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Análise

Felipe Fraga

“O Cacá Bueno me ensinou que, na Stock Car, não se deve andar mais que o carro. Estou tentando manter a cabeça no lugar, até agora está dando certo, mas sempre quero mais. Estou pronto para ser campeão”

Interlagos, 23 de março de 2014. Na disputa da Corrida de Duplas, prova que abriu a temporada da Stock Car naquele ano, um menino de apenas 18 anos fez história. Felipe Fraga, nascido na cidade paraense de Jacundá, mas residente desde criança em Palmas, capital do Tocantins, vem, na verdade, escrevendo um capítulo à parte na história do automobilismo nacional. E precoce. Em sua corrida de estreia na principal categoria do esporte a motor brasileiro, o piloto, que dividiu o carro #88 da equipe de Mauro Vogel com o convidado Rodrigo Sperafico, brilhou como ninguém e venceu, sendo o mais jovem da história a subir no topo do pódio da categoria. Daí em diante, a carreira de Fraga decolou.

Mas bem antes daquele dia, o menino Felipe já se mostrava um grande talento. Ainda com seis anos, conquistou o título de Campeão Brasiliense de Kart na categoria Mirim. A prateleira do piloto-mirim ganhava troféus ano após ano: títulos estaduais, nacionais e internacionais de kart, a vitória na Seletiva de Kart Petrobras, em 2010, e do prestigiado Super Kart Brasil no ano seguinte.

Foi no fim de 2011, aliás, que Fraga ganhou um salto de qualidade em sua carreira com a assinatura do contrato com a Red Bull para integrar o concorrido programa de formação de pilotos. O caminho do menino de Palmas parecia destinado à F1. E para chegar lá, a rota obrigatoriamente passava pela Europa. E aí Felipe cruzou o Atlântico para desafiar as pistas do Velho Mundo na F-Renault Alps, correndo também em algumas provas da F-Renault Euro em 2012.

Foram tempos difíceis para Fraga, apesar de alguns bons resultados, tendo alcançado o pódio duas vezes, em Pau, na França, e em Barcelona. Para um primeiro ano correndo de monoposto, não foi nada ruim, mas Felipe buscava mais. “Olhei para meu pai, que me bancava à época, e disse que gastar dinheiro sabendo que seria quarto, quinto, que não iria pra frente, não faria sentido nenhum. Então preferi ir para um lugar que me desse uma oportunidade maior”, conta o piloto ao GRANDE PREMIUM.

Fraga fez um ano de monoposto na F-Renault em 2012, mas logo voltou ao Brasil



Fraga, então, cruzou o Atlântico de volta para fazer parte do grid do recém-criado Campeonato Brasileiro de Turismo. A categoria, que apesar do nome ‘Turismo’, é composta por protótipos, como a própria Stock Car, estreava naquele ano em substituição à antiga Copa Montana como uma espécie de base para o maior certame do automobilismo brasileiro. E lá estava Felipe para se desenvolver como piloto e mudar o rumo da própria história, deixando para trás o sonho de um dia ser piloto da F1 para ser profissional e viver do automobilismo.

A transição dos monopostos para os carros fechados fluiu naturalmente para Fraga, então com 17 anos. Tendo como seu grande mentor ninguém menos que Cacá Bueno, o tocantinense dominou a temporada, foi pole-position sete vezes e faturou quatro vitórias em oito provas. Um desempenho avassalador que só poderia mesmo resultar em título. Em apenas um ano, Felipe se mostrou pronto para dar o passo seguinte. E com a bênção de Cacá e do laureado preparador Mauro Vogel, Fraga estreava na Stock Car em Interlagos para fazer a história acontecer.

E 2014, por ser o primeiro ano numa categoria tão forte e competitiva como a Stock Car, Fraga foi bem demais: além da vitória compartilhada em Interlagos, ele venceu também a corrida 1 da etapa de Goiânia e foi segundo colocado no difícil circuito de rua de Salvador, além de ter sido pole em Brasília. Aos poucos, Felipe deixava sua marca e mostrava que aquele primeiro triunfo em São Paulo não era obra do acaso. Estava ali um talento bruto a ser lapidado.

