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Os últimos novos vencedores da Fórmula 1

Somente dez pilotos venceram na Fórmula 1 pela primeira vez num espaço de pouco mais de uma década. Enquanto alguns nomes brilham até hoje no grid, outros estão há muitos anos afastados das corridas

PASTOR MALDONADO; WILLIAMS; GP DA ESPANHA; BARCELONA; 2012
Pastor Maldonado conquistou a última vitória da Williams na F1 (Foto: Williams)

Ao cruzar a linha de chegada no mítico circuito de Monza e vencer de forma incrível o GP da Itália do último domingo (6), Pierre Gasly tornou-se o 109º piloto da história a triunfar em uma corrida do Mundial de Fórmula 1. A bordo do carro da AlphaTauri empurrado pelo motor Honda, o francês de 24 anos quebrou uma hegemonia do trio Mercedes-Red Bull-Ferrari que durava desde quando Kimi Räikkönen faturou o GP da Austrália de 2013 com a Lotus, sucessora e, ao mesmo tempo, antecessora da Renault como conhecemos hoje. Gasly entrou para a galeria dos novos vencedores da F1.

Trata-se de uma façanha e tanto. Mas também é verdade que, cada vez menos, a Fórmula 1 conhece novos pilotos vencedores. Desde que Heikki Kovalainen venceu o GP da Hungria de 2008 a bordo da McLaren e tornou-se o 100º homem da história a triunfar em uma etapa do Mundial, somente outros nove competidores triunfaram pela primeira vez. E tudo isso num espaço de quase 11 anos.

Tudo depende muito da ordem de forças e da dinâmica da Fórmula 1 em cada temporada. Naquele 2008, por exemplo, além de Kovalainen e Sebastian Vettel, que assim como Gasly, venceu em Monza a bordo da Toro Rosso, antigo nome da AlphaTauri, Robert Kubica subiu ao topo do pódio pela primeira e única vez na carreira a bordo de uma BMW que despontava como uma das forças daquele campeonato.

Com o passar dos anos e a polarização da Fórmula 1, sobretudo a partir do início da era híbrida de motores, vencer corridas tornou-se praticamente um monopólio de quem corria por Mercedes, Red Bull e Ferrari. Tanto que, entre 2014 e 2019, quatro pilotos provaram o doce sabor da vitória pela primeira vez, e sempre correndo por uma dessas equipes. Até que Gasly quebrou a sequência no último domingo. Tudo isso só representa, ainda que a conquista do francês tenha sido circunstancial, o gigante feito logrado em Monza.

Mas para traçar um paralelo com outra competição de ponta do esporte a motor, por exemplo, a MotoGP, somente nos dois últimos anos, revelou cinco novos vencedores, sendo que três foram conhecidos somente nesta incomum temporada marcada, até o momento, pela ausência do hexacampeão Marc Márquez. Danilo Petrucci, da Ducati, e Álex Rins, da Suzuki, triunfaram pela primeira vez no ano passado, enquanto Fabio Quartararo, da SRT Yamaha, Brad Binder, da KTM, e Miguel Oliveira, da Tech3 KTM, alcançaram o topo nas primeiras corridas de 2020.

Pierre Gasly vibra com a primeira vitória (Foto: AlphaTauri)

A seguir, o GRANDE PREMIUM elenca os dez últimos novos vencedores da Fórmula 1. De Kovalainen a Gasly, há quem hoje esteja aposentado das pistas, quem ainda dispute suas corridas aqui e ali, quem planeja voltar a acelerar e também aqueles que ainda têm no horizonte o sonho de um dia ser campeão mundial da principal categoria do esporte a motor.

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Heikki Kovalainen, GP da Hungria, 3 de agosto de 2008

HEIKKI KOVALAINEN; MCLAREN; 2008; GP DA HUNGRIA;
Heikki Kovalainen foi o centésimo piloto da história a vencer pelo menos uma vez na F1 (Foto: Bridgestone)

A única vitória do finlandês, hoje com 38 anos, na Fórmula 1, aconteceu em Hungaroring. O nórdico era companheiro de equipe de Lewis Hamilton na McLaren e havia sido contratado para substituir Fernando Alonso, a reboque da rivalidade que o espanhol travou com o então prodígio britânico em 2007.

