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Chegou a hora de incluir

O esporte a motor tem passado por contante evolução com o decorrer dos anos. Entretanto, ainda não abriu as portas totalmente para o diferente. E é pensando na inclusão e em ser a mudança na prática que o Racing Pride foi criado

A tendência do mundo é andar para frente. Em tantos aspectos do mundo, o esporte é um espectro que, aos poucos, tem começado a abrir mais as portas para o diferente, e o automobilismo segue a toada.

Mas mais do que apoiar, existem aqueles que querem ser a mudança. E foi dessa máxima que nasceu o Racing Pride, iniciativa que visa trazer atenção para a comunidade LGBT+ no esporte a motor. A ideia é promover a inclusão e colocar sob o holofote pilotos do movimento para inspirar aqueles que buscam modelos no esporte.

Idealizado e fundado por Christopher Sharp, jornalista de automobilismo, e Richard Morris, piloto profissional há pouco assumido, a iniciativa ainda engatinha, mas já tem conquistado seu espaço no cenário e reunido importantes nomes de embaixadores e parceiros.

Realista, mas ambicioso, o Racing Pride também tem como prioridade acolher e apoiar. E para entender o projeto, o GRANDE PREMIUM conversou com os co-fundadores que detalharam objetivos, conquistas e próximos passos.

Charlie Martin, Sarah Moore, Richard Morris e Abie Eaton, os embaixadores (Foto:
Daniel Bridle & The Silverstone Experience

O nascimento

Voltamos a 6 de junho de 2019. Esse foi o dia do lançamento do Racing Pride. Não à toa, a data escolhida foi no mundialmente conhecido mês do orgulho LGBT+. Entretanto, o sonho, a ideia e o trabalho começaram bem antes – anos antes.

“Tudo começou, ao menos para mim, quando o ex-piloto e vencedor de Le Mans na classe LMP2, Danny Watts, se assumiu em 2017. Sua história foi surpreendente e fiquei incrivelmente triste de que este homem, com esposa e um filho, sentiu que não poderia se assumir enquanto estivesse correndo”, explica Sharp ao GP*.

“Tinha medo de que isso afetasse as chances de conseguir patrocinadores e oportunidades. Isso me fez pensar ‘deve haver um lugar para as pessoas LGBTQ+ do esporte a motor’, deve haver uma organização para apoiá-los”, continua.

Watts, citado por Christopher, assumiu ser homossexual quando tinha 37 anos. Em duas temporadas completas no Mundial de Endurance, uma pela classe LMP1 e outra pela LMP2, conseguiu dois pódios. Entretanto, mesmo com bons resultados, na época, admitiu que sentia necessidade de esconder quem é pelo fato de o automobilismo ser um esporte masculino.

Christopher Sharp, um dos fundadores (Foto: Divulgação)

E Morris enfrentou situação semelhante ao do ex-piloto britânico. Sua carreira já havia começado, passando por diversas categorias do automobilismo inglês, mas demorou até se sentir confortável o suficiente para se assumir publicamente.

“Para mim, o ponto de virada que me levou ao Racing Pride foi em outono de 2018. Sabia que era gay fazia tempo e também estava com meu companheiro há alguns anos, mas não havia me assumido publicamente no automobilismo. Estava preocupado sobre como seria recebido. Não conhecia nenhum outro piloto gay e sempre senti pressão para me encaixar nos preceitos de como um piloto deve ser – a imagem normalmente vista em peças de marketing”, diz.

 “Em 2018, estava correndo no campeonato britânico da Fórmula Ford e, em novembro, testei um carro protótipo com a Spire Sports Car pela primeira vez. O teste foi realmente muito bom e assinei para correr com eles. Senti que era a oportunidade de um novo começo e queria ser eu mesmo. Ao mesmo tempo, a Stonewall do Reino Unido lançou uma campanha do Rainbow Laces [laços arco-íris, em tradução livre] em conjunto com outros esportes como futebol e rugby. Inspirado por isso, me assumi através das redes sociais – fiquei verdadeiramente apavorado, minhas mãos tremiam, mas senti que era o momento certo”, continua.

