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Mais do que ter o nome na história como a primeira mulher a vencer um campeonato organizado pela FIM, Ana Carrasco é hoje o prenuncio de um futuro diferente. Estudante de direito, a espanhola ‘mudou a lei’ de um universo predominantemente dominado por homens

Juliana Tesser, de São Paulo

Ela só queria ser um piloto como outro qualquer, mas acabou sendo muito mais. No último dia 30, ao conquistar o título do Mundial de Supersport 300, Ana Carrasco galgou para si um lugar na história do esporte, mas também se tornou o prenúncio de um futuro diferente.

Se ainda restava dúvida, hoje não resta mais. Ao bater Mika Pérez por um ponto na classificação do campeonato promovido pela Dorna, Carrasco provou de uma vez por todas que as mulheres podem, sim, enfrentar ― e vencer ― homens. Tal qual qualquer atleta, só é preciso ter o material e as condições certas.

Ao longo da história, muitas provaram que mulheres e homens poderiam participar de um mesmo campeonato. Michèle Mouton, por exemplo, venceu uma prova do Mundial de Rali em 1981. Jutta Kleinschidt ganhou o Rali Dakar em 2001. Danica Patrick subiu ao topo do pódio da Indy em 2008.

Antes de Ana, Kirsi Kainulainen tinha sido campeã em uma categoria organizada pela FIM, mas como passageira no sidecar de Pekka Paivarinta. Agora, porém, Carrasco mostrou que é possível conquistar mais. Que é possível chegar mais longe.

Ainda é cedo para medir o impacto que o feito de Ana terá no esporte, mas a expectativa é de que a conquista desperte o interesse de outras meninas. Dá mesma forma que acontece com homens, fica mais fácil encontrar prodígios quando se tem um campo maior onde se buscar.

Tão logo Ana celebrou a conquista, as redes sociais foram tomadas de mensagens de felicitações. Entre muitas, a declaração de Marc Márquez chama a atenção. A caminho do pentacampeonato da MotoGP, o piloto da Honda agradeceu Carrasco.

“Obrigado por ensinar a todo o mundo que o motociclismo não é um esporte só de meninos!”, escreveu o #93.

Ana Carrasco é a primeira mulher a vencer um Mundial solo da FIM
(Foto: DS Junior)
Mulheres não precisam de tratamento especial, elas só precisam da oportunidade para competir em condições iguais
Michèle Mouton

A primeira professora

 

Márquez tem razão ao dizer Ana deu uma lição no mundo. Mas ela não foi a primeira. Entre 1987 e 1990, a finlandesa Taru Rinne disputou 17 etapas das 125cc e se converteu na primeira mulher a pontuar no Mundial de Motovelocidade.

Os primeiros pontos vieram ainda no primeiro ano, mas em 88, no GP da Alemanha Ocidental, Rinne registrou sua melhor performance: depois de um segundo lugar no grid, a finlandesa recebeu a bandeirada na sétima colocação, 10s310 atrás de Álex Crivillé, campeão da categoria em 89 e das 500cc dez anos depois.

Em uma entrevista ao GRANDE PREMIUM, Rinne celebrou o feito do Ana e aproveitou para parabenizar a espanhola.

“Um enorme parabéns à Ana Carrasco! Eu respeito demais a conquista dela!”, disse Taru. 

31 anos após se tornar a primeira a pontuar no Mundial de Motovelocidade, Taru reconhece que o mundo hoje é mais igualitário, mas entende, também, que as coisas ainda podem melhorar.

“Hoje, a igualdade, felizmente, melhorou e é parte da vida!”, comentou. “[Mas,] claro, a igualdade vai melhorar quando mais mulheres estiverem em posições de liderança e influenciando nas atitudes das pessoas”, ponderou.

Rinne, no entanto, conhece como ninguém os efeitos da descriminação contra as mulheres. A finlandesa viu sua carreira no Mundial chegar ao fim no início dos anos 90 por decisão de Bernie Ecclestone. Na época, o ex-chefão da F1 comandava a série das motos e vetou a participação de Taru no campeonato de 92 enquanto ela ainda se recuperava de fraturas nos tornozelos sofridas em Paul Ricard no ano anterior.

