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Análise

Verstappen e maturidade que faltou no ano passado

Piloto da Red Bull demonstrou o seu talento para desviar de um choque nos boxes, ultrapassar Hamilton com maestria, fugir de um GP do Brasil maluco e vencer no final. Será que o potencial campeão aprendeu que não precisa sair no braço, como com Ocon em 2018?

Com um ano de atraso, mas um ano mais maduro. Foi assim que Max Verstappen enfim conseguiu sua pra lá de brilhante vitória no GP do Brasil. O piloto da Red Bull teve outra atuação fantástica e, desta vez, também teve cabeça para fugir de uma corrida maluca no final e conquistar a vitória neste domingo (17), em Interlagos. Sebastian Vettel e Charles Leclerc, que incrivelmente bateram suas Ferrari, contribuíram muito para o show. Pierre Gasly, de Toro Rosso, e Lewis Hamilton, de Mercedes, completaram o pódio da melhor corrida do ano na Fórmula 1. Carlos Sainz ainda herdou a terceira posição depois da prova por uma punição de cinco segundos ao inglês.

GRANDE PRÊMIO cobriu in loco o GP do Brasil com os jornalistas Evelyn Guimarães, Felipe Noronha, Fernando Silva, Flavio Gomes, Gabriel Carvalho, Gabriel Curty e Pedro Henrique Marum, e o fotógrafo Rodrigo Berton. Acompanhe todo o noticiário aqui.

E não é que da pole-position, Verstappen teve vida fácil. Em um salto para a parte final da corrida, na volta 60, depois de uma perseguição implacável de estratégias de pneus com Hamilton, de longas e longas voltas do primeiro safety-car, o jovem piloto não se aceitou uma curva sequer atrás do agora hexacampeão. Na primeira oportunidade, ele engoliu o inglês no final da reta para assumir a primeira posição. Mais do que isso, fez Hamilton ir ao rádio perguntar sobre a potência do motor — mais tarde, o Mercedes seria de novo despachado pelo Honda, no mesmo lugar. No segundo safety-car, Verstappen teve de novo algum trabalho, mas soube administrar a confusão e garantiu a oitava vitória da carreira.

Verstappen mergulhou para cima de Hamilton para ficar com a primeira posição em Interlagos (Reprodução/Twitter/@F1)

“O Lewis [Hamilton] estava muito rápido na relargada, então tive que continuar acelerando muito. Tive duas boas manobras contra ele e, dali em diante, pude controlar a corrida”, disse Verstappen, após a prova, em entrevista a Rubens Barrichello, o repórter da vez na F1.

“Jogamos tudo o que podíamos”, explicou Hamilton. “Eles eram mais rápidos que nós em retas e então não tínhamos nada que poderíamos fazer”, completou Hamilton, o sétimo depois da punição pelo toque em Alex Albon, que caiu para o fim do pelotão nas voltas finais.

Em 2018, como prova de completa imaturidade, o #33 liderava a prova, até com alguma folga, quando viu o retardatário Esteban Ocon, de pneus mais novos, colocar sua Force India de lado no S do Senna na volta 40. Por exagero do francês, por capricho do holandês, os dois se tocaram na pista. Insatisfeito por ter jogado a vitória fora, foi tirar satisfação literalmente no braço com o rival desde os tempos de kart. Desta vez, a briga foi na pista.
(Rodrigo Berton/Grande Prêmio)

O ‘Ocon da vez’ era Robert Kubica. Em uma claudicante Williams e na sua penúltima corrida na F1, o polonês fechou o piloto que brigava pela liderança e, por pouco, não causou uma colisão na saída dos boxes, no 22º giro. E não que Verstappen não só freou, como também se espremeu contra o muro para não perder a vitória. Ele ainda não havia dado tamanho exemplo de maturidade no ano. O normal seria forçar a ultrapassagem e, de novo, arruinar sua corrida.

A questão é saber se, aos 22 anos, esse já é o piloto que tem potencial para ser campeão mundial que a Red Bull tanto sonho desde o tetracampeonato de Vettel (2010 a 2013). Além de um carro um tanto mais regular, coisa que Christian Horner já tratou de acertar juntamente com o motor Honda, faltava mesmo trabalhar um pouco mais o lado psicológico.
(Rodrigo Berton/Grande Prêmio)

Vettel e Leclerc não demonstraram esse lado psicológico mais forte. Lado a lado na reta oposta, um não cedeu passagem para o outro e os dois abandonaram a prova. Com ou sem culpados, disputa ou não de corrida, o chefão da Ferrari Mattia Binotto terá de resolver. Fato é que os pilotos praticamente perderam a terceira colocação. Até mesmo Hamilton, a duas voltas do fim, se atrapalhou para tentar passar Albon para ganhar a segunda posição e terminou a corrida com a classificação sob investigação. Tempo depois, foi considerado culpado pela batida e acabou beneficiando Sainz, que não foi ao pódio.

Enquanto os principais rivais têm algum tipo de problema para resolver, Verstappen se livrou de todos os seus na pista. Diferentemente do ano passado, foi só comemoração no paddock.

A temporada de F1 se despede em duas semanas. O GP de Abu Dhabi, pelas ruas da Yas Marina, acontece em 1º de dezembro.

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