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Análise

Hamilton faz a festa e nem precisaria do ‘modo festa’

Apesar de sugerir uma perseguição por parte da FIA ao vetar o conhecido ajuste que libera mais potência, inglês sobrou na classificação para o GP da Espanha. Mercedes fez todas as seis poles do calendário da F1 até aqui

Lewis Hamilton, GP da Espanha 2020, Mercedes,
Hamilton na Catalunha, onde voltou a vencer (Foto: Reprodução/Twitter/@MercedesAMGF1)

Enquanto a Fórmula 1 não põe fim ao ‘modo festa’, e esse fim já está marcado no calendário de 2020, a Mercedes segue se valendo de um carro irrepreensível em treinos classificatórios. Lewis Hamilton (1min15s584) cravou neste sábado (15) a sexta pole-position da equipe no ano, a centésima do time na era híbrida, desta vez, para o GP da Espanha. Valtteri Bottas (+0s059) foi o segundo, com Max Verstappen (0s708) em terceiro no circuito da Catalunha, em Barcelona. 

A sexta das 12 corridas agora previstas para o Mundial marcado pela pandemia do novo coronavírus acontece neste domingo, às 10h10 (de Brasília), com ao vivo e tempo real do GRANDE PRÊMIO.

O chamado modo festa, que Hamilton lá atrás negou que houvesse, é um complexo ajuste no motor feito para o Q3 das classificações. Pelo seu alto consumo em um significativo aumento de potência dos propulsores, não é usado na corrida e guardado mesmo para apenas uma volta. Quando a Ferrari com Sebastian Vettel chegou a ameaçar a Mercedes, em 2017 e 2018, esse ganho extra, estimado em 0s2, 0s3 em uma volta, valia de alguma coisa. Com um dos melhores carros da história da F1 então, é só para colocar quase 1 segundo de vantagem nos adversários, como fez diante da Red Bull e da Racing Point nas duas últimas corridas em Silverstone.

Pois o alvo da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) para tentar equilibrar um pouco o campeonato é justamente esse ajuste entre a classificação e a corrida. Até então permitido em regulamento, desenvolvido e amplamente utilizado pela Mercedes, a tática será proibida já a partir do GP da Bélgica, o próximo da temporada, em 30 deste mês. A alegação é que múltiplos modos relativos à unidade de potência ‘podem significar que o piloto não está guiando o carro sozinho e sem ajuda’. Sem dúvida maior interessado, Hamilton viu a manobra como espécie de perseguição.  

Valtteri Bottas, Mercedes, GP da Espanha 2020,
Bottas chegou perto mas, de novo, teve de se curvar ao talento de Hamilton (Foto: Reprodução/Twitter/@MercedesAMGF1)

A sessão em Barcelona não foi nada empolgante, é bom que se diga. No Q3, nem mesmo Bottas ameaçou a 92ª pole da carreira do inglês. Na última volta rápida, o finlandês ficou pelo caminho e cruzou a bandeirada longe do companheiro, que fez da sua parte apenas protocolar. Além disso, em Barcelona, não há uma diferença de estratégia de pneus. Cumprir o Q2 de pneus médios no GP dos 70 Anos, foi a grande vantagem para Verstappen surpreender, evitar os desgastes desnecessários dos pneus e bater os carros pretos/prateados e vencer a corrida. Estratégia semelhante não parece estar no horizonte.

“Não consegui ir mais rápido na minha segunda volta [no Q3]. A primeira foi decente, o que felizmente foi o suficiente para cumprir o trabalho”, reconheceu o #44. “Sabia que estaria perto de Lewis, como sempre. Estava melhorando ao longo da sessão, principalmente no setor três, mas não foi o suficiente”, completou o #77, novamente com um ar de quem deu seu melhor, mas teve de se render ao melhor piloto do grid, em um equipamento fantástico.

Lewis Hamilton, GP da Espanha 2020,
Com mesmos pneus da Red Bull, Hamilton parece protegido de estratégias diferentes de pit (Foto: Reprodução/Twitter/@MercedesAMGF1)

Se até a terceira posição de Verstappen, ou mesmo a quarta de Sergio Pérez (+0s898), com a chamada ‘Mercedes Rosa’, a diferença não foi assim gritante; a coisa muda de figura a partir da quinta posição de Lance Stroll (+1s005), com mais de 1 segundo de diferença. Hamilton largou na pole no GP da Estíria, no GP da Hungria, no GP da Inglaterra, além do GP da Espanha. Bottas ficou com a posição de honra na abertura, no GP da Áustria, e e no GP dos 70 Anos da F1. 

Mesmo sem modo festa, ainda é provável que haja muita celebração da Mercedes, pelo menos, em classificatórios. 

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