Siga-nos

10+

A história da F1 através da voz de Galvão

Galvão Bueno chega aos 70 anos como a voz do esporte no Brasil. E na Fórmula 1 foi onde criou quase uma aura

Galvão Bueno virou sinônimo de Fórmula 1 no Brasil (Foto: Reprodução/TV)

Galvão Bueno completa 70 anos nesta terça-feira (21). O narrador chega à terceira idade já como parte do folclore brasileiro: quando se pensa em esporte, é Galvão quem vem à mente.

Para a maior parte da população, esse vínculo vem através do futebol, principal esporte no Brasil. Galvão narrou os títulos mundiais da seleção em 1994 e 2002, além de inúmeras conquistas de equipes brasileiras desde a década de 1980. Só que o primeiro amor foi com o esporte a motor, com a Fórmula 1 sendo inclusive o principal motivo para o jornalista assinar com a Globo em 1983.

Celebrando o 70° aniversário, o GRANDE PREMIUM resolveu demonstrar a importância do vínculo entre o narrador e o esporte. No 10+, selecionamos dez grandes momentos da Fórmula 1 que chegaram ao Brasil na companhia da icônica voz de Galvão.

GP do Oeste dos Estados Unidos de 1980

Galvão virou a voz do esporte na Globo, mas isso só após se firmar como um narrador promissor na Bandeirantes. Foi justamente através do automobilismo, e não através do futebol, que a futura estrela começou a mostrar seu valor.

A Bandeirantes tinha os direitos de transmissão da F1 em 1980, quando o interesse brasileiro pela categoria estava baixo. Emerson Fittipaldi sofria com a Copersucar e Nelson Piquet ainda estava longe de virar protagonista. Quer dizer, até a F1 partir para Long Beach: foi lá que Piquet conseguiu sua primeira vitória, narrada por um Galvão Bueno de 29 anos de idade. Foi o primeiro grande momento do esporte brasileiro transmitido à população com o então jovem locutor.

GP da África do Sul de 1983

Galvão Bueno assinou com a Globo em meados de 1983. Os direitos de transmissão tinham voltado à emissora carioca, que tinha interesse em trazer o narrador junto. Foi no melhor momento possível: Galvão chegaria para narrar a disputa intensa de Nelson Piquet contra Alain Prost, valendo o segundo título do brasileiro.

Piquet chegou à última prova com Prost e René Arnoux como rivais. Arnoux abandonou cedo, deixando apenas dois com chances de levar o caneco. Foi com a narração de Galvão que o telespectador acompanhou Prost quebrando, o que permitia a Nelson ser campeão mesmo com apenas um terceiro lugar. Era a primeira das cinco oportunidades do narrador de levar ao público um título brasileiro.

GP do Japão de 1988

Depois de narrar dois títulos de Piquet, já estava na hora de Galvão ter a mesma oportunidade com Ayrton Senna, com quem tinha uma relação mais íntima de amizade. Em uma temporada 1988 dominada pela McLaren, o brasileiro conseguiu mais vitórias e ficou a um passo do título no GP do Japão, em Suzuka.

Foi através de Galvão Bueno que o público acompanhou uma atuação de gala durante a madrugada. Senna largou mal, caiu para fora do top-10, mas se recuperou como poucos para alcançar a vitória e o primeiro de três títulos.

GP do Brasil de 1991

Senna já era bicampeão mundial e vivia a melhor fase da carreira, mas seguia sem a tão sonhada vitória em um GP do Brasil. Antes de 1991, Ayrton acumulava frustrações e batidas na trave.

A grande chance veio em 1991. Com narração de Galvão Bueno, os brasileiros viram Senna liderar desde a largada. Só para, já no fim, perder marchas e ver de perto o risco do abandono. O futuro tricampeão carregou o carro nas costas e triunfou, isso enquanto o narrador fazia um dos trabalhos mais marcantes de sua carreira.

GP do Brasil de 1993

Um novo GP do Brasil, um novo dia marcante para Senna. Dessa vez, em outro contexto: Ayrton já não tinha mais o melhor carro, consequência do domínio da Williams, e dependeria de algo fora do comum acontecendo para ter chances em Interlagos. A chuva veio, virou a prova de cabeça para baixo, e permitiu o impensável: o triunfo da McLaren sobre Alain Prost e Damon Hill.