O triunfo de ‘Kova’ veio, no entanto, na esteira de um golpe de azar sofrido por Felipe Massa, que caminhava para vencer fácil em Budapeste quando sofreu um problema no motor da sua Ferrari com três voltas para o fim. Aquele episódio também contribuiu para que o brasileiro não tivesse sido campeão naquela temporada.

Heikki, por sua vez, correu pela McLaren até 2009 para ter sido contratado pela Lotus ‘verde’, de Tony Fernandes, que mudou de nome para Caterham em 2012. Em 2013, fez duas corridas pela Lotus preta em substituição a Kimi Räikkönen. Kovalainen corre até hoje e disputa corridas do Super GT japonês na classe GT500.

Sebastian Vettel, GP da Itália, 14 de setembro de 2008

O triunfo histórico daquele menino alemão de 21 anos, 2 meses e 11 dias marcou época na Fórmula 1. Sebastian Vettel, a bordo da Toro Rosso em um fim de semana iluminado no templo da velocidade, tornava-se o mais jovem vencedor da F1 em todos os tempos, quebrando o recorde que antes pertencia a Fernando Alonso.

Vettel, daí em diante, tornou-se uma estrela de primeira grandeza e escreveu seu nome na história. Liderou uma dinastia impensável da Red Bull e conquistou nada menos que quatro títulos mundiais entre 2010 e 2013. Em 2015, foi contratado a peso de ouro pela Ferrari e, embora não tenha conseguido repetir os anos de ouro vividos com os energéticos, entregou 14 vitórias à escuderia de Maranello.

O alemão, atualmente com 33 anos, tem um total de 53 vitórias, 57 poles e 120 pódios. Seb está perto do fim do ciclo com a Ferrari e prestes a definir seu futuro na Fórmula 1.

SEBASTIAN VETTEL; TORO ROSSO; GP DA ITÁLIA; MONZA; 2008
Sebastian Vettel venceu pela primeira vez no templo da velocidade em 2008 com a Toro Rosso (Foto: Bridgestone Motorsport)

Mark Webber, GP da Alemanha, 12 de julho de 2009

Hoje com 44 anos, Mark Webber só foi vencer uma corrida no Mundial de Fórmula 1 na sua oitava temporada, quando a Red Bull havia saído do patamar de equipe de meio de grid para virar grande no Mundial. Com passagens por Minardi, Jaguar e Williams antes de correr pela equipe chefiada por Christian Horner, Webber faturou seu primeiro troféu de vencedor na F1 quando já tinha 32 anos, 10 meses e 15 dias.

Desde então, Mark conquistou mais oito vitórias na carreira, todas pela Red Bull. Webber travou algumas polêmicas com Vettel ao longo da sua passagem pela equipe taurina antes de encerrar a carreira em 2013 para dar lugar ao jovem Daniel Ricciardo, promovido por Horner e Helmut Marko após correr um ano pela Toro Rosso.

Em 2014, foi contratado pela Porsche para representar a marca alemã na classe LMP1 no Mundial de Endurance e conquistou o título do WEC no ano seguinte ao lado de Timo Bernhard e Brendon Hartley. Webber encerrou uma carreira digna e vencedora nas pistas ao fim de 2017.

MARK WEBBER; GP DA ALEMANHA; 2009; RED BULL;
A primeira vitória do australiano Mark Webber na F1 foi em Nürburgring (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

Nico Rosberg, GP da China, 15 de abril de 2012

A Mercedes era a quarta força da Fórmula 1 no começo de 2012. Era o terceiro ano de um projeto que, pouco depois, estabelecia as bases da nova senhora soberana do grid. A escuderia prateada, então comandada por Ross Brawn e Norbert Haug, tinha como pilotos o promissor Nico Rosberg e o veterano Michael Schumacher, que decidiu voltar da aposentadoria para ajudar a marca que o alçou para o mundo da F1 no começo dos anos 1990.

Coube a Rosberg, no circuito de Xangai, levar a Mercedes à sua primeira vitória desde que Juan Manuel Fangio triunfou com a equipe no GP da Itália de 1955. Filho de Keke Rosberg, Nico tinha 26 anos, 9 meses e 19 dias quando escalou o degrau mais alto do pódio na China.

O restante é história. Rosberg foi um dos pilares do domínio exercido pela Mercedes com a entrada em vigor da era híbrida de motores a partir de 2014 e foi, até hoje, o único piloto que conseguiu bater Lewis Hamilton e conquistar um título mundial neste período, em 2016. Cinco dias depois de faturar a taça, Nico surpreendeu o mundo e anunciou sua aposentadoria das pistas. Hoje, o alemão de 35 anos atua como YouTuber e comentarista da Fórmula 1.

