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Análise

Pantera Negra

Lewis Hamilton conquistou a pole do GP da Bélgica e nos mostra que que esporte, cultura e ativismo devem convergir

Hamilton comemora a pole no GP da Bélgica com o gesto popularizado por Chadwick Boseman nos cinemas (Foto: Twitter / F1)

É difícil, neste momento, falar exclusivamente do esporte dentro das pistas ou das quatro linhas. Negros são mortos em frente às câmeras. Atletas promovem boicote. A sociedade se divide em uma questão que deveria nos unir: a igualdade entre todos.

Não é diferente na Fórmula 1. O piloto dominante da categoria, que caminha para ser o maior da história, é negro. O primeiro a correr no ápice do automobilismo, inclusive. Lewis Hamilton se ajoelha em protesto. Fez a toda-poderosa Mercedes, com seu prata histórico, ser tingida de preto.

Em meio a tudo isso, o mundo, a cultura pop e todos nós perdemos um grande nome nesta sexta, 28. Chadwick Boseman não era apenas um ator. Foi, também, a exemplificação de um movimento. O seu Pantera Negra inspirou milhões, seja por seu empoderamento, seja por reavivar as raízes africanas de pessoas que foram cortadas de suas origens.

“Essa foi para o Chadwick Boseman”, disse Lewis Hamilton no rádio e com o dedo apontado para cima, logo após conquistar a pole do GP da Bélgica neste sábado, 29. Afinal, tudo converge.

Hamilton acabou com a concorrência a Spa e fez o recorde da pista (Foto: Twitter / Mercedes)

Boseman que sofreu calado. Diagnosticado com câncer no cólon em estágio três em 2016, o ator trouxe alguns de seus mais icônicos papeis já sofrendo com a doença – entre sessões de quimioterapia e cirurgias, como destacou a família dele após a morte. Nenhum de nós sabia disso. A doença evoluiu para o estágio quatro. Continuamos sem saber.

‘Marshall: Igualdade e Justiça’, ‘Pantera Negra’, ‘Vingadores: Guerra Infinita’, ‘Vingadores: Ultimato’, ‘Crise Sem Saída’, ‘Destacamento Bloood’… Todos filmes gravados enquanto Chadwick via suas próprias células lutarem contra si mesmas. Perdia peso, ganhava peso, trabalhava os músculos e dava o seu combalido corpo à arte e, principalmente, à uma mensagem importante nestes tempos sombrios.

A verdade é que a luta de Chad também pode ser alegórica. Nós nunca sabemos a dor do outro. Cada um de nós é um castelo com suas próprias dificuldades, suas preocupações, desconfianças, medos, problemas, doenças, superações…

Dependendo da cor da sua pele e de onde você nasceu, essa é uma trajetória ainda mais longa e difícil.

Boseman superou tudo isso e fez o seu melhor, na carreira. Ele nos inspirou.

Hamilton e Boseman são inspiração, cada um em sua área de atuação – e fora dela (Foto: Twitter / Mercedes)

Hamilton comemorar a pole com o gesto que se popularizou com Pantera Negra também é uma representação dessa luta. A verdade é que o fato de ser o primeiro negro da história da F1 mostra o quão é difícil para chegar lá, dependendo da cor da sua pele e de onde você veio. Por isso, Lewis é ainda mais fora da curva.

Outro ponto de ligação entre os dois, o herói da Marvel Studios e o hexacampeão da pistas, é o ativismo. Como disse o personagem da ficção no longa ‘Pantera Negra’: “Em tempos de crise, os sábios constroem pontes, enquanto os tolos constroem muros.”

Boseman, Hamilton, Ali, Lewis, Smith, Carlos, King e tantos outros. Cada um de sua forma lutou para construir pontes e a nos inspirar. Vamos fazer a nossa parte para que esse legado continue e floresça, e que a luta deles nunca seja em vão.

Assim, Chadwick Boseman viverá para sempre. Seja em seus filmes, seja em cada um de nós – desde o multicampeão a até você, que lê este texto.

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