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Diários de motovelocidade

Fausto Macieira vive novo ciclo profissional desde janeiro deste incomum 2020 após a saída do Grupo Globo. A saudade grita forte quando o carioca de Botafogo fala do “irmão de alma” Guto Nejaim, mas, em meio à preocupação com a pandemia, garante: “Pretendo seguir brigando por mais espaço para o motociclismo”

Fausto Macieira
Fausto Macieira em Tavullia, Itália, terra de Valentino Rossi (Foto: Arquivo Pessoal/Fausto Macieira)

Fausto Macieira tem uma história que se relaciona com a moto desde o nascimento. O carioca veio ao mundo em 27 de julho, Dia do Motociclista. A relação de amor pelas duas rodas começou cedo. Com 13 anos, trabalhou em uma loja de motocicletas. Desenvolveu tanto gosto pela coisa que passou a acelerar. “Andava razoavelmente bem”, conta. Foi até campeão carioca de motocross em 1980 na classe 250cc (hoje, MX1 ou MXGP), mas, insatisfeito com a falta de notícias a respeito da modalidade no país, correu atrás de espaço. Encerrou sua carreira nas trilhas aos 30 anos, mas não deixou a paixão de lado. Ao mesmo tempo em que chegou a ter sua própria loja de acessórios, Fausto conseguiu abrir uma porta importante ao escrever para jornais como o extinto Última Hora e também a revista Manchete Esportiva, nos anos 1970. Muitas vezes a custo zero, somente para divulgar a modalidade.

A atuação na mídia impressa tornou Macieira um nome bastante conhecido no meio. Nos anos 1980, foi convidado por João Mendes, um dos nomes pioneiros do motociclismo na TV, para falar sobre motos no quadro Bike Show do programa Espaço Motor, que era transmitido pela CNT. O garotão teve de driblar um adversário antigo para se dar bem na nova fase da carreira: a timidez.

Com a oportunidade, Fausto aprendeu as manhas ao trabalhar na frente e atrás das câmeras e recebeu a oportunidade de cobrir vários eventos da motovelocidade no Brasil e no exterior. O trabalho de Macieira para divulgar as mais variadas modalidades sob duas rodas chamou tanto a atenção que rendeu um convite do canal por assinatura SporTV, vinculado à Globo, para fazer alguns freelancers. O comentarista estreou em 1995 numa transmissão de corrida de speedway no gelo e agradou. Passou a ser integrante fixo da emissora, que exibia provas do Mundial de Motovelocidade no seu braço esportivo.

Além de atuar nas transmissões do Mundial, Fausto também era escalado para outras coberturas relacionadas à motovelocidade: Rally dos Sertões, Rali Cerapió (ou Piocerá, dependendo do local de partida), Six Days Enduro e tantas outras. Dividiu a cabine do SporTV muitas vezes com o narrador Sérgio Maurício e comentou triunfos importantes de Alexandre Barros, nome mais importante do Brasil no motociclismo.

Fausto Macieira
Fausto Macieira em ação em 1978 (Foto: Arquivo Pessoal)

Até que, em 2009, passou a fazer dupla com alguém que se tornaria muito mais que um amigo, mas “um irmão de outras vidas”: Guto Nejaim.

Juntos, Fausto e Guto formaram uma parceria que marcou época nas transmissões do Mundial de MotoGP. Os dois foram as vozes de grandes conquistas de Valentino Rossi, Casey Stoner, Jorge Lorenzo e Marc Márquez. Viajaram muito e compartilharam momentos para sempre. E também trazem na lembrança alguns fatos marcantes, porém tristes, quando tiveram de noticiar as mortes trágicas de Marco Simoncelli, Shoya Tomizawa e Luis Salom.

Mas a dupla foi desfeita, ao menos na telinha, depois de 11 anos de parceria. Em meados de janeiro, o Grupo Globo anunciou que não renovaria com a Dorna, empresa que promove e organiza o Mundial de Motovelocidade, o acordo de transmissão das provas. Fausto e Guto deixaram a emissora do Jardim Botânico. Para Macieira, foi o fim do ciclo de um quarto de século.

