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Análise

‘A base vem forte’, mas dificilmente terá espaço na F1

Mick Schumacher é a exceção já que reúne todos os atributos para uma vaga na Alfa Romeo em 2021. O filho do heptacampeão tem sobrenome famoso, encantou os fãs com Ferrari F2004 do pai e ainda deixou o GP da Toscana na liderança da F2

Mick Schumacher, F2, GP da Toscana 2020, F2004
(Foto: Reprodução/Twitter/@F2)

É comum que torcedores de futebol perguntem a um amigo que acompanhe mais o clube pelo qual são apaixonados, a um jornalista especializado ou até um dirigente “como está a categoria de base?”. Invariavelmente, mesmo sem nenhum ‘novo Neymar’ no elenco, a resposta é: “a base vem forte”. A predileção por novos astros causa euforia nos gramados e, nas pistas, não é lá tão diferente assim. Depois do GP da Toscana do último domingo (13), a três datas do fim do campeonato e em plena época de troca de pilotos na Fórmula 1, a Fórmula 2, do líder Mick Schumacher, mostra bons nomes, mas que dificilmente terão espaço na temporada de 2021.

Só mesmo Mick deve ser exceção, já que reúne todos os atributos necessários para ser encaixado em uma das duas ou três vagas possíveis para o concorrido grid do ano que vem. O filho do heptacampeão mundial tem sobrenome famoso, boa base de fãs, está sob o guarda-chuva da Ferrari Academy, encantou a todos ao guiar a F2004 do pai e ainda deixou a pista de Mugello na liderança da categoria de acesso. O alemão tem 161 pontos, oito de vantagem para o britânico Callum Ilott. O dinamarquês Christian Lundgaard, vencedor da corrida 2, tem 16 pontos a menos que o líder. Outros nomes de destaque, os russos Robert Shwartzman (21) e Nikita Mazepin (-34), vencedor da corrida 1, aparecem logo atrás na classificação. 

O mercado de pilotos da F1 não foi exatamente pego de surpresa pela notícia, e sim pelo timing. Sergio Pérez, até com alguma mágoa da Racing Point, foi às redes sociais e disse na última quarta-feira que estará fora da equipe no ano que vem. As fotos de apresentação de Sebastian Vettel no lugar do mexicano no projeto da Aston Martin então puderam enfim ser disparadas no dia seguinte. Anteriormente, o tetracampeão já havia sido confirmado carta fora do baralho da Ferrari com o anúncio de Carlos Sainz Jr. em seu cockpit, a ida de Daniel Ricciardo para o lugar vago na McLaren e a volta de Fernando Alonso para a Renault, que se chamará Alpine no próximo Mundial.  

Apesar do interesse na mudança, em muito dado pelo resgate de um público que havia ficado para trás e pelo engajamento dos mais jovens, passou a ser complicado então arrumar uma vaga para bons nomes vindos da categoria de acesso. Se alguém falar que a safra não é exatamente espetacular — como a de 2018 com o campeão George Russell (hoje na Williams), o vice Lando Norris (McLaren) e o terceiro colocado Alexander Albon (Red Bull) — há talento para oferecer serviços para o pouco que resta no jogo político do paddock. Os novos nomes dependem de decisões de pilotos de fortes poderio econômico e ainda da associação do seu nome a programas de jovens.

Mick Schumacher, F2, GP da Toscana 2020,
Mick Schumacher não faz campeonato exuberante na F2 (Foto: Reprodução/Twitter/@F2)

O campeonato e as chances de Mick Schumacher

Mick, de 21 anos, tem talento, e aí não cabe nenhuma comparação com o pai, mas não fez nenhuma prova brilhante na temporada. A vitória na corrida 1 no GP da Itália, na semana passada, chamou a atenção mais pelo significado de vencer em Monza do que propriamente por uma exibição espetacular. Em Mugello, ele resistiu a um toque na corrida 1 e se livrou da confusão da prova seguinte para ficar com a quinta e a quarta posição no fim de semana que foi agitado para ele.