“Pensei que não poderia estar sozinho no automobilismo e pensei que seria incrível ter uma campanha semelhante no esporte, que nunca teve algo semelhante antes. Por sorte, Jon Holmes, do Sky Sports, viu meu posto nas redes sociais e me seguiu – percebi que ele estava envolvido com os Laços Arco-Íris e acabei mandando mensagem sobre isso”, completa.

Stonewall é uma instituição de caridade que visa ajudar lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros no Reino Unido. O nome foi dado por conta da Rebelião de Stonewall, que aconteceu em 1969, nos Estados Unidos. Na época, membros da comunidade LGBT fizeram uma série de manifestações contra uma invasão da polícia de Nova Iorque no bar que leva o mesmo nome, localizado no bairro de Greenwich Village, em Manhattan.

Richard Morris, um dos fundadores (Foto: Reprodução)

Com a ideia começando a nascer, os primeiros passos foram dados e as coisas começaram a acontecer quase que naturalmente. “Pensei sobre a ideia pela primeira vez em 2018 e depois, nos 18 meses seguintes, até consegui um amigo que brincasse e mostrasse como ficaria um protótipo de Le Mans com a bandeira do arco-íris ao lado. Então, em novembro de 2018, mandei mensagem para a Sports Media LGBT+, que é uma organização fundada por Jon Holmes”, fala Christopher.

“Sortudo que fui, ele me respondeu e me colocou em contato com Richard, que estava falando com ele no mesmo dia. A partir de então, Richard e eu nos engajamos em uma das conversas mais longas da história do Instagram. Jon também nos colocou em contato com Stonewall. Então, em janeiro, conversei com um editor da revista Autosport chamado Matt Beer, que ficou animado com a ideia e foi uma das nossas primeiras reuniões oficiais com Stonewall”, emenda.

Mais sobre o Racing Pride

Inclusão, apoio e um ambiente seguro podem ser palavras que começam a descrever o projeto. Mas, afinal, quase desenhando, quais os objetivos do Racing Pride? “Nós temos alguns principais objetivos. Um deles é simplesmente trazer atenção para as pessoas LGBT que estão no esporte a motor e fornecer modelos visíveis que fazem sucesso no esporte. Isso vai encorajar mais a participação das pessoas da comunidade, como também criar um ambiente em que mais pessoas se sintam bem para se assumirem”, explica Morris.

“Outro aspecto é trabalhar com as categorias, organizadores, e companhias do automobilismo para ver como podem criar uma cultura interna inclusiva, assim como promover nossa mensagem. Talvez o mais importante é que esperamos que nossas atividades possam ter um efeito na sociedade – o automobilismo tem um grande alcance, um grande número de fãs, e caso as pessoas vejam uma boa imagem de um piloto LGBT, torça para algum piloto da comunidade, então serão mais abertas a aceitar e tolerar LGBT em suas vidas. Caso sejam LGBT, podem se sentir orgulhosos de quem são”, emenda.

Christopher segue o discurso. “Concordo. Queremos atingir uma posição em que qualquer piloto, mecânico, jornalista ou qualquer um envolvido com o esporte que seja LGBT se sinta confiante em se assumir e existir sendo feliz. Queremos promover os pilotos que já se assumiram e ajudar a trazer atenção para eles e seus talentos, assim podem ser inspirações. Queremos criar uma comunidade com uma comunidade, um espaço seguro.”

Morris e Eaton representando o Racing Pride (Foto: Reprodução)

E com pouco mais de um ano de nascimento, o Racing Pride já reúne grandes nomes do esporte a motor como embaixadores. Mas diferente do que muitos podem pensar, não são apenas pilotos que estão envolvidos, mas pessoas de diferentes posições do esporte e da mídia.