Só que o tempo não para, e é preciso seguir em frente, sempre. Perseverante como o seu Botafogo, Fausto reativou seu canal no YouTube, o Mundomoto, e continua a acompanhar e a interagir com o público fiel que cativou durante tantos anos na TV, nas revistas e nos jornais. A preocupação com a pandemia do novo coronavírus faz com que as saídas com sua amada moto sejam raríssimas neste período. Mas Macieira não perde a esperança: “Vai passar”.

Em entrevista exclusiva ao GRANDE PREMIUM, o apaixonado pelas duas rodas fala sobre como tem sido a vida longe da TV e sem as transmissões da MotoGP, da saudade do amigo que virou um irmão, as perspectivas para o futuro na carreira, o que espera do mundo pós-pandemia e detalhes de como surgiu o bordão que virou sua marca registrada.

Um novo começo de era

“A decisão de não renovar o contrato para o Mundial foi da TV. A gente não tem o que discutir. Saí de lá, o Guto saiu, ele foi morar em Portugal… Tínhamos alguns projetos, inclusive para fora do país. Mas aí veio aquela nuvem de gafanhoto invisível, e as coisas pararam, o país parou, a economia parou. A prioridade é a vida humana, então as pessoas tiveram de se adaptar, e a gente não foge do normal. As oportunidades diminuíram, e isso foi para todos os segmentos”, explica Fausto.

No mundo de hoje, é fundamental seguir no radar, ver e ser visto. Desde a saída do Grupo Globo e recluso em razão da pandemia, Macieira trabalha em casa, amplia os números do seu canal no YouTube e se comunica diariamente com seu público. É a sequência da carreira do comentarista.

“Tinha um canal que quase não usava. Acionei esse canal, até mesmo para manter o fluxo de notícias, colocar as coisas que acho interessante, como sempre fiz na TV, em revistas, em jornais… Tive várias participações em veículos de comunicação e continuo tendo. Agora, o meio de comunicação no momento são as redes sociais”, conta. “Faço trabalhos específicos para algumas empresas do setor, faço divulgação de produtos. Mas o que estou gostando é de poder falar diretamente com o público”, ressalta.

Assim como foi o começo da sua carreira na imprensa, Macieira tem em seu canal a chance de falar mais sobre um assunto que lhe é muito caro. “Tenho procurado divulgar um pouco mais o motociclismo nacional, que é muito mais difícil de divulgar que o internacional porque as pessoas envolvidas fazem pelo prazer e não fazem tanta questão de ter visibilidade porque não pretendem ser profissionais, ao menos a maioria delas. Então, também procuro valorizar as competições nacionais”.

“Mas tudo isso que a gente pretende fazer acabou sendo atropelado pelas circunstâncias. Meses sem poder sair de casa, seguimos com restrições de mobilidade, precauções extras, e tudo isso interfere na vida das pessoas. Mas espero que isso passe. E vai passar”, torce.

O irmão de alma

Quando questionado se já sente saudades das transmissões, Fausto lembra o fato de que o Mundial, que agora tem a Fox Sports como detentora dos direitos para o Brasil, teve apenas uma corrida realizada, em março, no Catar, e sem a presença da MotoGP. “Ainda não deu tempo… Na verdade, só houve uma transmissão, e ainda parcial, sem a MotoGP e só com as classes de acesso”.

O comentarista sente mesmo falta do dia-a-dia no canal e, principalmente, do amigo que se tornou um grande irmão. “Dá saudade dos amigos, saudade do convívio, especialmente com o Guto, com quem trabalhei mais de dez anos juntos”.

Guto Nejaim e Fausto Macieira
Guto Nejaim e Fausto Macieira na cobertura do Mundial de MotoGP em Austin, nos EUA (Foto: Arquivo Pessoal)

Sobre Nejaim, Macieira ressalta as qualidades do narrador, que hoje vive no Porto. “Conheci o Guto na TV. Os narradores, na maior parte das vezes, fazem vários esportes. Eu só faço moto e rali, mas principalmente moto. O Guto tem uma forma de narrar que admiro porque é muito entusiasmada, e ele tem uma voz muito boa. É um cara que se interessa, se prepara, estuda, ensaia o hino da Itália para cantar na hora da vitória do Rossi… Ele tem um lado de energia, de dinamismo, que valoriza o evento, ainda mais um evento desse tamanho. Imagina, cara, são três horas e meia de treino. Se você não souber o que falar, fica uma coisa arrastada. A transmissão no domingo era de quatro horas; três categorias, e um intervalo entre a Moto2 e a MotoGP”, pontua.