NICO ROSBERG; MERCEDES; GP DA CHINA; XANGAI; 2012
Nico Rosberg foi o primeiro piloto a vencer na nova era da Mercedes na F1 (Foto: Mercedes)

Pastor Maldonado, GP da Espanha, 13 de maio de 2012

Depois de Gasly, talvez esta seja a vitória mais surpreendente de todas a fazer parte desta lista. Pastor Maldonado tinha 27 anos, 2 meses e 4 dias quando venceu pela primeira e única vez na Fórmula 1. Visto por muitos como um grande batedor de carros, arrojado, mas também muito afobado, o venezuelano foi alçado à Fórmula 1 graças aos petrodólares da PDVSA, a estatal petrolífera do país, graças ao impulso dado por Hugo Chávez.

Na época em que a Williams já andava mal das pernas, o dinheiro do patrocínio levado por Maldonado veio a calhar e ajudou no orçamento da equipe de Grove. Pastor estreou em 2011 como companheiro de equipe de Rubens Barrichello. No ano seguinte, teve outro brasileiro ao seu lado nos boxes: Bruno Senna.

PASTOR MALDONADO; WILLIAMS; GP DA ESPANHA; 2012; VITÓRIA;
Pastor Maldonado ao lado de Toto Wolff e Frank Williams na comemoração de uma vitória improvável na F1 (Foto: Williams)

O mais curioso é que a corrida daquele domingo em Barcelona não teve nenhum evento que tornasse a vitória de Maldonado improvável. Exceto pelo sábado, quando Lewis Hamilton, pouco depois de ter conquistado a pole, foi excluído da classificação por não ter apresentado combustível suficiente no tanque para análise. O venezuelano herdou a pole-position.

Na corrida, lutou contra dois grandes nomes da história da F1: Fernando Alonso, com a Ferrari, e Kimi Räikkönen, a bordo da Lotus. E levou a melhor, de forma incontestável, para espanto do mundo. Aquele 13 de maio de 2012 representou, também, a última vitória da Williams e um dos últimos sorrisos de Frank Williams na categoria. Maldonado correu até 2015 na F1, sendo que nos seus dois últimos anos defendeu a Lotus, sendo contratado para substituir Räikkönen. Depois de um hiato de três anos, fez as 24 Horas de Le Mans pela DragonSpeed na classe LMP2 em 2018 e 2019. Agora, tenta voltar à ativa.

Daniel Ricciardo, GP do Canadá, 8 de junho de 2014

A Mercedes já dominava a Fórmula 1 naquela temporada quando o dono do sorriso mais largo do grid entrou para a história como o 105º piloto a vencer uma corrida na categoria. O australiano quebrou a sequência de vitórias da escuderia prateada no Mundial ao ultrapassar Nico Rosberg na 68ª das 70 voltas no circuito Gilles Villeneuve.

Ricciardo, sexto no grid, se colocou na briga pela vitória após a segunda rodada de pit-stops, pouco após a metade da prova. Àquela altura, a Mercedes enfrentava sérios problemas mecânicos nos seus dois carros. A situação era tão feia que uma vantagem de mais de 25s foi por água abaixo. Lewis Hamilton não aguentou e recolheu para a garagem na volta 48.

DANIEL RICCIARDO; RED BULL; F1; GP DO CANADÁ; 2014
O sorriso de Daniel Ricciardo no topo do pódio do GP do Canadá de 2014 (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

Rosberg, sabe-se lá como, conseguiu resistir até que bem, mas dessa vez competindo dentro da categoria dos mortais. Foi pressionado por Sergio Pérez durante boa parte do trecho final da prova, só respirando mais aliviado quando a Force India ficou com os freios comprometidos. Aí que o #3 cresceu. Passou por Pérez na volta 66 e foi caçar a Mercedes do alemão para fazer seu sorriso brilhar no lugar mais alto do pódio em Montreal.

Aquele 2014 foi especial para Ricciardo porque o piloto, além de terminado só atrás de Hamilton e Rosberg no campeonato, conseguiu a façanha de derrotar Vettel, que estava de saída para a Ferrari. Daniel parecia ter vida longa na Red Bull, mas teve o destino mexido por um jovem holandês que, anos mais tarde, também faria história. Hoje, o australiano corre pela Renault, mas já está de malas prontas para defender a McLaren em 2021.

