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Rossi, 40

Dono de nove títulos na carreira ― sete deles na classe rainha do Mundial de Motovelocidade ―, Valentino Rossi chega aos 40 anos neste sábado (16) ainda tão motivado quanto outrora e perseguindo o mesmo objetivo da estreia: a vitória

Você pode ser fã ou não de Valentino Rossi, mas não dá para negar a importância do #46 para o Mundial de Motovelocidade. O italiano de Tavullia é a personificação da MotoGP e teve, indiscutivelmente, um papel chave na popularização do esporte.

Dono de um carisma ímpar e de um talento igualmente incomparável, Rossi quebrou paradigmas no esporte e, com seu jeito irreverente, ajudou a levar a modalidade mais longe. Hoje, é difícil pensar em MotoGP e não ver a imagem de Valentino.

Antes de entrar na esfera esportiva ― que, obviamente, é a mais importante ―, é válido destacar a personalidade do filho de Graziano e Stefania. Tradicionalmente sorridente, Rossi é do tipo que sabe rir de si mesmo e que sempre colocou sua irreverência na pista, seja na hora de comemorar vitórias ou de ironizar seus próprios tropeços.

Ao longo dos anos, Rossi se fantasiou de Peter Pan a presidiário, levou na garupa de frango a boneca inflável, correu para o banheiro e se ajoelhou diante de sua amada M1. E, assim, o jeito despojado do italiano o aproximou mais e mais de seu público. 

Mas o carisma não apareceu apenas em momentos de alegria. Rossi ironizou seus próprios revezes, como quando estampou um burro no capacete ou quando pintou o casco com um relógio para lembrar que era hora de acordar.

A maior parte da magia, no entanto, aconteceu mesmo na pista. Talentoso que é, Rossi chamou atenção já nas categorias menores, onde foi campeão das 125cc ― em 1997 ― e das 250cc ― em 1999. A estreia na classe rainha foi cercada de expectativa, e Valentino não decepcionou.

Rossi foi dominante na Honda, mas queria provar que o piloto faz a diferença (Valentino Rossi (Foto: Repsol))

Montado na lendária Honda NSR500, o #46 entrou nas 500cc e não tardou a subir no pódio e conquistar suas primeiras vitórias. Em um time satélite, mas já contratado da Honda e aliado ao experiente Jeremy Burgess, Rossi fechou o ano com o vice-campeonato, apenas 49 pontos atrás de Kenny Roberts, o campeão daquele ano.

Na temporada seguinte, agora devidamente uniformizado com as cores da Repsol Honda, Valentino começou o ano com uma missão: ser o último campeão da era das 500cc. E o fez em grande estilo. O italiano venceu 11 das 16 corridas que disputou ― um aproveitamento de 68,76% ― e foi ao pódio em outras duas oportunidades. Ao fim do campeonato, levou o título com 106 pontos de frente para Max Biaggi, o segundo colocado.

A chegada das 990cc, entretanto, não abalou o domínio de Valentino. Em 2002, foram outras 11 vitórias e o bicampeonato com 140 pontos de margem para Biaggi. No ano seguinte, o #46 somou 357 pontos e chegou ao tri com 80 de vantagem para Sete Gibernau.

Apesar de ter vencido 51,56% das corridas que disputou e ter subido ao pódio em 84,37% dos 64 GPs que fez com a moto da asa dourada, Rossi não estava plenamente feliz na Honda. Também por conta da insistência daqueles que diziam que ele só vencia por ter a melhor moto.

Enquanto isso, a Yamaha vivia um verdadeiro calvário. Chefe de equipe dos três diapasões na época, Davide Brivio decidiu que o time precisava de Rossi na YZR-M1 e encontrou em Masao Furusuwa o aliado perfeito.

Responsável pelo desenvolvimento do protótipo de Iwata, Furusawa comprou a ideia de Brivio e tratou de convencer a cúpula da Yamaha a contratar o #46. Nem mesmo a alta soma necessária para a transação foi um obstáculo para Masao e Davide.

