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Análise

Retorno às pressas de Hülkenberg deixa impressão de qualquer um pode guiar F1

Piloto estava preparado para comentar GP de Eifel para uma TV alemã quando foi chamado pela Racing Point para assumir a vaga de um indisposto Stroll. Sem nenhuma volta de treino livre ficou com última colocação no grid e levantou debate sobre a efetividade do piloto reserva

Nico Hülkenberg, Racing Point, GP de Eifel 2020,
(Foto: Reprodução/Twitter/@RacingPointF1)

Treinos livres cancelados pelo mau tempo, tudo bem… Podem, e é até melhor, que não aconteçam devido à segurança dos pilotos. Mas daí alguém, que estava escalado para ser comentarista de TV, assumir neste sábado (10) uma vaga para disputar o GP de Eifel é um tanto mais difícil de aceitar se olhado com mais profundidade. A ligação da Racing Point para Nico Hülkenberg substituir Lance Stroll a quatro horas do treino classificatório para a corrida depõe contra a categoria. O episódio pode ser uma bonita história para os netos lá na frente, mas reforça a impressão de que hoje qualquer um pode guiar um F1. 

A largada para a 11ª das 17 corridas previstas no calendário modificado pelo coronavírus acontece neste domingo, às 9h10 (de Brasília), com tempo real e ao vivo do GRANDE PRÊMIO. Valtteri Bottas cravou a pole-position (1min25s269), seguido por Lewis Hamilton (+0s256) e Max Verstappen (+0s293).

A chuva insistente e a densa neblina, conhecidas da cidade de Nürburg para essa época do ano, cancelaram as atividades da última sexta-feira. Com a impossibilidade de voo do helicóptero médico, os treinos livres 1 e 2 não puderam ser realizados. Na manhã seguinte, neste sábado, o sol apareceu e permitiu a realização da fundamental atividade que antecede à classificação. Mas foi justamente sob essas condições climáticas que uma nova confusão começou em um ano que parece todo fora do lugar.

Stroll “não se sentiu 100% bem nesta manhã, e a equipe tomou a decisão de não seguir com ele para o restante da etapa”, limitou-se a dizer a Racing Point em comunicado. O nome de Stoffel Vandoorne, reserva de Lewis Hamilton e Valtteri Bottas na Mercedes, foi cogitado por veículos de imprensa no paddock, mas prevaleceu a opção pelo piloto que justamente havia substituído Sergio Pérez, em Silverstone, nos GPs da Inglaterra e dos 70 anos da F1, em agosto. O mexicano havia sido diagnosticado com a Covid-19.

Nico Hülkenberg, Racing Point, GP de Eifel 2020,
Hülkenberg ficou com 20º tempo para GP de Eifel de F1 (Foto: Reprodução/Twitter/@RacingPointF1)

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Sem ritmo de corrida e sem nem capacete próprio, com as cores e patrocinadores da equipe, Hülk saiu de Colônia, onde estava, deixou os comentários na emissora RTL e pegou pouco mais de 60 km de estrada para reassumir o cockpit do carro do time que correu por cinco temporadas, entre 2011 e 2016, quando a esquadra ainda se chamava Force India. Com 40 minutos de conversas com os engenheiros, evidentemente, nada de muito fantástico poderia ser feito. O alemão não deu uma volta sequer no TL3 e já foi para a classificação.

Se nada de extraordinário poderia ser feito, então não é mesmo qualquer um que pode guiar um F1, certo? Realmente não é qualquer um, sem dúvida, e o dono do #27 (ah, deu tempo da equipe estampar o número no carro de Stroll) ficou com a 20ª e última posição a 0s469 para o 16º colocado, Romain Grosjean, com a Haas. Ou seja, Nico não fez feio. Stroll, indisposto, também não poderia bancar o herói e “lutar contra a natureza”. Mas a questão mesmo é com a organização da F1. Lá atrás, o CEO Chase Carey havia dito que os pilotos reservas estariam disponíveis em casos de Covid e mesmo de uma inesperada “intoxicação alimentar”.

Hülkenberg exibiu orgulhoso a carteirinha de piloto Racing Point nas redes sociais (Foto: Reprodução/Twitter/@HulkHulkenberg)

Atualmente, é mais comum que, por questões de logística, as equipes carreguem os pilotos reservas apenas em provas fora da Europa. É bem verdade que, dada a limitação de testes, o trabalho deles aparece pouco e só mesmo o maior fã de automobilismo conhece os suplentes das equipes — para citar exemplos brasileiros, Sérgio Sette Câmara e Pietro Fittipaldi acompanham respectivamente a AlphaTauri e a Haas. 

Não há duvida que, alguém que conhecesse melhor o carro, tivesse guiado por mais vezes, participasse das reuniões prévias poderia fazer melhor. Quem sabe até se mostrar para a equipe e brigar por uma vaga com os titulares. Nada disso. Existe uma descaracterização dos times, com a imagem de que qualquer um pode sentar no carro, prender o cinto de segurança, apertar meia dúzia de botões e acelerar como no PlayStation. 

No GP da Inglaterra, Hülkenberg não conseguiu sequer largar devido a um parafuso quebrado na embreagem da Racing Point. No outro fim de semana, o alemão conseguiu partir da terceira posição e terminar a prova em sétimo, só uma posição atrás de Stroll.

Apesar do circo criado, a F1 real não é a mesma das que os amantes da categoria eventualmente jogam no videogame. Preterido por Hülk, aliás, Vandoorne passará o fim de semana de bobeira, jogando Call of Duty, como ele próprio postou nas redes sociais.

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