanda Freixosa/Vicar/Vipcomm))

6) VEIO, VIU E VENCEU
 

Lucas Di Grassi chegou à Stock Car como uma grande estrela. E não é à toa. Em fase iluminada, o paulista aportou à categoria brasileira como o atual campeão da Fórmula E pela Audi e assumiu o desafio de ser o grande líder da Hero, que, na prática, é a segunda equipe de Rosinei Campos, o ‘Meinha’. Mas o talento de Lucas vem fazendo a diferença desde o começo.

Em Curitiba, Di Grassi fez sua primeira rodada dupla em participação solo na Stock Car. Até então, o piloto só havia feito a Corrida de Duplas, fosse como convidado de Thiago Camilo em 2014, 2015 e 2016, ou então como anfitrião de Augusto Farfus neste ano. Pode-se dizer que a estreia de Lucas foi marcante.

O dono do carro #11 teve uma jornada sólida e ótimo ritmo nas duas corridas. Na primeira prova, alcançou um bom sexto lugar, que lhe valeu o quinto lugar do grid da disputa complementar. Lucas apresentou bela performance e esteve sempre ali entre os primeiros colocados. E ainda tirou proveito das quebras dos carros de Marcos Gomes e César Ramos. Lucas assumiu a liderança, segurou uma pressão inicial de Cacá Bueno e venceu. De quebra, ainda com quatro botões de ultrapassagem por usar.

Uma grande vitória logo na sua primeira participação sozinho na Stock Car.

5) O FIM DO JEJUM
 

Marcos Gomes é conhecido por sua tranquilidade fora das pistas e também por ser um dos pilotos mais cerebrais da Stock Car quando está em ação. Contudo, mesmo com sua notória capacidade — refletida pelo título conquistado em 2015 —, o filho de Paulão Gomes amargou um jejum de quase dois anos sem vitória. A última havia sido em Goiânia, no dia 22 de maio de 2016.

Por muitas vezes, Marquinhos ‘bateu na trave’, era vítima de problemas ou então lidava com as dificuldades naturais de uma categoria extremamente competitiva. Mas o #80 jamais desistiu de voltar ao topo do pódio. Até que veio Santa Cruz do Sul. Era a grande chance de retomar o caminho das vitórias e ganhar uma motivação a mais antes das férias da Stock Car.

E que vitória. Com direito a uma pole-position soberana na manhã de domingo no interior gaúcho. Já durante a corrida, Gomes foi dominante e foi valente ao ver Serra sempre por perto no retrovisor. Mas desta vez, foi o piloto da Cimed quem comemorou a conquista. E finalmente pode festejar o sonhado fim do jejum.
(Marcos Gomes (Duda Bairros/Vicar/Vipcomm))

4) A VOLTA DO CAMPEÃO
 

Em 2017, Cacá Bueno viveu um raro ano sem vitórias na Stock Car. Ou, como ele mesmo definiu, “não foi um ano de Cacá Bueno”. Depois de oito anos correndo pela Red Bull sob os comandos de Andreas Mattheis, o pentacampeão do mundo foi contratado pela Cimed após a marca taurina deixar o grid da Stock Car como equipe. E mesmo conhecendo o trabaho de William Lube desde os tempos de Trofeo Linea, a adaptação à nova casa levou mais tempo que o esperado.

Assim, os resultados aos quais Cacá estava acostumado não vieram em 2017, um ano de uma temporada abaixo do esperado. Mas a nova temporada trouxe uma nova motivação ao carioca, disposto a mostrar que o pentacampeão continuava lá, firme, forte e ainda com fome de vitórias e títulos.

Segundo colocado na corrida 2 em Curitiba, Cacá foi ao Velopark como um dos favoritos por conta de todo seu histórico vencedor. O sábado foi marcado por uma chuva torrencial e uma polêmica por conta da divisão dos grupos. A chuva veio com maior intensidade durante a segunda metade do Q1, quando os pilotos do Grupo 2 foram à pista. A sessão chegou a ser paralisada por mais de duas horas por falta de condições e, neste tempo, os competidores discutiram uma forma de voltar à pista para nova tentativa de voltas rápidas e um lugar no Q2.

Cacá, que figurou no primeiro grupo no Q1, foi o mais rápido da sua série e mostrou ótimo desempenho no molhado. A performance continuou na sequência da sessão, e o #0 comemorou a pole-position no Velopark.

Veio a corrida, e a grande jornada se confirmou. Com pista seca, Cacá não teve, por muitas voltas, o melhor ritmo, uma vez que teve de se defender da pressão imposta por Ricardo Zonta, da Shell Racing. Mas valeu a experiência e, como diria o pai, ‘na ponta dos dedos’, Bueno voltou a comemorar uma vitória, a sua primeira pela Cimed, encerrando uma seca que também já durava quase dois anos na Stock Car.
 

