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Análise

Bianchi morreu, mas halo salvou a vida de Grosjean

O que antes era tido como ‘aquela coisa’ que protege a cabeça do piloto de Fórmula 1 provou sua eficiência também no GP do Bahrein. Leclerc já havia passado por teste no ano de estreia do equipamento

Romain Grosjean, Haas, acidente GP do Bahrein 2020,
(Foto: Reprodução/Twitter/@HaasF1Team)

De 5 de outubro de 2014 pra cá, a Fórmula 1 acertou e errou inúmeras vezes em suas tantas corridas que aconteceram. Mas ninguém nunca mais morreu na pista. Em decorrência do acidente que matou Jules Biachi nove meses depois do fatídico GP do Japão, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) peitou as polêmicas e decidiu impor uma esquisita proteção de cabeça para os pilotos em sua principal categoria. Em um salto no tempo para 29 de novembro de 2020, não é exagero dizer que esse halo salvou a vida de Romain Grosjean, no último domingo, no GP do Bahrein

O piloto da Haas sofreu um acidente digno das piores décadas da F1, entre os anos de 1970 e 1980, em que os pilotos morriam em corrida sim e corrida também. O francês fez uma manobra brusca na tentativa de ganhar posições na primeira volta, se chocou com a AlphaTauri de Daniil Kvyat e literalmente explodiu no guard-rail, se envolvendo em uma bola de fogo, na qual ficou por longos 28 segundos. Como se não bastasse, seu carro ficou encravado na barreira de ferro, que por pouco não serviu de guilhotina para uma batida de 53G de impacto no deserto de Sakhir. 

Daí vem a história do halo. Lá atrás, e olha que nem faz tanto tempo assim, Bianchi escapou do traçado de Suzuka em alta velocidade — com a pista molhada e de baixíssima visibilidade provocada pela chuva — e chocou sua Marussia contra um guindaste que fazia que fazia a remoção da Sauber de Adrian Sutil. O piloto francês, uma das promessas para o futura da categoria, acabou debaixo do pra lá de pesado veículo. Foram nove meses de uma infeliz batalha pela vida, multiplos traumas na cabeça, um estado vegetativo e pouquíssimos sinais de melhora. 

A família que foi obrigada a subverter a ordem das coisas e enterrar um filho antes dos pais se manifestou após o acidente de Grosjean, por acaso, francês assim como Bianchi. Os grandes portais de notícias europeus foram os primeiros a registrar uma mensagem emocionante que Christine Bianchi, mãe de Jules, enviou ao comentarista da Canal+ de seu país Julien Fébreau, logo após o acidente espetacular.

“Introduziram o halo após o acidente com o meu filho. E foi o halo que salvou a vida do Romain [Grosjean]. Isso é ótimo. Estou feliz pelo fato dele estar bem”, teria dito na mensagem.

E, de fato, foi graças ao halo que Grosjean sobreviveu. As marcas da batida ainda puderam ser vistas em uma das poucas peças inteiras do carro. Provavelmente, fazendo o papel do que antes era a cabeça exposta do piloto, o halo rompeu as lâminas do guard-rail e evitou o pior.

Romain Grosjean, Haas, acidente GP do Bahrein 2020,
Não é exagero dizer que halo salvou vida de Grosjean (Foto: Reprodução/Twitter/@HaasF1Team)

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Evidentemente que, nem o halo está livre de problemas (há quem aponte ainda a possibilidade de uma peça de carro atingir o topo do capacete, por exemplo), nem Grosjean sobreviveu apenas por isso. O piloto da Haas também teve sorte de não ficar desacordado em meio ao gás carbônico do tanque de combustível que explodiu em chamas. 

“Obrigado a todos pelas mensagens. Não apoiava o halo alguns anos atrás, mas acho que é uma grande coisa para a F1. Sem ele, não poderia estar falando com vocês. Obrigado a todo o pessoal da pista e do hospital. Espero que eu consiga escrever algumas mensagens para contar como vão as coisas”, reconheceu o próprio Grosjean.

“Ainda bem que o halo funcionou, que a barreira não arrancou a cabeça dele fora. Poderia ter sido muito pior, mas é um aviso de como nosso esporte é perigoso e estamos na pista brincando com esse limite, e isso deve ser respeitado”, completou simplesmente Lewis Hamilton, sempre um dos mais preocupados com a segurança no grid, depois da sua 95ª vitória da carreira. 

FIA muda de postura

A FIA, que fez um papel muito questionável na morte de Bianchi, ao praticamente se eximir de culpa e sugerir que o próprio piloto foi o responsável por seu destino, já que estava em alta velocidade para um regime de bandeira amarela, comemorou a existência da peça de proteção. O diretor-técnico Michael Masi destacou o ótimo trabalho da equipe médica e também do halo.

“Vamos passar por uma investigação completa de tudo que podemos aprender do ponto de vista dos carros e da perspectiva dos circuitos. A célula de sobrevivência fez o que deveria ter feito e manteve o piloto intacto. O halo também fez seu trabalho”, finalizou.

Logo primeiro ano de implementação, em 2018, após muito estudo e polêmica por que deixava os carros feios e descaracterizados, o halo já havia se não salvo pelo menos livrado a vida de outro piloto. Charles Leclerc provou a eficiência do equipamento quando, na largada do GP da Bélgica daquele ano, a McLaren de Fernando Alonso passa por cima da Sauber do monegasco hoje na Ferrari. As marcas no halo fazem imaginar o que poderia ter acontecido se o que antes era dito como ‘aquela coisa’ não estivesse à frente do cockpit.

Romain Grosjean, Haas, acidente GP do Bahrein 2020,
FIA bancou halo e o introduziu na Fórmula 1 em 2018 (Foto: Reprodução/Twitter/@HaasF1Team)

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