A passagem pela Ducati foi bem diferente do que o esperado (Valentino Rossi (Foto: Ducati))

Além de trocar a melhor moto da época por uma que era vista por muitos como a pior, Rossi quebrou outro paradigma e levou com ele toda a equipe comandada por Burgess. Apesar de ser um gasto extra, a escolha do italiano não foi questionada pela Yamaha.

Ao longo da pré-temporada, a Yamaha fez o que pôde para esconder o jogo, mas um dos momentos mais memoráveis da carreira de Rossi veio logo na primeira corrida de 2004, na África do Sul: a primeira das vitórias com a M1.

Além de provar logo de cara que não tinha cometido um erro em sua escolha, Valentino ainda conseguiu uma marca importante na carreira: venceu a última corrida da temporada 2003 por um construtor ― com a Honda no GP da Comunidade Valenciana ― e a primeira do campeonato seguinte por outro ― com a Yamaha em Welkom.

E os sete primeiros anos de Rossi com a Yamaha foram mágicos ― embora também tenham tido lá seus percalços. No total, foram quatro títulos mundiais ― 2004, 2005, 2008 e 2009 ―, 46 vitórias e um total de 84 pódios em 117 GPs.

Mesmo apaixonado por sua M1, Rossi sentiu que era hora de buscar um novo desafio ― motivado, também, pelo incômodo com a chegada de Jorge Lorenzo à Yamaha. Em meio a difícil temporada 2010, quando sofreu aquela que era, até então, a lesão mais grave de sua carreira ― uma fratura exposta na perna direita ―, o já eneacampeão do Mundial de Motovelocidade anunciou sua transferência para a Ducati. Era hora de um desafio 100% italiano.

Sob a liderança de Filippo Preziosi, entretanto, a Ducati dá época era bem diferente da atual. Valentino percebeu que tinha errado logo nos primeiros meses, mas já era tarde demais para voltar atrás. Foram dois anos para lá de difíceis a bordo da Desmosedici.

Rossi se despediu da Yamaha em 2010, mas voltou dois anos depois (Jorge Lorenzo e Valentino Rossi (Foto: Yamaha))

No total, Rossi disputou 35 GPs com o uniforme vermelho e conseguiu apenas três pódios. Era hora, então, de voltar para casa.

Rossi recorreu a Furusawa para reencontrar o caminho de ‘casa’ e, mesmo já aposentado, o engenheiro tratou de ‘fazer o meio de campo’ com a Yamaha. Parafraseando o ditado, o bom filho acabaria mesmo de volta para casa.

Tal qual aconteceu quando fez as malas, Rossi voltou para dividir os boxes com Lorenzo, mas, desta vez, prometendo uma relação mais amistosa. E foi isso que aconteceu. 

Aos poucos, Rossi foi recuperando sua competitividade e, muito embora as vitórias sejam bastante mais esporádicas do que já foram um dia, o italiano tem sido presença constante no pódio ― menos quando a crise de performance abala a Yamaha.

Desde o retorno, 2015 foi o melhor ano de Rossi. O #46 venceu quatro vezes e conseguiu um total de 15 pódios, performance que o manteve no topo da classificação até a última corrida do ano. No entanto, um polêmico entrevero com Marc Márquez acabou por ser decisivo para Lorenzo, que virou o jogo para cima do companheiro de equipe e ficou com o título.

Nos últimos anos, apesar das dificuldades da Yamaha, Valentino sempre conseguiu se manter à frente dos parceiros na tabela de classificação e ficou com o vice-campeonato em três oportunidades: 14, 15 e 16.

Nesta segunda passagem pelo time de Iwata, Rossi já acumula 107 GPs, dez vitórias e um total 55 pódios. 

Aos 40 anos e com mais duas temporadas de contrato com a Yamaha ― 2019 e 2020 ―, Rossi segue relevante como sempre e empenhado em manter sua forma. Apesar do passar do tempo e da experiência, o #46 encontrou um jeito de preservar sua juventude e competitividade e, mesmo que não seja mais o piloto dominante que já foi um dia, continua sendo um dos astros do esporte e buscando a mesma coisa que buscava na estreia: a vitória.

Se vier, o décimo título será apenas um bônus.

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