“A gente criou uma sintonia rara. Viajamos muito. E, na maioria das vezes, éramos só nós dois e mais ninguém. A gente fazia produção, reserva de hotel, aluguel de carro, errava o caminho, voltava, parava no pedágio, trocava dinheiro… Ficamos várias vezes no mesmo quarto [risos], então isso dá um entrosamento muito maior. E agora ele está a, sei lá, uns 10 mil km de distância, lá em Portugal, mas a gente se fala com muita frequência”, diz Fausto.

Recentemente, Guto anunciou a sua contratação pelo serviço de streaming DAZN, plataforma que detém os direitos de transmissões de várias competições, entre elas o Mundial de Superbike e a Indy.

“Torço muito por ele. Ele tem muito potencial em qualquer esporte, mas ele encontrou um espaço para reconhecimento dentro do motociclismo. A gente fazia um bom contraponto entre emoção e razão, e isso era bom. Vou sentir saudades quando começar o campeonato, eu aqui na minha casa e ele na dele. Mas tudo na vida é cíclico, e vamos ver o que vem por aí. Tenho confiança de que virão coisas boas, ainda que 2020 esteja sendo bem adverso e sombrio”, afirma.

Ao ser questionado sobre uma possível reedição da dupla com Guto, agora no DAZN, Macieira tem pouco a dizer. “Não tenho nada certo em relação a isso. Não tenho nenhuma informação neste momento”, garante.

Quando se fala do grande momento que viveu na TV ao lado de Nejaim, Fausto não tem dúvida em apontar a primeira transmissão ‘in loco’ ao lado com o amigo na MotoGP. E foi logo na frenética decisão de título do Mundial no Autódromo Ricardo Tormo, em Valência, em 2013.

A dupla marcou época na transmissão do Mundial de Motovelocidade pelo SporTV (Foto: Arquivo Pessoal)

“Todos os momentos são marcantes. Mas quando comecei a trabalhar na TV, a única etapa que a gente fazia ‘in loco’ era no Rio de Janeiro. Porque era perto. A gente não tinha orçamento para viajar. Já tinha saído para o exterior para outros convites, para revistas, mas não pela TV. Em 2013, a gente fez a primeira cobertura de uma final do Mundial. Foi um momento muito importante para nós e, para mim, foi o melhor fim de temporada que já vi na vida. E não foi na MotoGP, mas na Moto3, quando o Maverick Viñales ganhou o Mundial na última curva e na última volta”, relembra.

“O motociclismo, como tudo na vida, mas especialmente o motociclismo, dá grandes alegrias, mas também dá tristezas gigantescas. Como foi a perda do Salom, como foi a perda do Simoncelli… Mas acho que o momento mais marcante com o Guto foi a primeira vez que a gente fez a transmissão em Valência, com a vitória apoteótica do Maverick Viñales, com o título do ‘Baby Champ’, o Marc Márquez, e a gente testemunhou isso de dentro do autódromo, na cabine de transmissão, fazendo reportagem… Acho que esse foi o grande momento da nossa parceria”, acrescenta.

No coração do fã

A notícia da saída de Fausto e Guto dos canais SporTV provocou uma verdadeira comoção nas redes sociais. Foram milhares as mensagens de fãs que lamentavam o fim de uma das duplas mais emblemáticas da cobertura televisiva de esporte a motor nos últimos anos. Na visão de Macieira, a reação reflete que os profissionais alcançaram o coração das pessoas.

“Tenho a consciência de ter ajudado o motociclismo a se fortalecer. Procurei fazer e continuo procurando todos os dias melhorar o esporte que admiro. Admiro o motociclismo de uma forma especial. E a gente teve essa consciência, Guto e eu, com as brincadeiras de ‘mandar a foto’, ‘chamar a sogra’… Os bordões… Era engraçado, era uma coisa que animava as pessoas. Ele é um cara muito animado. Para onde for, ele vai levar essa marca”, ressalta.