“Na época, Ecclestone trabalhava nas corridas de pista e ele me proibiu de correr dizendo que era pesado demais e perigoso para as mulheres”, recordou. “Isso foi naquela época e a perda foi minha”, completou.

Ex-kartista, Rinne chegou a competir com nomes como Mika Häkkinen, que, anos depois, lembrou da ex-rival como “um talento fantástico”.

“Nos karts, eu mostrei que sou melhor do que os homens!”, disse Taru ao GP*.

Questionada, então, se acredita que deveria existir um campeonato feminino, Rinne ponderou que uma categoria especifica daria mais chances às mulheres, mas avaliou que deveriam também ser permitidas as disputas mistas.

“Uma categoria só de mulheres aumenta a visibilidade no campeonato mundial e dá a mais mulheres a oportunidade de correr”, considerou Taru. “Mas deveria existir também a possibilidade de as mulheres correrem em todas as categorias, abertas aos dois gêneros, junto com os homens”, defendeu.

Por fim, Rinne ressaltou sua admiração por todas as mulheres que conseguiram vencer em um mundo predominantemente masculino.

“Sempre tenho orgulho dessas mulheres que são bem sucedidas no mundo masculino do esporte a motor”, concluiu.

Correndo em uma categoria majoritariamente masculina, Ana venceu o Mundial de Supersport 300
(Foto: DS Junior)

O exemplo das quatro rodas

 

Assim como Taru e Ana, Michèle Mouton também foi uma pioneira em seu esporte. Em 1981, em Sanremo, a francesa contratada pela Audi e se tornou a primeira ― e até hoje única ― mulher a vencer uma etapa do Mundial de Rali. 

Na temporada seguinte, Michèle conquistou outros três triunfos e disputou o título do WRC, mas acabou vice-campeã, 12 pontos atrás de Walter Röhrl.

Hoje presidente da Comissão de Mulheres no Esporte a Motor da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), Mouton também celebrou o feito de Ana em contato com o GRANDE PREMIUM.

“Este é um momento histórico para o motociclismo e algo de que Ana deve estar incrivelmente orgulhosa”, disse Michèle. “Vencer um campeonato mundial é uma conquista enorme e eu realmente gostaria de parabenizá-la”, seguiu. 

“O sucesso de Ana mostra mais uma vez ao mundo que as mulheres podem competir junto com homens e vencer. Mulheres não precisam de tratamento especial, elas só precisam da oportunidade para competir em condições iguais”, defendeu. “Não há dúvidas de que Ana pode ser uma inspiração para outras mulheres no esporte, não só no motociclismo”, garantiu.

Carrasco conquistou o título na última prova do ano
(Foto: DS Junior)
Mulheres e homens podem competir como iguais
Vito Ippolito

Sentindo na pele

 

Pilota da Jenzer na GP3, a colombiana Tatiana Calderón conhece bem os desafios de ser uma das poucas mulheres em um mundo predominantemente masculino e, assim, não poderia deixar de celebrar a conquista de Ana.

16ª colocada na temporada da GP3, Calderón lembrou ao GP* que muitas pessoas ainda duvidam da capacidade das mulheres.

“A maioria das pessoas ainda duvidam que uma mulher pode correr os mesmos riscos que os homens, já que somos naturalmente diferentes. E ela prova que podemos”, afirma Tatiana. “Pela minha experiência, é tudo uma questão de encontrar o ambiente certo. Você precisa de pessoas ao seu redor, engenheiros, mecânicos, agentes, que acreditam que você é capaz de ser bem sucedida para que você possa correr com as mesmas oportunidades e condições”, ponderou.

Assim como Rinne e Mouton, Tatiana acredita que Ana agora será uma inspiração para mais meninas. 

“Acredito, absolutamente, que isso faz a diferença. Primeiro como um modelo, porque agora as meninas podem ver que podem ser campeãs mundiais e seguir sua paixão”, declarou. “As pessoas precisam acreditar que podemos ser tão rápidas quanto e nos darem a oportunidade. Isso vai, definitivamente, mudar a percepção em relação às mulheres no esporte a motor. Estou realmente orgulhosa e feliz pelo que ela conquistou”, completou.

