Siga-nos

Análise

Racing Point chora, Aston Martin enxuga as lágrimas

Câmeras flagraram um mecânico emocionado na despedida de Pérez, mas cena pode ser entendida também como o desespero por contar só com Stroll para conseguir os pontos. Time deixou escapar 3ª posição entre os Construtores

Racing Point, GP de Abu Dhabi 2020, Lance Stroll,
Reprodução/Twitter/@RacingPoint

Antiga Force India, atual Racing Point, conhecida como ‘Mercedes Rosa’, futura Aston Martin… Não importa. Todo mundo que estava de macacão com-de-rosa levou a pior no último domingo (13), no GP de Abu Dhabi, com a perda da terceira colocação no Mundial de Construtores de Fórmula 1. Enquanto uma chora a quarta posição, a outra tem por obrigação enxugar as lágrimas de olho no trabalho do ano que vem. A cobrança, no entanto, deve cair em muito sobre a família Stroll: o piloto Lance e o dono Lawrence Stroll.

Com Sergio Pérez e Lance Stroll, a equipe chegou para a última corrida do ano, no moroso circuito de Yas Marina, com dez pontos a mais que a rival McLaren. A tarefa ainda estava fácil, — mesmo diante do abandono por problema de pressão no óleo do motor do carro do piloto mexicano, que por sinal foi preterido na equipe em favor do ‘filho do dono’ — mas o canadense jogou fora o brilhante ano com o que seria uma campanha inédita mesmo se contada a época de Force India. O décimo lugar de Stroll fez com que a McLaren ultrapassasse a Racing Point na classificação geral em só sete pontos.

É bom que se diga, no entanto, que o time do diretor-técnico Andrew Green e do chefe de equipe Otmar Szafnauer não perdeu a terceira posição no campeonato só com as corridas ruins de Stroll. Os 195 pontos somados bem que poderiam ser 210. Em agosto, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) acatou os protestos da Renault e retirou 15 pontos da equipe com sede em Silverstone por copiar ilegalmente os dutos de freio da Mercedes do ano passado. Sendo assim, aquela Mercedes Rosa, que tinha espantado a todos nos testes para a temporada que até então se imaginava livre do coranavírus, sentiu falta dos pontos cruciais. 

Stroll, particularmente, foi muito mal depois que subiu ao pódio em terceiro lugar no GP da Itália. Não bastasse ter contraído a covid-19, doença que o tirou de uma etapa, ele fez apenas dois pontos em um intervalo de sete corridas. As coisas chegaram a parecer garantidas justamente com a vitória do companheiro de equipe e o próprio terceiro lugar, no GP de Sakhir. Ali as coisas estavam mais do que definidas para a Racing Point, ainda que sob o nome de Aston Martin, embolsar uma boa parcela dos prováveis US$ 1 bilhão (mais de R$ 5 bilhões) divididos entre as equipes pelo Liberty Media. 

Racing Point, GP de Abu Dhabi 2020,
Racing Point sofreu com altos e baixos de Stroll e perda de 15 pontos Reprodução/Twitter/@RacingPoint

Conheça o canal do Grande Prêmio no YouTube! Clique aqui.
Siga o Grande Prêmio no Twitter e no Instagram!

O dinheiro pode nem ser o problema para o multibilionário Lawrence, mas a opção por manter seu filho na equipe (talvez fosse mesmo pedir demais para que fosse diferente) já lhe cobra um preço. No lugar de Pérez, Sebastian Vettel, de saída da Ferrari, assumirá o cockpit e tem tudo para reencontrar momentos de alegria. A contribuição do tetracampeão mundial será inestimada e pode significar na pista outro passeio do companheiro de equipe. Impulsionado pela vitória, o mexicano terminou a temporada na quarta colocação do Mundial de Pilotos, com 125 pontos. Stroll foi o 11º, com 75 pontos.

A analogia que se faz então é a do mecânico da Racing Point chorando após o abandono de Pérez, ainda no começo da corrida na Yas Marina. A chateação, em verdade ligada ao adeus de um piloto que ficou oito temporadas por ali, pode representar também a tristeza de não poder contar apenas com Stroll. Daí o processo de enxugar as lágrimas para começar o trabalho na Aston Martin e esperar que Vettel lidere a equipe apesar do ano de péssimos resultados, que inclusive terminou na 13ª colocação, com apenas 33 pontos.

“Foi triste para os rapazes, alguns estavam chorando no fim. É muito tempo juntos. Uma pena o que aconteceu, estava ansioso para entregar o melhor para eles, não merecem menos que isso. Estou satisfeito, a vitória foi para eles. O futuro é lindo para eles, eu tive uma grande temporada. E parabéns para a McLaren, o que mostra a importância de ter dois bons pilotos no time”, disse Pérez no programa da F1 no YouTube, após a corrida, em referência quase provocativa ao citar a quinta e a sexta colocação de Lance Stroll e Carlos Sainz Jr. respectivamente.

Já para 2021, o rosa provavelmente perderá um pouco de espaço para dividir lugar com o tradicional ‘verde britânico de corridas’. A BWT, patrocinadora da Racing Point desde 2017, ainda estará no carro da Aston Martin. A montadora britânica, famosa nas pistas europeias com um verde metalizado, voltará como equipe à F1 depois de mais de 60 anos.

Leia mais:

+ Checo Pérez x Hermanos Rodríguez?

++ Nada é capaz de pará-la

© 1995 - 2020 - GrandePremio.com.br - Todos os direitos Reservados.

Connect