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No túnel do tempo da Indy 500, parte 1

Transmissões históricas — e na íntegra — de grandes edições das 500 Milhas de Indianápolis para você assistir de graça

Poucos circuitos do mundo são tão permeados pela história do automobilismo quanto o Indianapolis Motor Speedway. Mais do que isso: poucos lugares preservam tanto a história quanto o IMS. Por ali, circularam grandes nomes das corridas, de pilotos a engenheiros, passando por donos de equipe e jornalistas — todos devidamente registrados e guardados para sempre. É como se o Speedway pulsasse com todo o sangue e lágrimas (de alegria e tristeza) derramados em seu jardim de tijolos. 

Como parte dessa história, o autódromo e a IndyCar começaram, há alguns meses, a disponibilizar no YouTube algumas edições antigas e recentes das 500 Milhas de Indianápolis. Não é qualquer material: são os registros completos do que foi exibido na TV e até mesmo no cinema, da mesma forma que foram vistos pelo público norte-americano pela primeira vez. Tudo de graça e na melhor qualidade possível a partir das gravações originais. 

No aquecimento para a edição 2019 da Indy 500, vamos publicar todas essas preciosidades em uma série especial em quatro partes – incluindo não só uma contextualização da corrida em si, mas também das transmissões. 

Aperte o cinto e prepara-se para acelerar rumo ao passado.

(Johnny Aitken na Indy 500 (Foto: Getty Images))

A edição de 1961 das 500 Milhas, ainda durante a volta de apresentação

1961, a primeira vitória de A.J. Foyt

Começamos a nossa viagem por 1961, ano no qual a mítica prova completava 50 anos de existência. Na época, as 500 Milhas de Indianápolis não eram mostradas na TV. Já existia a tecnologia que permitia a exibição ao vivo de um evento esportivo em todo os Estados Unidos (notadamente com a Major League Baseball), mas dizem que Tony Hulman, o presidente do Speedway, acreditava que a televisão poderia roubar o público do autódromo, diminuindo a venda de ingressos.

Por isso, o primeiro registro que temos acesso é, na realidade, feito para os cinemas, em uma época na qual as pessoas ficavam horas naquelas salas escuras para assistir a curtas e médias-metragens, indo além do longa-metragem principal – em um cardápio que incluia programas noticiosos e esportivos. 

‘Champions at the Wheel’ é uma produção financiada pela marca de velas de ignição Champion e traz, em apenas 26 minutos, um compilado de tudo que aconteceu no Brickyard durante maio de 61, incluindo os treinos, a classificação e a corrida. 

Por mais que os carros de motores traseiros já fossem dominantes na F1, você pode ver no vídeo que, em Indianápolis, existia quase um monopólio dos bólidos com motor dianteiro. Havia, porém, alguém já querendo mudar essa realidade: era Jack Brabham, que participou com um Cooper-Climax ao estilo que fazia sucesso na Europa. Aquela edição também foi a última com parte do circuito – a reta principal – ainda com o piso original de tijolos. O trecho do pavimento seria asfaltada nos meses seguintes, sobrando apenas a pequena faixa na linha de chegada (que existe até hoje) . 

A disputa pela vitória foi marcante, com a conquista ficando nas mãos de A. J. Foyt – mas isso você pode conferir no vídeo a seguir.

Stewart (#43), Billy Foster (#27) e Jerry Grant (#88) disputando posição da Indy 500 de 66

1966, o ano de Graham Hill

Muita coisa mudou em Indianápolis em cinco anos. Colin Chapman e a Lotus haviam mostrado que o futuro era mesmo dos carros com motor traseiro, com Jim Clark vencendo a Indy 500 com um carro do time na terceira tentativa, em 1965. No ano seguinte eram três os competidores vindos do Velho Continente: Jack Stewart, Graham Hill e, claro, Clark. Para os norte-americanos, a fase ficou conhecida como a “Invasão Britânica” – uma história que contamos com muitos detalhes anteriormente.

As coisas tinham evoluído na transmissão, ainda que pouco. O Brickyard havia iniciado a sua longa relação com o canal aberto ABC, que, desde o ano anterior, exibia trechos dos treinos e da corrida no programa ‘Wide World of Sports’. É justamente esse o vídeo resgatado pelo IMS, em um registro que traz também Mario Andretti, Parnelli Jones e Dan Gurney. 

A vitória acabaria com Hill, com um Lola-Ford da Mecom Racing Team – ainda que, até hoje, há quem acredite que a cronometragem estava errada. Depois, ele venceria em Le Mans e conquistaria a Tríplice Coroa do automobilismo mundial.

O revolucionário STP-Paxton Turbocar pilotado por Parnelli Jones em 1967

1967, quando um carro movido a turbina quase ganhou

O próximo registro é do ano seguinte, 1967. O acordo nacional com a ABC continuou, mas o vídeo disponibilizado pelo IMS é de outra transmissão, feita pela emissora local de Indianápolis, a WFBM – então parte do grupo Time-Life. Com cerca de 30 minutos, o vídeo é, basicamente, um compacto da prova.

