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Interesse embrionário

Com a chegada da Toyota e da Argentina à Stock Car, o GRANDE PREMIUM foi descobrir se o país vizinho já procura mais informações sobre a categoria brasileira. Mas ainda é só o começo…

Este repórter ouviu, em 2018, algo que mantém na cabeça desde então: que, na Argentina, existem até 'vaquinhas' feitas por torcedores para que pilotos possam correr, principalmente no caso de cidade menores, que acabam se unindo em torno de um representante. Quem contou foi Esteban Guerrieri, então no Brasil para participar de uma etapa da Stock Car. 

"Se isso ocorre por lá, eles devem amar mito automobilismo", pensei. Mas qual o tamanho do fanatismo? Será que, de fato, as arquibancadas estão sempre lotadas, como dizem nos paddockas pelo Brasil quando os autódromo nacionais não enchem? Qual o nivel de acompanhamento dentro e fora da Argentina? Será que a Stock Car é conhecida?

Com a chegada da Toyota Gazoo Racing do país vizinho na categoria brasileira, o GRANDE PREMIUM então foi pesquisar sobre todas essas questões. Por exemplo: o Super TC 2000 e a Stock Car correrão juntos em Santa Cruz do Sul. A união existe, mas ainda é embrionária – inclusive nas impressões de quem vê de longe.

Matéria sobre a Stock Car na Revista Campeones (Revista Campeones)

Uma impressão já perceptível é a da cobertura em sites especializados da Argentina, como o 'Campeones' e o 'Carburando'. Ambos já divulgam matérias da Stock Car, mesmo que, em sua maioria, apenas sobre Matías Rossi – o argentino que ocupará um dos carros da Full Time em 2020, como companheiro de Rubens Barrichello no time principal da marca.

O 'Campeones', por exemplo, tem uma editoria específica para matérias sobre a categoria brasileira e, em sua revista física, publicou neste mês de março uma matéria sobre ela.

Nesta, aparecem aspas de Barrichello e também de Maurício Ferreira, o novo chefe de Rossi – que pilotará um Corolla da Toyota, marca que chega à Stock Car neste ano para dividir os carros com a Chevrolet e seu Cruze -, além de Néstor Girolami, que disputou a categoria em 2016 pela Eisenbahn.

O interesse já surge por meio da imprensa, mas ainda sem grande alcance nacional. Uma das esperanças, inclusive, é a de que ele aumente com os resultados de Rossi.

Matías Rossi no Super TC 2000, em 2019 (Matías Rossi, Full Time, Stock Car)

Girolami é um bom exemplo: foi apenas 22° em 2016, sem passar do oitavo lugar (duas vezes). Até hoje, é o único argentino a participar de uma temporada completa. Rossi fará isso em 2020, mas precisa ir melhor que o compatriota para que chame a atenção.

"Acredito que a chegada de Rossi vai fazer com que a imprensa fale da categoria, e isso fará com que o público também fale", disse ao GP Juan Manuel Cardozo, jornalista da 'Campeones'.

"Claro que isso vai depender dos resultados que ele conseguir. Se tem os mesmos que Girolami, por exemplo, não haverá muito interesse", seguiu.

Rossi foi escolhido a dedo pela Toyota para iniciar sua carreira internacional. Aos 35 anos, foi vice-campeão do Super TC 2000 no último ano, mas o melhor entre os carros da montadora japonesa. Foi campeão da categoria em 2013, além de ter vencido o TC 2000 em 2006, 2007 e 2011, além da Turismo Carretera em 2014.

Por isso, espera ser capaz de levar o nome da Stock Car ao seu país: "O que espero desta temporada é, primeiramente, aprender. Chego em uma equipe muito profissional, que é a Full Time. Tenho um conceito muito bom sobre o automobilismo brasileiro, sobre todos os pilotos, também sobre os de nível internacional, que correm fora e que correm aqui. Para mim será uma chance única graças à Toyota", falou o piloto ao GP

O conhecimento sobre o nível de pilotagem que os argentinos encontrarão por aqui é um assunto interessante. Rossi, por exemplo, cita algo que é bastante comentado no Brasil: como constantemente os carros andam com distâncias pequenas em treinos livres e de classificação.

"Sei que há um automobilismo muito forte, muito difícil, muito parelho – o tempo das corridas é muito parelho, é difícil andar bem e por isso é um desafio novo para mim e para o engenheiro. Um desafio novo e importante para minha carreira esportiva."

