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Análise

Hamilton: o melhor quando nada é normal

Mesmo com a chuva misturando todo mundo, o resultado da classificação do GP da Estíria ficou igual ao velho normal: Lewis Hamilton na pole

Hamilton de Mercedes no GP da Estíria, na Áustria
Foto: reprodução / Twitter / Mercedes

Com a pandemia da covid-19 sugiram duas expressões que, de tanto serem repetidas, viraram palavrões: “protocolo” e “novo normal”. Na Fórmula 1, parecia que esse tal de novo normal ia ser bem parecido com o antigo, só que com mais tédio por causa da repetição de pistas em fins de semana seguidos. Só esqueceram de combinar com o clima.

A classificação do primeiro (e provavelmente o único) GP da Estíria, em Spielberg, Áustria, aconteceu neste sábado (11) e foi nada normal – ainda que com um resultado final mais óbvio possível: pole de Lewis Hamilton, com a Mercedes negra.

Antes, os motivos para um prognóstico tedioso eram bem claros. Correr tão próximo no mesmo circuito provavelmente beneficiaria os melhores carros e equipes. Porém, mesmo antes da chuva, a realidade não era bem essa: Hamilton já reclamava que o W11 tinha perdido ritmo de um fim de semana para outro. “É a mesma pista”, afirmara o piloto inglês na sexta.

A chuva forte veio. Cancelou o terceiro treino livre, de sábado – o que ajuda, também, a misturar as coisas – e a pista molhada causou três grandes efeitos.

Chuva em Spielberg
O chuvoso primeiro GP da Estíria, em Spielberg (Foto: Reprodução Twitter / @F1)

O primeiro é que nivelou, ainda que por baixo, a diferença entre os carros. Fatores como motores mais potentes deixaram de ser tão preponderantes, enquanto os carros mais altos para evitar a aquaplanagem mudam a parte aerodinâmica. O segundo, claro, é a habilidade de cada piloto na chuva: é bom para alguns, ruim para outros. Por fim, o chove e para causa uma certa loteria nas condições da pista, trazendo o fator sorte para a mesa.

Foi por essas razões que alguns momentos da classificação, principalmente no Q1, foram bem divertidos, com uma bela mistura de forças e pilotos melhorando os tempos a todo momento. Tivemos até George Russell, com aquele que é o pior carro do grid (o Williams FW43), fazendo o melhor tempo em certo momento, além de passar para o Q2. Resultado que a equipe fundada por Frank Williams não conseguia desde 2018.

Dentro disso, vimos uma McLaren claramente crescendo e, ainda que com certas limitações, disputando as primeiras posições. Imagina esse carro com motor Mercedes? Aliás, imagina esse carro nas mãos do Daniel Ricciardo. Será que já bateu o arrependimento em Carlos Sainz?

Afinal, o espanhol está assinado com o time italiano para 2021 – e a Scuderia foi um desastre neste sábado. Charles Leclerc foi apenas 11º e terminou sua participação na classificação ainda no Q2, enquanto Sebastian Vettel foi para o Q3 e terminou em 10º. Muito pouco para a Ferrari, e uma clara demonstração de que o problema da equipe é muito, muito maior do que poderíamos imaginar antes do começo da temporada. 

Outra surpresa, voltando para o lado positivo deste nada normal, foi o crescimento da Renault. Esteban Ocon fez o quinto tempo, mostrando que tanto ele quanto a equipe podem ter algumas cartas na manga. Resta saber, claro, se é possível manter o mesmo ritmo na corrida. 

Por tudo isso, tivemos quatro equipes diferentes entre as cinco primeiras posições.

A luta pela pole

Agora, se tem algo que o novo normal, o velho normal e o anormal se parecem é na disputa pela pole. Lewis Hamilton e Max Verstappen são os pilotos mais habilidosos do grid hoje, na chuva e no seco – e, no final do Q3, foram eles que monopolizaram a disputa pelo P1.

Como sempre, Hamilton fez valer sua enorme experiência, com um temporal figurativo em sua última volta. Ficou cerca de 1,2s à frente de Verstappen, que até vinha melhorando o tempo também no finzinho, mas rodou quando tentava acelerar além do limite. Não ia além do P2, de qualquer forma. 

Tirando a Ferrari, a decepção foi Valtteri Bottas. O finlandês ficou em quinto, bem atrás do companheiro de equipe. Isso mostra que, quando a situação aperta, existe uma diferença abissal entre os companheiros de Mercedes.

E a corrida?

O clima deve ter grande importância no GP propriamente dito, amanhã. Se chover, a pista molhada e as esperadas entradas do safety-car podem continuar misturando a tinta dos carros, principalmente no meio do grid.

Outro ponto para ficar de olho é na confiabilidade. Os nove abandonos da semana passada não são habituais, e tem grande chance desse cenário se repetir – efeito, desculpem pelo palavrão, do novo normal. Isso pode, claro, bagunçar o equilíbrio, seja no seco ou no molhado.

Agora, seja qual for o normal de domingo, Hamilton e Verstappen têm tudo para lutar pela vitória daquele que deve ser o único GP da Estíria em toda a história. 

Apesar que nesse 2020 não dá para cravar mais nada… 

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