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Caronas da Fórmula 1

Pilotos já afrontaram a lógica dos monopostos, e da segurança, e se penduraram em carros feitos para apenas uma pessoa. Nigel Mansell e Ayrton Senna formaram a dupla mais icônica de motorista e passageiro, no GP da Inglaterra, em 1991

Os carros de Fórmula 1 são desenhados com assento para apenas uma pessoa. Mas, ao longo de sua história septuagenária, a categoria viu cenas inusitadas que afrontaram a lógica dos monopostos de grande sofisticação tecnológica e muita velocidade com dois ou mais pilotos na garupa. O 10+ do GRANDE PREMIUM apresenta nesta semana as caronas mais marcantes nas pistas espalhadas pelo mundo.

A origem dessas caronas é difícil precisar, mas sabe-se que ela é tão antiga quanto a própria F1. Ainda mais nos anos de 1950 e 1960 quando as máquinas quebravam rotineiramente, as pistas eram muito extensas e, sobretudo, a segurança não estava lá propriamente em primeiro lugar. Apesar do vasto arquivo da categoria, não há um (ou dois) inventor desse modo diferente de voltar para os boxes após ficar no meio do caminho na corrida.

Com o passar dos anos, outras caronas, no entanto, ficaram para sempre registrada na memória de quem acompanha o automobilismo há longas temporadas. A mais icônica delas, reproduzida bastante em miniaturas para os colecionadores, é a do inglês Nigel Mansell para o brasileiro Ayrton Senna, no GP da Inglaterra, em 1991 – década que, aliás, talvez até por memória afetiva do autor, é a que mais concentra retrancas nesta publicação.

A lista a seguir, em ordem simplesmente cronológica, reconhece o pecado de tantas outras cenas inusitadas. Ficam registradas as direções de motoristas e passageiros com maior repercussão para a história da F1.

(Reprodução)

GP de Mônaco 1967

Motorista: não-identificado

Passageiro: Jackie Stewart

 

Sir Jackie Stewart não deveria precisar muito de caronas, mas esta imagem, que a internet tratou de deixar escapar o autor, é uma das primeiras referências nesse modo diferente de voltar para os boxes — os GPs da Bélgica tinham muitas caronas devido à extensão da pista entre Spa e Francorchamps. O nome do motorista também ficou pelo caminho, mas ali está Stewart, então sem nenhum dos seus três títulos (1969, 1971 e 1973), pendurado no que era possível no carro de um adversário. De fato, sua BRM quebrou após 14 das cem voltas disputadas pelas ruas do Principado de Mônaco.

(Reprodução)

GP do México 1986


Motorista: Nelson Piquet

Passageiros: Stefan Johansson, Rene Arnoux e Phillippe Alliot

 

Fora do pódio no circuito Hermanos Rodríguez, na Cidade do México, Nelson Piquet não se importou de fazer da sua Williams um verdadeiro desafio de quantas pessoas cabem em um F1, na penúltima corrida da temporada, quando ainda tinha alguma chance de título contra Alain Prost. As caronas eram tão comuns na década de 1990 que Phillippe Alliot havia dado carona para Rene Arnoux (companheiro de Ligier) e Stefan Johansson (Ferrari), mas ficou sem gasolina. Foi quando Piquet, que havia chegado em quarto, passou e levou todo mundo para a casa.

(Reprodução)

GP da Itália 1987

Motorista: Satoru Nakajima


Passageiro: Ayrton Senna

 

Nelson Piquet e Ayrton Senna estavam tão rápidos em Monza que o diretor de prova sequer os viu cruzar a linha de chegada. Piquet saiu da Parabólica e já apontou rente ao muro dos boxes para comemorar a vitória que lhe ajudaria ainda mais na conquista do seu último título (1981, 1983 e 1987) com a equipe Williams. Sem a bandeira quadriculada, seguiu adiante enquanto a Lotus de Senna parou no meio do caminho. Coube ao companheiro de equipe, o japonês Satoru Nakajima resgatar o amigo. No final, Piquet em primeiro, Senna em segundo e Mansell no alto do pódio.

(Reprodução/YouTube)

GP do Canadá 1991


Motorista: Riccardo Patrese

Passageiro: Nigel Mansell

 

A prova em Montreal é também lembrada como a última vitória de Nelson Piquet na categoria mas, para um 10+ sobre caronas na F1, ela vem à tona por um motivo diferente. Na última volta, depois de inclusive dar tchau para a torcida nas arquibancadas, Nigel Mansell diminuiu tanto o ritmo que viu sua Williams apresentar um problema na saída do hairpin. Em duas curvas, o inglês, que tinha mais de 50 segundos de vantagem para o brasileiro, comemoraria sua primeira vitória na volta a Williams. Nada feito. O FW14 apagou com uma volta tão lenta, incapaz de fazer o alternador funcionar e alimentar a bateria. Coube ao companheiro Riccardo Patrese, que havia feito a terceira posição, resgatar o desolado companheiro.