“Realmente temos [pessoas incríveis]. Durante as conversas iniciais, tínhamos apenas dois embaixadores, Richard Morris, é claro, e Nick Reeve [um jovem piloto gay da Copa Clio]. Charlie Martin concordou em se tornar uma embaixadora pouco depois – já tinha ligação com a Stonewall e se tornou Campeã Esportiva Stonewall. Depois, Matt Bishop, um jornalista de automobilismo extremamente experiente e diretor de comunicação trabalhando com a W Series, veio; depois, perguntou se Sarah Moore queria se juntar também. Lembro-me que em fevereiro ou março nos perguntamos quem mais gostaríamos que se juntassem a nós”, fala Sharp.

“Mencionamos Abbie Eaton [estrela do programa The Grand Tour, vencedora de corridas de GT], mas não queríamos ser tão ambiciosos antes de lançarmos o projeto. Nós nos sentimos muito sortudos de tê-la como embaixadora agora – se juntou em novembro do ano passado. Temos alguns que não são pilotos também, como Thierry Courtois [que trabalha na Fórmula E], que fez todo o trabalho da logo e do site, Oliver Warman, Josh Bennett. Nos eSports, temos Cammie Sturch – uma transgênero bastante talentosa que corre na equipe oficial da Ford, a Fordzilla”, completa.

Atualmente, são 14 embaixadores do projeto. Além dos quatro pilotos reais e um do automobilismo virtual, há jornalistas, fiscal de pista, produtor de vídeo, designer criativo, e até mesmo secretário de competição. O leque, portanto, é variado.

E o apoio que tem recebido desde o nascimento tem sido fundamental para seguir com o programa. Inclusive, Christopher falou sobre a mentalidade que pretende seguir com o Racing Pride: ser sempre positivo e ignorar quem tenta os colocar para baixo.

Racing Pride marcando presença em um Bentley GT3 (Foto: Reprodução)

“Como uma organização, não recebemos muitas críticas com exceção de pouquíssimas pessoas nas mídias sociais que não entendem o motivo disso ser necessário. Caso alguém nos critique online ou questione nossa existência, normalmente tem quem nos defenda. Acho que isso mostra que as pessoas na comunidade, e fãs de automobilismo, apoiam nossa causa. Temos a política de nunca responder comentários negativos ou sermos negativos com nós mesmos. Gostamos de ter uma campanha de positividade porque a Racing Pride é sobre ser positivo”, sublinha.

E Richard reforça as palavras do colega. “Recebemos muito apoio e isso tem sido incrível. Claro, sempre soubemos que algumas pessoas são homofóbicas, bifóbicas, transfóbicas, mas nunca deixei isso me atingir – quando as pessoas expressam essa visão, mesmo que direcionadas a mim, não é sobre quem sou como pessoa, é sobre o que acreditam e apenas não concordo. Os únicos comentários negativos sobre o projeto de pessoas do meio são daqueles que ficaram na defensiva achando que estávamos atacando de alguma maneira”, diz ao GP*.

“Absolutamente não estamos atacando o esporte a motor. Amamos o esporte e acreditamos que a grande maioria das pessoas são ótimas e com grandes valores. Racing Pride não é sobre criticar o esporte, é sobre dar ao esporte uma oportunidade de demonstrar como é receptivo agora e que quer ser aberto para todos. É sobre encorajar mais pessoas no esporte”, continua.

A inclusão no esporte a motor

Mas mesmo que o automobilismo tenha passado por evolução com o passar dos anos, Christopher ainda não vê o esporte tão aberto e incluso quanto gostaria. “Diria que não mudou muito desde que o automobilismo e as corridas começaram. Houve pilotos que se assumiram como Mike Beuttler e Roberta Cowell, mas, novamente, há diversos pilotos que têm sido LGBT, mas não se assumiram até se aposentarem como Hurley Haywood e Danny Watts”, pontua Sharp ao GP*.

Richard, que demorou até se sentir confiante para se assumir sendo piloto profissional, ainda não vê a situação do esporte tão diferente quanto em seus anos inciais, mas espera fazer parte da mudança. “Concordo com Chris. Ainda é muito difícil para as pessoas se sentirem capazes de se assumirem no esporte, normalmente só se sentem bem fazendo isso quando se aposentam. Claro, esperamos mudar isso”, sublinha.

