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Análise

Fittipaldi no cruel vestibular em que sabe que não será aprovado

Brasileiro mostrou serviço com a Haas apesar de largar na última posição no GP de Sakhir. Equipe já confirmou Schumacher e Mazepin para o ano que vem, no restrito mercado de pilotos da F1

Pietro Fittipaldi, Haas, GP de Sakhir 2020,
(Foto: Reprodução/Twitter/@HaasF1Team)

Teve um lado por trás desta tela que ficou feliz com uma bandeira brasileira no grid para o GP de Sakhir de Fórmula 1. Mas é impossível não destacar a crueldade do vestibular em que Pietro Fittipaldi se meteu neste fim de semana, em substituição a Romain Grosjean. Vestibular esse em que sabe que não será aprovado, pelo menos, em 2021. O piloto assumiu uma claudicante Haas, que inclusive perdeu posições por troca de componentes do motor, e largaria mesmo na 20ª posição independentemente do classificatório deste sábado (5). Para efeito de comparação, o companheiro Kevin Magnussen foi o 16º, a 0s721 do estreante.

A largada para a penúltima das 17 corridas do Mundial marcado pela pandemia do novo coronavírus acontece neste domingo, a partir das 14h10 (de Brasília). O GRANDE PRÊMIO acompanha tudo ao vivo e em tempo real.

Evidentemente que andar lá na frente ainda condiz mais com a história do automobilismo nacional, dono de oito títulos da F1, dois desses com o avó de Pietro, Emerson Fittipaldi. Ainda assim, é possível dizer que o #51 se saiu bem em sua primeira experiência. Reserva da equipe desde 2018, ele estava acostumado com o ambiente, com os engenheiros e mecânicos, com os pneus que tanto havia testado, mas a classificação é diferente e merece ser comemorada. Pelo o que se diz, os membros da equipe gostam do feedback que Pietro passa do carro quando tem oportunidade.

 “Trabalho muito impressionante ao longo de todo o fim de semana. Ótimo trabalho”, disse um engenheiro no rádio do piloto brasileiro, em que a transmissão oficial destacou.

Pietro Fittipaldi, Haas, GP de Sakhir 2020,
Fittipaldi (#51) tentou ajudar Magnussen na classificação no anel externo de Sakhir (Foto: Reprodução/Twitter/@HaasF1Team)

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A equipe norte-americana vinha insistindo com Grosjean e Magnussen desde 2017. O carro dos dois andou para trás na evolução, mas tanto o francês quanto o dinamarquês também aprontaram das suas e fizeram inúmeras trapalhadas. Por assim dizer, fizeram por onde para ficar fora da F1. O problema foi a solução encontrada para a renovação. Mick Schumacher, potencial campeão da F2, tem credenciais além de ser filho do heptacampeão mundial. O questionável mesmo está na aposta do russo Nikita Mazepin, que exagerou na defesa de posição na corrida 1 da categoria de acesso

Pietro substituiu Grosjean, que neste mesmo autódromo, mas na configuração regular para a F1, se envolveu em um acidente assustador no último fim de semana, na corrida sob a denominação de GP do Bahrein. O francês ainda se recupera das queimaduras sofridas por ter ficado 28 segundos envolto em uma bola de fogo que tomou conta do seu carro após a batida. Não é possível garantir a presença de Grosjean na prova derradeira, no GP de Abu Dhabi, na semana que vem.  

Nas longas retas do anel externo no Bahrein, e com a punição de 15 posições por trocas de componentes do motor, Pietro (55s426) reconheceu que fez o trabalho de ajudar a equipe. Era como se fosse retribuir a confiança por colocá-lo na equipe. Por isso, tratou de ajudar Magnussen (54s705) e oferecer o vácuo para o piloto mais experiente, que também não conseguiu avançar para o Q2. 

Pietro Fittipaldi, Haas, GP de Sakhir 2020,
Equipe parabenizou trabalho de Pietro ao final do classificatório (Foto: Reprodução/Twitter/@HaasF1Team)

Com as vagas fechadas na Haas, alguém poderia dizer que Pietro ainda poderia tentar uma das três vagas ainda não confirmadas para o ano que vem. Essas, no entanto, estão bloqueadas por programas de jovens pilotos. Lewis Hamilton, ausente na prova em razão do diagnóstico positivo para a covid-19, deve renovar com a Mercedes — o britânico George Russell, pupilo da montadora alemã, assumiu o carro preto/prateado e se classificou em segundo, com apenas 0s026 atrás do titular Valtteri Bottas.

Na Red Bull, Alex Albon ainda não está confirmado para guiar ao lado de Max Verstappen apesar de ter mostrado um pouco mais de resultado nas últimas corridas. Mesmo que não seja mantido na equipe, a vaga ficaria com alguém do programa de pilotos ou ainda os experiente Nico Hülkenberg e Sergio Perez, respectivamente substituto e preterido na Racing Point, futura Aston Martin. A última vaga em aberto seria a da AlphaTauri, que também não tem Daniil Kvyat garantido.

O vestibular de Pietro no deserto de Sakhir pode não levá-lo direto para o GP da Austrália, a abertura da temporada que vem, em março de 2021. Ainda assim, terá deixado uma boa impressão entre as equipes. A torcida agora é para completar o bom fim de semana com uma convincente apresentação na corrida.

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