A derrota de Bottas

Mais do que uma vitória de Hamilton, o GP de Abu Dhabi escancara o quanto o finlandês não está, neste momento, à altura do carro que tem

Renan Martins Frade, de São Paulo

Mais uma vitória de Lewis Hamilton. Mais uma vitória da Mercedes. O GP de Abu Dhabi, que aconteceu neste domingo (25), foi, com o perdão do clichê, o encerramento com chave de ouro para o pentacampeonato do inglês e da equipe.

Ele, porém, não é o assunto desta análise.

Na verdade, cabe um olhar em relação a Valtteri Bottas. No segundo carro da multicampeã Mercedes, o finlandês largou logo ao lado de Lewis, que era o pole. Tinha como principal obrigação acompanhar de perto o companheiro – como um bom escudeiro para o campeão. Ainda assim, na segunda metade da corrida, Bottas acabou sendo ultrapassado pela Ferrari de Sebastian Vettel e pelas Red Bulls do (excessivamente agressivo) Max Verstappen e Daniel Ricciardo.

Valtteri pode ter sofrido com os pneus? Com o equilíbrio do carro? Pode ser. Porém, o finlandês parou cerca de dez voltas depois do companheiro, que soube tirar o máximo de seu W09 EQ Power+.

Sem nenhum problema que soltasse aos olhos, dá para qualificar como “vergonhoso” ver um piloto chegar em quinto (e última da F1 A) enquanto o outro carro do mesmo time venceu com facidliade o GP, isso considerando a atual Fórmula 1.

Bottas: será ele um companheiro de equipe a altura de Hamilton?
Mercedes

Não é que Bottas precise andar no mesmo ritmo de Hamilton. Na verdade, essa discussão é superada. Ainda assim, enquanto segundo piloto declarado e assumido, é necessário ter certas posturas e comportamentos. Uma delas é se colocar atrás do primeiro piloto em uma situação como a deste domingo, no qual a Mercedes possuía o melhor carro na prova.

Bottas até fez esse trabalho na primeira parte da corrida, segurando o pelotão logo após a parada de Hamilton no trecho de safety-car virtual. Porém, na segunda metade da prova, era necessário ficar atrás do companheiro para evitar que os adversários ameaçassem a vitória do time. Não que Vettel tenha conseguido se aproximar depois, mas... E se Lewis tivesse problemas maiores com a degradação dos pneus, que tiveram que durar 47 voltas?

O resultado final do Mundial de Pilotos também representa isso. Bottas foi apenas quinto lugar, atrás não só do companheiro, mas também dos dois pilotos da Ferrari e da Red Bull de Max Verstappen. Repito: tudo isso a bordo do carro que domina a categoria desde 2014.

Podemos dizer, também, que o quinto título de construtores da Mercedes veio muito mais pelo trabalho de Hamilton do que do companheiro. É uma situação bem diferente da época de Nico Rosberg em uma das Flechas de Prata. Claro, o domínio da equipe era maior, mas o alemão andava ao lado do companheiro e foi campeão em 2016.

Mais uma vitória fácil de Hamilton
Mercedes

O finlandês já está garantido na Mercedes em 2019. Sendo assim, precisa se esforçar para resgatar aquele Valtteri que vimos algumas fagulhas no começo de 2018. No Azerbaijão ele chegou próximo de vencer a corrida, abandonando nas voltas finais após um pneu furado. Se vencesse, Bottas lideraria o campeonato naquele momento. Foi a partir dali que as coisas desandaram. 

Se isso não acontecer e a Ferrari crescer no próximo ano, bom... Esteban Ocon vai estar no banco de reservas. Caso Toto Wolff prefera um pouco mais de agressividade, ele já tem.