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Stock Car se reinventa para seguir em ascensão

A Stock Car começa a temporada toda renovada, com uma gigante dança das cadeiras e um novo chefão: Rodrigo Mathias. A principal categoria do automobilismo brasileiro também compreende mudanças no seu formato de disputa. Tudo para se manter em alta em 2017

 

A espera acabou! Depois de quase quatro meses, a Stock Car volta à ativa a partir desta quinta-feira (30), em Goiânia, para a abertura dos trabalhos da temporada 2017, a 39ª da sua gloriosa história. A principal categoria do automobilismo brasileiro abre mais um ano renovada em todos os sentidos, desde a gestão, passando pelo grid de largada, cheio de mudanças entre pilotos e equipes em relação aos últimos anos, e também traz novidades no seu formato de disputa.

Neste 2017 que vai marcar seu retorno ao exterior após dez anos, a Stock Car tem outros trunfos, além da ida a Buenos Aires, para se manter em ascensão. Uma das metas é estar ainda mais próxima do seu público nesta temporada.

2016 foi um ano empolgante para a Stock Car, que viveu um verdadeiro duelo de gerações entre o jovem Felipe Fraga e o veterano Rubens Barrichello. Os dois igualmente talentosos e capazes de proporcionar grandes espetáculos ao público. Depois de grandes batalhas, levou a melhor quem foi mais eficiente ao longo do ano. No fim das contas, a última temporada coroou Fraga como o mais jovem campeão da história.

Mas, a partir deste ano, muita coisa mudou em várias esferas da categoria, que deve ser ainda mais empolgante e imprevisível. A seguir, o GRANDE PREMIUM traz um panorama do que o fã do esporte pode esperar para a temporada que está por vir a partir de logo mais no Autódromo Internacional Ayrton Senna.

Assim como na F1, a Stock Car mudou de chefão: Rodrigo Mathias assume no lugar de Maurício Slaviero

Sob nova direção
 

Uma das grandes mudanças está no comando geral da Stock Car. Maurício Slaviero, ex-piloto e empresário bem-sucedido que conseguiu elevar ainda mais o patamar da categoria não só do ponto de vista esportivo, mas também como plataforma de marketing, deixou o posto de diretor da Vicar, empresa que promove e organiza a Stock Car. Slaviero, que chefiava o certame desde 2013, passou o bastão para um nome novo e ainda sem experiência no automobilismo, porém cheio de vontade de fazer história e tornar a categoria ainda melhor.

Rodrigo Mathias, formado em administração e marketing, é oriundo da indústria do entretenimento. Ex-gerente de eventos da RBS, braço das Organizações Globo no Sul do Brasil, Mathias chega para ser o novo diretor da Vicar e também o chefão da Stock Car. Assim como a F1, que nas mãos da nova gestão do Liberty Media caminha para tornar o esporte mais voltado ao entretenimento, a Stock Car segue a mesma trajetória. Mathias chegou cheio de novas ideias para tornar o certame ainda mais próximo do seu público.

A frenética dança das cadeiras da Stock Car
 

Há tempos a Stock Car não tinha tantas mudanças entre seu rol de equipes e pilotos de um ano para o outro. Dentre os pilotos que terminaram a temporada passada, um mudou de categoria — o argentino Néstor ‘Bebu’ Girolami, que assinou com a Volvo para correr no WTCC — e vários mudaram de endereço. Uma frenética dança das cadeiras que foi desencadeada pela saída da Red Bull da categoria, anunciada às vésperas da Corrida do Milhão em Interlagos.

Dos 29 pilotos que disputaram a última prova da temporada passada, nada menos que 17 mudaram de equipe, enquanto somente nove deles mantiveram o mesmo endereço. Uma das mudanças mais impactantes envolveu o maior campeão em atividade da Stock Car. Com a saída da Red Bull, o pentacampeão assinou com a melhor equipe do grid nos últimos anos: a Cimed Racing, chefiada por William Lube, que formou um timaço com Cacá, Fraga e Marcos Gomes, além de fechar com Denis Navarro.

