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Análise

Bottas mostrou que Hamilton se faz mais do que necessário para Mercedes

Apesar do fim de semana brilhante, arruinado em muito pela própria equipe, Russell ainda não tem a estrela e a experiência necessárias para andar na frente. Hepta assistiu ao GP de Sakhir rascunhando o contrato dos sonhos

George Russell, Mercedes, GP de Sakhir 2020,
(Foto: Reprodução/Twitter/@MercedesAMGF1)

Heptacampeão mundial, com quatro títulos consecutivos, recordistas de vitórias, dono de recordes em múltiplos circuitos e inegavelmente no melhor carro do grid… Mas por que Lewis Hamilton ainda não renovou o contrato aparentemente lógico com a Mercedes? Inúmeras razões são apontadas, mas certamente o maior piloto da Fórmula 1 na atualidade se divertiu, tanto quanto os meros espectadores, com o resultado do caótico GP de Sakhir. George Russell teve a primeira vitória, possivelmente os primeiros pontos, arruinados pela Mercedes e cruzou a linha de chegada em nono. Valtteri Bottas, quem tinha a responsabilidade de vencer, foi o oitavo. Sem querer, o finlandês mostrou para que Hamilton é mais do que necessário para a Mercedes.

Sergio Pérez, que caiu para último na primeira volta, foi então o vencedor de um dos GPs mais insanos dos últimos anos, no pra lá de aprovado ‘autorama’ do Sakhir, capaz de se remontar e receber corridas no circuito misto e no anel externo. Esteban Ocon, da Renault, e Lance Stroll, também de Racing Point, completaram o pódio após 87 voltas.  

Hamilton, como se sabe, foi diagnosticado com covid-19 logo depois da última corrida, disputada no mesmo autódromo, mas na outra configuração. Há ainda um imbróglio entre as autoridades sanitárias para permitir que o piloto saía do isolamento em um quarto de hotel no Bahrein e vá para o GP de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, já no próximo fim de semana. Outra chance para Russell? Não se sabe. Pois desse quarto de hotel, o heptacampeão deve ter rascunhado o seu contrato para os próximos anos.

Russell, que assumiu a Mercedes na sexta-feira, demonstrou o seu potencial ao longo de todo o fim de semana. Assim que sentou no carro, ofuscou Bottas desde o primeiro treino livre apesar de ter perdido a pole-position. O britânico, como Hamilton, tratou de ganhar a posição do companheiro logo na primeira curva. Tudo caminhava para a histórica vitória do estreante em uma grande equipe até a volta 63 mudar todo o panorama da corrida.

George Russell, Mercedes, GP de Sakhir 2020,
Russell ofuscou Bottas ao longo do fim de semana em Sakhir (Foto: Reprodução/Twitter/@MercedesAMGF1)

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Em um safety-car virtual, provocado por Jack Aitken, que substituiu exatamente o compatriota na Williams, a Mercedes decidiu chamar Russell e Bottas para uma parada com um quê de preciosismo. Pois o primeiro carro ganhou os pneus do segundo, o que geralmente rende desclassificação. Para consertar o erro, o chamaram no giro seguinte, mas aí a vitória já estava difícil. Mesmo com o erro nos boxes, Russell, que já havia ultrapassado Bottas duas vezes na pista, chegou a ficar em segundo até ter de voltar ao boxe para trocar um pneu furado a oito voltas do fim. Sem brilho algum, Bottas foi ultrapassado pelo pelotão e cruzou a linha de chegada em uma posição que não condiz com o carro.

O contrato de Hamilton

Todo mundo pode querer mais dinheiro, mas esse não aparenta ser o motivo do impasse entre o piloto e a equipe alemã. O #44 tem honorários divulgados em 40 milhões de libras (aproximadamente R$ 280 milhões) e estaria satisfeito com o valor, com a tributação dos impostos e todos os demais problemas de milionários. A questão em si teria relação com o tempo de duração desse acordo (dois ou três anos) e o encaminhamento da equipe sem Toto Wolff, com ambições maiores dos que as já conquistadas na F1. Há quem diga ainda que Hamilton nutre um sonho vermelho, com uma certa escuderia, comum a muitos pilotos, e por isso gostaria de escolher livremente onde correr em 2023. 

Antes mesmo de qualquer especulação, Wolff disse que a prova no deserto não seria um teste para Russell e Bottas. O chefe da equipe apenas pontual que ‘se George se sair bem, é uma indicação de que um dia vai estar em um bom carro e, com sorte, vai conseguir disputar vitórias e campeonatos’. Faltou dizer a sua enorme relação e carinho com o piloto de 22 anos. 

George Russell, Mercedes, GP de Sakhir 2020,
Pit-stops arruinaram corrida do jovem britânico na Mercedes (Foto: Reprodução/Twitter/@MercedesAMGF1)

Bottas, hoje com 31 anos, teve lá seus momentos e, por pior que possa parecer, conseguiu nove vitórias na F1. Evidentemente, que poderia fazer muito mais. E Russell escancarou isso para a equipe em apenas um fim de semana. Não foi por apenas estar no melhor carro que o jovem fez o que fez. Também demonstrou talento mesmo sem ainda aquela estrela dos campeões, mas já está confirmado para o seu terceiro ano de Williams na temporada que vem. Por melhor que tenha sido ao longo do fim de semana, Russell não está pronto para liderar uma equipe do tamanho da Mercedes, por mais que Bottas também não esteja. 

Pelo sim, pelo não, com alguma contribuição da própria Mercedes, Russell ainda não venceu na F1.

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