O piloto alemão era cotado para participar de um treino livre com a Alfa Romeo, seu provável destino, em Mugello. A TV alemã RTL chegou a dar o evento como certo, mas os agentes do piloto logo trataram de desmentir a ideia. É provável que a ideia de mostrar uma cabeça na F1 não tenha caído bem para o líder do campeonato e isso teria feito o staff desistir da ideia. Sabine Kehm, a mesma que trabalhou com Michael, foi dura com os repórteres ao desmentir o fato na Sky Sports alemã. Além dela, o assessor Timo Gans, disse que não tinha ideia de onde a RTL havia tirado tal informação. Acabou que o piloto guiou a Ferrari F2004, pela qual o pai conquistou seu último título mundial e encantou ainda mais quem sonha em rever o sobrenome de um ídolo no grid.

Mick Schumacher, F2, GP da Toscana 2020,
Mick Schumacher resistiu ao toque para terminar em quinto na corrida 1 em Mugello (Foto: Reprodução/Twitter/@F2)

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Ainda que se tenha todos os atributos necessários, neste momento, não é possível cravar qual o destino do jovem. Dos caminhos mais certeiros, a Ferrari já confirmou Charles Leclerc e Carlos Sainz para o ano que vem. Por mais que a vontade de todos os lados de um novo Schumacher na Ferrari, as novas páginas da história ainda vai demorar a chegar. O mais provável é mesmo um assento na Alfa Romeo. Mas aí, a decisão de Kimi Räikkönen, o último campeão pela escuderia italiana, trava o processo. Aos 40 anos, o finlandês não deu garantias de que vá continuar no ano que vem. No outro carro, Antonio Giovinazzi também tem seus vínculos com a Ferrari e teria de seguir para a outra parceira do time, a Haas.

Outras vagas na F1 2021

A Haas não confirmou Romain Grosjean, tampouco Kevin Magnussen, para o próximo ano. Mas com Pérez no mercado, não é difícil de imaginar que a equipe norte-americana vá atrás do mexicano. O piloto já demonstrou melhores serviços que a dupla e, além disso, costuma a desembarcar com um caminhão de dinheiro da mexicana Telcel nas equipes que chega. Por outro lado, é especulada também a volta de Nico Hülkenberg à categoria, já que demonstrou bons serviços nas corridas em Silverstone, na Inglaterra, quando substituiu exatamente Pérez, então diagnosticado com covid. Diante desse quadro, é difícil pensar que Ilott ou Shwartzman, mais cotados para a Haas nos últimos meses, assumam um posto.

Jüri Vips, F2, GP da Toscana 2020
Jüri Vips, do Red Bull Junior Team, foi ao pódio pela primeira vez na F2 (Foto: Reprodução/Twitter/@F2)

Uma outra vaga para a F1 2021 estaria com na companhia Red Bull-Alpha Tauri. Max Verstappen, claro, é nome certo no sonho da equipe de refazer um campeão mundial. Hoje seu companheiro, Alex Albon foi ao pódio na Toscana, mas ainda não brilhou tanto quanto Pierre Gasly, vencedor do GP da Itália, com a equipe italiana. Bem por isso, fala-se inclusive em uma nova troca entre os pilotos. Quem tem mesmo sobrado neste é Daniil Kvyat, na Alpha Tauri. A vaga dele está sob a mira de outro piloto da F2, o japonês Yuki Tsunoda, membro do Red Bull Junior Team, que ocupa a sexta colocação geral. O estoniano Jüri Vips, que na terceira posição da corrida 2 foi ao pódio pela primeira vez e também faz parte do programa, ainda precisa de mais amadurecimento.

Apesar do ótimo campeonato com a só modesta MP Motorsport, o brasileiro Felipe Drugovich, que faz sua primeira temporada na F2, chama a atenção, mas não é cotado para a F1 no ano que vem. O piloto, de 20 anos, é o décimo colocado no campeonato, com 79 pontos, 37 a mais que seu companheiro de equipe, o japonês Nobuharu Maisushita. Pedro Piquet, com dois pontos, e Guilherme Samaia, zerado, são os outros dois representantes do Brasil.

Com todos esses nomes na briga pelo título, e certo favoritismo para Mick Schumacher, a F2 tem ainda três rodadas duplas. A próxima corrida é no GP da Rússia, no circuito do Parque Olímpico de Sóchi, em 26 e 27 de setembro. As quatro últimas provas acontecem no Bahrein, em Sakhir, em novembro e dezembro. Até lá, pode ser preciso até mais do que os pré-requisitos de Schumacher para alguém subir um degrau no automobilismo e estrear na F1.

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