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Análise

Ímola e os reflexos do passado

O GP da Emília-Romanha é como uma volta para um lugar que não vamos há muito tempo – e do qual a nostalgia some bem rápido

Foto: Twitter / Mercedes

Você, na sua vida, já deve ter ficado muito tempo sem retornar a um local que, por algum período, foi constante no seu dia a dia. Por meses, anos ou décadas, aquilo se tornou apenas memória. E memórias são nostálgicas. Ao finalmente voltar, chega aquele turbilhão de sentimentos, enquanto o olhar vai procurando o que permanece igual – e o que mudou completamente.

Isso até você perceber que a realidade não tem o mesmo bom sabor da nostalgia.

O retorno da Fórmula 1 ao circuito Enzo e Dino Ferrari neste fim de semana traz, de diversas formas, a mesma sensação. O circuito de Ímola foi sede do GP de San Marino até 2006. Depois de 14 anos, por causa da pandemia, a pista retorna envolva em homenagens à Ayrton Senna, a curiosidade de um grid que nunca correu lá (apenas Kimi Räikkönen) e, justamente, um olhar nostálgico por parte de fãs, equipes e imprensa.

Só que a classificação para o agora chamado GP da Emília-Romanha, realizada neste sábado (31), já é um grande balde de água fria em qualquer pretensão, ainda que saudosista, de uma boa corrida.

Coincidência ou não, o Liberty Media está testando em Ímola um novo modelo para o fim de semana de F1, sem treinos livres na sexta. Isso ajuda a mistura um pouco as coisas, além de ter feito todo mundo curtir mais o passado antes de enfrentar o presente.

Valtteri Bottas, da Mercedes, fez a pole do GP da Emília-Romanha (Foto: Twitter / Mercedes)

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Nesse presente, o que vimos foi o mais do mesmo: Mercedes amplamente na liderança. A diferença, mesmo, foi que Valtteri Bottas conseguiu a pole, por menos de 0,1s à frente do companheiro, Lewis Hamilton. Depois, tivemos a Red Bull de Max Verstappen e, em quarto, a AlphaTauri de Pierre Gasly.

Aliás, Gasly foi certamente o nome da classificação. Sem espaço na equipe principal dos Touros Vermelhos, mas com lugar garantido no time B para 2021, o francês demonstra mais uma vez que, no mínimo, o ar italiano o faz bem.

De resto, o equilíbrio de forças continua quase igual ao das últimas etapas. Charles Leclerc mais uma vez fez mágica ao colocar a Ferrari #16 no sétimo lugar, enquanto Sebastian Vettel, no bólido vermelho #5, foi apenas 14º – atrás da Williams de George Rusell.

Além disso, a Racing Point continua perdendo desempenho – Sergio Perez foi 11º, enquanto Lance Stroll conseguiu o 15º tempo. Não só ter uma cópia da Mercedes na garagem é a solução dos problemas, como podemos ver. Além disso, é possível que o time já esteja mais preocupado com 2021, quando terá o nome Aston Martin e Vettel em um dos seus carros.

Hamilton prevê uma corrida chata em Ímola (Foto: Twitter / Mercedes)

No entanto, o balde de água fria veio de Lewis Hamilton. Após a classificação, o hexacampeão disse que “estou certo de que você vai ver uma corrida monótona amanhã. Depois da curva 1, será um trem que ninguém consegue ultrapassar, mas espero que o DRS possa nos dar uma oportunidade de passar. Vou dar meu melhor amanhã.”

Que, então, o fato do inglês largar em segundo traga um pouco de ação. Quem sabe assim a saudade vai além de um gosto amargo na boca, não é mesmo?

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