Membros do Racing Pride marcando presença no Campeonato Britânico de GT (Foto: Reprodução)

“Quanto mais abertas as pessoas LGBT forem no esporte, e mais visíveis forem em termos de mídia, mais fácil vai se tornar para os outros. Realmente acho que algum progresso tem sido feito – em muitos países, atitudes contra pessoas LGBT estão melhorando de forma significativa e as novas gerações, que são o futuro do automobilismo e da sociedade, são um grupo muito mais receptivo. De fato, acredito que os jovens consumidores querem ver o esporte que apoiam, assim como as companhias que produzem o que compram, refletindo seus valores progressivos”, segue.

Quando se para e analisa o cenário do esporte a motor mundial, é inegável dizer que ainda é predominantemente masculino. Para se ter uma ideia, até Susie Wolff participar dos treinos livres do GP da Inglaterra de 2014 foram 22 anos sem uma mulher em fim de semana de corrida da F1. Giovanna Amati havia tentado se classificar em 1992. A disputar uma prova é ainda mais distante: Lella Lombardi, em 1976.

“Essa é a triste verdade. A imagem do automobilismo desde a Segunda Guerra significa que, no geral, ainda é percebido como um esporte dominado por homens. Se é pouco receptivo? Depende de sua perspectiva. Em termos de mulheres há um ponto, se voltar nos anos 1930, quando o esporte a motor era bastante aberto e tinha mulheres correndo e batendo homens em corridas longas em lugares como Brooklands Monthelery. Infelizmente, isso não durou após a Segunda Guerra”, opina Christopher.

“Em termos de diversidade racial, o automobilismo também tem um longo caminho a percorrer. Há poucos pilotos pretos na F1 como Lewis Hamilton e Willy T Ribbs [que testou um carro], o que é uma pena e espero que mude no futuro. Nesse sentido, o esporte tem sido pouco receptivo se você não for um homem hétero branco. Entretanto, o Racing Pride, junto com outra organização incluindo nossos parceiros na W Series, está trabalhando para mudar isso, devagar, mas com a certeza de que faremos todos se sentirem bem recebidos no esporte independente da sexualidade, raça, gênero ou deficiência”, completa.

“O automobilismo certamente tem um problema de imagem em termos de diversidade – é justo dizer que houve um longo período na segunda metade do século 20 em que o esporte foi promovido de uma maneira que era focado na masculinidade bastante tradicional. Muitas imagens de marketing focavam em pilotos sendo irresistíveis e glamorosos para as mulheres. Claro que houve poucos pilotos ao redor do mundo que eram minorias. Isso certamente teve um legado em termos das pessoas vendo o esporte sendo para elas – é muito mais difícil imaginar você mesmo fazendo algo que não viu ninguém semelhante fazer”, emenda Morris.

Thierry Courtois, design criativo na Mahindra, na FE (Foto: Reprodução)

“Mas acho que já começamos a ver a mudança com o trabalho não só do Racing Pride, mas também da W Series [que está fazendo um ótimo trabalho em promover as pilotas]. E ter Lewis Hamilton como um campeão de Fórmula 1 certamente encorajou mais pessoas de etnias minoritárias a entrarem no esporte. Como disse antes, o Racing Pride acredita que a vasta maioria das pessoas no esporte agora é tolerante com valores positivos e o projeto é uma oportunidade para o esporte expressar isso e se livrar da imagem de ser pouco receptivo”, completa.

Inclusive, Richard admite ter sofrido na pele a intolerância e o preconceito que o automobilismo pode trazer. O piloto conta que já enfrentou xingamentos e ofensas homofóbicas ao chegar em autódromos para correr. “Na maior parte, não tenho certeza se o tratamento era diferente porque era gay, mas minha experiência no esporte definitivamente foi diferente, pois estava preocupado sobre como seria tratado caso me abrisse com as pessoas. É difícil explicar para as pessoas, mas é difícil esconder quem você é o tempo todo – falar sobre seu parceiro sem mencionar o nome ou o gênero, por exemplo”, conta.