Também oriundo da Red Bull, Daniel Serra, o último vencedor de 2016, também encontrou casa nova ao assinar com a RC Eurofarma, formando outro grande time ao lado de dois ‘pequenos’ grandes campeões: Max Wilson e Ricardo Maurício. Tuka Rocha, que quase venceu corrida no ano passado, também se une à estrutura de Rosinei Campos — presente a todas as corridas da Stock Car, seja como piloto ou preparador —pela RCM, mas sem o patrocínio da Eurofarma.

Falando em RCM, seus dois pilotos no ano passado deixaram a equipe junto com a patrocinadora, a Ipiranga. A mudança foi das melhores para Thiago Camilo e Galid Osman, que agora vão integrar a A.Mattheis, time comandado por Andreas Mattheis. A dupla vai fazer parte da estrutura que foi da Red Bull até o ano passado. 
 

(Bruno Terena/RF1)

A Carlos Alves/Eisenbahn Racing Team também vem com novidades em 2017

A Stock Car também tem a volta da Prati-Donaduzzi como patrocinadora. A farmacêutica de Toledo ficou fora no ano passado, mas optou por voltar e recontratou Júlio Campos e Antonio Pizzonia, que agora vão pilotar para a RX Mattheis, time chefiado por Rodolpho e Xandy Mattheis, que até ano passado contavam com o patrocínio da Shell.

A petrolífera multinacional também mudou de casa e agora é a principal apoiadora da TMG, equipe chefiada pelo competente Thiago Meneghel. A Shell também levou os pilotos que estavam na Mattheis, os experientes e eficientes Átila Abreu e Ricardo Zonta, para a estrutura do time de Americana, que contou ano passado com o ótimo Valdeno Brito e o jovem Guga Lima.

Como uma mudança puxa outra, Valdeno também tem casa nova em 2017. O valente paraibano vai correr na Carlos Alves/Eisenbahn no lugar de Girolami. A ‘Locomotiva Negra’ manteve o bom Vitor Genz, que fez uma grande campanha no ano passado e ainda trouxe um grande reforço no seu departamento técnico: André Bragantini, que comandou a RCM até o fim do ano passado.

Lima, por sua vez, vai para a segunda temporada completa na Stock Car correndo pela Hot Car, time chefiado pelo experiente Amadeu Rodrigues. O curitibano radicado em Brasília terá ao seu lado um piloto de ponta que parte para novo desafio em 2017: Sergio Jimenez.

O interiorano de Piedade se mudou para a Hot Car depois de disputar a temporada passada pela Cavaleiro. O time comandado por Beto Cavaleiro terá Rafael Suzuki, na sua quarta equipe em quatro anos de Stock Car, e também Felipe Lapenna, que correu pela Hot Car no ano passado. 
 

(Antonio Pizzonia e Júlio Campos na volta da Prati Donaduzzi à Stock Car (Foto: Rafael Buys/Divulgação))

A Shell Racing continua na Stock Car, mas agora é parceira da TMG, de Thiago Meneghel ((c)EPOCH PHOTO)

Outra escuderia que terá uma dupla de pilotos completamente nova em 2017 é a Vogel. O time de Mauro Vogel e Gualter Salles terá dois jovens talentos nos seus carros neste ano: Guilherme Salas, que fez as últimas cinco corridas no ano passado com a RZ e deixou ótima impressão; e Gabriel Casagrande, que deixou o time do pai, a C2, para buscar uma nova trajetória na Stock Car.

Novidade também é o sinônimo da entrada da Blau Motorsport. Experiente piloto de categorias como Porsche Cup e Mercedes-Benz Challenge, Marcelo Hahn lidera um grande projeto e, ao comprar o espólio da Boettger, estampa a marca da sua empresa na mais nova equipe da Stock Car e traz dois grandes pilotos: César Ramos e Márcio Campos, bicampeão do Brasileiro de Turismo. A dupla vai ter a chance de correr na principal categoria do automobilismo nacional e sem se preocupar em correr atrás de patrocínio.

