Siga-nos

Conta-giro

Quero ser como Senna

Esteban Guerrieri é um argentino apaixonado pelo Brasil. Além de ter se realizado ao pilotar em Interlagos, revelou seu grande ídolo: Ayrton Senna. Vivendo o sonho de ser competidor profissional, contou ao Grande Premium como a vida o fez mudar os trajetos

Esteban Guerrieri: você já pode ter ouvido este nome antes. Piloto argentino, nasceu em Buenos Aires e carrega o sonho de viver de automobilismo desde que era bastante novo. O curso da vida o fez mudar e adaptar seus desejos, mas uma coisa é sabida: é apaixonado pelo que faz – e ainda faz muito bem.

Atualmente, disputa o WTCR, onde terminou a temporada 2019 com o vice-campeonato. Mas ao longo dos anos acumulou passagens nas mais diversas categorias como World Series, Indy Lights e até mesmo Stock Car.

Apaixonado pelo Brasil e com um ídolo bastante brasileiro – e mundial, por que não – conversou com o GRANDE PREMIUM e contou um pouco sobre sua vida de piloto e a jornada que tem trilhado nos últimos campeonatos.

Guerrieri tenta a sorte com os carros de turismo (Esteban Guerrieri (Foto: Reprodução))

O final de novembro vai ser um período que certamente vai ficar guardado na memória de Guerrieri. Disputando a última etapa da Porsche Endurance Series ao lado de Felipe Baptista, o piloto viu a grande oportunidade de realizar um sonho: pilotar em Interlagos.

Obviamente que o circuito paulistano fica no imaginário de diversos competidores por conta da larga história no esporte a motor e tantos momentos marcantes que guarda em suas 15 curvas. Entretanto, para o argentino, tem um motivo ainda mais especial: ser o “lar” de seu grande ídolo Ayrton Senna.

“Nunca havia corrido aqui. Já havia estado aqui para a Fórmula 1, mas nunca tinha tido a oportunidade de guiar aqui. Amo muito esta pista, tem muita história, aqui guiou meu ídolo Ayrton Senna. Para mim, o Brasil significa muito por Senna, pois meu objetivo sempre foi ser como ele desde pequeno”, conta ao GRANDE PREMIUM.

“Quando era pequeno o tinha como referência, quando tinha sete anos vi uma entrevista de Senna em que disse ‘para chegar à Fórmula 1 tem que saber inglês e saber computação’. Naquele momento pedi para minha mãe me colocar em um colégio bilíngue para aprender inglês. Senna sempre foi uma referência, um ídolo, e agora correr aqui é muito forte”, continua.

Guerrieri quando teve sua passagem pela Porsche Endurance Series (Esteban Guerrieri (Foto: Vitor Eleutério))

Entretanto, o esporte a motor pode ser traiçoeiro por muitas vezes e os sonhos que um dia estavam lá, no dia seguinte precisam ser mudados. E não foi diferente com Esteban, que sempre mirou a Fórmula 1, mas precisou trilhar um caminho diferente para conseguir viver daquilo que é sua paixão.

O competidor chegou a bater na trave da F1, mas precisou rumar até os Estados Unidos para ter nova oportunidade. Em 2011, assinou com a Sam Schmidt para fazer uma temporada na Indy Lights, categoria de acesso para a Indy. Ali ficou por dois anos, seis vitórias, 15 pódios e dois vice-campeonatos. Mas mais uma vez teve de mudar os planos.

“Fiz todo o caminho na Europa para chegar à Fórmula 1, cheguei a disputar a World Series, a categoria antes da F1 em 2010, e tinha uma boa oportunidade para entrar na Virgin em 2011. Precisava de dinheiro, mas como não consegui da Argentina, decidi ir para os Estados Unidos para correr na Indy Lights”, diz.

“Corri duas temporadas, fui vice-campeão e poderia ter ido para a Indy, mas de novo, precisava de dinheiro, não é fácil. Então decide voltar para a Argentina correr em carros de turismo. Faz parte desse esporte, que é um esporte muito caro. Acho que ser um bom piloto é importante, mas também ter uma boa equipe de trabalho, de patrocinadores, também é importante cada vez mais”, continua.

“A Indy fica mais profissional, então fica mais caro, então, é assim. O automobilismo é assim, tudo vai se renovando, os pilotos, as equipes, tudo, e tem que tentar se manter ativo o máximo possível, dentro do carro ou fora”, emenda.

 

E se Guerrieri é piloto de carros de turismo, tem no Brasil uma grande categoria: a Stock Car. Em 2018, o argentino chegou a disputar duas rodadas duplas, uma em Cascavel e outra em Londrina, conseguindo dois top-10 na época. E a vontade de fazer uma temporada completa, existe?

“Já corri duas corridas na Stock Car. Gosto muito da categoria, é uma categoria muito competitiva de pilotos, equipes, se trabalha em milésimos. É uma categoria muito linda e muito reconhecida aqui no Brasil, poderia fazer uma temporada inteira, gostaria muito, muito mesmo. E agora mudando o regulamento vai ser tudo novo para todos, então é algo interessante”, fala.

O argentino ainda deu uma dica de como integrar ainda mais o esporte a motor sul-americano. “Acho que seria importante ter uma categoria como o TCR, por exemplo, uma categoria latino-americana ou sul-americana, onde pudesse combinar diversos países como Brasil, Argentina, Chile, Uruguai. Há muita paixão pelo automobilismo, poderia criar uma categoria sul-americana para juntar todos os pilotos, todas as equipes, seria muito lindo, com certeza”, opina.

 

(Esteban Guerrieri (Foto: Fernanda Freixosa))

 

Por fim, Guerrieri falou de sua experiência correndo na Porsche Endurance Series. Em Interlagos, dividiu o carro com Felipe Baptista e logo conseguiu a pole-position. No final, a dupla do carro #444 cruzou a linha de chegada na décima colocação. Mas a experiência foi a melhor possível para o ‘hermano’.

“Eu me sinto muito confortável, muito ambientado, muito feliz. Gosto muito de estar aqui no Brasil, um país muito alegre, com as pessoas sempre muito felizes e também com todos meus amigos da Hero. E a respeito da Porsche me surpreendi com a organização do evento, é uma categoria monomarca e é apenas uma equipe”, destaca.

“Tem o Dener [Pires, promotor] e todo o seu pessoal fazendo todo esse evento para nós e para pilotos profissionais também. Então gosto muito porque é muito organizado, um evento sério, uma corrida séria, não é apenas um espetáculo. Gosto muito porque tem uma boa combinação muito boa de diversão, evento sério e muita competência”, encerra.

 

(Esteban Guerrieri (Foto: Vitor Eleutério))

Guerrieri durante passagem por Interlagos (Esteban Guerrieri (Foto: Luca Bassani))

Up Next:

Não narra mais

Você pode gostar:

Granado elétrico

© 1995 - 2020 - GrandePremio.com.br - Todos os direitos Reservados.

Connect