“Não foi fácil me assumir, pois estava preocupado que não iria me encaixar com a imagem que pensam ser a de um piloto. Estava preocupado que as equipes não iriam me querer como piloto e que os patrocinadores não iriam me apoiar por ser abertamente gay, pois seria uma imagem diferente das normais. Normalmente, ouvi pessoas usarem linguagem homofóbica nos circuitos – talvez não quisessem ser ofensivos, mas tornou muito mais difícil de me assumir. Depois que me assumi publicamente, algumas pessoas que me conheciam sabiam que eu era gay, mesmo quando estava correndo de kart quando adolescente. E uma vez, enfrentei homofobia direta – cheguei para uma corrida e havia abuso homofóbico escrito no meu kart. Esse incidente tornou muito mais difícil sentir que poderia me assumir publicamente, por isso demorei até conseguir”, emenda.

Mais de Richard Morris

Nascido no Reino Unido, Richard começou relativamente tarde no esporte a motor – já tinha 12 anos. Apesar de já ter o amor pelo automobilismo na família, pensou em seguir no esporte como profissão apenas quando foi convidado para a festa de aniversário de um amigo. Na pista de kart, mostrou habilidade e a partir de então, começou a perseguir o sonho.

“Meu pai costumava assistir muitas corridas quando eu era mais novo e havia muitas conversas sobre o esporte – era um fã dedicado da Fórmula 1 e tinha sido mecânico de meu padrinho quando corria em monopostos. Eu amava assistir corridas e era bastante inspirado pelo meu herói de infância, Michael Schumacher – a maneira que corria, raramente cometendo erros e vencendo com tanta vantagem”, conta.

“Entrei no esporte por acaso, quando um amigo deu uma festa em um kart aos 12 anos – tive a volta mais rápida da competição e, de alguma maneira, venci mesmo nunca tendo pilotado antes. Fiquei animado e uma coisa levou a outra. Em dois anos, meu pai me comprou um kart e estava indo comigo a corridas para ser meu mecânico junto com meu padrinho, o que foi muito legal. Sempre quero melhorar, ser mais veloz, melhorar cada vez mais”, completa.

Sua carreira começou em 2009, competindo nos karts, onde ficou até 2016 – conseguiu inúmeros pódios, além de dois vice-campeonatos e um terceiro lugar em campeonatos britânicas. Em 2017, fez sua estreia nos carros competindo na Fórmula Ford 1600 Castle Comb, alcançando oito poles e quatro vitórias em nove corridas. Atualmente, está na RGB Sports 1000.

Entretanto, nem sempre a situação para Morris foi fácil. Em seus 15 anos de caminhada no esporte, encontrou barreiras, especialmente as financeiras. Apesar de sempre conseguir extrair o máximo de seus equipamentos, reconheceu que a falta de dinheiro já lhe tirou oportunidades melhores.

“É extremamente difícil tentar construir uma carreira no automobilismo. Não é apenas talento, mas também é precisa a oportunidade. É necessário muito dinheiro e apoio financeiro de patrocinadores, o que pode ser bastante difícil de atrair em níveis mais baixos. Precisa também da chance de pilotar com as melhores equipes com os melhores equipamentos. Às vezes, na minha carreira, tive de fazer o máximo sem o dinheiro ou equipamento”, diz.

“Por exemplo, em 2018, pilotei na Fórmula Ford britânica e consegui terminar minha classe na segunda colocação com quatro vitórias e alguns pódios, mas durante a temporada tive de perder sete das 23 corridas – cinco porque não tinha dinheiro para ir e duas porque meu motor estourou e não tínhamos dinheiro para um reserva. Felizmente, você pode descartar algumas etapas, então só tive alguns abandonos. Mas, sem dúvida, a falta de orçamento me tirou a oportunidade de brigar pelo título”, continua.

