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Análise

A regra vale até para Lewis Hamilton

Iminente heptacampeão teve adiado o sonho de igualar as 91 vitórias de Michael Schumacher por descumprir regulamento para a prática de largada. No pódio, quando não poderia se manifestar, o inglês obedeceu o protocolo e não pediu pela punição aos policias que mataram a jovem Breonna Taylor

Lewis Hamilton, Black Lives Matter, Mercedes, 2020,
(Foto: Reprodução/Twitter/@MercedesAMGF1)

A regra pode ser exagerada, ter tirado o brilho do GP da Rússia, adiado uma marca importante na história da Fórmula 1 e tudo mais. Mas ela vale para todos. Até mesmo para Lewis Hamilton. O iminente heptacampeão mundial foi duas vezes punido neste domingo (27), terminou na terceira posição e entregou de bandeja a vitória para Valtteri Bottas, companheiro de Mercedes. Max Verstappen, que pouco atacou, foi só o segundo no circuito ao redor do Parque Olímpico de Sóchi.

Hamilton, a uma triunfo do recorde de Michael Schumacher, tem tudo para superar as 91 vitórias na F1 ainda neste ano. Na Rússia, o inglês foi punido duas vezes com cinco segundos por praticar a largada fora do lugar adequado, claro, ainda antes das luzes se apagarem. Os 10 segundos totais de punição foram pagos na troca de pneus nos boxes, na 16ª volta, que o jogou da primeira para a 11ª posição. Aí, nem como melhor carro do grid, o piloto da Mercedes foi capaz de superar todo o pelotão de novo.

No artigo 36.1 da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), está claro para todos o procedimento de saída dos boxes e eventuais práticas de largada, algo comum no automobilismo, sempre no local determinado. “Os pilotos devem usar aceleração e velocidade constantes na saída do pit a não ser no local designado para testes de largada de acordo com o item 19.1 das Notas do Evento, que definiram o lugar ‘na saída do lado direito’ depois do semáforo da saída do pit.”

A letra fria da lei ainda traz um termo crucial apesar das reclamações de Hamilton: “algo que é conhecido por todos os competidores e utilizado sem exceção”.

Evidentemente que o #44 não gostou nada da punição e ainda no rádio soltou um ou outro palavrão quando foi informado. Ele inclusive teria avisado a equipe da simulação de largada, que teria pedido para que ele desse espaço para os outros carros passarem. Na entrevista ao ex-piloto Johnny Herbert após a corrida, ele ainda disse que não queria falar sobre o assunto.

Lewis Hamilton, punição, GP da Rússia 2020,
Hamilton praticou largada por duas vezes fora do lugar adequado e foi punido pela regra (Foto: Reprodução/Twitter/@F1)

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“Não importa ficar pensando agora. Vou levar os pontos para casa e seguir em frente”, disse Hamilton, antes da festa estranha festa no pódio, com os pilotos de novo de máscara, mas agora também luvas. 

As manifestações contra o racismo e a violência policial não foram permitidas no novo protocolo. Não é possível ter clareza se é apenas pelo novo protocolo ou se faz parte também da conhecida repressão russa. Essa parte da regra, que faria até mais sentido descumprir, Hamilton obedeceu e permaneceu completamente uniformizado enquanto Bottas estourava a sua champanhe. Isso não minimiza em nada a luta do piloto pelos direitos de igualdade racial, mas havia quem apostasse em nova manifestação apesar do pedido.

Na corrida anterior, em sua vitória no GP da Toscana, o único piloto negro da F1 aparece com uma camiseta com a mensagem “prendam os policiais que mataram Breonna Taylor”. A jovem norte-americana foi morta por dois policiais que faziam uma operação de procura de drogas na casa em que ela morava. Um júri popular do estado de Kentucky decidiu na última quarta-feira não indiciar os policiais.

Pontos na carteira

Bottas, Mercedes, GP da Rússia 2020
Bottas ganhou de bandeja a vitória no GP da Rússia (Foto: Reprodução/Twitter/@MercedesAMGF1)

Na entrevista após a vitória de Bottas, Hamilton se referia propriamente aos 15 pontos somados na pontuação do campeonato — ele agora tem 205 pontos, 44 a mais que Bottas e 77 à frente de Verstappen. Mas o piloto inglês precisa mesmo ficar preocupado com a sua pontuação na Super Licença. Com os dois pontos de punição referente aos dez segundos de pênalti, Hamilton agora chega a dez pontos na carteira.

O piloto então está a dois pontos, duas infrações de cinco segundos por exemplo, de somar os 12 pontos que banem o piloto de uma corrida. Os pontos expiram só depois de um ano recebido. Como os pontos mais antigos de Hamilton foram no toque em Alexander Albon, no GP do Brasil de 2019, o piloto fica sob risco até 17 de novembro. Nada que poderá atrapalhar a conquista do título, mas aí já seria um fator emocional a mais na tentativa de bater a marca de Schumacher.

No calendário modificado pela pandemia do novo coronavírus, a próxima corrida acontece em 11 de outubro, no GP do Eifel, no circuito de Nürburgring, na Alemanha de Schumacher. A chance de se isolar no quadro de maior vencedor da F1 ficaria então para o GP de Portugal, em 25 de outubro, no que será a 12ª das 17 provas previstas. 

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++ Ferrari: 1980 x 2020

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