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Análise

E agora, Ferrari?

Seriam o fim da "brecha" nas unidades de potência e o mau resultado no GP dos EUA sinais de alerta para a equipe italiana em 2020?

Parecia que a Ferrari lutaria pelo título da Fórmula 1 em 2019. Parecia. Se os resultados nos testes do começo de ano eram animadores, a temporada foi de sofrimento para os italianos. Depois de colocar Sebastian Vettel como o grande adversário de Lewis Hamilton em 2017 e 2018, a Scuderia viu a Mercedes ainda mais na frente neste ano.

Não que isso representasse exatamente o equilíbrio de forças: paradoxalmente, 2019 foi o ano no qual a Ferrari conseguiu, em algumas situações, igualar ou até mesmo superar as Flechas de Prata. Nas classificações, foram nove poles vermelhas, igualando aos prateados. Porém, o ritmo de corrida, os erros nas estratégias e as presepadas habituais favoreceram os pilotos da Mercedes.

Com 2019 sacramentado, ao menos um alento: com a tabela zerada em 2020, surge a chance de errar menos e fazer valer o bom desempenho dos carros na pista.

Só que o GP dos EUA, disputado no domingo passado (2), pode ter colocado água no prosecco.

A Ferrari teve um GP dos EUA muito apagado. Sinal de alerta?

Tudo começou com a acusação de que a Ferrari estaria driblando o regulamento, principalmente no intercooler e no sistema de recuperação de energia do motor – tido, naquele momento, como o mais potente da F1. A FIA foi acionada, emitindo um comunicado técnico que esclareceu algumas questões para a corrida em Austin. Efeito ou não da medida, o time italiano teve um desempenho bem pior no Circuito das Américas.

Após seis poles seguidas, a Ferrari se viu superada pela Mercedes de Valtteri Bottas, com Sebastian Vettel se classificando em segundo e Charles Leclerc em quarto. Na corrida, Leclerc fechou as 56 voltas novamente em quarto, enquanto Vettel abandonou com a suspensão quebrada. Mais do que isso: em nenhum momento o #5 e o #16 mostraram ter carro para lutar pela vitória, pela primeira vez desde que a categoria retornou das férias (bom, talvez com exceção do Japão).

Será que a Ferrari conseguirá voltar a fazer grandes festas em 2020?

A Ferrari, claro, diz que isso foi um resultado isolado, sem relação com o comunicado da FIA. Na prática, teria sido efeito da configuração aerodinâmica e, no caso de Leclerc, por terem usado uma especificação anterior da unidade de potência, após a identificação de um vazamento na atual. Talvez. Se for verdade, os carros italianos voltarão a ter a velocidade de sempre daqui uma semana, em Interlagos. 

Se for mentira, os engenheiros ferraristas terão que voltar à prancheta para recuperar o desempenho perdido após a brecha no regulamento ter sido descoberta. Além de não ser fácil, isso colocaria a Mercedes novamente em uma posição privilegiada para 2020 – a última temporada do atual regulamento da Fórmula 1. 

Como diria Carlos Drummond de Andrade: e agora, Ferrari? A festa acabou, a luz apagou, a vantagem sumiu, o desempenho esfriou, e agora, Ferrari? 

E agora, você?

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– O mais do mesmo da Alfa Romeo

– Testemunhas da história

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