“Agora piloto para a Spire Sports Cars o que é fantástico – me dão muito apoio e ajuda e me fornecem um equipamento de ponta. Tive um ótimo período com eles ano passado – terminei a temporada com oito pódios de 14 corridas e fui o vice-campeão em meu primeiro ano correndo em carro esportivo. Quando voltarmos após o coronavírus, espero brigar pelo título. Ainda, para dar o próximo passo em minha carreira e continuar no nível mais alto, vou precisar encontrar patrocinadores para me apoiarem”, completa.

Richard Morris (Foto: Reprodução)

Mas animado com o que já conquistou até o momento e a atual fase do Racing Pride, começou a traçar planos para o futuro. “Agora, as mídias sociais e o aspecto de atenção são cruciais – manter nossa comunidade unida em um momento em que as pessoas estão se sentindo isoladas. Nos bastidores, estamos desenvolvendo alguns projetos para quando voltarmos a correr também, incluindo orientações sobre como as pessoas podem ser boas aliadas da comunidade LGBT. Pessoalmente, tive um treinamento online com nossos colegas da Stonewall UK para aprender mais sobre como posso ajudar nossos parceiros da Racing Pride a pensar sobre diversidade e inclusão”, destaca.

“A longo prazo, queremos expandir o número e alcance dos parceiros que trabalhamos junto para incluir todas as formas do esporte a motor. Até o momento, já temos parceiros que representam 90 categorias diferentes do automobilismo britânico, o que é incrível considerando que temos um ano. Mas queremos trazer todo o esporte a motor junto. Parcerias internacionais seriam animadoras também. Claro, para fazer isso acontecer precisamos de apoio e financiamento para nossas atividades, então, estamos trabalhando duro para tentar encontrar isso [somos gratos por qualquer oferta de ajuda]”, emenda.

Como ajudar?

Mas, diferente do que muitos podem imaginar, apoiar o projeto e a comunidade não é algo exclusivo a quem é LGBT+. Sharp, inclusive, explica que apenas espalhar a palavra do Racing Pride nas redes sociais já é de grande ajuda.

“A maneira mais fácil de mostrar apoio é nos seguir nas redes sociais e ajudar a espalhar nossa mensagem. [@racingprideuk on]. Pode não parecer muito, mas é importante. Quanto mais pessoas fizerem isso, mais apoio visível terá para as pessoas LGBT do automobilismo”, aponta.

Racing Pride (Foto: Reprodução)

“Então, vamos começar com a cultura do esporte mais inclusivo. Claro, caso alguém queira se juntar a nós na posição de parceria ou nos ajudar financeiramente, gostaríamos de ouvir também – basta entrar em contato pelo nosso site – racingpride.com”, continua.

Inclusive, em seu portal, o Racing Pride lançou, em inglês, um guia explicando passo a passo de como ser um aliado na luta LGBT+ mesmo se você não se identifica como um. O documento explica cada sigla da comunidade, termos, além de oferecer dicas de como ajudar e coisas a se evitar. Você pode acessar aqui.

Uma última mensagem

Por fim, uma mensagem de incentivo foi deixado pelos fundadores. “As coisas estão difíceis no momento com a pandemia da Covid-19 e queremos que as pessoas saibam que, como organização, estaremos aqui para eles. Fora da Covid-19, nossa mensagem é que vamos continuar a trabalhar na inclusão do LGBT+ na comunidade do automobilismo através de uma campanha positiva”, encerra Sharp.

“Para qualquer pessoa LGBT que já tenha se assumido ou ainda não, apenas quero dizer que você não está sozinho – há uma ótima comunidade para te apoiar, então basta se aproximar. Para todos aqueles que nos apoiam, e todas as pessoas que não são LGBT, mas que apoiam aqueles que são, quero dizer muito obrigado – não seríamos capazes de fazer o que fazemos sem vocês”, conclui Morris.

Sarah Moore, Richard Morris, Charlie Martin e Christopher Sharp (Foto: Reprodução)

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