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Análise

Só um ‘Valtteri Rosberg’ seria capaz de hoje bater Lewis Hamilton

Finlandês já tentou comer pelas beiradas, prometeu competir de igual para igual e fez retiro antes da temporada. Nada adiantou na tentativa de repetir os passos do campeão mundial em 2016, o único dos últimos anos a derrotar o maior vencedor da história da F1

Lewis Hamilton, Mercedes, GP de Portugal 2020,
(Foto: Reprodução/Twitter/@F1)

O maior vencedor da história da Fórmula 1, claro, merece todas as homenagens. Mas, neste domingo (25), no GP de Portugal, que marcou a inacreditável 92ª vitória de Lewis Hamilton, outro nome precisa ser celebrado: Nico Rosberg. O precoce ex-piloto foi o único dos últimos anos que bateu o iminente heptacampeão mundial. Longe de ser fácil, ainda assim fica uma receita do que Valtteri Bottas, o segundo em Portimão, pode tentar no próximo ano. Só uma mistura de perfis com o antigo companheiro do inglês deve ajudar o desafiante para a temporada de 2021. Seria necessário uma espécie de ‘Valtteri Rosberg’.

Com o resultado no Autódromo de Algarve, Hamilton pode ser campeão daqui a duas corridas. Os próximos compromissos são no GP da Emilia Romagna, em Imola, em 1º de novembro; e no GP da Turquia, em 15 de novembro. O piloto inglês tem 230 pontos, 69 pontos a mais que o vice-líder Bottas. Max Verstappen, o terceiro colocado na prova, está 83 pontos atrás.  

Quanto mais Hamilton estabelece recordes, mais é para se exaltar o feito de Rosberg. Depois do título com a McLaren em 2008, o inglês foi campeão em 2014, 2015, 2017, 2018 e 2019 pela Mercedes. A brecha em 2016 se deu com Rosberg. Ao alemão, que deixou o automobilismo aos 31 anos, apenas cinco dias depois o título mundial, foi preciso mais do que vencer na pista, mas atacar também o psicológico do extraordinário piloto. Não bastou só acabar com uma amizade de infâncias, mas tirar o inglês da zona de conforto — e isso pouco tem a ver com as câimbras que o inglês relatou na metade da corrida. 

Naquela temporada, Hamilton, sim, deixou pontos pelo caminho, vacilou ao permitir as quatro primeiras vitórias de Rosberg (apesar de ter devolvido e até repetido a quadra ao longo da temporada), mas o que o derrubou mesmo foram os toques com o piloto alemão. Nesse quesito, dois episódios foram marcantes. O primeiro deles, no GP da Espanha, quando Nico saiu na frente na largada e não admitiu a perseguição do inglês e fechou a porta para uma tentativa de ultrapassagem. Os dois terminaram a prova mais cedo em um tremendo mal-estar na equipe. Quatro corrida depois, no GP da Áustria, e o desafiante levou a pior ao tocar no inglês na última volta e perder a vitória. Ao menos, deu certo o plano de irritar ao máximo o rival.

Em um salto para este fim de semana, Bottas, que não é melhor que Rosberg, mas também é muito bom, liderou absolutamente todas as três sessões de treinos livres na ótima montanha russa portuguesa, em um traçado desafiador que agradou aos pilotos e também ao público. Além disso, o #77 esteve perto de cravar a pole-position no treino classificatório e ainda passou o #44 nas primeiras voltas da corrida. Os últimos dois feitos foram por água abaixo com alguma crueldade que já é peculiar do extraordinário piloto inglês. Mesmo com o cronometro zerado, com duas voltas rápidas, ele tirou da cartola um tempo 0s102 mais rápido que o companheiro de Mercedes e ainda retomou a ordem natural da garagem na 20ª volta.

Valtteri Bottas, Lewis Hamilton, Mercedes, GP de Portugal 2020,
Bottas foi mais rápido nos treinos livres, em parte da classificação e até andou na frente de Hamilton na corrida (Foto: Reprodução/Twitter/@MercedesAMGF1)

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Evidentemente, a Mercedes não tem lá muita vontade de repetir aquele 2016. Ainda foi um carro prateado que ganhou, é verdade, mas para a história da equipe é muito mais interessante ter um recordista absoluto. Se não fossem todos os atribulados eventos daquela temporada, Hamilton estaria perto de bater o recorde de títulos de Michael Schumacher. Uma prova mínima dessa preferência pelo inglês se deu no 41º giro. Depois de saber que Lewis mudou dos pneus médios para o duro, Valtteri pediu para sair de médios e partir em uma tática até ousada com a borracha macia. Nada feito. Repetida a tática do companheiro de equipe.

“Fiquei muito satisfeito por ter assumido a liderança no início, mas depois disso não tive muito ritmo”, disse Bottas, de novo, com a linguagem corporal de quem está mesmo derrotado. “Esperava dar mais voltas com o pneu médio para ter a oportunidade de colocar o macio no final. Mas não foi possível e não sei se teria feito muita diferença.”

Rosberg teve de romper amizade de infância para bater Hamilton (Foto: Reprodução/Twitter/@MercedesAMGF1)

“Devo isso a eles aqui [funcionários da equipe Mercedes] e aos que estão na fábrica. Tem sido um grande privilégio trabalhar com eles. Só poderia sonhar de estar onde estou hoje. Vai demorar um pouco para entender [o que são essas 92 vitórias]. Não consigo encontrar as palavras neste momento”, rebateu Hamilton, esse com o semblante pra lá de vencedor.

Desde 2017 na equipe, justamente substituindo Rosberg, Bottas já tentou ir pelas beiradas, prometeu competir de igual para igual e foi fazer um retiro nas geladas montanhas finlandesas. Não dá para dizer que não deu nada certo. Foram nove vitórias até aqui, um feito que se comparada as 92 de Hamilton pode não ser muito. Mas se levado em conta que foram nove contra Hamilton, aí sim dá para entender a grandeza desses números. 

Um ‘Valtteri Rosberg’, ou ‘Nico Bottas’, também não seria certeza de resultado. Seria apenas algo diferente do que o finlandês tentou até agora para bater o inglês.

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