Igualmente ciente dos desafios do esporte a motor, Susie Wolff, ex-pilota de testes da Williams e hoje chefe da Venturi na Fórmula E, avaliou que a conquista de Ana será uma inspiração para gerações futuras.

“A vitória da Ana é uma conquista incrível não só para ela pessoalmente, mas para as mulheres em todas as áreas do esporte a motor”, avaliou Susie. “Não devemos subestimar a importância desta vitória, isso mostra claramente o que é possível para competidoras femininas, e, vou além, também vai ajudar a inspirar gerações futuras”, apostou.

Questionada se entende o triunfo de Carrasco como um marco, Wolff respondeu: “Sim, definitivamente é um divisor de águas”.

“Eu sempre disse que se você pode ver, pode acreditar, e, por muitas gerações de pilotas mulheres, ela será uma inspiração do que é possível”, apontou. “Independente do gênero, ela ganhou um título mundial. Esta é uma mensagem muito poderosa e estou encantada por ela”, completou.

Ana foi a única a vencer duas corridas em 2018
(Foto: DS Junior)

Palavra de quem manda

 

Presidente da FIM (Federação Internacional de Motociclismo), Vito Ippolito ressaltou que a entidade organiza campeonatos femininos em diversas modalidades, mas entende que não há necessidade de separar homens e mulheres nas provas de velocidade.

“A FIM organiza vários campeonatos só para mulheres no motocross, trial e enduro. Só na velocidade que não fazemos distinção”, lembrou o venezuelano ao GRANDE PREMIUM. “Nós estamos convencidos de que mulheres e homens podem competir como iguais. A conquista de Ana é uma demonstração convincente de que isso é possível”, sublinhou.

“Na FIM, nós estamos motivando especificamente, por meio das nossas federações nacionais, a participação de meninas. Nós esperamos que o triunfo de Ana encoraje muitas meninas a participarem dos nossos campeonatos”, declarou. “As portas estão abertas!”, avisou.

Presidente da CBM (Confederação Brasileira de Motociclismo), Firmo Henrique Alves torce para que a conquista de Ana tenha o mesmo impacto dos feitos de Gustavo Kuerten, Ayrton Senna e Ricardo Prado em seus respectivos esportes.

“Lembro de quando o Guga venceu no tênis, Senna e outros na F1, Ricardo Prado na natação, após essas conquistas, essas modalidade esportivas tiveram uma mudança radical. Esperamos que isso aconteça também no motociclismo”, afirmou Firmo ao GP*. “Fora o impacto positivo que isso causará na carreira da própria Ana, o esporte como um todo deverá colher frutos dessa vitória também”, avaliou.

Ride Like A Girl: 'Pilote como uma garota'
(Foto: DS Junior)
O preconceito fez com que as mulheres acabassem em motos e times piores
David Emmett

Reconhecimento dos pares

 

Os elogios ao feito de Carrasco, porém, não são exclusividade de mulheres e dirigentes. Entre pilotos, a vitória da #2 no Mundial de Supersport 300 também é elogiada.

Eric Granado, por exemplo, dividiu a pista com Ana no Mundial de Moto3 e lembra da espanhola como alguém que “sempre demonstrou que tinha muito potencial”.

“O título da Ana é muito importante. Eu a conheço, já corri com ela, e ela é uma piloto que, realmente, sempre demonstrou que tinha potencial, mas as coisas acabavam não encaixando para ela. Fico muito feliz por ela e espero que ela continue tendo sucesso”, comentou ao GP*. “Isso abre portas para novas mulheres terem interesse e vontade de poder chegar lá e conseguir um título um dia”, torceu.

Maior expoente do motociclismo no Brasil, Alex Barros também sublinhou a importância da conquista de Ana, ainda que entenda que já ficou provado faz tempo que mulheres podem competir com homens. 