Na Stock Car, Fraga conseguia a tão sonhada estabilidade profissional. Não somente isso, mas também sua evolução. A transferência da Vogel para a Voxx Racing, que vinha em franco crescimento, alçou o tocantinense a uma equipe capaz de lutar com frequência por vitórias e títulos. Mas seu começo não foi nada fácil. Enquanto via Marcos Gomes emendar grandes resultados e pavimentar seu caminho rumo à taça ao fim do campeonato, Fraga sofria com a falta de regularidade, cometia erros de um novato e ficava para trás.

Curiosamente, a mudança de desempenho só veio mesmo depois do seu acidente mais grave na carreira. Durante a corrida em Curitiba, realizada em 2 de agosto, o carro #88 de Fraga sofreu um brutal impacto ao ser acertado na traseira pelo bólido de Thiago Camilo, provocando pânico no autódromo. Por sorte, tanto Felipe como o piloto da RCM escaparam com algumas escoriações, mas nada muito grave. A Voxx teve de trocar o chassi de Fraga, e aí tudo mudou. E para melhor.

O gravíssimo acidente sofrido em Curitiba acabou sendo um divisor de águas na carreira de Fraga

Os bons resultados, que teimavam em não aparecer, vieram aos montes naquele segundo semestre. Quinto colocado na Corrida do Milhão, em Goiânia, vencedor em Campo Grande, segundo em Tarumã e, por fim, mais um pódio no seu reencontro com Interlagos. 2015 também reservou a Fraga a primeira experiência no Endurance. Tendo ao seu lado companheiros experientes como Sergio Jimenez e o mentor Cacá Bueno, Felipe guiou a BMW Z4 da equipe chefiada por Antonio Hermann e teve a chance de disputar, inclusive, as 24 Horas de Spa-Francorchamps, definida pelo próprio como a “melhor corrida da minha vida”.

Era o prenúncio de um 2016 cercado de expectativa e que vem mostrando, até agora, Felipe Fraga em sua melhor forma. Ainda com 20 anos, o jovem já venceu corrida, polemizou — durante uma discussão com Max Wilson no pódio em Santa Cruz do Sul por entender ter sido atrapalhado pelo veterano — e, ao mesmo tempo, causou admiração com seu estilo agressivo, regularidade e muita personalidade na pista e fora dela. Veio a vitória em Santa Cruz do Sul e pódios em Goiânia e em Tarumã. Na soma dos resultados, Fraga lidera o campeonato após cinco etapas disputadas e soma 111 pontos, dez a mais que seu companheiro de equipe, o atual campeão Marcos Gomes.

No fim de semana da etapa de Tarumã, Fraga falou ao GRANDE PREMIUM sobre seu atual momento e ressaltou que, apesar da clara mudança de abordagem em relação aos anos anteriores, a boa fase não é de agora. O piloto da hoje chamada Cimed Racing também falou da admiração ao mentor Cacá Bueno e da influência em sua carreira, além da experiência no Endurance (no Blancpain Endurance Series) e a vontade em fazer outras provas do tipo, deixando de vez qualquer vontade de voltar aos monopostos.

Fraga também falou sobre sua personalidade forte e deixou claro que não abre mão de “ser quem é de verdade” e de falar o que vem à cabeça, como é próprio de alguém mais jovem e cheio de ímpeto. Ainda assim, mesmo com a juventude ainda bastante aflorada, o tocantinense se considera mais experiente e mais maduro na pista, e é com essa maturidade à prova que ele se considera, hoje, pronto para ser campeão da Stock Car.

Embora ainda bastante jovem, Fraga impressiona pela sua personalidade e velocidade

GRANDE PREMIUM: Você vem mostrando uma mudança de postura na pista em relação aos dois últimos anos, não?

FELIPE FRAGA: Nesse ano, a gente começou bem mais tranquilo. Quem enxerga de fora acha que a fase boa vem de agora, mas, na verdade, nós já estamos vindo de um trabalho muito bom, que vem desde minha primeira corrida após o acidente. Se você pegar as sete etapas depois disso, a partir de Goiânia, da Corrida do Milhão, fui um dos pilotos que mais marcou pontos. Então, estou muito feliz com todos os resultados. Nesse ano, a gente está conseguindo emplacar. Estávamos com um probleminha nas classificações, mas resolvemos isso e creio que não vamos mais ter problemas quando o carro estiver rápido. Estamos muito alinhados, correndo com a cabeça, sem se preocupar muito em ganhar a corrida.

