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Análise

Pausa na vida de estrela do rock pode ajudar Fórmula 1

Com o pesar da pandemia do novo coronavírus, pilotos e equipes descansarão para o GP da Áustria dentro de seus motorhomes, sem hotéis luxuosos ou jantares caros. A volta aos tempos mais saudosistas pode impulsionar inovações como o DAS da Mercedes do pole Valtteri Bottas

Valtteri Bottas, pole GP da Áustria 2020
Reprodução/Twitter/@F1

Depois de cravar a 12ª pole-position na carreira neste sábado (4), Valtteri Bottas (1min02s939) descansará para o GP da Áustria no motorhome da Mercedes, assim como provavelmente farão Lewis Hamilton (+0s012), Max Verstappen (+0s538) e todos os outros pilotos. A medida faz parte do protocolo de segurança contra o novo coronavírus e, de certa forma, deixa a Fórmula 1 com um ar gostoso de saudosismo se não fosse pelas máscaras faciais. Ninguém do grid de largada viveu de perto essa época mas, livre da bolha de glamour, os pilotos estão concentrados na ‘Copa do Mundo’ que serão as oito corridas confirmadas para esta atípica temporada. 

A largada para o GP da Áustria acontece neste domingo, às 10h10 (de Brasília), com tempo real do GRANDE PRÊMIO.

Mercedes, de Hamilton, desenvolveu dispositivo que ajuda a ganhar tempo (Foto: Reprodução/Twitter/@F1)

O tal do ‘novo normal’ foi visto ao longo de todo o fim de semana não só pelos soquinhos dos pilotos nas entrevistas pós-classificatório. A ausência de um profissional só para segurar a água e o capacete do piloto, além de entregar o boné para as entrevistas (e agora a máscara) foi interessante não só para cumprir o isolamento, mas por tornar ainda mais humana uma vida de astro de rock que esses atletas sempre tiveram. Desde o início de suas operações, em 2017, o Liberty Media vem mostrando mais o rosto do piloto e menos o capacete.

A simplicidade do automobilismo é um caminho amplamente desejado pelas pequenas e médias equipes da F1. Não precisava de uma pandemia, é verdade. Se não exatamente os tempos de garagem, mas o desejo da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) está na redução de gastos para tirar um carro da fábrica e colocá-lo na pista. O alvo tampouco era necessariamente atacar hotéis luxuosos, jantares caros, eventos megalomaníacos dos patrocinadores e toda a caravana de riqueza que desde os anos de 1990 acompanha a categoria. De uma forma ou de outra — apesar das 11 milhões de pessoas diagnosticadas com covid-19, sendo 525 mil mortes — maior foco na corrida será produtivo e pode gerar inovações, como o polêmico DAS da Mercedes.

O próximo regulamento da F1, agora adiado para 2022, apostará em mais simplicidade para ter mais emoção. O DAS inclusive já está banido. Se não emoção em si, pelo menos para não ter a previsibilidade de Mercedes no pódio, com Red Bull ou Ferrari fazendo alguma sombra. Os dirigentes da categoria, capitaneados pelo diretor-esportivo Ross Brawn, acreditam que soluções aerodinâmicas e mecânicas entregarão a emoção desejada. Daí entra o polêmica teto orçamentário que, aos mais críticos, sinalizaria um nivelamento por baixo naquela que sempre foi a referência em tecnologia para a indústria automobilística. 

Depois da pandemia, ficou definido que cada equipe poderá gastar até US$ 145 milhões (cerca de R$ 795 milhões) já a partir do ano que vem, em uma queda gradativa no orçamento. Em 2022, aí sim já com novo regulamento, o valor máximo será de US$ 140 milhões (R$ 747 milhões), seguido de US$ 135 milhões (R$ 739 milhões) para os anos entre 2023 e 2025, isso tendo como referência uma temporada regular de 21 etapas. Com esse limite, está extinto oficialmente o dito acordo de cavalheiros que nunca funcionou na prática, na hora de decidir quem andará na frente. Daí, por exemplo, o desenvolvimento do DAS pela Mercedes. Estar com tudo alinhado no carro permitiu à equipe pensar alternativas para ser ainda mais rápida, nem que isso signifique milésimos de segundo.

Hamilton errou no Q3 e ficou com 2ª colocação em Spielberg (Foto: Reprodução/Twitter/@F1)

Com o equipamento, protestado pela Red Bull e ignorado pela FIA ainda na última sexta-feira, Hamilton e Bottas puderam aproximar ou recuar o volante do peito, com o intuito de acertar o alinhamento de pneus de acordo com cada trecho da pista. Na reta, por exemplo, o interessante é puxar o volante para que as rodas gerem uma inclinação para fora do carro e enfrentem mais facilmente a resistência do ar. Nas curvas, o contrário é desejável.

Não foi por isso, ou só por isso, que a Mercedes conseguiu a pole. Evidente que a dominância desde 2014 permitiu ao time alemão pensar em detalhes desse tipo. Parabéns a ela e que os demais que passem dias e dias nos motorhomes quebrando a cabeça para melhorar a performance de seus carros. Quem sabe um pouco menos de ostentação possa fazer bem também ao lado técnico da categoria. Mesmo por que, só muito dinheiro não significa nada. Está aí a Ferrari como prova disso. Charles Leclerc (+0s984)  foi o sétimo e Sebastian Vettel (1s267) só o 11º no classificatório para a prova em Spielberg. 

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