“Já tiveram outras mulheres correndo que foram muito bem no passado, mas ela é a primeira que conseguiu o título. Mesmo que seja numa categoria de entrada, na categoria 300, mas é o primeiro título. Eu acho isso formidável”, exaltou Alex em entrevista ao GRANDE PREMIUM. “Provar, já foi provado faz tempo. Uns 30 anos atrás. Só que, com essa vitória, esse título, isso vai ser divulgado de uma forma diferente”, ponderou.

Carrasco e María Herrera são as únicas duas mulheres titulares no Mundial de Supersport 300 de 2018
(Foto: DS Junior)

Destaque na imprensa

 

Assim como pilotos e dirigentes, o título de Ana Carrasco no Mundial de Supersport 300 também fez brilhar os olhos de muitos jornalistas. Acostumados com um ambiente dominado por homens, os profissionais de comunicação também esperam que a conquista recente ajude no processo de inclusão de meninas.

Comentarista da ESPN Brasil, Gian Calabrese acredita que o feito quebra paradigmas e mostra que o esporte não é só para meninos.

“A importância do título mundial da Ana Carrasco, sem dúvida, é enorme para as mulheres no esporte, quebra vários paradigmas”, apontou ao GRANDE PREMIUM. “O feito muda, definitivamente, o falso conceito de que esporte a motor, especialmente a motovelocidade, é uma exclusividade para pilotos homens”, continuou. 

“Eu acho que, também, o feito leva a baixo o machismo que, infelizmente ainda é muito forte nos paddocks”, apontou. “Acho que a Ana Carrasco, com seu título, escreve aí um novo capítulo no esporte para as mulheres e a participação, especialmente, no campeonato mundial. Assim como os homens se espelham em Valentino Rossi, Marc Márquez, acho que muitas mulheres vão se espelhar agora na Ana Carrasco, ao seu estilo de vida, a determinação nos treinos, dentro e fora das pistas”, concluiu.

Comentarista da SporTV, Fausto Macieira concorda com o colega e acredita que o que definiu como um “momento histórico do motociclismo” vai ter um efeito positivo na modalidade.

“Acho que esse título, o primeiro de uma mulher na história do Mundial de Motovelocidade, vai ampliar ainda mais o alcance do motociclismo, e isso é de todo positivo para todos nós”, considerou. 

Na imprensa internacional, a conquista de Carrasco recebeu o mesmo peso. Editor do site especializado ‘Motomatters.com’, David Emmett lembrou que o mundo do esporte a motor sempre teve preconceito com mulheres, mas já existiam evidências de que era possível competir de igual para igual.

“Sempre existiu preconceito contra mulheres competindo no mundo das corridas de moto, que era considerado um esporte de homens. As mulheres eram vistas como fisicamente incapazes de competir”, disse Emmett ao GP*. “O fato de pilotos pequenos como Dani Pedrosa poderem competir e vencer no nível mais alto parecia sugerir que isso estava errado, e o campeonato de Carrasco prova que uma mulher, em um bom time, com a moto certa e o apoio certo, pode competir e vencer os homens. O preconceito fez com que as mulheres acabassem em motos e times piores. O Mundial de Supersport 300 deu a Carrasco a chance de mudar isso”, frisou.

Mesmo confiante no impacto do título de Ana, Emmett ressalta que esta mudança acontecerá apenas em longo prazo.

“Sim, isso vai ser um divisor de águas, mas em longo prazo, não em curto. Isso mostra que as mulheres podem correr de moto com sucesso e prova que as mulheres podem ser campeãs mundiais. Isso dará às meninas um herói para emular e um argumento para mostrar aos pais, chefes de equipe, mecânicos e etc. que podem estar presos no passado”, defendeu. “Isso não significa que, de repente, veremos pilotas vencendo em todos os lugares. Ainda existe muito preconceito, embora isso acabe com parte disso. Mas, mais importante, o sucesso é mais uma questão de números: no momento, muito poucas meninas estão começando a correr, e, por isso, as menores chances estatísticas de uma dessas meninas ser super talentosa é menor. Quanto mais meninas estiverem correndo, melhores as chances de garotas realmente talentosas chegarem ao topo”, sublinhou.

