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Análise

Sabadão de Hamilton

Hexacampeão encerra o pequeno jejum de poles, enquanto a Ferrari continua lutando contra si mesma

Lewis Hamilton é campeão inconteste, por mérito e por habilidade. Mas a verdade é que a Ferrari, até quando não precisa, dá aquela forcinha. Foi assim mais uma vez neste sábado (30), na classificação para o GP de Abu Dhabi, em Yas Marina. Na hora que precisou, no Q3, o inglês foi o mais rápido e cravou a pole position para este domingo.

Enquanto isso, a Ferrari se atrapalhava (mais uma vez). Afinal, a lembrança da batida entre os dois carros do time no GP do Brasil ainda está bem viva na memória. 

Mesmo sem ser Edward Cullen, Hamilton brilhou no crepúsculo de Yas Marina

Os carros vermelhos foram para a pista no último segundo possível. A estratégia, que existe há décadas, está sendo levada ao limite em 2019, é verdade – mas nada justifica o que aconteceu. Sebastian Vettel foi extremamente lento na volta de aquecimento dos pneus e dos freios, vítima também do congestionamento, e acabou não deixando tempo para que o companheiro, Charles Leclerc, cruzasse a linha de chegada antes do fim da classificação.

"É a vida, às vezes isso acontece e não sei se foi uma situação de azar ou se poderíamos ter feito algo melhor, mas vamos analisar e tentar entender para que isso não aconteça novamente”, disse o piloto do carro #16. 

O monegasco tinha liderado o Q2, mas, considerando o retrospecto do fim de semana, era difícil que ele conseguisse fazer a oitava pole do ano – ainda assim, ficou não só sem essa chance, como também sem a possibilidade de tentar minimamente melhorar a posição de largada. Vai largar em terceiro, tudo porque Valtteri Bottas (o segundo) terá que cumprir uma penalização por troca do motor e partirá em último. 

Na prática, nada muda o prognóstico para o domingo: Hamilton larga em primeiro, tranquilo e sem pressão. A única chance de disputa fica por conta de Max Verstappen, da Red Bull, que partirá em segundo por conta da punição de Bottas. Se ele conseguir partir melhor que o hexacampeão, há uma chance de maior disputa na prova.

Se Hamilton fizer vale a melhor posição de largada, muito pouco deverá acontecer durante o resto do GP. Chato e sem graça, o circuito de Yas Marino não ajuda em nada as ultrapassagens entre carros de desempenho parecido (ou não tão parecido assim, como nos lembraria Fernando Alonso…).

Mais uma vez, Vettel e Leclerc voltaram a se atrapalhar na pista

Já a Ferrari parece estar sem o mesmo ritmo dos adversários. Isso, somado a circuito e às suas próprias trapalhadas, faz com que os italianos precisem de um milagre para encerrar o ano no mais alto lugar do pódio. 

Talvez a graça do GP de Abu Dhabi fique na luta entre Verstappen e Leclerc. Ambos lutam pelo terceiro lugar no Mundial de Pilotos, com o holandês 11 pontos à frente. Já Vettel não alcança mais o piloto da Red Bull, mas pode superar o companheiro de Ferrari.

Quem sabe a animação esteja ali – se, mais uma vez, o circuito ajudar.

Tem também alguma motivação no meio do pelotão. Antes tarde do que mais tarde, a Renault acordou e andou no mesmo ritmo da McLaren na classificação. Os amarelos Daniel Ricciardo e Nico Hülkenberg (em sua despedida) vão largar, respectivamente, em sétimo e nono. Já os laranjas Lando Norris e Carlos Sainz partem em sexto e oitavo. 

Em termos de campeonato, essa disputa terá gostos diferentes. O time inglês já está consolidado em quarto no Mundial de Construtores, enquanto os franceses estão em decepcionante quinto lugar, apenas oito pontos à frente da Toro Rosso. 

De resto, é isso: este foi o Sabadão do Hamilton, que agora está torcendo para ter um Domingo Legal… 

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