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Os maiores pilotos da F1 por aproveitamento

Lewis Hamilton é o maior vencedor de corridas na história da categoria e caminha para igualar o número de títulos de Michael Schumacher. Porém, em aproveitamento, quem são os maiores entre os melhores?

Lewis Hamilton é o maior piloto da história da Fórmula 1? Ou é Michael Schumacher? Ah, já sei, é o Ayrton Senna? Ok, nessas horas sempre vem aquele que diz que “vocês dizem isso porque nunca viram Juan Manuel Fangio ou Jim Clark correrem”. A verdade é que tudo isso é relativo. Por isso, que tal olhar para os números da F1 de uma forma diferente, pelo aproveitamento?

Claro que nem assim os números, sempre frios, entregam toda a verdade. Há a percepção humana, o envolvimento do público, o que cada um fez além das pistas e, obviamente, as diferenças entre carros e campeonatos das mais diversas épocas. Olhar porcentagens em vez de números absolutos pode, claro, atenuar distorções causadas por épocas em que se corrida muito menos que hoje – mas eleva, também, pilotos que por algum motivo correram muito pouco, entre outas questões.

Michael Schumacher, Ferrari
Michael Schumacher é o maior campeão da F1, com sete títulos – mas como ele se sai em termos de aproveitamento? (Foto: Reprodução/Site oficial/Michael-Schumacher)

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Michael Schumacher é um exemplo clássico: o alemão, após se aposentar, retornou para a F1 e fez mais três temporadas pela Mercedes. Sem vitórias e com um único pódio, tal período fez com que o aproveitamento do heptacampeão caísse, ainda que sem afetar seus números absolutos.

Além disso, campões que morreram jovens podem ter sido privados de conquistar mais vitórias e títulos, mas também não passaram pelo mesmo período de fim de carreira de campeões como Schumacher, Kimi Räikkönen e Fernando Alonso, apenas para citar três recentes.

Dito isso, vamos aos aproveitamentos da Fórmula 1 neste top 10 especial, em números contabilizados até o último GP de Eifel de 2020:

Porcentagem de corridas nos pontos

Aqui, Lewis Hamilton lidera: o inglês terminou, na carreira, 85,82% das corridas que disputou na zona de pontos. Ele, claro, é ajudado pelo simples fato de que, hoje, os dez primeiros pontuam na categoria.

O curioso é o segundo colocado: Fangio. Com 43 GPs terminados da zona de pontuação (de 53 disputados), o argentino tem um aproveitamento de 81,13% no quesito. Isso em uma época onde apenas cinco pontuavam. Também eram mais comuns as quebras e os abandonos.

A seguir temos apenas pilotos da F1 atual: Sebastian Vetel (79,37%), Max Verstappen (74,37%) e Valtteri Bottas (74,17%). Em sexto, mais um expoente dos anos 1950: Nino Farina, o primeiro campeão mundial da história da categoria, com 73,53% de aproveitamento.

Porcentagem de pódios

Nesse quesito, as carreiras-relâmpago do passado (quando comparado com o número de GPs por temporada de hoje) acabam fazendo a diferença.

O desconhecido italiano Dorino Serafini é o único a ter 100% de aproveitamento nos pódios na carreira na F1. Afinal, o piloto competiu em apenas uma corrida em 1950, colocando em segundo a sua Ferrari 375 no GP da Itália daquele ano. Isso tudo, claro, considerando apenas provas válidas para o Mundial de Pilotos.

O segundo colocado no quesito é outro italiano, Luigi Fagioli, que participou de sete GPs oficiais entre 1950 e 1951, chegando ao pódio em seis deles – um aproveitamento de 85,71%. O piloto da Alfa Romeo ainda teve uma vitória, no GP da França de 1951.

A estátua de Fangio em frente ao museu da Mercedes: o argentino é figurinha repetida nos ranking de aproveitamento da F1 (Foto: Wikimedia Commons)

O terceiro é Juan Manuel Fangio, com um aproveitamento de 67,31% para o pentacampeão. Lewis Hamilton vem logo atrás, com 61,30%, seguido por Nino Farina (58,82%). Ou seja, o atual heptacampeão de aproveitamento de piloto dos anos 1950.

Michael Schumacher, para comparação, tem um aproveitamento de 50,32% em pódios e é o nono lugar no ranking geral do quesito, atrás de Alberto Ascari.

Porcentagem de voltas mais rápidas

Entre 1950 e 1960, para garantir o caráter “mundial” ao certame, a Fórmula 1 tinha as 500 Milhas de Indianápolis em seu calendário. No entanto, a prova americana já era disputada em circuito oval, com carros muito diferentes, e o intercâmbio entre EUA e Europa se tornou extremamente raro. Porém, muitos pilotos americanos da Indy acabaram entrando nas estatísticas da F1 justamente por causa de suas conquistas no Brickyard.

