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No túnel do tempo da Indy 500, parte 3

O controvertido o motor Mercedes da Penske e as três vitórias de Helio Castroneves: confira corridas históricas das 500 Milhas de Indianápolis por meio das transmissões ao vivo feitas pela TV dos EUA

O racha e a reunião. É este o período que compreende a terceira parte do nosso resgate das transmissões ao vivo das 500 Milhas de Indianápolis feitas pela televisão dos EUA – e, agora, postadas de graça e na íntegra no YouTube pelo Indianapolis Motor Speedway e pela IndyCar.

São as provas entre 1994 e 2011, começando pelo momento no qual o IMS se separava da CART, formando a Indy Racing League. A partir de 2008, a IRL – já chamada oficialmente de IndyCar – vence a disputa e absorve a categoria rival, efetivamente pondo um fim na divisão.

O período também marca nada menos que quatro conquistas de pilotos brasileiros – uma de Gil de Ferran (que, infelizmente, não temos o vídeo disponível por enquanto) e três de Helio Castroneves (duas das quais estão, na íntegra, a seguir).

(Helio Castroneves queria mais do marketing da Indy)

Leia primeiro

– No túnel do tempo da Indy 500, parte 1

No túnel do tempo da Indy 500, parte 2

Little Al com o polêmico Penske-Mercedes de 1994

1994, com o domínio da Penske

A edição de 1994 das 500 Milhas de Indianápolis foi polêmica – tudo por causa de uma brecha no regulamento explorada por Roger Penske, que resultou no dominante motor Mercedes-Benz 500l desenvolvido pela Ilmor. Essa história já contamos em todos os detalhes aqui no GRANDE PREMIUM.

A transmissão da TV, mais uma vez ao vivo pelo canal aberto ABC, explorou o caso, trazendo uma matéria especial sobre o motor. No entanto, o principal destaque da transmissão – que está logo na abertura, mais uma vez embalada pelo som do tema principal do filme ‘Comando Delta’ – é a aposentadoria de Mario Andretti.

Grande nome do automobilismo mundial, Andretti fazia a sua última Indy 500 naquele ano, recebendo toda a atenção da imprensa – com a TV, claro, relembrando a trajetória do piloto no Brickyard e até na F1 e na NASCAR. É bom ressaltar a chamada Maldição Andretti, que por diversas vezes tirou as chances de vitória do piloto, do filho Michael e do neto Marco. O patriarca, é bom lembrar, bebeu o leite dos campeões do Speedway em 1969.

Na corrida, a luta pela vitória ficou entre os pilotos da Penske, Al UnserJr. e Emerson Fittipaldi. Um jovem Jacques Villeneuve, pela Forsythe-Green Racing, era uma das surpresas. Confira tudo a seguir!

O Homem-Aranha escalava o alambrado de Indianápolis pela primeira vez em 2001

2001, o retorno da Penske e a vitória de Helio

Mais um salto temporal. Pulamos o racha entre a CART e o Indianapolis Motor Speedway, que criou uma categoria própria, a Indy Racing League. A partir de 1996, as 500 Milhas passaram a contar pontos apenas para o novo campeonato e ficaram sem a presença de equipes tradicionais como Penske, Newman-Haas e várias outras, que permaneceram alinhadas com a CART. Isso começou a mudar em 1999, quando a Ganassi inscreveu Juan Pablo Montoya na Indy 500 – e o colombiano venceu.

Por tudo isso, 2001, representa o início da retomada da tradicional prova, com o retorno da Penske. E foi uma prova histórica.

Não é por menos que a abertura da transmissão da ABC é marcante, talvez uma das melhores já produzidas pela ABC. O canal reuniu todos os vencedores da prova que ainda estavam vivos, em uma homenagem a todos eles. É de arrepiar. 

Tudo isso acompanhado de uma nova equipe de transmissão, formada pelo apresentador Al Michael e o locutor Bob Jenkins. Já um dos repórteres/comentaristas era Jason Priestley, que você talvez conheça como o Brandon da série ‘Barrados no Baile’. 

Com idas e vindas por causa da chuva, aquela foi uma longa corrida – que acabou com a vitória do brasileiro Helio Castroneves, logo à frente do compatriota e companheiro de equipe Gil de Ferran. Foi a primeira das três conquistas de Castroneves no Brickyard. 

Hornish Jr em mais uma vitória da Penske, no ano de 2006

2006, com a vitória de Sam Hornish Jr.

Muita coisa havia mudado em 2006. O tema de ‘Comando Delta’, usado desde os anos 1980, estava aposentado – e era o ator Kiefer Sutherland que narrava a abertura da transmissão. O time de apresentação e locução também era outro.

O principal destaque da ABC era Danica Patrick. A piloto havia estreado nas 500 Milhas no ano anterior com um impressionante quarto lugar, um resultado digno de respeito para uma rookie. 

