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Análise

A pesada Ferrari nas costas de Vettel

Preterido por Leclerc para o próximo ano, tetracampeão fez uma corrida convincente para os padrões atuais e terminou com um honroso sexto lugar no GP da Hungria. Presente com o monegasco e futuro com o espanhol Sainz Jr. não são dos melhores

Ferrari, GP da Hungria 2020, Vettel,
(Foto: Reprodução/Twitter/@ScuderiaFerrari)

Nome que se confunde com a própria história da Fórmula 1, com 16 títulos de Construtores e 15 de Pilotos, a Ferrari se comportou neste domingo (19), mais uma vez, de maneira distante da sua grandeza. Sebastian Vettel, preterido para o ano que vem, carregou um  carro pesado nas costas e ainda assim conseguiu uma honrosa sexta colocação no GP da Hungria. O preferido da escuderia italiana, Charles Leclerc, em 11º, terminou em uma posição até mais real para o cenário atual. 

Lá na frente, Lewis Hamilton, que inclusive colocou uma volta de vantagem nos carros vermelhos, deu outro show de pilotagem e venceu com direito a volta mais rápida. Max Verstappen, da Red Bull, e Valtteri Bottas, também da Mercedes, completaram o pódio. A F1 agora vai para uma rodada dupla com a quarta e a quinta corrida da temporada atípica no circuito do GP da Inglaterra, em 2 e 9 de agosto. No GRANDE PRÊMIO, claro, você fica por dentro de tudo o que acontece.

Para se ter uma ideia do pesadelo da Ferrari, Leclerc é o sétimo na classificação geral, com 18 pontos, 45 atrás do líder Hamilton. Vettel aparece só em décimo, com nove pontos, 54 de desvantagem para o inglês. No meio desse caminho até a ponta da tabela tem Red Bull, McLaren e até mesmo a Racing Point, que se vale da similaridade com a Mercedes W10, do ano passado, para conseguir bons resultados.

Mas a Ferrari não jogou a toalha, e nem deve fazer isso mesmo que aguarde ansiosamente o ano que vem. Por mais que tenha sido prejudicada pela pandemia do novo coronavírus, que teve seu epicentro na Itália, o trabalho já nasceu conturbado. Ainda nos testes de pré-temporada, em Barcelona, o time chegou a admitir que a força do motor não era mais a mesma. Isso sem falar no acordo secreto entre o chefe Mattia Binotto e a FIA (Federação Internacional de Automobilismo), que provavelmente limitou o desempenho dos carros.

largada GP da Hungria 2020
Vettel conseguiu ótima largada no GP da Hungria (Foto: Reprodução/Twitter/@F1)

Bem ou mal, fato é que o time claramente perdeu velocidade e de nada adiantou o pacote de atualizações aerodinâmicas para o GP da Estíria, que acabou na primeira curva, e não foi eficiente em Hungaroring. As velhas trapalhadas da equipe, essas sim, voltaram a aparecer. Logo no começo da corrida, quando todo o grid percebeu que os pneus de chuva não eram necessários, Leclerc foi para os boxes e colocou pneus macios que rapidamente se deterioram. Os engenheiros esperaram uma água que não caiu verdadeiramente sobre o circuito e atrasaram a nova troca do #16. Boas brigas no meio do pelotão foram o ponto alto do piloto.

Com o #5, a situação foi menos grave e talvez possa ser atribuída ao azar da corrida. Vettel, que fez uma excelente largada, também fez o movimento de ir para os boxes no início da corrida, mas ficou preso no tráfego na hora de sair. O pitstop demorado o jogou lá para trás, e fez o alemão ter de lembrar as suas melhores atuações para escalar o pelotão e figurar em uma zona mais confortável de pontos. Ele próprio não cometeu erros bobos, como quando errou o ponto de freada no GP da Áustria, na Curva 3, e terminou de jogar por água abaixo sua corrida.

Ferrari, GP da Hungria 2020,
Lecler é o 7º, enquanto Vettel é o 10º na tabela (Foto: Reprodução/Twitter/@ScuderiaFerrari)

Do GP do Brasil do ano passado pra cá, quando Vettel e Leclerc bateram na Reta Oposta, e aí não interessa de quem é a culpa, o tetracampeão foi claramente excluído dos planos da equipe. Mais jovem, e bastante talentoso, Leclerc foi a opção para liderar o time nos próximos anos. Nesse meio tempo, Vettel anunciou sua saída da equipe e Carlos Sainz Jr. foi anunciado. Isso só denota um problema claro problema de passado (Vettel), presente (Leclerc) e futuro (Sainz). 

As perspectivas para a Ferrari são realmente poucas, ainda mais se lembrado que o ano que vem será o último de um regulamento técnico e é difícil imaginar que muita coisa mudará na relação de forças. Quanto a Vettel, hoje a pé para 2021, existe a expectativa de que ele tome a vaga de Sergio Pérez na renovada Racing Point, ex-Force India, futura Aston Martin. Já a Ferrari, precisa logo encontrar uma maneira de pelo menos melhorar o presente.

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