Esse é o caso das maiores porcentagens de voltas mais rápidas na F1. Bill Vukovich participou de cinco Indy 500 naquele tempo, fez a volta mais rápida em três e tem 60% de aproveitamento na carreira. O segundo lugar é quase igual: Lee Wallard participou de duas corridas em Indianápolis, fez a volta mais rápida em uma e tem 50% de aproveitamento, sendo o vice-líder no quesito.

Em terceiro vem Fangio, com o argentino tendo um aproveitamento de 45,1%. Jim Clark é o quarto (38,89%), seguido por Alberto Ascari (37,5%) e Stirling Moss (28,79%). Só aí vem Michael Schumacher, em sétimo, com 25,16%.

Aproveitamento de voltas mais rápidas por temporada

Considerando o aproveitamento de voltas mais rápidas em apenas uma temporada, o líder do ranking é Alberto Ascari: o italiano teve 75% (seis em oito provas) na temporada de 1952. Fangio, em 1951, conquistou 62,5% das voltas mais rápidas, enquanto Jim Clark teve 60% de aproveitamento em dois anos diferentes: 1963 e 1965.

Jim Clark no GP da Bélgica, na década de 1960 (Foto: Pinterest)

Como se não fosse o bastante, Clark também aparece em quinto, com 55,56% de aproveitamento em 1962. O número é o mesmo de Michael Schumacher em 2004 e de Kimi Räikönen em 2008. Outro finlandês, Mika Häkkonen, conquistou 52,94% das voltas mais rápidas em 2000, enquanto Kimi reaparece em nono, com 52,63% em 2005.

Porcentagem de GPs liderados

Uma estatística pouco conhecida pelos fãs da F1 é o de mais corridas lideradas por pelo menos uma volta – quesito liderado por Lewis Hamilton, com 158 GPs. Porém, como é esse ranking em termos percentuais?

Curiosamente, o alemão Markus Winkelhock é o líder, com nada menos que 100% de aproveitamento. Pois é: o piloto foi chamado para cobrir Christijan Albers no GP da Europa de 2007 e acabou assumindo a liderança nas primeiras voltas, por conta de uma confusão com a pista molhada e trocas de pneus. Como dele nunca mais competiu na categoria, ficou com 100% de aproveitamento.

Ainda no quesito, o vice-líder é, adivinhe só, Fangio, com também impressionantes 71,70% de aproveitamento. Depois estão dois pilotos da Indy 500 (Jack McGrath e Bill Vukovich, ambos com 66,67%), Alberto Ascari (63,64%) e Lewis Hamilton (60,54%). A lista continua com Jim Clark, com 58,90, seguido por Ayrton Senna (53,90%) e Jackie Stewart (51%).

Aproveitamento de poles

Ainda que não valha pontos, a pole position é uma das conquistas mais valorizadas na F1. Afinal, revela os pilotos que conseguem ser extremamente rápidos em uma só volta, extraindo o máximo de seu carro.

Por isso, o aproveitamento no quesito é visto, por muitos, como uma forma de aferir os mais rápidos da história da categoria.

Agora, tal líder não é Ayrton Senna, nem Jim Clark, mas sim Juan Manuel Fangio. O argentino tem impressionantes 55,77% de aproveitamento em poles na carreira. Clark surge em segundo, com 45,21%, seguido por Alberto Ascari (42,42%). Senna é “apenas” o quinto, com 40,12%.

Senna não é o piloto com maior aproveitamento de poles na F1 (Foto: Reddit)

O primeiro representante dos tempos atuais nessa lista é Lewis Hamilton, com um aproveitamento de 36,78% em poles. Depois vem Stirling Moss (23,88%), Sebastian Vettel (22,62%) e Michael Schumacher (22,08%).

Porcentagem de poles em uma temporada

Este é outro ranking que muitos devem estar imaginando que é liderado por Ayrton Senna, mas não é, não. O piloto que tem o maior aproveitamento em pole positions em uma única temporada é Nigel Mansell, com 87,80% em 1992 (14 de 16). Tudo graças ao foguete que a Williams tinha naquela época.

Senna é o vice-líder no quesito, por dois anos diferentes. O brasileiro teve um aproveitamento de 81,25% em 1988 e 1989 (13 em 16), com uma McLaren que também era de outro mundo. Alain Prost, com a super Williams de 1993, também conquistou o exato mesmo número.

O primeiro piloto da F1 atual a aparecer no ranking é Vettel. O alemão obteve 78,95% (15 de 19) das poles de 2011. O alemão está à frente de Fangio (75% em 1956), Clark (70% em 1963) e Mika Häkkinen (68,75% em 1999).