Bia Figueiredo, também na sua quarta temporada na Stock Car, completa a intensa dança das cadeiras ao se mudar da Bassani para correr pela Full Time Academy, a equipe B de Maurício Ferreira, tendo como companheiro de equipe o jovem Lucas Foresti. De uma forma ou de outra, a Full Time passa a contar com nada menos que seis carros.

Em parceria com Eduardo Bassani, a Full Time Bassani vai ter a presença de Diego Nunes, paulista que teve uma enorme campanha no ano passado, ganhou corrida e na maior parte da temporada esteve no rol dos dez primeiros, terminando o campeonato em sétimo. Além de Diego, a equipe chefiada por Eduardo Bassani vai ter a presença de um novato: Alberto Valério.

Por fim, a equipe ‘principal’ da Full Time manteve seus pilotos. Allam Khodair parte para mais uma temporada para tentar lutar pelo tão sonhado título da Stock Car. O talentoso piloto do carro #18 vai continuar a ter ao seu lado o campeão de 2014 e vice no ano passado: Rubens Barrichello. Cada vez mais motivado, o veterano terá outra oportunidade para brigar pelo bicampeonato depois de vê-lo escapar na última corrida de 2016. Além da Stock Car, o veterano tem outro grande foco em 2017: a estreia nas 24 Horas de Le Mans

Mais nova equipe da Stock Car, a Blau Motorsport vai contar com César Ramos e Márcio Campos (Fernanda Freixosa/Vicar)
Sem Corrida de Duplas, mas reforço nas rodadas duplas
 

Pela primeira vez desde 2014, a Stock Car não vai realizar a Corrida de Duplas, que já havia se tornado uma tradição na abertura das suas temporadas. O evento era uma atração a mais e tinha o potencial de reunir grandes nomes nacionais e internacionais aos pilotos do grid da Stock Car. Mas os altos custos, que quase ameaçaram a execução do formato no ano passado, fizeram com que a Stock Car optasse por abrir a temporada 2017 da mesma forma como vai ser quase todo o ano, com a disputa de uma rodada dupla.

Com exceção da Corrida do Milhão, ainda sem local definido, e da prova final, com pontuação dobrada, todas as outras etapas terão o formato de rodadas duplas. Mas com uma novidade em relação aos anos anteriores. A primeira corrida continua com os 40 minutos mais uma volta de duração. Mas a segunda, que antes era restrita a 30 minutos e mais uma volta, foi esticada e ganhou mais dez minutos.

As mudanças também serão vistas no sistema de pontos. Na primeira prova a pontuação segue inalterada, com 30 pontos para o vencedor, 26 para o segundo, 23 para o terceiro, 21 para o quarto, 19 para o quinto, 17 para o sexto, 15 para o sétimo, 13 para o oitavo, 12 para o nono, 11 para o décimo e aí sucessivamente até o 15º colocado, que soma seis. Já na segunda prova, o vencedor receberá 20 pontos, com 18 para o segundo, 16 para o terceiro, 14 para o quarto, 12 para o quinto, dez para o sexto, oito para o sétimo e até o 14º colocado, que leva um ponto.
(Interlagos recebeu a última etapa da Stock Car (Foto: Fábio Davini/Vicar))

Tuka Rocha dá passo em frente e vai correr pela RCM em 2017 na Stock Car (Divulgação/MS2)

Uma novidade bem interessante é a mudança no formato do treino classificatório, que vai ser um pouco mais parecido com o da F1 em 2017. A sessão que vai definir o grid de largada vai ser dividida em três fases: Q1, Q2 e Q3. No começo, todos os pilotos, divididos em dois grupos, entram na pista para a busca pelos melhores tempos. O G1 será formado pelos pilotos que ocupam as posições ímpares na classificação do campeonato, enquanto o G2 será formado pelos pilotos de posições pares. Isso com exceção da primeira etapa, que vai levar em conta a ordem final de classificação em 2016. O Q1 terá duração de oito minutos.

Os 15 melhores no geral avançam para o Q2, que terá todos os pilotos na pista ao mesmo tempo para um período também de oito minutos. Os seis melhores avançam ao Q3, que será diferente dos outros segmentos: uma volta lançada para cada piloto, com cada um deles entrando sozinho, começando pelo sexto melhor do Q2 até o primeiro.

