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Análise

Nada é tão ruim que não possa piorar para a Ferrari

A escuderia deu dois vexames com o abandono de Vettel e o acidente de Leclerc. Como se não bastasse, viu a também italiana AlphaTauri garantir a vitória de Pierre Gasly. Até mesmo a compatriota Alfa Romeo teve seu brilho no GP da Itália, em Monza

Sebastian Vettel, Ferrari, GP da Itália 2020
(Foto: Reprodução/Twitter/@F1)

Só o ditado popular dá conta de explicar a péssima fase da Ferrari: “nada é tão ruim que não possa piorar”. Na corrida de número 999 da sua gloriosa história, em um tão caótico quanto divertido GP da Itália neste domingo (6), a escuderia italiana deu não um, mas dois vexames e, como se não bastasse, viu outras duas equipes brilharem logo em Monza. A AlphaTauri garantiu a vitória inédita de Pierre Gasly e, mesmo a Alfa Romeo, teve seu momento de brilho e chegou a ocupar a segunda e a terceira posição, que acabou com Carlos Sainz Jr. (McLaren) e Lance Stroll (Racing Point).

O futuro também não é lá muito promissor para a Ferrari, já que a próxima corrida, na semana que vem, acontece naquela que pode ser entendida como verdadeiramente a sua casa. O GP da Toscana, introduzido ao novo calendário por conta das dificuldades impostas pela pandemia do coronavírus, será disputado em Mugello, no circuito de propriedade da equipe italiana. 

Problemas mecânicos acontecem no automobilismo, mas uma falha nos freios é um tanto demais justamente por que é perigoso. Em um circuito veloz como o Templo da Velocidade então, as consequências podem ser terríveis. Felizmente, nada aconteceu com o tetracampeão Sebastian Vettel, na volta 8, quando passou reto na curva 1. Mas ainda naquele tema de nada é tão ruim, Charles Leclerc, em uma luta com o carro muito aquém do aceitável, perdeu o controle na entrada da Parabólica e estampou a barreira de pneus no 24º giro. 

Por conta desse acidente, a corrida ficou parada por 23 minutos para que a barreira de pneus fosse reconstituída. Logo após esse período, Lewis Hamilton caiu para o fim do grid por ter de cumprir a punição de dez segundos depois realizar seu pitstop com os boxes fechados, quando Kevin Magnussen havia provocado a entrada do safety-car. O inglês ainda que se recuperou e chegou em sétimo, mas a corrida antes inimaginável já estava armada. Outros candidatos como Valtteri Bottas, também da Mercedes, em quinto; e Max Verstappen, da Red Bull, ficaram pelo caminho.

“Foi um pesadelo pior do que esperava. Não sei o que aconteceu, mas é um pesadelo para toda a equipe. Estamos nessa posição e devemos dar nosso melhor para ter um fim digno de temporada. Temos muito trabalho a fazer e temos de nos concentrar nisso”, disse Vettel.

Charles Leclerc, Ferrari, GP da Itália 2020
Charles Leclerc perdeu controle da Ferrari na Parabólica e acertou a barreira de pneus (Foto: Reprodução/Twitter/@F1)

Foi então que no mesmo palco da primeira vitória de Vettel, em 2008, então com uma Toro Rosso, que começou como Minardi e hoje é AlphaTauri, que Gasly venceu pela primeira vez. De toda forma, o hino italiano foi tocado. 

“Eu não tenho palavras”, disse o piloto francês na entrevista após a corrida, a qual ainda chegou a ser pressionado por Sainz, futuro piloto da Ferrari, que também buscava sua primeira vitória. “O destino faz muito por mim. A AlphaTauri me deu a chance de entrar na F1 então sou muito grato a eles e também à Honda.”

O calvário da Ferrari é tanto, um aparente caso perdido para a atual temporada, que Kimi Räikkönen e Antonio Giovinazzi chegaram a ocupar a segunda e a terceira posição. Os dois não sustentaram a posição, dentro dos padrões para uma equipe ainda sem resultados expressivos, e terminaram respectivamente em 13º e em 16º — assim como Hamilton, Giovinazzi, italiano, foi outro que foi punido por entrar nos boxes em momento errado.

Pierre Gasly, GP da Itália 2020, primeira vitória
Gasly conquistou sua primeira vitória no mesmo palco em que Vettel, de Toro Rosso, debutou no lugar mais alto do pódio (Foto: Reprodução/Twitter/@AlphaTauriF1)

A Ferrari foi punida (sem ser) por irregularidades no motor na temporada passada e que, claro, seria replicado nesta. Em um ‘acordo secreto’ com a FIA (Federação Internacional de Automobilismo), nada foi bem esclarecido. Fato é que Vettel e Leclerc têm carros praticamente impossíveis de guiar em alto nível. A adequação às regras atrasou a escuderia em dois anos, já que para 2021, último ano do atual regulamento técnico, o carro não deva ter grandes investimentos.

O único alento da Ferrari neste momento pode ser a ausência de tifosi nas arquibancadas. A vergonha certamente seria ainda maior diante de seus apaixonados torcedores. Ah… Também não será em Mugello que Hamilton, hoje com 89 vitórias, irá igualar o recorde de 91 triunfos de Michael Schumacher. 

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