3) O FILHO DA DONA MARIA
 

Uma semana antes do Dia das Mães, a RC Eurofarma preparou uma grande surpresa para Max Wilson e trouxe como convidada, sem o piloto saber, sua mãe. Dona Maria jamais havia antes visto uma corrida do filho ‘in loco’, nos autódromos. Em Londrina, ela foi o grande talismã de Max, emocionou não apenas o campeão de 2010, mas a todos no Autódromo Internacional Ayrton Senna.

Max largou na primeira fila da corrida 1, mas deu o bote e fez uma ultrapassagem magnífica, por fora, sobre o amigo Rubens Barrichello. No peito, na raça e na base da experiência, Wilson se segurou na liderança mesmo após as paradas para trocas de pneus e reabastecimento e confirmou uma vitória emocionante. Que foi festejada, claro, ao lado de Dona Maria no topo do pódio. Um dos momentos mais marcantes da temporada, sem dúvidas.

Max Wilson festeja grande vitória em Londrina ao lado da mãe, Dona Maria (Dona Maria e Max Wilson no topo do pódio em Londrina (Foto: Fernanda Freixosa/Vicar/Vipcomm))

2) A DUPLA QUE DEU CERTO
 

A Corrida de Duplas é a oportunidade que muitos pilotos e equipes têm de trazer grandes nomes do automobilismo brasileiro e mundial para acelerar na Stock Car. A Prati-Donaduzzi, por exemplo, trouxe Oliver Jarvis e Jamie Green para fazer par com Antonio Pizzonia e Julio Campos, respectivamente; Laurens Vanthoor e Mark Winterbottom foram os convidados da Shell Racing, enquanto Felipe Nasr formou dupla com Ricardo Maurício. Além do já citado Felipe Massa, parceiro de Cacá Bueno.

Atual campeão, Daniel Serra iniciou sua jornada rumo ao bi trazendo um piloto que há mais de uma década não sabia o que era guiar em Interlagos. João Paulo de Oliveira, radicado há 14 anos no Japão, foi o convidado do piloto da RC Eurofarma e encarou uma viagem de mais de 24 horas para acelerar pela primeira vez na Stock Car.

O longo tempo de viagem o impediu de fazer parte dos testes coletivos de quarta-feira. Mas a experiência de tantos anos correndo no Super GT japonês, ainda que seja um carro bem diferente do Stock Car, ajudou JP a superar as dificuldades de adaptação. A dupla se encaixou como uma luva e pode comemorar uma grande pole-position na sexta-feira.

No sábado, o conjunto se mostrou ainda mais forte. Coube a Oliveira fazer a largada, bastante caótica em razão do temporal que desabava naquele momento. Com uma paciência oriental, JP se segurou entre os primeiros antes de entregar o carro a Serrinha, que se encarregou de completar o belo trabalho e começar a temporada com vitória. Vitória de uma dupla formada por dois dos grandes pilotos brasileiros da atualidade.
 

(JP de Oliveira sobe no pódio da Corrida de Duplas com Daniel Serra)

1) A VITÓRIA DA VIDA
 

Muito carismático e querido por pilotos e fãs, Rubens Barrichello viveu um susto no começo do ano e deixou o mundo do esporte em alerta. No fim de janeiro, o recordista de largadas na F1 sofreu um AVC em Orlando, nos Estados Unidos, onde mora. Foram cerca de dez dias internado, mas Rubens escapou praticamente sem nenhuma sequela. Contudo, o piloto havia se tornado dúvida para a Corrida de Duplas da Stock Car, que aconteceria em pouco mais de um mês depois.

Emocionado e com brilho nos olhos, Barrichello aproveitou suas redes sociais para anunciar não apenas que correria em Interlagos em março, mas também seu parceiro na prova: o luso Filipe Albuquerque, que compartilhou o volante do carro #111 da Full Time.

Só de estar ali, acelerando no circuito que foi o quintal da sua casa, já era uma façanha e tanto para quem havia sofrido tão grave problema de saúde. Mas Barrichello queria mais. Ao lado de Albuquerque, o campeão de 2014 ficou muito perto da pole-position em Interlagos e obteve um bom terceiro lugar.

Coube a Albuquerque fazer a largada para a dupla, enquanto Barrichello, ‘no braço’, completou a jornada e ficou muito perto de Serrinha para cruzar a linha de chegada em segundo. Rubens não conteve as lágrimas e lembrou de tudo o que passou e da superação para festejar o resultado que marcou uma vitória. Muito além que o feito das pistas em si, era a celebração da nova vida de Rubens Barrichello: “Eu tive uma coisa que 14% das pessoas que tiveram saem como eu saí. Estou feliz demais”, vibrou o grande campeão.

A imagem da temporada: Barrichello celebra a vida ao lado do filho (Rubens Barrichello)

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