Max Verstappen, GP da Espanha, 15 de maio de 2016

Muitas vezes, o termo fazer história é usado de forma até banal, mas não é o caso aqui. Definitivamente, Max Verstappen escreveu para sempre seu nome na história da Fórmula 1 naquela primavera em Barcelona em 2016. Com somente 18 anos, 7 meses e 15 dias, o filho do ex-piloto Jos Verstappen se convertia no mais jovem vencedor da categoria em todos os tempos.

Verstappen disputou sua primeira temporada no já distante ano de 2015 e foi alçado ainda adolescente à F1 como piloto da Toro Rosso, fazendo dupla com Carlos Sainz. É verdade que naquela temporada, Daniil Kvyat, na Red Bull, andou bem e até superou Daniel Ricciardo no Mundial de Pilotos, mas Verstappen passava a chamar a atenção das equipes rivais do grid com ótimas atuações, muita personalidade e tão pouca idade.

Em 2016, Kvyat chegou até a marcar um pódio com o terceiro lugar no GP da China, mas cometeu um erro capital justamente na sua corrida de casa, o GP da Rússia, ao destruir a corrida do seu companheiro de equipe, Ricciardo. Com Verstappen em ascensão, a cúpula da Red Bull usou o pretexto que esperava para fazer a troca: Max foi promovido para a equipe principal a partir da quinta etapa, na Espanha, enquanto Kvyat foi rebaixado para a Toro Rosso.

MAX VERSTAPPEN; RED BULL; GP DA ESPANHA; 2016
Max Verstappen fez história como o mais jovem piloto a triunfar na F1 (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

Quis o destino que logo na primeira volta da corrida em Barcelona os dois maiores favoritos se enroscassem logo na quarta curva. Nico Rosberg e Lewis Hamilton se enroscaram e foram parar na caixa de brita. Fim de prova para a dupla da Mercedes. O episódio deixou a corrida totalmente aberta e, principalmente, nas mãos de dois nomes: Ricciardo e Verstappen, que assumiram as duas primeiras posições, respectivamente.

Verstappen levou a melhor com uma tática certeira de apenas dois pit-stops, contra três de Daniel Ricciardo, seu companheiro de equipe. O holandês resistiu como pode à pressão no fim de Kimi Räikkönen e, como um veterano, guiou monstruosamente em direção à sua primeira vitória na F1.

Hoje, prestes a completar 23 anos (em 30 de setembro), Verstappen é uma das grandes estrelas da atualidade e talvez o maior nome da F1 na geração pós-Lewis Hamilton.

Valtteri Bottas, GP da Rússia, 30 de abril de 2017

A aposentadoria de Nico Rosberg ao fim de 2016 representou, por tabela, a grande chance da carreira de Valtteri Bottas. O finlandês conseguiu empreender um começo muito promissor de trajetória como piloto da Williams, sendo impulsionado pelo seu então empresário, Toto Wolff, sendo parte importante do último suspiro da equipe de Grove entre 2014 e 2016 ao lado de Felipe Massa.

Bottas, que já havia sido cortejado até pela Ferrari, que acabou optando por manter Kimi Räikkönen por mais alguns anos, foi o escolhido por Toto Wolff para a vaga deixada pelo alemão campeão do mundo. Com personalidade tranquila e visto como um piloto que não tinha o costume de tumultuar o ambiente nos bastidores, o nórdico foi visto pelo dirigente austríaco como o nome ideal para ser o futuro companheiro de equipe de Hamilton.

VALTTERI BOTTAS; GP DA RÚSSIA; 2017; MERCEDES;
A primeira vitória de Bottas na Fórmula 1 veio com a Mercedes em Sóchi (Foto: AFP)

A bordo da melhor equipe do grid, Bottas passou a ter amplas chances de vitória. Era questão de tempo para que o piloto nascido em Nastola vencesse pela primeira vez. E este triunfo veio logo na sua quarta corrida com a Mercedes, em um dos circuitos em que se notabilizou por ter ótimo desempenho: Sóchi, na Rússia. Foi lá que, com 27 anos, 8 meses e 2 dias o finlandês venceu pela primeira vez.

Hoje, com 31 anos, de contrato renovado com a Mercedes até o fim de 2021 e com 8 vitórias no currículo, Bottas é aquele piloto que pode triunfar aqui e ali, mas é peça importante principalmente para ajudar a equipe de Brackley a somar pontos para o Mundial de Construtores.

