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Análise

A diferença do modo festa, e do piloto

Racing Point pode até ter copiado a Mercedes para surpreender na classificação do GP da Hungria, mas ainda não tem a conhecida potência dos alemães no Q3, nem um piloto como Lewis Hamilton

Racing Point, GP da Hungria 2020, Lance Stroll
Reprodução/Twitter/@RacingPointF1

Ainda nos treinos livres, havia ficado evidente que as Mercedes fariam neste sábado (18) a dobradinha no grid do GP da Hungria. Lewis Hamilton (1min13s447) e Valtteri Bottas (+0s107) apenas precisavam definir a ordem entre eles, como fizeram lá sem muito esforço frente aos demais. A surpresa ficou por conta da aparição das Racing Point nas posições seguintes, com Lance Stroll (+0s930) e Sergio Pérez (+1s098). O resultado confirmou a semelhança dos carros rosa com os preto/prata exceto por alguns detalhes: o tal do ‘modo festa’, e do piloto. 

A largada para o GP da Hungria acontece neste domingo, às 10h10 (de Brasília) com tempo real do GRANDE PRÊMIO

Racing Point, GP da Hungria 2020, Lance Stroll
Stroll fez o terceiro melhor tempo (Foto: Reprodução/Twitter/@RacingPointF1)

Rebatizada de Racing Point e agora apelidada de ‘Mercedes Rosa’, a antiga Force India teria por lógica de novo se misturar no meio do pelotão da F1. Isso se não fosse por uma sacada de mestre dos seus engenheiros. Por já usar os motores Mercedes, que tal então copiar o W10, com que Hamilton foi campeão em 2019? Só pode dar certo independentemente das polêmicas a cerca do regulamento e sucessivos protestos das equipes rivais, principalmente, aquelas que perderam espaço na briga como Renault e até mesmo Red Bull.

O bico arredondado do carro, as mesmas ranhuras da asa dianteira e, por último, já em Hungaroring, os dutos de freio foram atacados. A FIA (Federação Internacional de Automobilismo) disse que uma inspeção foi realizada e concluiu que a Racing Point não recebeu uma descrição das peças da Mercedes, o que seria ilegal. Chassi, carroceria, asas e trabalhos ligados à aerodinâmica são originais do time inglês ainda que haja uma brecha para se questionar se há violação do regulamento. Mais do que isso, se houve influência e troca de informações entre os funcionários.

GP da Hungria 2020, Lewis Hamilton
Hamilton cravou a 90ª pole da carreira (Foto: Reprodução/Twitter/@MercedesAMGF1)

A cópia, por assim dizer, só foi permitida graças aos milhões e milhões investidos por Lawrence Stroll, que ficou publicamente frustrado com o desempenho do time no ano passado, e talvez alguma amizade com Toto Wolff. A provável pareceria entre dois nomes fortes e endinheirados do grid causou ainda mais ciúmes nos rivais.

Fato é que o antes tão criticado Lance Stroll e o mexicano Pérez foram os melhores do restante da categoria. O equipamento deles já havia mostrado seu potencial nos GPs da Áustria e da Estíria, em um circuito de alta velocidade e que exigiria bastante dos carros. Em Budapeste, em uma pista mais travada, que não exige tanto do motor, mas do conjunto do carro como um todo, eles foram ainda melhores — ainda assim, vale destacar que em determinado momento do Q2, Pérez, Stroll, Hamilton, Bottas e George Russell, de Williams, todos de Mercedes, lideravam a sessão.  

comparação, Racing Point, Mercedes
Comparação entre Mercedes e Racing Point (Rodrigo Berton/Arte GP)

Mas para chegar ao nível da co-irmã, que celebrou 90ª pole-position de Hamilton, faltou à Racing Point o conhecido modo festa. Nos tempos que a Ferrari ainda fazia alguma sombra ao time alemão, Hamilton brincou e deixou no ar que poderia haver uma estratégia para que seu carro deslanchasse no Q3 e assim ele fizesse o melhor tempo. Se no último classificatório ele havia deixado todo mundo de boca aberta com uma volta magistral, neste só não impressionou mais porque seu companheiro esteve mais perto. Ainda assim, o hexacampeão colocou quase um segundo de vantagem no terceiro colocado. Ele próprio ainda faz muita diferença e não se pode atribuir tudo ao carro.

De volta à Williams, que adoraria ter tido a ideia de copiar o carro da Mercedes, seus dois carros avançaram para o Q2. Tal façanha não acontecia desde o GP da Itália de 2018, quando justamente Stroll e Segey Sirotkin terminaram com a nona e a décima colocação. Tudo bem que é pouco para quem tem sete títulos de Pilotos e nove de Construtores. Mas, depois de dois anos, fechando o grid, Russel em 12º, repetindo sua melhor posição de largada, e Nicholas Latifi, em 15º, dão um novo alento para a equipe.

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