Saber se Rossi conseguirá se manter neste 'bolo' que anda no mesmo segundo é algo que Cardozo também destaca: "Tenho muito interesse nisso. Fiz uma matéria sobre a Stock Car e pude me informar muito sobre a categoria. No geral, vejo a mídia e o público ainda não têm tanta expectativa, mas se os resultados forem bons com certeza Rossi mudará isso para melhor."

 

Barrichello competirá por toda a temporada do Super TC 2000 (Rubens Barrichello e Matías Rossi (Foto: Toyota))

Uma das "uniões" Brasil & Argentina para esta temporada do automobilismo tem relação com um dos piltoso que mantém esse alto nível no Brasil: Barrichello. Ele competirá no Super TC 2000 pela Toyota por toda a temporada.

Será que esse passo é um granda na busca or fazer os argentinos olharem mais para a categoria brasileira? Para Cardozo, é mais fácil o contrário.

"Entendo que, na verdade, vai servir mais ao Super TC 2000, que nos últimos anos sofreu com vários incovenientes que fizeram com que o público diminuísse."

Parece a Stock Car, não é mesmo? Perda de público e arquibancadas, muitas vezes, com espaços vazios claros. Mas se um dia disseram a este jornalista que na Argentina sempre os autódromos estavam lotados, seria uma inverdade?

"Não sabia deste problema no Brasil. Na verdade, os autódromos argentinos poucas vezes estão cheios. E, em sua maioria, ficam cheios só no Turismo Carretera, a categoria mais antiga e popular do país. O restante, como o Super TC 2000, está muito longe de colocar o mesmo público que o TC. São poucas as vezes de autódromos tomados pelo público", explicou Cardozo

A 'Campeones', inclusive, conta o público oficial corrida a corrida, e Cardozo diz que apenas nas pistas de Buenos Aires, Alta Gracia e Santa Fe o público realmente comparece em grande número.

Ele enviou ao GP uma matéria de 2018 com o público das quatro principais categorias do país. O Super TC aparee em segundo, à frente do Turismo Nacional e da Top Race, mas distante da turismo Carretera. Veja abaixo: 

 

Gráfico com o público das principais categorias argentinas (Campeones)

Rossi espera, porém, encontrar uma torcida brasileira que lote arquibancadas: "O que espero do público é uma torcida entusiasmada, que acompanha a categoria em todos os autódromos, todos os circuitos para os quais a Stock Car vai."

"Assim espero desfrutar muito do público brasileiro. Acredito que, neste sentido, seja parecido com a Argentina, porque lá temos um público, uma torcida, como dize no Brasil, muito forte, que acompanha muito. Assim tenho as melhores expectativas para este ano", continuou.

Na Argentina, tal como no Brasil, o fã de automobilismo vive em um nicho – não é, nem de longe, o esporte principal. E, claro, quem gosta costuma ser fervoroso, mesmo que não em número grande. 

Por isso, o GP* questionou se esse amor do argentino não poderia passar ao brasileiro com essa junção de categorias e turismo. Não parece ser o caso – ao menos imediatamente -, segundo Cardozo. O motivo, aliás, é um bem conhecido no Brasil, e envolve a principal categoria do mundo.

"Não acredito. Me parece que o sentimento do brasileiro para com o esporte só vai mudar no dia em que o Brasil volte a ter um piloto competitivo na Fórmula 1."

"Vocês já haviam e acostumado com isso, algo que como argentino invejo", disse, entre risos. "Precisa, também, que a Stock Car passe a ser ivulgada nos principais veículos do país. Aqui o amor pelo automobilismo existe por tradição, por uma questao de geração, que vai passando a paixão pelo esporte do pai para filho. Por isso, também, é um nicho, é um ambiente fechado. Mas, bem, isso é outro tema…"

Assim, os argentinos descrevem seus objetivos em relação à novidade brasileira: para o piloto, aprender; para o jornalista, que o público aprenda.

"Bem, quero aprender muito com meus companheiros. Tenho companheiros de nível muito alto, como Rubens, como Nelsinho [Piquet], como Rafael [Suzuki], e assim tenho muita expectativa em aprender com eles e, obviamente, tentar, a cada corrida, fazer o melhor para ao final do ano estar competitivo", finalizou Rossi.

"Sinceramente, a Stock Car não é muito conhecida aqui. Só tem lugar nos jornais quando algum piloto participa a categoria, ou quando ela vem competir em Buenos Aires. Sem isso, não tem relevância, algo que acontece com qualquer categoria de qualquer outro país da América do Sul. Aqui os jornais se focam nas categorias locais e nas de caráter mundial", concluiu Cardozo.

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