(Divulgação/Ayrton Senna)

GP da Inglaterra 1991

Motorista: Nigel Mansell

Passageiro: Ayrton Senna

 

Três corridas após ser resgatado, foi a vez do Nigel Mansell oferecer um lugar no seu carro para quem havia perdido a corrida na última volta. O episódio com Ayrton Senna é um dos mais emblemáticos da história da F1 e, talvez, o que primeiro vem à mente de quem viveu aquela época. O Leão, que viria a ser campeão só no ano seguinte, em 1992, disputava ponto a ponto com o brasileiro, que caminhava para o tricampeonato (1988, 1990 e 1991). Acostado por uma multidão inglesa, Senna ficou à beira da pista esperando ajuda. Mansell foi o primeiro a parar. Depois de colocar o pé direito para dentro do carro, dar dois tapinhas na cabeça do inglês, ainda houve um tempo para um chega pra lá com o pé esquerdo em quem tentou se aproximar do carro.

(Reprodução/F1)

GP do Canadá 1995


Motorista: Michael Schumacher

Passageiro: Jean Alesi

 

Jean Alesi conquistou apenas uma vitória em 202 corridas na Fórmula 1. Mas ninguém tem dúvida que foi uma senhora vitória. Com direito à carona de Michael Schumacher, o campeão daquele ano e ano e tantos outros (1994, 1995, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004). No dia do seu aniversário de 31 anos, na Ferrari, com o mítico número 27, no próprio circuito Gilles Villeneuve, a sorte sorriu para o francês, praticamente em casa no Canadá. A 11 voltas do fim, a Benetton de Schumacher ficou presa na terceira marcha e precisou ir para os boxes resetar toda a eletrônica. O francês então, que havia largado em sexto, assumiu a ponta e seu carro só não aguentou a volta para os boxes. Só deixou a festa ainda mais animada já que montou na Benetton de Schumacher, que fechou em quinto — Rubens Barrichello foi o segundo naquela prova.

(Reprodução/F1)

GP da Alemanha 1995

Motorista: David Coulthard

Passageiro: Rubens Barrichello

 

Por falar em Barrichello, nesse mesmo ano, em 1995, o brasileiro da Jordan viu seu motor Peugeot apresentar problemas nas voltas finais após ser bastante exigido nas antigas retas de Hockenheim. Rubinho vinha bem em seu terceiro ano de F1, mas sofria exatamente com as inconstâncias do carro. David Coulthard, que havia passado em segundo, de Williams, rebocou o brasileiro. O jovem escocês, depois de algumas provas em 1994, foi efetivado como o substituto de Ayrton Senna no cockpit do FW17 para o ano seguinte.

(Reprodução/F1)

GP da Alemanha 2011

Motorista: Mark Webber

Passageiro: Fernando Alonso

 

Segundo colocado na prova, Fernando Alonso bem que tinha condições de retornar aos boxes com sua Ferrari, mas a precaução falou mais alto. Com medo de faltar combustível para a inspeção, o espanhol (campeão em 2004 e 2005) abandonou sua F150 na grama de Nurburgring e pegou uma carona amigável com o terceiro colocado Mark Webber, que vinha de Red Bull. O primeiro colocado foi Lewis Hamilton, ainda de McLaren.

(Reprodução/F1)

GP da Singapura 2013


Motorista: Fernando Alonso

Passageiro: Mark Webber

 

Mas os papéis se inverteram dois anos mais tarde, desta vez, nas ruas da Marina Bay. Mark Webber havia abandonado sua Red Bull na última volta e seria a vez de Fernando Alonso retribuir a cortesia. Até aí, tudo bem. O problema é que Lewis Hamilton virou a curva 7 e deu de cara com o reboque improvisado. Mesmo na volta de desaceleração, uma batida a 80 km/h naquela situação não seria nada agradável. Alonso e Weber foram punidos, com a pior para o australiano que havia levado a sua terceira advertência e acabou perdendo dez posições no grid de largada para a corrida seguinte, na Coreia do Sul.

(Reprodução/F1)

GP da Malásia 2017

Motorista: Pascal Wehrlein

Passageiro: Sebastian Vettel

 

Um acidente pra lá de estúpido proporcionou a última grande carona da F1 (pelo menos até este 10+, antes da temporada 2020 começar). Lance Stroll, de Williams, não viu a aproximação do tetracampeão Sebastian Vettel (2010, 2011, 2012 e 2013) e sem querer fechou o alemão da Ferrari, depois da bandeirada da prova em Sepang. Ainda no rádio, Vettel disse que não acreditava que aquilo tinha seria possível acontecer. O canadense, por sua vez, alegou que foi atingido. A pé, com o volante do seu carro em mão, Vettel arranjou uma carona com o compatriota Pascal Wehrlein, que carregou o ídolo em sua modesta Sauber.

 

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