Porcentagem de vitórias

Por motivos óbvios, a relação entre GPs disputados e vencidos é muito importante para entender o domínio de cada piloto em sua época. E aqui, como em rankings anteriores, o pouco número de corridas no passado e o domínio amplo de certos pilotos acaba por distorcer um pouco os números.

Em aproveitamento, Juan Manuel Fangio é o maior vencedor da história da F1, com 45,15%. Ele é seguido por Aberto Ascari, com 39,39%. Em seguida vem um impressionante Lewis Hamilton, com o inglês cravando seu nome entre as lendas do passado com um aproveitamento de 34,87%.

Lewis Hamilton, GP da Espanha 2020,
Hamilton tem um aproveitamento de vitórias digno de piloto dos anos 1950 (Foto: Reprodução/Twitter/@LewisHamilton)

Jim Clark é o quarto, com 34,25%; seguido por dois pilotos da Indy (Lee Wallard e Bill Vukovich), com 33,33% cada. Schumacher surge em sétimo, com 29,55%. Depois estão Stewart (27%), Senna (25,31%) e Prost (25,25%).

Aproveitamento de vitórias por temporada

Em termos de domínio anual, o maior vencedor de uma só temporada em aproveitamento é Ascari, com 75% em 1952 (seis em oito GPs). Em segundo está Michael Schumacher, que dominou 2004 com 72,22% das vitórias (13 em 18). Ambos pilotavam pela Ferrari.

Jim Clark vem em terceiro, com 70% das vitórias de 1963 (sete em dez); seguido por Vettel (68,42% em 2013, 13 vitórias em 19 GPs) e Fangio (66,67% em 1954, com seis vitórias em nove corridas). O Schumacher de 2004 vem em sexto (64,71%, 11 vitórias em 17 provas). A lista ainda traz o domínio de Clark em 1965 (60%), Vettel em 2011 (57,80%), Hamilton em 2014 (também 58,89%) e, mais uma vez, Fangio, agora em 1955 (57,14%).

Aproveitamento de títulos

Por fim, a equação mais importante: o número de temporadas disputadas versus o de títulos conquistados.

Esse não é nenhum ranking oficial da F1 e, claro, pilotos que demoraram muito tempo para serem campeões ou que correram por muito tempo no meio do pelotão após suas conquistas podem ser penalizados. Porém, revela aqueles que souberam por mais tempo se manter no topo e saíram do esporte enquanto ainda estavam lá – ou que, infelizmente, perderam a vida em seu auge (ainda que, certamente, poderiam lutar por mais conquistas).

Pesa, também, pilotos que acabaram fazendo corridas-tampão em algum momento da carreira, sem necessariamente correr uma temporada inteira. É o caso de Sebastian Vettel em 2007, por exemplo.

Dito tudo isso, o maior aproveitamento de títulos mundiais é de Juan Manuel Fangio. O argentino teve cinco conquistas em oito temporadas disputadas, alcançando a impressionante marca de 62,5% de aproveitamento.

Vale dizer, também, que Fangio tinha já 38 anos quando a F1 começou, em 1950 – e se aposentou em 1958, com 47. Foi uma carreira relativamente curta e tardia, ainda que em tempos nos quais os carros da categoria tinham uma exigência física bem diferente da atual.

Quando for campeão de 2020, Hamilton alcançará um aproveitamento de 50% em títulos (Foto: AFP)

Em segundo lugar temos Lewis Hamilton, com 46,15% de aproveitamento até o ano passado. Se o inglês confirmar o título deste ano (o que, convenhamos, é questão de tempo), ele terá um aproveitamento de 50%. Ou seja, Hamilton venceu metade dos campeonatos da Fórmula 1 que disputou.

Michael Schumacher, atual líder em títulos, teve um aproveitamento de 36,84%, número que acabou caindo com a sua passagem pela Mercedes entre 2010 e 2012. Jackie Stewart, que se aposentou no auge, teve um aproveitamento de 33,33%, mesma porcentagem do bicampeão Alberto Ascari.

O tetracampeão Sebastian Vettel venceu 30,76% dos certames que disputou até 2019, número que cairá para 28,57% ao final de 2020 (que, como sabemos, não será vencido pelo alemão). Outro tetracampeão, Alain Prost, tem o mesmo aproveitamento: 30,76%.

A lista continua com Ayrton Senna (27,27%), Niki Lauda (23%), Jim Clark (22,22%) e Nelson Piquet (21,4%).

Diga: você, agora, tem uma ideia melhor sobre quem foi, em termos de aproveitamento, o maior piloto da história da Fórmula 1? Não sei vocês, mas toda essa análise só me fez perceber uma coisa: o coração sempre falará mais rápido do que a razão.

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