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Seguindo os passos do ídolo

Impulsionado pelo ídolo Lewis Hamilton, Noah Andy busca o próprio espaço com ajuda da Federação Francesa de Automobilismo

Noah Andy com o carro da F4 Francesa (Foto: Reprodução)

O automobilismo não ficou fora das discussões sobre racismo que ganharam protagonismo em 2020. Pelas mãos de Lewis Hamilton, a causa passou a ser pauta também nas pistas, com o hexacampeão mundial de Fórmula 1 liderando manifestações antes das corridas, levando a camiseta com o nome de Breonna Taylor ao pódio e marcando presença em protestos em Londres.

O desejo de Hamilton em ver mais representatividade preta no esporte a motor começa a surtir pequenos efeitos, mesmo que de forma lenta, e um dos exemplos é Noah Andy.

Noah é residente de Reunião, um departamento ultramarino francês localizado no Oceano Índico, ao leste de Madagascar, com pouco mais de 800 mil habitantes. É um dos territórios franceses como Martinica, Guadalupe e Guiana Francesa. Ele conheceu o kartismo aos 13 anos de idade em um centro de lazer, gostou da modalidade e passou a competir em eventos locais.

Noah Andy com o carro da F4 Francesa (Foto: Reprodução)

A primeira grande competição local de kart que Andy participou foi o GP de Saint-Pierre, uma das maiores comunidades de Reunião. O pódio foi um incentivo para dar sequência ao sonho.

“Queria fazer deste esporte o meu trabalho. Meus pais me colocaram no kart alguns meses depois em Reunião. Fiz duas corridas com dois pódios, e a FFSA me chamou para testar em Le Mans”, cita Noah ao GRANDE PREMIUM.

Motivado a virar piloto profissional inspirado pelo ídolo Hamilton, Noah participou do Campeonato Francês Junior de Kart em 2018, disputado em cinco etapas. Mesmo sem subir ao pódio, chamou atenção da academia de pilotos da Federação Francesa de Automobilismo (FFSA), que adotou o piloto para aprender conceitos básicos das corridas, como uma escola, que ajudou Noah a se tornar apto para competir em testes e eventos. Após o segundo ano competindo no kart, resolveu fazer a transição aos monopostos.

Além da ajuda na carreira nas pistas, a FFSA também apoia a rotina de estudos de Noah e o cerca com um time formado por nutricionista, psiquiatra, fisioterapeuta e personal-trainer. Tudo se encaixando dentro da rotina supervisionada do jovem piloto. E o mais importante é: Andy precisa ser tão bom na escola quanto nas pistas.

Noah em ação pela F4 francesa (Foto: Reprodução)

Em 2020, passou a competir na F4 Francesa, categoria que já teve Jean-Éric Vergne, Anthoine Hubert e Caio Collet como campeões.

Hubert, que faleceu em um acidente na Fórmula 2 em 2019, chegou a ser mentor de Noah ainda nos tempos em que corria de kart com o apoio da FFSA. Hoje, o jovem trabalha com a mentoria de Pierre Gasly, piloto da AlphaTauri.

“Estou muito feliz em fazer parte desta geração, especialmente com Pierre Gasly se envolvendo com a academia da FFSA em Le Mans, onde estou. Tudo é possível quando você trabalha duro”, comentou.

Os resultados do jovem piloto ainda são modestos: só pontuou três vezes no campeonato até aqui. O melhor resultado foi a nona posição na corrida 2 de Paul Ricard. A temporada foi interrompida por quatro meses por feito da pandemia de Covid-19.

“A Covid-19 forçou o nosso campeonato a ser condensado em três meses. Com a proibição do público, arranjar parceiros ficou mais difícil, para poder encontrar orçamento também. O teste obrigatório antes dos circuitos é bem complicado”, declarou.

Apesar da carreira meteórica nos últimos anos, Andy jamais perdeu a paixão pela Fórmula 1, e a traça como o grande objetivo de sua carreira, mesmo sabendo das dificuldades para correr junto aos ídolos Lewis Hamilton e Daniel Ricciardo.

“Lewis Hamilton é uma grande fonte de inspiração para mim. Seu comprometimento com os pretos no esporte a motor significa muito. É uma causa nobre porque é destinada para pessoas jovens como eu, o que dá esperança”, comentou o jovem de 16 anos.

Mesmo em um ambiente segregador e de poucas oportunidades, Noah comentou sobre a questão da representatividade no automobilismo.

“Acho que cada pessoa tem seu lugar no mundo independente de origem, ideias ou cor da pele. Eu venho de Reunião, onde crescemos com valores como ‘viva juntos’ e a tolerância. Mesmo que este esporte tenha sido criado por brancos, um dos melhores pilotos é preto”, comentou.

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