Vale dizer que o ano traz um fato importante, que merece ser revisitado em mais detalhes numa oportunidade futura. Por enquanto, basta dizer que Parnelli Jones dominou a corrida com um revolucionário carro com tração nas quatro rodas e movido por uma turbina à gás (não, não é um turbo, é turbina mesmo, mais parecida com a dos aviões) da equipe bancada pela marca de óleo automotivo STP, do CEO e entusiasta das corridas Andy Granatelli.

Após dominar boa parte da prova, o carro quebrou faltando apenas oito milhas para a bandeira quadriculada. A liderança caiu no colo de A.J. Foyt, que ainda teve que desviar de um acidente nos últimos metros para ser o vencedor. 

Bom, isso você confere no vídeo a seguir. 

Graham Hill em uma Lotus turbina de 1968

1968, quando a turbina bateu na trave mais uma vez

A história meio que se repetiu no ano seguinte. A STP ampliou o esforço, fechando uma parceria para alinhar três chassis da Lotus movidos com turbinas da Pratt & Whitney, famosa pelos motores de avião. Graham Hill, com um dos carros, bateu, enquanto Art Pollard, no segundo, teve problemas e abandonou. 

Joe Leonard, no terceiro carro-turbina, chegou a liderar 31 voltas na parte final da prova, mas um problema no carro fez com que a vitória ficasse com Bobby Unser – irmão de Al Unser, tio de Al Jr. – em um bom e velho motor movido a pistão.

Ainda assim havia uma inovação ali. O Eagle de Unser tinha um motor Offenhauser turboalimentado – esse sim o “turbo” que conhecemos hoje. Era a primeira vitória dessa configuração no Speedway. 

Um novo conjunto de regras tiraria a eficiências das turbinas, que não seriam mais usadas na Indy – Chapman até tentou colocá-las na F1, mas esse é um outro papo. A STP de Andy Granatelli finalmente venceria em 1969, com Mario Andretti. Já a turboalimentação seria largamente adotados pelas equipes da Indy nos anos seguintes. 

As gravações a seguir não possuem crédito, mas, considerando o formato e a narração, devem ser também da emissora WFBM.

O McLaren M16C, vencedor da edição de 1976

1974, a primeira vitória da McLaren enquanto equipe

Pulamos alguns anos e chegamos em 1974. Outra década, novas ideias. A primeira delas é que o IMS ampliara o acordo com a rede ABC, que desde de 1971 transmitia as 500 Milhas de Indianápolis no que os americanos gostam de chamar de “same-day tape delay”: ou seja, com atraso de algumas horas e alguns cortes. A narração alternava comentários feitos durante o decorrer dos fatos com narrações roteirizadas. 

O formato havia evoluído como um todo, com imagens de bastidores, a intimidade dos pilotos e uma trilha sonora colocada, junto da narração, para criar um clima de antecipação junto ao público. 

Além das cores berrantes e do chroma key ruim, a prova de 74 nos traz também a primeira vitória da McLaren enquanto equipe, com Johnny Rutherford ao volante. Os ingleses haviam vencido em 1972 como construtores, ao lado da equipe Penske. História essa que já contamos aqui no GP*.

Ah, tem um bônus: Jackie Stewart, que a essa altura era figurinha conhecida das transmissões da Indy na ABC, entra por volta de 1h05m de vídeo para fazer um relato do GP de Mônaco de 74, que aconteceu no mesmo dia. 

A.J. Foyt, o vencedor de 1977

1977, o tetra de A.J. Foyt

Pouca coisa mudou entre 1974 e 1977. A diferença, aqui, é que a IndyCar infelizmente cortou a sequência de abertura da transmissão no vídeo disponibilizado no YouTube, o que é uma pena. Ainda assim, dá para sentir o clima daqueles tempos – além de termos os comentários de Jackie Stewart, agora focado apenas em Indianápolis. 

Aquele ano representou a primeira vez em que uma mulher, Janet Guthrie, se classificou para a Indy 500. Por isso, havia a dúvida sobre como Tony Hulman daria o comando para ignição dos motores – o tradicional “gentlemen, start your engines” havia se tornado obsoleto. Essa foi a despedida de Hulman: ele morreria meses depois. 

A corrida em si foi muito movimentada, com várias disputas e trocas na liderança. No final, A.J. Foyt conquistou uma histórica quarta vitória, um recorde – que depois seria igualado por Al Unser Sr. e Rick Mears. Vale ressaltar que Foyt já corria por sua própria equipe, a Foyt Enterprises, com um chassi próprio (o Coyote) e equipado por um motor construído por ele próprio – chamado Foyt, claro. 

Leia a seguir:

– No túnel do tempo da Indy 500, parte 2

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