Em Goiânia, quando inverteu o grid para a corrida 2, que eu largava em 13º e já sabia que 11 pilotos tinham de parar. Então, eu e meu engenheiro conversamos e definimos que qualquer top-3 estava bom, que o importante era pensar no campeonato. Claro que, quando tiver oportunidade para vencer, a gente vai agarrar, que foi o caso de Santa Cruz do Sul. O carro estava muito rápido, então gastamos todos os ‘pushs’ para ganhar a primeira corrida, não interessava o que viesse depois. É correr com a cabeça e acertar a classificação. Acho que, em qualquer corrida em que a gente largue bem, no top-5, vou disputar para ficar entre os três primeiros. Nosso carro tem um ritmo de corrida surreal, muito bom, mesmo. O problema estava mesmo na classificação, e isso já acabou. Vamos ver agora nas próximas etapas.

GP*: O que mudou no Felipe Fraga de 2014 para cá?

FF: Como piloto, acho que o que mudou foi a experiência. Claro que você sempre vai aprendendo, claro que tenho muito ainda o que aprender; cada corrida tem uma coisa nova. Em 2014, eu já conseguia virar rápido, ganhava corrida, mas faltava um pouco de constância minha e da equipe. Vejo que, no ano passado, nós também fomos bem, sempre estive bem. O que me faltou para ter uma posição melhor em 2015 foi mesmo o carro, a própria equipe sabe disso. Acho que a gente tinha algum tipo de problema que não conseguíamos detectar. Hoje temos 99% de certeza de que o chassi tinha algum defeito. Era difícil ver o Marquinhos ganhando corrida e eu ali, em oitavo, nono, décimo, e isso porque sempre dando meu máximo e mais um pouco. E ficava feio para mim porque batia, rodava, queria mostrar resultado. Então tava difícil.

Aí tive aquele acidente horrível em Curitiba que, por um lado, foi ótimo para minha carreira porque foi quando ganhei um carro novo. Aí comecei a treinar bem, largar bem, correr bem e ganhar corrida. No ano passado, quando vim para essa pista para a corrida, eu ainda não me sentia tão à vontade, mas nesse ano já sei melhor as pistas, os pontos de frenagem, enfim, não é mais uma surpresa para mim. Vejo meus on-boards de um, dois anos atrás, e falo: ‘Caramba! Por que não estava freando mais dentro [da curva]?’. Agora vou assimilando isso e interpretando da melhor forma possível cada etapa que passa.

Estou muito feliz com todos os resultados. Nesse ano, a gente está conseguindo emplacar

GP*: Você já se sente pronto para ser campeão da Stock Car?

FF: Acho que ainda é muito cedo para falar disso porque estamos na quinta etapa, tem muito chão pela frente. Se eu for mal numa corrida, se o carro quebra, se eu cometo um erro, posso cair quatro, cinco posições, então a diferença ainda está muito pequena. Acho que a gente tem de manter. Tenho certeza de que vamos disputar o título no fim do ano. Isso é fato. Acho que é bem difícil tirar isso da gente, mas ser campeão é outra história. Mas estou preparadíssimo. Estou me preparando muito, estou bem concentrado, minha equipe está conseguindo trabalhar bem. O Kiko Seikel, meu engenheiro, a gente tem uma sintonia muito boa durante a corrida… então estou pronto, sim. Se for para ser nesse ano, vou ficar muito feliz.

Ainda estou novo, tenho 20 anos, seria um recorde para a categoria. E no meu pensamento, seria um recorde bem difícil de alguém bater um dia. Penso muito nisso, em bater esse recorde, que é do Giuliano Losacco, que foi campeão com 27, mas não quero esperar sete anos para ser campeão. Quero pensar em chegar lá logo e dificultar para o próximo. Se for esse ano, tenho velocidade, equipe, carro, tudo o que preciso para ser campeão. Mas a Stock Car é muito disputada, então você precisa de tudo: sorte, carro, equipe, tem de estar no lugar certo e na hora certa na largada. Mas não é uma coisa que depende só de mim ou só da minha equipe, tem muita coisa em jogo.

