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A grande chance

Após vencer a luta pela segunda vaga da Force India para 2017, Esteban Ocon vislumbra "pontos e pódios". Imbuído de extrema confiança, o francês de 20 anos acha que sua vez vai chegar e já brinca por rivalidade com Max Verstappen: "Aí vou ter a minha vingança"

Ele tem só 20 anos, é francês de Évreux e exibe uma espantosa autoconfiança, apesar do jeitão de menino e até meio desengonçado, reforçado pela grande altura – tem 1,86 m, algo raro entre os pilotos. Esteban Ocon é um jovem de sorriso fácil, educado, fala devagar e tem um senso de humor aguçado, mas o semblante muda quando a conversa vira para seu futuro e toda a expectativa que carrega nos ombros. O piloto Esteban Ocon é sério e parece ser muito mais maduro do que a idade que possui. Mas a verdade é que Ocon tem apenas nove corridas na F1, e isso foi o suficiente para alçá-lo a uma das vagas mais cobiçadas do pelotão intermediário do grid. 

Membro do programa de jovens pilotos da Mercedes e ligado também à Renault – em uma associação bastante curiosa – o gaulês foi escalado na metade da temporada para substituir o indonésio Rio Haryanto na Manor, a menor equipe do Mundial. Depois de ter sido campeão da GP3 em 2015, o novato ganhou uma chance de correr no DTM neste ano, por meio da montadora alemã, mas seguiu como reserva na equipe francesa, realizando testes, inclusive. Porém, a chance na F1 veio antes do que se esperava. Ao ser convocado para se juntar ao colega Pascal Wehrlein, Esteban largou tudo e se preparou para a estreia na maior das categorias. E o debute não poderia ter sido em um lugar mais emblemático: Spa-Francorchamps.

Após a classificação, Esteban disse: "Amanhã, vou ser o cara mais feliz do grid. É a minha primeira corrida na F1 e mal posso esperar para viver toda a experiência que envolve um GP, como a preparação para a corrida, a volta até o grid, as luzes se apagarem, a largada, os pit-stops. A corrida vai me trazer novos desafios, mas estou realmente muito feliz."

“Não é uma surpresa [chance na Force India] e estou realmente feliz” (Esteban Ocon (Foto: Manor))

 

E essa felicidade ele mesmo diz ser a mesma diante da chance que tem agora na carreira. Mesmo com a pouca experiência, Ocon ganhou a confiança da Mercedes, que o ajudou a assegurar a vaga na Force India, para formar dupla com Sergio Pérez a partir de 2017. As negociações foram intensas e muita gente se colocou na concorrência pelo lugar deixado por Nico Hülkenberg, que preferiu assinar com a Renault. O francês venceu nomes com mais bagagem e até mesmo o companheiro Wehrlein. A contratação foi uma surpresa no paddock, mas não para Esteban. 

“Estou realmente muito feliz”, diz Ocon em entrevista exclusiva ao GRANDE PREMIUM. “É uma grande sensação, é uma satisfação e uma honra. Eu tenho só boas lembranças da Force India, quando estive com eles em 2015 [realizou duas sessões testes]. Então, só posso agradecer a confiança e dizer que estou realmente muito contente de saber que vou defender a equipe no ano que vem”, completa.

O piloto não se envolveu nas negociações e deixou tudo a cargo da Mercedes. “Eu sempre tive grande confiança na Mercedes e no trabalho deles em me colocar na posição em que estou hoje. E também com relação às negociações, nunca me preocupei. Eles fizeram tudo bem, como podemos ver, então não é uma surpresa e estou realmente feliz.”

Ocon também se vê preparado para a oportunidade de ouro que agora tem nas mãos e entende que a Manor tem um papel de responsabilidade neste cenário. “Só tenho de agradecer à Manor por ter me dado a chance de estrear na F1. E aprender muito sobre tudo isso. Essa metade de temporada tem sido incrível. A equipe me deu um grande suporte e me recebeu muito bem. E isso me permitiu melhorar como piloto corrida a corrida, não só com relação ao carro, mas também na competição com os demais. Então, tudo isso tem sido muito importante”, explica o piloto.

Estar na F1 também exibe trabalho duro, e essa talvez tenha sido a maior das lições deste ano, segundo o francês. Que também revela um dos segredos do sucesso. “Na F1, você precisa aprender tudo muito rápido e o máximo de coisas que puder, porque são muitos detalhes. Como um piloto estreante, é tudo ainda mais difícil. Então, você precisa tirar tudo que der das corridas, aprender e se manter 100% focado. A lição maior deste ano é que você tem de trabalhar muito duro para estar aqui e seguir aqui. É preciso trabalhar em sintonia com os engenheiros e prestar atenção em tudo. Como falei, os detalhes são muito importantes e você tem de prestar muita atenção a eles, dar importância a cada detalhe. Isso é parte do segredo”, acrescenta.

E tanto trabalho acabou por fazê-lo vencer o companheiro de Manor na corrida pela ascensão na F1. Embora diga que não sabia se estava ou não concorrendo com Wehrlein pelo cockpit deixado por Hülkenberg, Ocon não esconde a satisfação de ter ‘vencido’ a batalha. “Não sei se realmente estava em uma posição de luta pela vaga na Force India com Pascal”, conta.

“Não posso dizer se isso existiu mesmo. O que posso dizer é que cheguei aqui com menos experiência que ele e fui tentando achar o meu caminho, a equipe me ajudou muito nisso. Ainda tenho menos experiência e consegui alcançá-lo algumas vezes, o que foi ótimo. Talvez isso tenha me ajudado. Agora, estamos cada vez mais rápidos e brigando juntos.”
(Esteban Ocon (Foto: Manor))

Falando em rivalidade, é impossível não citar o nome de Max Verstappen. Ocon venceu o holandês na disputa que ambos travaram pelo título da F3 Euro em 2014. Mas, enquanto Max foi alçado à F1 logo na temporada seguinte, o francês acabou subindo para a GP3, onde foi novamente campeão. Ainda sem lugar na F1, Esteban teve de se contentar com o DTM antes da oportunidade com a Manor. E isso só alimentou sua fome de chegar à maior das categorias.

Ocon não se incomoda com a atenção toda que é dada ao adversário. Mas espera que um dia tenha a chance de uma revanche. Max estava no lugar certo e fazendo um grande trabalho. Ele mereceu a vaga na Toro Rosso e depois a chance na Red Bull. Eu acredito que a minha vez vai chegar em algum momento. E aí eu poderei ter a minha vingança”, diz, rindo.  

“Mas, de qualquer forma, nada disso me incomoda. Nós disputamos muito e acho que tudo acontece a seu tempo. Ele é um grande rival, muito agressivo na pista e tem enorme potencial. Agora é ver o que acontece”, completa.

Por fim, o jovem só deseja mesmo ter um carro competitivo nas mãos e vislumbra objetivos audazes para a primeira temporada completa na F1. “Acho que tive tempo suficiente para me preparar, tenho estado no paddock desde 2014. Agora quero apenas ter uma boa pré-temporada. A equipe está realmente muito confiante pelo que senti deles e isso também me deixa confiante. Eu espero poder lutar por pódios e bons pontos.”

"Eu acredito que a minha vez vai chegar em algum momento. E aí eu poderei ter a minha vingança" (Esteban Ocon (Foto: Manor))

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