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Como era o mundo na última vez em que Portugal esteve na Fórmula 1

A F1 volta a ter um GP de Portugal após 24 anos. E o GRANDE PREMIUM mostra o que estava acontecendo no distante 1996

Michael Jackson gravou um clipe com o Olodum em Salvador (Foto: Divulgação)

O GP de Portugal de 1996 havia sido o último dos lusos no calendário da Fórmula 1. Só que, por conta da pandemia de coronavírus e da impossibilidade de rodar o mundo, especialmente de ir às diferentes praças nas Américas e na Ásia, a série de 24 anos de Portugal sem constar no cronograma da categoria vai cair no final de semana, com a estreia de Portimão.

Em 1996, foi o autódromo do Estoril que recebeu a categoria, como tradicionalmente acontecia, aliás, nos anos 80 e 90. Aquela corrida, a penúltima da temporada, não teve nada de muito especial, pelo contrário, reproduziu bem o que rolou no campeonato todo: amplo domínio da Williams. E nem como definição do título acabou servindo, com a final ficando mesmo para o Japão.

Líder e então virtual campeão, Damon Hill cravou a pole, mas perdeu a disputa na corrida para o companheiro Jacques Villeneuve, em mais um capítulo daquela que foi a batalha dos sobrenomes pesados na temporada 1996. O terceiro colocado foi o mesmo do Mundial de Pilotos: Michael Schumacher, que vinha do bicampeonato e fazia seu primeiro ano com a Ferrari.

Mas não é exatamente sobre F1 que vamos falar aqui. O contexto da categoria está aí, posto, mas e o mundo? O GRANDE PREMIUM, então, relembra como foi o ano de 1996, o do último GP de Portugal em diferentes frentes.

A vitória de Jacques Villeneuve no GP de Portugal de 1996 adiou o título de Damon Hill (Foto: Reprodução)

Atlanta, Kobe e Portuguesa

1996 já seria importante nos esportes de qualquer forma, afinal, era ano de Jogos Olímpicos. A edição de Atlanta foi, vencida facilmente pelos donos da casa, que acumularam 101 medalhas, sendo 44 delas de ouro. Rússia e Alemanha completaram o top-3 do quadro.

O Brasil teve seu melhor desempenho na história das Olimpíadas até então, com 3 ouros, 3 pratas e 9 bronzes, que asseguraram a 25ª posição geral. Entre os feitos, destaque para os ouros na vela com Robert Scheidt, na classe Laser, e Torben Grael/Marcelo Ferreira, na classe Star. Além disso, foi a edição também da histórica final do vôlei de praia feminino, com Jacqueline Silva e Sandra Pires batendo as também brasileiras Adriana Samuel e Mônica Rodrigues.

O Brasil conquistou ouro e prata no vôlei de praia feminino em Atlanta (Foto: Reprodução)

Nos esportes coletivos, três times que são frequentemente relembrados: o feminino de basquete, comandado por Hortência e Magic Paula, que terminou com a prata após perder dos EUA; o masculino de futebol, que tinha nomes como Ronaldo, Bebeto, Roberto Carlos e Dida, que foi bronze ao cair na semifinal diante da Nigéria com um gol de ouro de Kanu, ‘o perigoso’; além do feminino de vôlei, que também foi bronze ao perder de Cuba na semifinal, em jogo marcado por muita provocação, confusões e os gritos de ‘Salta, Chica’.

Fora de Atlanta, basquete e futebol tiveram também momentos importantes. Na NBA, o Chicago Bulls, de Michael Jordan, levava mais uma taça para casa, mas o campeonato teve uma entrada e uma saída impactantes. 1996 foi ano de aposentadoria de Magic Johnson, um dos maiores jogadores de todos os tempos. Foi também o da chegada de Kobe Bryant, escolhido apenas na 13ª posição do Draft pelo Charlotte Hornets. O ala acabou trocado com os Los Angeles Lakers e o resto é história.