“O motociclismo acrescentou para ele e ele acrescentou para o motociclismo, então é uma troca. Uma troca justa e frenética para todas as partes: para ele, para mim, para o público, para o motociclismo, para a própria TV”, complementa o jornalista, que só lamenta o fato de a modalidade ainda não ter o espaço merecido na mídia.

“O futebol meio que toma conta do orçamento e da programação de forma meio asfixiante em relação aos outros esportes. Admiro, por exemplo, a Itália, a Espanha, a França, a Inglaterra, Austrália, Estados Unidos, que têm um destaque no futebol, mas o futebol não abafa outros esportes. Gostaria que isso acontecesse aqui. Inclusive, nem no futebol somos a referência mais. Acho que o espaço deveria ser mais democrático”, diz.

“Concordo que é uma coisa popular, que todo mundo pode praticar, mas acho que, nessa fase com as novas mídias, vamos ter mais espaço para outros esportes, e isso é uma coisa boa de maneira geral, para o público, para atletas e para a imprensa. Quando a gente puder ter público novamente, quando a gente puder ter imprensa presente. Estamos passando por uma coisa meio ‘praga do Egito’, mas é algo temporário e que vai passar”, confia.

Um bordão para a vida

Décadas atrás, quando começou a escrever sobre motovelocidade, Fausto buscava uma espécie de marca registrada nos seus textos e que tivesse sua cara. Foi assim que teve a ideia de usar uma expressão conhecida no meio.

“Rapaz, isso foi há muito tempo. Eu corria de motocross. E andava razoavelmente bem, especialmente no campeonato carioca. E comecei a escrever porque ninguém escrevia sobre o assunto. Consegui escrever colunas em jornal como pseudônimo, depois passei para outro jornal, e queria fazer um ‘fecho’ no texto. E ‘Braaaaap’, uma onomatopeia, é o esperanto, compreensível em todas as línguas, é universal”.

“Uma vez, fui em um evento do Six Days Enduro, que teve no Brasil e foi a única vez que fui. E a organização, com os fiscais de pista, eram todos da República Tcheca. Eu queria atravessar a pista, e o cara não deixava [risos]. Tentava falar em inglês, ‘do you speak english’, e nada… E aí fiz o ‘Braaaaap’, e o cara entendeu, deixou passar!! E aí ficou uma marca que eu gosto, que é fácil de entender”, se diverte Fausto.

Marc Márquez e Fausto Macieira
Marc Márquez e Fausto Macieira fazem o braaaap em São Paulo (Foto: Arquivo Pessoal)

Macieira lembra que há até um ritual para declamar o bordão. E ri quando, em uma das entrevistas que fez com Valentino Rossi, viu o ‘Doutor’ imitá-lo, ainda que não do jeito certo…

“Tem o áudio e tem o vídeo. E tem de ser com a mão direita! Teve uma vez em que fui entrevistar o Rossi. Tive a chance de entrevistá-lo algumas vezes, é um dos melhores para entrevistar. E após uma entrevista longa, ele estava à minha esquerda, e aí fiz o ‘Braaaaaap’ com a mão direita, e ele fez também, mas com a mão esquerda [risos]. E a gente brincou sobre isso. E ele lembra disso!”, conta o jornalista.

Ao longo da sua passagem pelo SporTV, Macieira teve a oportunidade de entrevistar muita gente. O comentarista lembra quem era mais aberto a falar e, em contrapartida, quem não gostava tanto dos microfones.

“Tem pessoas que são mais fáceis e outras mais complicadas. Tem pilotos que gostam mais de falar, então assim é mais fácil. E outros são mais introvertidos, mas é normal, porque o cara é pago para pilotar e ganhar, não para falar. Mas quando se trata de um bom comunicador, acho que o salário dele até aumenta [risos]. O [Mick] Doohan, por exemplo, não gostava de falar, o [Casey] Stoner não gosta de dar entrevista. Mas como eles sabem que você é uma ligação com o público, então há uma certa dose de paciência. Como íamos a poucas etapas, então tínhamos de aproveitar a oportunidade para fazer um material que pudéssemos usar por muito tempo”, descreve.