Diretor da revista italiana ‘Motosprint’, Enrico Borghi ressalta que o Mundial de Supersport 300 tem pouca visibilidade, mas, ainda assim, a expectativa é de que mais meninas deem seus primeiros passos no esporte.

“Ana Carrasco venceu um campeonato que tem muito pouca visibilidade. Então eu não sei quantas pessoas, no mundo, até mesmo no mundo do esporte a motor, têm a percepção desta vitória”, ponderou Borghi. “Eu realmente espero que Ana Carrasco possa encorajar muitas outras meninas e aí possamos ter mais delas envolvidas nas corridas e talvez mais que andem de moto todos os dias. Isso deve ser importante para o esporte, os fãs, e para os mercados também”, considerou.

Comentarista da TV israelense, a jornalista Tammy Gorali acredita que o feito de Ana também terá um significativo impacto na confiança das garotas.

“As meninas ouvem desde muito novas que é melhor não falhar do que tentar, exatamente o oposto do que dizem aos meninos, e isso as impede de tentar, arriscar, de buscarem seus sonhos”, afirmou Tammy ao GRANDE PREMIUM. “Dizem para as meninas que elas não podem conquistar tudo, mas elas podem! Na pista e fora dela, no esporte a motor e em qualquer outro lugar! Se tornar um campeão mundial é um feito enorme para qualquer piloto, mas ‘pilote como uma garota’ muda as limitações, mostra que ser uma garota não é uma fraqueza, é só uma diferença”, defendeu.

Gorali lembra, ainda, que os últimos dois anos têm sido marcados por inúmeros movimentos feministas, que também podem ser impactados pelo desfecho do Mundial.

“Em momentos como estes, com os movimentos #MeToo e #WeBelieveHer, onde as mulheres exigem igualdade, esse campeonato dá muito mais impulso às mulheres que lidam com o fato de serem destratadas no esporte ou em outras áreas, mesmo que tudo que a Ana queria seja ser tratada como um competidor”, comentou. “Ela é o que a ‘Mulher Maravilha’ é para garotinhas, é o que o filme ‘Podres de ricos’ [Crazy rich asians, em inglês] significa para os asiáticos, os que as irmãs Williams representam para mulheres afro-americanas ou Billie Jean King no tempo da Batalha dos Sexos. Pode ser que Carrasco só quisesse conquistar o título, mas a vitória dela significa muito mais”, assegurou.

A jornalista entende, também, que Ana agora passa a ser uma inspiração para muitas outras meninas, além de ser uma ‘ferramenta’ de combate ao bullying.

“Nós todos precisamos de alguém para admirar e nos inspirar, e, quanto mais parecido o ídolo é conosco, mais realista a meta parece ser. Ter uma mulher campeã mundial em um esporte misto é a maneira perfeita de não só as meninas saberem que pode ser feito e que podem sonhar mais alto, mas também para fazerem os rivais homens e cheios de testosterona aceitarem a presença delas na pista como competidores compatíveis e valorosos”, alegou. “Conversando com pilotas como Ana e María Herrera, fica claro que elas tiveram de travar batalhas mais duras com pilotos que tinham medo de virar chacota, que eram visadas na pista como ‘ninguém quer perder para uma garota’. Essas batalhas destruíram garotas em campeonatos regionais. Saber que pode ser feito as torna mais fortes e talvez diminua os ataques e o bullying que elas às vezes sofrem. Do lado econômico, isso pode mudar donos de equipes e patrocinadores, que tinham medo de contratar pilotas por conta de suposições, chauvinismo ou simplesmente a critica de fãs homens”, concluiu. 

Pode ser que Carrasco só quisesse conquistar o título, mas a vitória dela significa muito mais
Tammy Gorali
FIM não vê motivos para separar homens e mulheres na motovelocidade
(Foto: DS Junior)

Movimento na contramão

 

Apesar da expectativa de transformação no cenário do esporte a motor, o mundo do automobilismo parece andar na contramão com a criação da W Series, uma categoria destinada unicamente a mulheres.

Equipe DS Junior merece elogios por dar uma chance a uma menina
(Foto: DS Junior)