GP*: Como você enxerga o papel do Cacá como seu mentor na Stock Car?

FF: O Cacá sempre me ajudou muito. Muitas vezes, quando cometo um erro, bato, faço alguma coisa, ele me chama depois e fala: ‘Pô, cara, não precisa disso’. E ele foi um cara que sempre me ensinou que para ser campeão da Stock Car, não se deve andar mais que o carro. Por exemplo: se você tem carro para ser quinto, então chegue em quinto; se tem carro para ser o sétimo, chegue em sétimo. Ele já me provou isso. Só que lá na hora, quando você está com o capacete, é mais difícil fazer isso, né? [risos]. Todo piloto quer ganhar, ganhar, ganhar. Por isso que o Cacá é pentacampeão, quatro vezes vice, um currículo que ninguém tem. Então tenho de ir com a cabeça.

Estou tentando manter a cabeça no lugar, até agora está dando certo, mas sempre quero mais: quero vencer, estar em primeiro, ser o mais rápido. Estou tentando me segurar nesse ano, e ele me ajuda muito nisso. Ele me dá segurança, me dá várias dicas, é o cara em atividade que é o mais experiente e o maior campeão da categoria, então é sempre bom.

Mestre e aprendiz: Fraga não escondeu a admiração pelo seu mentor, Cacá Bueno

GP*: Como foi correr ao lado dele no ano passado no Endurance?

FF: Foi muito bom. Acho que também foi um ganho para a minha carreira. Era ele, eu e o Sergio Jimenez. E eu sempre queria ser o mais rápido dos três. E eles me ensinaram que aquilo não valia de nada, que numa prova como de Endurance, então a gente tinha de pensar em ter uma média boa e não focar em volta rápida. Então eu aprendi assim. Entrava afoito, querendo virar mais rápido, e ele entrava tranquilão, mas querendo ser constante, poupando o carro. Então aprendi muito, tanto com ele como também o Jimenez, que é rápido demais, enquanto o Cacá era mais conservador. Então foi uma grande experiência.

GP*: E como foi fazer pela primeira vez uma prova de 24 horas, como Spa?

FF: Foi a melhor corrida da minha vida até hoje. A gente tinha tudo para terminar em quarto, quinto lugar. Mas faltando seis horas para o fim da corrida, um mecânico, sem querer, acabou desligando a chave geral do carro, e aí a gente perdeu uns dois, três minutos para entender que o problema era esse. Mas a gente foi muito bem, terminamos em nono, então para uma primeira vez foi muito legal.

Fiz a maior parte da corrida à noite, então foi muito bom. A prova tinha 60 carros numa pista de 7 km, então tinha momentos em que passava 40 minutos sem ver uma luz, sem ninguém me passar e sem eu passar ninguém. Parecia que eu estava sonhando: ‘Caramba, será que estou numa corrida mesmo?’. Foi uma experiência muito boa e espero ter a oportunidade de voltar pra lá com um carro bom, com uma equipe boa, para disputar lá de novo um dia.

 

GP*: E você sonha em fazer Le Mans, Daytona, essas provas clássicas do Endurance?

FF: Cara, tenho muita vontade, muita vontade de andar nesses protótipos, muito mais que um F1 hoje em dia. Até comentei esses dias no meu Twitter que prefiro muito mais ver uma corrida de LMP1 e de GT do que de F1. É porque a corrida é muito legal, hoje em dia os protótipos estão virando bem perto de um F1. Os carros são surreais, super bem feitos, então tenho muita vontade, mas falta muita oportunidade. Você vê que quase não tem piloto brasileiro lá: tem o Pipo Derani agora na LMP2, o Lucas Di Grassi na LMP1, até por conta do vínculo dele com a Audi, que é de longa data.O dia que eu tiver uma oportunidade, eu a agarro na hora. Já corri de GT3, foi muito legal, e é isso aí.

O momento é de focar na Stock Car, mas como são só 12 etapas durante o ano, então dá para fazer outra categoria junto. Mas no momento é focar aqui, ter um bom resultado, até para ter motivos para alguém me chamar. Porque ser rápido, tudo bem, mas concluir um trabalho com um título, ser vice, terceiro, isso vai abrir os olhos de outras equipes lá fora.

