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Análise

Ricciardo, o sorriso que faz sorrir

Piloto de sete vitórias na carreira teve dificuldade para exibir o bom-humor na Renault. De saída para a McLaren, o australiano consegue o 4º lugar na Bélgica, que pode marcar virada na equipe francesa

Daniel Ricciardo, Renault,
(Foto: Reprodução/Twitter/@RenaultF1Team)

Outros nomes chamaram mais a atenção nos últimos anos, mas quem gosta de Fórmula 1 não pode desprezar Daniel Ricciardo. O homem do sorriso que faz sorrir reencontrou no último domingo (30), com o quarto lugar no GP da Bélgica, um motivo para voltar a exibir seu antes conhecido bom-humor. A sensação de quase-pódio já tinha acontecido outras duas vezes com a equipe francesa, sem a mesma sensação que Spa-Francorchamps deixou. A expectativa é de uma virada positiva em sua temporada de despedida do time, já que está de malas prontas para ir para a McLaren no ano que vem.

Se lá na frente a Mercedes (264 pontos) não tem adversários, com a Red Bull (158) fazendo alguma figuração, a briga intermediária é acirrada na tabela de Construtores com: McLaren (68), Racing Point (66), Ferrari (61) e agora a chegada da Renault (59) emboladas. A próxima corrida é o GP da Itália, em Monza, uma pista também de alta velocidade média, como a belga. Daí o motivo dos sorrisos no box francês. 

De 2016 a 2018, Max Verstappen fez da vida do australiano um inferno na Red Bull. Preterido por alguém tão talentoso quanto querido na garagem, Ricciardo fez um movimento inesperado e rumou para a Renault para a temporada de 2019. Desde então, o grandioso projeto francês se mostrou falho e veio a decisão de migrar para a McLaren. Nesse meio do caminho, o piloto de sete vitórias, sendo 29 pódios no total, e 178 corridas viu Charles Leclerc, Alexander Albon, Pierre Gasly, Lance Stroll, Sergio Pérez, Lando Norris, Carlos Sainz Jr. e George Russell receberem holofotes que por direito seriam seus.

O quarto lugar na sétima corrida da temporada — já havia conseguido a mesma posição no GP da Itália 2019 e no GP da Inglaterra 2020 e só por isso não estava de tudo escondido na F1— não foi obra do acaso. O ótimo desempenho nos treinos livres, sempre acompanhado pelo companheiro Esteban Ocon, o quinto na corrida do último fim de semana, comprova o bom rendimento dos carros amarelo e preto. Mais do que isso, sugere, como pelos menos a equipe diz acreditar, que o carro enfim se encontrou em uma pista de longas retas. A primeira das três provas italianas, em Monza, já no próximo fim de semana, cria a expectativa para pelo menos mais um bom resultado.

Daniel Ricciardo, Renault, GP da Bélgica 2020,
Ricciardo e Ocon devem repetir bom desempenho no também veloz circuito de Monza
(Foto: Reprodução/Twitter/@RenaultF1Team)

“Nós vamos comemorar um pouco [o quarto e quinto lugar] para nos dar energia para atacar o que há por vir, mas nosso foco já é a corrida em Monza e um marco de mudança do nosso treino de classificação, para que possamos preparar com o máximo de cuidado possível”, disse Cyril Abiteboul, o chefe da equipe, que por pouco não virou piada pelo péssimo rendimento mesmo com tamanho orçamento vindo da fábrica.

Nas entrevistas após a corrida, Ricciardo literalmente voltou a sorrir. Claro que ele sorria antes, mas não havia a mesma leveza de espírito. O #3 demonstrou que gostou da corrida, da primeira até a última volta. Na largada, levou a pior, mas dividiu a pista em uma boa briga com Verstappen; no 44º, foi perfeito, tomou de Lewis Hamilton a volta mais rápida e conquistou o ponto extra. O resultado o impulsionou para a oitava colocação geral, com 33 pontos, sete a mais que Ocon, o décimo.

Daniel Ricciardo, Renault, GP da Bélgica 2020,
De saída para McLaren, piloto australiano tem pouco tempo para curtir boa fase de Renault
(Foto: Reprodução/Twitter/@RenaultF1Team)

“Foi uma boa pista para nós ano passado e Monza foi ainda melhor. Vamos ver o que acontece, mas nós podemos ir para lá com muita confiança”, admitiu Ricciardo.

Na temporada que vem, em uma equipe que já saiu de uma crise ainda maior que a Renault se encontrava, Ricciardo terá de novamente dividir os trabalhos com um menino-prodígio. Apesar das três últimas corridas terem sido discretas, Norris já provou que pode ser um ótimo piloto, em uma relação mais amistosa que com Verstappen. O australiano assume a vaga de Sainz Jr, que vai para a Ferrari, enquanto Fernando Alonso retorna ao cockpit da Renault.

A felicidade na Renault pode durar até a semana que vem ou se prolongar para 2021, mas o fato é que o sorriso de Ricciardo fez a equipe sorrir.

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