Enquanto isso, o Campeonato Brasileiro de futebol vivia uma edição repleta de surpresas. Com clubes mais tradicionais como Flamengo, Botafogo, Vasco, Santos e, principalmente, Fluminense mergulhados em crise, o mata-mata do Brasileirão teve Athletico Paranaense, Goiás, Guarani e a Portuguesa conseguindo protagonismo. E foi a Lusa, de Zé Roberto, o maior destaque, perdendo apenas na final para o Grêmio, de Paulo Nunes. Foram dois jogos em 2×0, com o Tricolor levando a melhor por ter feito mais pontos na fase de classificação.

O time campeão olímpico da Nigéria revelou grandes jogadores para o futebol mundial (Foto: Reprodução/FIFA)

Dólar a R$ 1,00, PC Farias e nova África do Sul

Após décadas em um sangrento e segregacionista regime de apartheid, a África do Sul virou a página em 1994, mas foi apenas em 10 de dezembro de 1996 que o novo parlamento terminou de elaborar a nova constituição sul-africana, em vigor até hoje. A sanção veio a partir do então presidente Nelson Mandela, líder do movimento que derrubou o regime racista.

No Brasil, PC Farias, empresário e chefe da campanha que elegeu Fernando Collor presidente do Brasil em 1989, foi encontrado morto em Maceió. Enquanto isso, a cotação do dólar comercial batia R$ 1,01 no final de semana do GP de Portugal, dois anos após o início da implementação do Plano Real, de Fernando Henrique Cardoso, então presidente.

Após quatro anos de Paulo Maluf, a cidade de São Paulo elegeu Celso Pitta para governar pelos quatro anos seguintes, enquanto o Rio de Janeiro colocou Luiz Paulo Conde no lugar de Cesar Maia e Belo Horizonte substituiu Patrus Ananias por Célio de Castro.

Integrantes da banda Mamonas Assassinas morreram em 1996, vítimas de um acidente aéreo (Foto: Divulgação)

Michael Jackson, Mamonas e a Banheira do Gugu

Na arte e no entretenimento, o ano de 1996 também teve seus momentos bem relevantes. Comecemos pelas perdas na música, pois: em 13 de setembro, Tupac Shakur, um dos maiores rappers de todos os tempos, morria após levar quatro tiros em Las Vegas. Morreram também nomes icônicos brasileiros. Em 11 de outubro, Renato Russo, líder da banda Legião Urbana, em decorrência de complicações da AIDS. A mais marcante, no entanto, talvez tenha sido a dos Mamonas Assassinas, em 2 de março, num trágico acidente de avião na Serra da Cantareira, em São Paulo.

Mas a música também viveu momentos felizes. Foi no comecinho de 1996, por exemplo, que as Spice Girls lançaram o single Wannabe, um dos maiores fenômenos da história do pop. Teve também Michael Jackson na Bahia, gravando o famoso clipe da música They Don’t Care About Us. Ainda, Shakira lançando o disco Pies Descalzos, começando sua trajetória mundial, Sandy & Junior com o sucesso Dig Dig Joy e a formação de bandas como Linkin Park e Coldplay.

Com convidados especiais, a Banheira do Gugu se tornou sucesso aos domingos na televisão (Foto: Divulgação)

No carnaval carioca, a Mocidade Independente de Padre Miguel levou o título com o lendário desfile Criador e criatura, assinado pelo carnavalesco Renato Lage, enquanto o Vai-Vai foi campeão em São Paulo. No cinema, Coração Valente varreu o Oscar, levando como melhor filme e também melhor direção para Mel Gibson. Na TV Brasileira, um sucesso absoluto no horário nobre da TV Globo: O Rei do Gado, que dominou a audiência.

Por falar em audiência, foi também um momento de guerra dominical entre Globo e SBT, com dois grandes sucessos que seguem até hoje: o Domingão do Faustão, de Fausto Silva, encarava a dura concorrência do Domingo Legal, então apresentado por Gugu Liberato que tinha, entre outras atrações, a Banheira do Gugu, quadro que ficou bastante atrelado ao que era a TV brasileira nos anos 90.

24 anos depois e com tantas mudanças nos esportes, na economia, na política e na música, Portugal está de volta ao calendário da Fórmula 1.

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