A corrida em si foi, em grande parte, dominada por Dan Wheldon, então na Ganassi. Porém, um pequeno furo no pneu o fez ir aos pits, abrindo espaço para uma incrível disputa entre Sam Hornish Jr. e Marco Andretti, que tinha apenas 19 anos. O membro mais novo do clã Andretti abriu a última volta na liderança, mas o piloto da Penske diminuiu a diferença e colocou o carro ao lado do adversário na reta principal, metros antes da bandeira quadriculada.

Hornish acabou com a vitória, por uma diferença de apenas 0s0635. O resultado é, hoje, a terceira chegada mais apertada da história da Indy 500. De tirar o fôlego. 

Franchitti com o carro vencedor de 2007

2007, corrida curta e vitória de Dario Franchitti

Sem em pleno 2019 estamos falando, aqui no Brasil, sobre uma maior sinergia entre os veículos do Grupo Globo, isso já acontecia nos EUA em 2007. Naquele ano, as transmissões da Indy passaram a receber o selo ‘ESPN on ABC’, estreitando o relacionamento e unificando as equipes do canal esportivo ESPN e da emissora aberta ABC, ambas da Disney. Na prática, no entanto, isso não mudou em nada a equipe que cobria as 500 Milhas de Indianápolis naquela época – a novidade ficou apenas pela locução do ator Jeremy Irons logo no início da jornada esportiva.

E a jornada foi longa naquele domingo. A chuva atrapalhou os planos de equipes e pilotos, chegando a causar uma paralização de mais de três horas. O clima prejudicou Tony Kanaan, naquela época piloto da Andretti Green, que liderou nada menos que 83 voltas. Quando a chuva começou a cair sem trégua mais uma vez, no 166º giro, era Dario Franchitti que liderava – e os organizadores resolveram encerrar a corrida ali mesmo. Primeia vitória do escocês no Speedway. 

Dixon levava a Chip Ganassi a mais uma vitória, em 2008 ( )

2008, ano da conquista de Scott Dixon

Não teve para ninguém em 2008. Largando da pole-position e tendo liderado 115 das 200 voltas, Scott Dixon, já na Ganassi, venceu a corrida com certa facilidade.

Ainda que pouca coisa tivesse mudado, o ano merece um registro importante: foi a primeira temporada após a IndyCar comprar a Champ Car, ex-CART, pondo um fim na divisão do automobilismo de rodas descobertas nos EUA, que vinha desde 1996. 

Do ponto de vista da cobertura, a influência da ESPN na transmissão da ABC fez com que a parte de entretenimento da cobertura diminuísse ainda mais, com foco maior no trabalho de reportagem. E, mais uma vez, Danica Patrick foi uma das estrelas – afinal, a piloto havia acabado de vencer uma corrida, na primeira (e, até hoje, a única) vez em que uma mulher ficou em P1 numa categoria top do automobilismo mundial. 

2009, o ano da redenção de Castroneves

2009, o tri de Castroneves

Mais uma história de conto de fadas, bem ao gosto dos norte-americanos. Afinal, o brasileiro Helio Castroneves havia vivido um inferno particular: acusado de sonegação fiscal e conspiração, o piloto passou por um longo julgamento, que o tirou das pistas por algum tempo, e esteve próximo de acabar na cadeia. Inocentado à tempo de participar das 500 Milhas de Indianápolis, o brasileiro andou como nunca naquele mês de maio – e conquistou a terceira vitória na carreira.

Aquele ano representou, também, a melhor posição de chegada para uma mulher no Speedway: o quarto lugar no Brickyard, mais uma vez com Danica Patrick. 

Foi um momento de despedidas, também. Jack Arute, repórter presente nas transmissões da Indy 500 na ABC desde 1984, fazia a sua última cobertura da prova. 

Dan Wheldon e a surpreendente vitória de 2011

2011, quando Dan Wheldon liderou apenas uma volta – e venceu a corrida

A edição de 2011 das 500 Milhas de Indianápolis foi, certamente, uma das surpreendentes da história. Foram nada menos que dez líderes diferentes durante a corrida (quase 10% do grid), com uma grande variação de possibilidades e estratégias. Nada mal para o aniversário de 100 anos da prova. 

Faltando dez voltas para o final, eram cinco os pilotos com boas chances de vitória: Bertrant Baguette (Rahal Letterman Lanigan), Dario Franchitti, Scott Dixon (ambos da Ganassi), J.R. Hildebrand (Panther) e Dan Wheldon (Bryan Herta).

Com os adversários economizando combustível, o estreante Hildebrand assumiu a liderança faltando duas voltas para a bandeira quadriculada. Era só segurar no braço e vencer – até que, na última curva, ele foi ultrapassar um retardatário mais lento, deixou o carro escapar, acertou o muro e cruzou a linha de chegada se arrastando e com apenas três rodas. A vitória ficou com Wheldon, que comemorou bastante. 

O inglês perderia a vida em um acidente em Las Vegas, no final daquela temporada. 

Mas, mais do que contar, o importante é você assistir. 

Leia mais

As vitórias da McLaren na Indy 500

– Jim Clark e como a Indy revolucionou a F1

– Os 50 anos da Penske na Indy 

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– As melhores corridas da Indy 500 

– Os maiores vexames da Indy 500

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