Charles Leclerc, GP da Bélgica, 1º de setembro de 2019

Sergio Marchionne, presidente da Ferrari até pouco antes da sua morte, em julho de 2018, tinha um desejo claro: promover o jovem monegasco Charles Leclerc ao posto de titular da equipe de Maranello a partir do ano seguinte. A escolha do dirigente não era unanimidade, já que Maurizio Arrivabene, que comandava a escuderia, queria a permanência de Räikkönen por mais um ano.

No fim das contas, valeu o desejo do saudoso mandatário, e Leclerc, que havia feito ótimo ano de estreia na F1 pela Sauber, ganhou a oportunidade de vestir o cobiçado macacão vermelho. E não fez feio: logo nas primeiras corridas, mostrou personalidade e ‘peitou’ Sebastian Vettel, a ponto até de desobedecer ordens de equipe vindas da Ferrari para não atacar o tetracampeão.

CHARLES LECLERC; FERRARI; 2019; GP DA BÉLGICA;
Charles Leclerc homenageou o amigo Anthoine Hubert, que morreu um dia antes de sua primeira vitória na F1 (Foto: Ferrari)

A primeira vitória de Leclerc quase veio no GP do Bahrein de 2019, mas uma falha no motor Ferrari impediu a conquista. O monegasco terminou em terceiro, mas tinha a certeza de que o triunfo era questão de tempo. Por pouco, o triunfo não aconteceu no GP da Áustria, mas Charles foi superado por um aguerrido Verstappen nas voltas finais.

Depois da parada para as férias de verão na Europa, a Ferrari voltou à ativa com um motor que era um verdadeiro canhão. Com a unidade de potência renovada a partir do GP da Bélgica, Leclerc conquistou a pole de forma implacável, com 0s748 de vantagem para Vettel. Na corrida, liderou a maior parte das voltas e, com 21 anos, 2 meses e 11 dias, tornou-se o terceiro mais jovem piloto a vencer na F1.

Só que o canhão que empurrava o carro de Leclerc e Vettel tinha as suas irregularidades, denunciadas por Mercedes e Red Bull, e depois do GP dos Estados Unidos do ano passado, a Ferrari nunca mais foi a mesma. Desde então, a mais longeva escuderia do grid atravessa um período de crise que parece não ter fim. Leclerc, com contrato assinado com a Ferrari até 2024, é o nome do presente e do futuro de uma equipe que tenta se reinventar para voltar aos dias de glória na F1.

Pierre Gasly, GP da Itália, 6 de setembro de 2020

Há tempos que a Fórmula 1 não vivia uma corrida tão improvável. Com a Ferrari em crise e a Red Bull mal ao longo de todo o fim de semana do GP da Itália, a Mercedes despontava novamente como franca favorita em Monza. Mas enquanto Bottas fazia sua pior exibição no ano e tentava entender o que acontecia para a falta de performance, o que era impensável aconteceu: a equipe hexacampeã do mundo errou ao chamar Hamilton para trocar os pneus quando o pit-lane estava fechado após o safety-car decretado em razão do carro parado de Kevin Magnussen.

Hamilton foi punido e Pierre Gasly, que havia largado em décimo, fez seu pit-stop antes do safety-car. Por isso, a AlphaTauri conseguiu o pulo do gato com o francês, que estava em terceiro no grid da segunda largada, passou a Racing Point de Lance Stroll e, com Lewis partindo para cumprir seu stop-and-go, assumiu a liderança para não perder mais.

PIERRE GASLY; GP DA ITÁLIA; MONZA; 2020; ALPHATAURI;
Pierre Gasly se emociona no pódio da sua primeira vitória na F1 (Foto: F1/Twitter)

Foi a primeira vitória da escuderia chamada AlphaTauri, a terceira geração de quem um dia foi Minardi e Toro Rosso. Foi a primeira vitória de um valente Gasly, que amargou a humilhação das críticas públicas de Christian Horner e Helmut Marko e se superou depois de ter sido rebaixado da Red Bull para a Toro Rosso no meio do ano passado. Foi a primeira vitória de um piloto francês depois de mais de 24 anos.

Vencedor pela primeira vez com 24 anos, 6 meses e 30 dias, corrige uma injustiça história e coroa o espírito de luta de quem jamais pensou em desistir.

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