E, visando uma interação ainda maior com o público, a Stock Car definiu uma mudança que deve fazer com que o fã possa entender melhor a estratégia de cada piloto durante as corridas, tanto nos autódromos como também na televisão. Cada piloto terá no teto do seu carro um Led Push, um dispositivo luminoso que vai ser aceso a cada acionamento do push-to-pass, o botão de ultrapassagem.

Outras medidas visando interagir mais o público com a Stock Car vão ser adotadas em breve, e isso compreende também o lançamento de um novo aplicativo da categoria, previsto para os próximos dias.

Volta às origens: a Stock Car vai contar apenas com as ‘bolhas’ da Chevrolet em 2017 (Miguel Costa Jr.)

Stock Car volta a ser ‘monomarca’ em 2017
 

Desde 2005, a Chevrolet dividia espaço nas pistas com pelo menos uma marca concorrente nas ‘bolhas’, as carenagens dos carros do grid. Por um tempo, a Stock Car teve a presença, além da ‘gravatinha’, da Mitsubishi e também da Volkswagen e da Peugeot. Enquanto as duas primeiras logo deixaram o esporte, a montadora francesa continuou a fazer parte da categoria até o ano passado, estampando sua marca nos protótipos dos carros dos campeões Cacá Bueno, Marcos Gomes e Felipe Fraga.

Mas o fato é que, mesmo com a marca em evidência nas pistas, não houve nenhum grande envolvimento da Peugeot com a Stock Car, sem nenhuma ação de marketing relevante capaz de associar a montadora francesa ao certame.

De modo que a presença da marca no grid da categoria se encerrou no ano passado. Assim, a Stock Car volta às suas origens. Afinal, a categoria tem a marca histórica dos 'Opalões' da Chevrolet, que representaram uma era vitoriosa na Stock Car. 

Agora, terá apenas carros com ‘bolha’ da Chevrolet, sendo o Cruze o modelo que vai servir de carenagem para os protótipos do grid, que continuam a ter a fabricação da JL, empresa chefiada por Zequinha Giaffone. 

Rubens Barrichello sempre figura no rol dos favoritos ao título na Stock Car

Os candidatos
 

Uma das maiores características da Stock Car é a altíssima qualidade dos seus pilotos. Em meio a tantos nomes de grande potencial, são muitos os competidores que podem ser apontados como favoritos ao título. Poucas categorias de alto nível em todo o mundo contam com um leque tão amplo de opções entre os reais postulantes à taça de campeão.

Sem medo de ser feliz, dá para apontar com tranquilidade pelo menos 15 pilotos com grandes condições de lutar pelo título nesta temporada que está prestes a se iniciar. Os campeões Cacá Bueno, Ricardo Maurício, Max Wilson, Rubens Barrichello, Marcos Gomes e Felipe Fraga sempre estarão no rol dos favoritos. O mesmo vale para outros ‘botas’ do grid como Daniel Serra, Átila Abreu, Valdeno Brito, Thiago Camilo e Allam Khodair.

A experiência de Ricardo Zonta, Júlio Campos e Antonio Pizzonia precisa sempre ser considerada, enquanto Diego Nunes é desses pilotos que podem surpreender.
 

((Foto: Bruno Terena/Red Bull Content Pool))

Calendário da temporada 2017
 

1ª etapa: 02/04 – Goiânia
2ª etapa: 23/04 – Velopark
3ª etapa: 21/05 – Santa Cruz do Sul
4ª etapa: 11/06 – Cascavel
5ª etapa: 09/07 – Londrina
6ª etapa: 23/07 – Curvelo
7ª etapa: 06/08 – Velo Città
8ª etapa: 10/09 – Corrida do Milhão (local a definir)
9ª etapa: 01/10 – Buenos Aires (Argentina)
10ª etapa: 22/10 – Curitiba
11ª etapa: 26/11 – Tarumã
12ª etapa: 10/12 – Interlagos

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