Fraga definiu as 24 Horas de Spa-Francorchamps como a melhor corrida da sua vida

GP*: Como você imagina sua carreira daqui a dez anos, por exemplo?

FF: Espero ter conquistado muitos títulos na Stock Car. Não sei se vou ficar muito tempo aqui, não sei o que o futuro me guarda. Mas penso muito no futuro, óbvio. Você sabe, sempre quis correr de fórmula, sempre quis correr lá na Europa e tal, mas no meio do caminho… teve muito cara que foi e teve de voltar, mas meu caso é diferente. Muitos falam: ‘O cara correu de fórmula, mas não deu certo’. Mas a verdade é que fiquei entre os sete no primeiro ano: bati, ganhei, fiz pódio, fiz tudo o que um iniciante faz. E no segundo ano estava numa equipe que não tinha potencial para ser campeã.

Então olhei para meu pai, que me bancava à época, e disse que gastar dinheiro sabendo que seria quarto, quinto, que não iria pra frente, não faria sentido nenhum. Então preferi ir para um lugar que me desse uma oportunidade maior. Isso não é um hobby, para mim é uma profissão: ganho meu dinheiro com isso, então queria ser feliz fazendo o que gosto, que é correr. E aqui no Brasil tive essa oportunidade, estou muito feliz correndo de Stock Car, acho que ainda tenho muitos anos pela frente. Então é focar aqui, tentar ser campeão logo, mostrar meu trabalho e, se alguma oportunidade melhor surgir, vou analisar e tentar agarrar.

GP*: Correr de monoposto ainda faz parte dos seus planos?

FF: Faz parte, mas meu foco hoje está mais em carros fechados. É que no Brasil falta aquela coisa chamada oportunidade. Não sou só eu. A molecada que está no kart hoje não vai para a F1, não adianta. Não há apoio, não há formação, nada. Acho que é muito mais fácil para o pessoal querer focar em correr de Stock Car, por exemplo.

Acho até que isso tem mudado bastante, desde quando eu e o Gabriel Casagrande viemos para o Turismo, a nova Stock Light, e muitos pilotos jovens hoje fazem o Turismo. Então vejo que a gente abriu o caminho para outros garotos e os pais pra falar que não existe só a F1, existem muitas outras coisas. Eu mesmo sinto mais vontade de estar num protótipo do que num fórmula. É tudo questão de oportunidade. Tenho que mostrar resultado, mostrar quem é o Felipe, e aí a gente vai analisar e ver o que acontece.

Ao lado de Rodrigo Sperafico, Fraga comemora sua primeira vitória na Stock Car



Hoje, aqui no Brasil, é muito difícil oportunidade para quem está aqui. Lá fora, para quem corre de fórmula, o cara já treina na pista em que vai correr, paga na moeda dele, viaja uma hora de avião e vai pra pista. Aqui é diferente: estamos do outro lado do mundo, tem de multiplicar o dinheiro por três, quatro, então tudo é muito difícil. Tem muita gente aqui com potencial para fazer o que os caras fazem.

Mas estou aqui, lutando na Stock Car, que é uma categoria muito legal. No passado, achava a Stock Car sem graça, mas hoje em dia prefiro muito mais uma corrida de turismo do que de fórmula. E aqui você vê 28 pilotos no mesmo segundo; no GT3, às vezes são 40 pilotos de oito marcas diferentes no mesmo segundo. Na F1, você vê o terceiro lugar 1s atrás do primeiro…  Mas no meu caso, falando de futuro, é focar aqui, buscar o melhor e ver como vai ser depois.

GP*: Você é um piloto que, além o trabalho já reconhecido nas pistas, também se destaca pela sua personalidade forte, por não levar desaforo para casa…

FF: Eu gosto de ser quem eu sou de verdade. Há muitos pilotos que, cara, acontecem várias coisas aqui dentro que todo mundo sabe, e tem gente que tem medo de falar… isso até pode me prejudicar às vezes. Graças a Deus, quando falei demais, ninguém veio brigar comigo [risos], os patrocinadores até acham legal… então falo o que me vem à cabeça. Às vezes não é bom exagerar porque quem está em casa nem sempre vai te entender. Em Santa Cruz do Sul, várias coisas aconteceram durante a corrida, até o lance com o Max… sou muito novo também, mas tenho minha personalidade.

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