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Análise

O mundo não gira, ele capota

A vitória de Sergio Pérez é o ápice de uma carreira na Fórmula 1 cheia de altos e baixos, e que parecia que ia terminar sem uma única grande conquista

crédito: Twitter / @F1

O título desta análise é um meme que ficou bem popular na internet brasileira – e virou até música. A frase, claro, encaixa como uma luva para o automobilismo. E eu diria mais: encaixa também de forma perfeita para Sergio Pérez, que venceu a primeira corrida na carreira neste domingo (6), no GP de Sakhir, na 190ª largada do mexicano na Fórmula 1.

‘Checo’, como é conhecido, vem de um país com certa tradição no automobilismo, mas de poucas grandes conquistas na F1. O México sediou por muitos anos uma etapa do mundial – e está previsto para retornar ao calendário em 2021. Além disso, foi o lar dos hermanos Ricardo e Pedro Rodríguez. Mas eram apenas duas vitórias na categoria máxima do automobilismo, as duas de Pedro – que, como o irmão, morreu prematuramente.

Sergio Pérez e a bandeira do México
‘Checo’ Pérez comemorando a primeira vitória na F1 – e a terceira na história de um piloto mexicano (Foto: Twitter / @SChecoPerez)

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Natural de Guadalajara, Pérez teve como maior resultado na carreira um vice-campeonato na GP2, atual Fórmula 2, em 2010 – mesmo ano em que entrou para a Academia de Pilotos da Ferrari. Estreou na F1 em 2011, pela Sauber – ajudado pela parceria da equipe suíça com a Scuderia, e também pelo dinheiro da América Móvil, do multimilionário Carlos Slim.

O começo foi muito bom.

A Sauber vinha do fim do casamento com a BMW e a equipe estava em frangalhos. Mesmo assim, o mexicano conseguia eventualmente surgir lá na frente do pelotão no meio das provas, além de conseguir beliscar alguns pontos.

Em 2012, ‘Checo’ chegou a liderar corrida e teve três pódios. O auge foi no GP da Malásia, quando era segundo nas voltas finais e descontava a vantagem do líder, Fernando Alonso, mas a pressão da equipe a falta de experiência o fizeram errar. A essa altura já se falava no mexicano pilotando pela Ferrari. O lugar no carro vermelho não veio, mas chegou um outro convite de um time de primeiro escalão: a McLaren – substituindo ninguém menos que Lewis Hamilton.

Deu tudo errado.

Ninguém sabia ainda, mas 2013 representava o começo do fundo do poço da McLaren. Já no fim da gestão de Ron Dennis, a equipe de Woking estava perdida tecnicamente e esportivamente. O resultado disso era um desempenho ruim dos carros prateados, além de muitos erros do mexicano.

Pérez batalhou muito antes de estacionar o carro na P1 (Foto: Twitter / Racing Point)

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Porém, de fora, poucos sabiam o que acontecia entre os muros de Woking. Ao mundo, ficou a visão de que ‘Checo’ não aguentou a pressão. Acabou mandado embora depois de apenas um ano no time inglês.

Pérez então ganhou uma segunda chance na Force India, ajudado pelo patrocínio da América Móvil. A partir daí, começou um momento de reconstrução e amadurecimento de ‘Checo’.

Aos poucos, o número de erros foi diminuindo e, quando o carro permitia, foi conquistando bons resultados. Ele teve um pódio em 2014, outro em 2015, mais dois em 2016. Em 2017 a crise financeira e política da Force India começou a bater forte, e o mexicano passou em branco. Outro pódio aconteceu em 2018, quando a equipe indiana faliu de vez e ressurgiu como Racing Point.

O ano de 2019 foi mais um de reconstrução – a nova Racing Point perdeu espaço na F1 justamente pela falta de desenvolvimento no ano anterior. Nenhum pódio e ficou a sensação de que o timing para Sergio Pérez se tornar um piloto vencedor da categoria havia passado.

Veio então 2020. Com um carro que é praticamente uma cópia da Mercedes de 2019, a Racing Point surgia como um time que poderia brigar pelo posto de “melhor do resto” na F1. Só que a temporada, quando finalmente começou por causa da pandemia, mostrou outra coisa. Os carros cor-de-rosa são bons, mas nem tanto. O primeiro pódio do mexicano só veio na 14ª etapa, com um segundo lugar na Turquia.

Sergio Pérez chora no pódio
O choro do alívio (Foto: Twitter / @F1)

Foi então que ‘Checo’ Pérez recebeu o recado: o seu contrato não seria renovado. A Racing Point, que em 2021 será a Aston Martin, preferiu contar com o tetracampeão Sebastian Vettel ao lado de Lance Stroll, literalmente o filho do dono. Com poucas opções para 2021, o mexicano passou a lutar por um lugar na Red Bull, mas, convenhamos, estava bem difícil conseguir.

Esse seria um fim melancólico para Sergio Pérez: uma carreira que tinha potencial, mas que ficou pelo caminho. Pior: até então com 189 largadas, entraria para a história como o segundo piloto com maior número de GPs sem nunca ter vencido na F1, atrás apenas de Andrea de Cesaris.

E aí aconteceu o GP de Sakhir. Hamilton com Covid-19, os erros da Mercedes, uma pilotagem incrível. Chegou a estar em 18º e último na pista no final da primeira volta, mas venceu. Sergio Pérez venceu.

Veio o choro, o pódio, a bandeira, o hino do México. Não importa o que acontecerá daqui em diante. Se vier um lugar para correr na F1 em 2021, ótimo. Se não vier, tudo valeu a pena, ‘Checo’.

Valeu a pena.

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