Valentino Rossi e Fausto Macieira
O ‘Doutor’ e Fausto em uma das tantas entrevistas nos últimos anos (Foto: Arquivo Pessoal)

“As nossas entrevistas eram um pouco maiores do que de jornalistas que acompanhavam o Mundial inteiro. Acho que, diferente da F1 e também do futebol nesse aspecto, de ter de falar com assessor de imprensa e tal, no motociclismo, ao meu ver, são mais espontâneas, mais sinceras, mais acessíveis. Valentino Rossi é um, Marc Márquez é uma simpatia… É uma outra coisa boa do motociclismo, essa autenticidade, a espontaneidade, e isso para mim tem um valor muito grande”, opina.

A vida durante a pandemia e o mundo pós-coronavírus

Prestes a completar 64 anos, Macieira faz parte do grupo de risco, ou seja, das pessoas que têm possibilidades maiores de sofrer consequências graves caso sejam infectadas pelo Covid-19. Com senso de sobrevivência, Fausto praticamente não sai de moto e se desloca somente para as situações essenciais.

Preocupado com as consequências da pandemia de um novo coronavírus que já infectou mais de 1,4 milhão de brasileiros e ceifou cerca de 60 mil vidas, o carioca ressalta a importância do SUS, o Sistema Único de Saúde, e o esforço de médicos e enfermeiros que estão na linha de frente.

“É uma situação difícil de avaliar. Acho que uma das primeiras avaliações, que foi muito bem feita, foi da Angela Merkel [chanceler da Alemanha desde 2005]. Ela disse, no início de março, que esta seria a maior crise mundial desde a Segunda Guerra. E ela tem razão. É uma situação que a gente nunca viveu, não sabemos como proceder, não temos vacina, não temos remédio… Então, é uma coisa muito complicada, especialmente aqui no Brasil, que é enorme, que tem realidades muito diferentes”, diz.

“O Sul é completamente diferente do Nordeste, do Centro Oeste, do Norte. É muito difícil para organizar, e falta dinheiro. Espero que a gente consiga controlar essa curva e superar essa situação adversa. O SUS é um sistema espetacular, exemplar, na teoria. Nosso sistema de saúde, ao contrário dos EUA, que cobra de todo mundo, é inspirador, mas é muito difícil ser eficiente num cenário dessas proporções e em um país desse tamanho como é o Brasil”, sublinha Macieira.

“Tenho trabalhado muito em casa. Antigamente, saía muito de moto, percorria distâncias longas… Hoje, tenho saído muito pouco. Fico preocupado com isso. Tenho medo de levar um tombo, sofrer um acidente, o que é fácil de acontecer. Os hospitais estão sobrecarregados, com médicos deslocados para outros setores… Vejo a luta da minha sobrinha, que trabalha na área da saúde, e é muito difícil o dia-a-dia. Essa turma é heroica”, destaca.

Ao falar sobre o que espera do mundo pós-pandemia, Fausto aposta em uma nova realidade sem tanta ostentação. No esporte e na vida.

“Acho que não vai ser como antes. Um GP do Mundial é uma festa, porção de gente, paddock cheio… A gente, como imprensa, falava com todo mundo, conhecia muita gente. E esse clima vai ser difícil de voltar, inclusive para 2021. O protocolo do Mundial de Motovelocidade tem 45 páginas, então é uma logística maluca de hotel, pista, almoço na caixinha para todo mundo… Antes, no paddock, eram instalações faraônicas, com uma opulência que vai acabar. O que, neste caso, não é de todo ruim. Espero que sejamos mais solidários daqui pra frente”, torce.

Fausto Macieira
Desde o nascimento, Fausto Macieira tem nas motos o seu estilo de vida (Foto: Arquivo Pessoal)

Por fim, o botafoguense deixa claro que, quando tudo isso passar, quer somente seguir a luta que assumiu durante praticamente desde quando nasceu.

“Nunca quis me promover através do motociclismo. Sempre quis ser um meio de promoção do motociclismo, e não o contrário. Pretendo continuar brigando, no bom sentido, por mais espaço para o motociclismo, porque acho que ele merece”, concluiu aquele que tem nas motocicletas muito mais que uma paixão, mas um modo de vida.

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