Para Galvão Bueno, a prova foi especial também. O narrador passou 1992 inteiro na desconhecida OM, uma nova rede de TV brasileira. Esse, por sinal, é o motivo para Galvão não ter narrado o icônico triunfo de Senna em Mônaco em 1992. O retorno à Globo em 1993 consolidou o locutor novamente como grande voz do esporte no Brasil.

GP de San Marino de 1994

Narrar um momento histórico, mas que é também a morte de um amigo. A rara e dura missão coube a Galvão Bueno no GP de San Marino de 1994: dois dias após o acidente quase fatal de Rubens Barrichello e um após a morte de Roland Ratzenberger, Galvão precisou lidar com o acidente de Ayrton Senna na Tamburello.

Ao lado de Reginaldo Leme, a dupla ficou claramente consternada com o impacto de Senna. Houve uma greve esperança ao ver a cabeça do brasileiro balançando, mas minutos depois, com manchas de sangue na área de escape, ficou claro que o caso era de vida ou morte. Depois de narrar o resto do GP em tom fúnebre, o narrador receberia a notícia “que nunca gostaríamos de dar”.

GP da Alemanha de 2000

Foram seis anos de espera até que Galvão Bueno voltasse a ter uma chance real de narrar uma vitória brasileira na F1. Foi em 2000, quando Rubens Barrichello trocou a Stewart pela Ferrari. Ao lado de Michael Schumacher, entretanto, não tinha como ser fácil: o alemão ficava com os melhores resultados quase sempre, isso além da ameaça forte da McLaren na época. Largando em 18° em Hockenheim, não parecia ser o dia do brasileiro.

Galvão, entretanto, narrou uma atuação das mais brilhantes: com Schumacher batendo na largada, um ex-funcionário da Mercedes invadindo a pista e chuva caindo só em metade do circuito, a corrida ficou louca. Ao lado do comentarista Reginaldo Leme e do então apenas convidado especial Luciano Burti, Galvão narrou um GP de esperança crescente. Ao fim da corrida, a vitória trouxe uma emoção que há anos não se sentia.

GP do Brasil de 2006

A F1 veio ao Brasil em 2006 com dois grandes acontecimentos em mente: o quase certo bicampeonato de Fernando Alonso e a aposentadoria de Michael Schumacher. Já seria uma prova especial para qualquer um, mas foi ainda mais para o público brasileiro: Felipe Massa venceria em Interlagos, sendo o primeiro brasileiro a alcançar tal feito desde Ayrton Senna em 1993.

Com Schumacher furando um pneu na largada e a Renault não tão competitiva quanto a Ferrari, Massa ficou em posição privilegiada para vencer. A esperança de Galvão Bueno era crescente e notória, aliada à empolgação pela bela recuperação de Schumacher. Um dia especial para o fã de automobilismo, mas ainda mais para os brasileiros.

GP do Brasil de 2008

Vamos de um GP do Brasil com vitória de Felipe Massa para outro, mas agora em clima completamente diferente. A corrida em Interlagos decidiu o título de 2008, que tinha briga entre Massa e Lewis Hamilton. O britânico tinha o favoritismo, mas não vinha em bom fim de semana. O brasileiro, por sua vez, parecia ter a faca e o queijo na mão para conseguir a vitória, mesmo sob chuva.

Massa fez sua parte e venceu. Galvão Bueno, Reginaldo Leme e Luciano Burti começaram a se empolgar na cabine, mas com cautela. Foi sábio: na penúltima curva, Hamilton passou Timo Glock e conseguiu o ponto que precisava para ser campeão. Momento especial, mas duro para o fã brasileiro.

GP do Brasil de 2012

A decisão do título de 2012 não costuma receber a atenção devida, mas foi um dos grandes momentos do esporte na década passada. Fernando Alonso contra Sebastian Vettel em um GP do Brasil chuvoso valendo título era a receita para um clássico.

Galvão Bueno narrou o acidente de Vettel na largada, que quase pôs tudo a perder, assim como a bela recuperação para conseguir o resultado necessário. O jornalista, mesmo já com mais idade, conseguiu manter a empolgação com outro ritmo de narração. O alemão não foi ao pódio, mas conseguiu o título. Para o público brasileiro, a consolação de ver Massa no pódio.

© 1995 - 2020 - GrandePremio.com.br - Todos os direitos Reservados.

Connect