Siga-nos

Análise

Sem desculpas

Se não o próprio chefe de equipe Mattia Binotto, alguém tem que pagar a conta por ter conseguido a proeza de deixar Charles Leclerc ser pacificamente eliminado no Q1 para o GP de Mônaco. Erros da escuderia italiana já são inaceitáveis na Fórmula 1

Quando o mundo da Fórmula 1 pensava que já havia se acostumado com as recentes gafes da Ferrari, veio neste sábado (25) a classificação para o tradicionalíssimo GP de Mônaco. A escuderia italiana conseguiu a proeza de deixar Charles Leclerc nos boxes para ser pacificamente eliminado logo no Q1. Nem uma pra lá de improvável remontada do piloto da casa, que larga em 15º na corrida, pode safar a equipe de mudanças urgentes em seu comando.

Lewis Hamilton e Valtteri Bottas que, da Mercedes sequer imaginam tanta patacoada da garagem ao lado, colocarem seus carros nas duas primeiras posições nas ruas de Monte Carlo. Sebastian Vettel, o outro ferrarista da história, fez um pouco mais que o possível, acertou o muro em um momento crucial para sair da quarta posição no domingo. A largada para a corrida você acompanha ao vivo e em tempo real, às 10h10 (de Brasília), no GRANDE PRÊMIO.

Charles Leclerc disse que tinha tempo para mais uma volta, mas a Ferrari não permitiu (Charles Leclerc (Foto: Ferrari))

À parte a história e o orçamento, a Ferrari fez por onde se colocar mais uma vez no posto de grande rival da Mercedes na briga pelo título mundial. Ainda nos testes de pré-temporada, em Barcelona, a equipe dominou as sessões e pareceu estar ainda melhor do que o ano passado, quando se perdeu só na metade final da temporada, em mais um título de Hamilton. A força do motor italiano naquele momento empolgava para pelo menos uma ameaça ao reinado que já dura cinco anos.

Veio o campeonato em si e com ele erros da ótima dupla de pilotos, problemas mecânicos mas, sobretudo, vacilos inimagináveis do ponto de vista da estratégia. Na sexta etapa da temporada, chega a ser difícil lembrar de uma corrida limpa da equipe. Além dos erros de chamadas para os boxes, a indefinição com as ordens de equipe, ora para ter Vettel na frente, ora para ter Leclerc, são incompatíveis com a grandeza de 16 títulos mundiais.

O principal nome a prêmio após a mais recente vergonha mundial certamente é o do suíço Mattia Binotto. O crachá de chefe de equipe pode ser colocado na mesa em um time tão despreparado em meio ao hipotético preparo. O engenheiro, de mais de duas décadas de trabalhos prestados à equipe chegou com a pompa e o currículo de especialista no assunto, já que substituíra Maurizio Arrivabene, antigo executivo de marketing.

Um nome menos comentado pelo grande público, mas que também deve ter sua parcela de culpa é o de Iñaki Rueda. O espanhol é só o chefe de estratégias da Ferrari. Fica difícil acreditar que ele também não deu o devido valor à competição e mandou Leclerc para a pista para, pelo menos, garantir o Q2. Os tempos estavam baixando demais para tanto amadorismo e, pior, a Ferrari já havia relato problemas nos pneus.

Isso para não falar da potencial soberba de acreditar que passaria independentemente dos demais.

 
Na parte final do Q1 nas ruas do principado, Leclerc havia feito um tempo só razoável de 1min12s149. Mesmo de longe parecia claro que outros tantos pilotos iriam melhorar suas marcas e que a precoce eliminação só estaria guardada aos carros da Racing Point e da Williams. Pois essas ganharam a companhia de uma Ferrari.

Logo no circuito mais difícil de se ultrapassar. Logo com o piloto da casa.

“Não tenho uma explicação para o que aconteceu. Estou muito decepcionado. Tínhamos outras voltas para fazer, poderíamos ter usado outro jogo de pneus. Preciso de explicações”, disse o jovem Leclerc, na primeira vez que demonstrou claramente sua insatisfação, já que por inúmeras vezes havia concordado, por exemplo, com as controversas ordens de equipe.

 

(Charles Leclerc (Foto: Ferrari))

Você pode gostar:

Virou passeio

© 1995 - 2020 - GrandePremio.com.br - Todos os direitos Reservados.

Connect