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Miguel Paludo revive o sonho americano

Hexacampeão da Porsche Carrera Cup retorna à Nascar neste fim de semana depois de oito anos trabalhando para um dia poder novamente vivenciar a categoria: ‘Não posso dizer que não senti falta’

Miguel Paludo, Porsche Cup 2020,
(Foto: Victor Eleuterio/Divulgação)

No automobilismo, assim como no esporte de maneira geral, raras são as segundas chances. Quando essas aparecem devem ser agarradas firmemente como o volante de um carro de corrida para que nada fique pelo caminho. Miguel Paludo terá neste fim de semana, no traçado misto de Daytona, a primeira de uma série de três provas pela Nascar, na categoria Xfinity Series. Mais do que isso, o piloto brasileiro terá um reencontro como uma decisão de vida, um reencontro com o seu sonho americano.

O gaúcho de Nova Prata, aos 37 anos, acertou para correr nos mistos de Daytona (neste sábado, 20/2), Circuito das Américas (22/5) e Mid-Ohio (5/6), no carro #8 da renomada JR Motorsports. Paludo correu na Truck Series de 2010 a 2013, e fez duas provas na hoje Xfinity, então Nationwide, em 2012, considerado o último degrau antes da Cup, a categoria principal. A volta para as terras americanas fez o hexacampeão da Porsche Carrera Cup no Brasil repassar a carreira.

Em entrevista ao GRANDEPREMIUM, o piloto lembrou de quando ao lado da mulher Patricia, depois de só quatro meses de casado, os dois decidiram arrumar as malas e se mudar em busca do ideal de sucesso e prosperidade nos Estados Unidos. Primeiro, foram anos de muito aprendizado nas categorias regionais da stock car americana, como na Arca Racing e na K&N Pro. Depois, igualmente com muito esforço e renúncia de alguns do prazeroso churrasco gaúcho, por exemplo, o ingresso na Nascar.

Paludo volta para Nascar no melhor momento da carreira (Foto: Luca Bassani/Divulgação

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“Depois de oito anos”, disse Paludo, ainda olhando para cima, como quem buscasse palavras para descrever o sentimento. “Está demorando para entender tudo isso por que engloba bastante coisa. Além da conquista, de poder voltar para a Nascar — que foi uma categoria que adorei andar, que aprendi muito e que me ensinou muito na carreira, sobre detalhes de carro, acerto de carro e circuito misto — não posso dizer que não sentia falta disso. Sinto falta da categoria e ter essa oportunidade depois do ano que tive é muito especial. Essa oportunidade veio na melhor hora possível.” 

O piloto Brandt, que ainda manterá o foco na Porsche Cup, relembra com muito carinho dos seus 25 top-10, pole em Pocono (corrida que inclusive quase venceu) e bater porta com porta na Truck com nomes como Ryan Blaney, Bubba Wallace e Austin Dillon, hoje todos na Cup Series. Mas, em 2014, antes da temporada começar, Paludo se viu obrigado a tirar o pé da Nascar.

“Se ouvisse a minha história hoje, diria que é difícil dar certo. As coisas foram acontecendo e acabaram virando. Minha esposa e eu pegamos a mala e viemos para os EUA sem nada. É aquela coisa que você tem que decidir na vida”

Miguel Paludo, piloto da Porsche Cup e da Nascar Xfinity

“Por tantos resultados bons que ficou aquela coisa engasgada. Ainda tenho aquela esperança que a gente pode andar bem e, se Deus quiser, brigar por uma vitória apesar de saber que é extremamente difícil. Quero ir para lá, correr, vencer, fazer burnout, mas acima de tudo estou feliz onde estou. Sei como são corridas e tudo pode acontecer. O sucesso na Porsche Cup me deixa superfeliz, mas falta muito para conquistar”, contou. 

Paludo está confiante no que vai encontrar na Xfinity, a bordo de um Chevrolet Camaro, e muito motivado com a estrutura da JR Motorsports. A equipe (se diz Junior Motorsports) é de propriedade do multicampeão como piloto e chefe de equipe Dale Eranhardt Jr., que vive uma espécie de processo de aposentadoria das pistas. O time tem Justin Allgaier como titular, piloto que já venceu em 14 oportunidades e conquistou 195 top-10 na categoria. Por esses números e, claro, pelo o que já viu na fábrica na Carolina do Norte, a empolgação do brasileiro é grande por saber que sentará em um equipamento competitivo. 

Mudanças depois de oito anos

Mesmo já conhecido da categoria e piloto confirmado para três provas, Paludo passou novamente por todos os processos médicos e de segurança. Para se ter uma ideia do rigor, no Nascar Impact Test, que dura 45 minutos, o piloto é questionado sobre variados assuntos e tem que relacionar em uma ordem para que se avalie condições de memória figuras, palavras e números. Em caso de acidente, por exemplo, esse teste faz parte do protocolo de concussão cerebral dos pilotos. Além da parte clínica, os pilotos também participam de um treinamento sobre diversidade racial organizado pela própria Nascar.

Mas essas são só algumas das mudanças que o brasileiro irá encontrar em pistas em que nunca andou, em estágios que não se pode perder tempo. Passado o período de escolha da posição de guiar, do banco, do “insert” (a parte de dentro do banco) e lixadas artesanais daqui e dali, mais e mais visitas na fábrica, as diferenças da categoria são muitas e não só pela mudança de Impala para Camaro nos carros da Chevrolet. Paludo lembra que, nas suas duas experiências na Nationwide, o câmbio tinha o “travel” da caixa de marchas muito longo. Hoje, é quase sequencial pelo o que já pôde observar. 

“Junto com o ambiente todo da Nascar, sinto muita falta da posição de guiar. É um carro muito confortável de se dirigir. Por isso que os pilotos descem do carro depois de quase 4 horas de prova e estão inteiros”, disse Paludo, que também afirmou que nunca guiou no estilo dos pilotos americanos, com o volante muito próximo ao peito. “Além da parte do carro em si, você chega lá, você faz parte daquilo. Todo mundo leva o carro junto para o grid. Meu filho, criança, em 2012, 2013, empurrava as caminhonetes. É algo muito família, dentro de um patrocinador e um time familiar. As empresas tem até os mesmos valores nessa questão.” 

Por mais alguns momentos dessa experiência do sonho americano que Paludo lembra com carinho e quer repetir o que já viveu no passado. O desafio é grande, mas não maior do que seu início de carreira nos Estados Unidos.

“Se eu ouvisse a minha história hoje, diria que é difícil dar certo. As coisas foram acontecendo e acabaram virando. Hoje, posso dizer que sou realizado pelas categorias que andei e pelo rumo que escolhi profissionalmente. Querendo ou não, minha esposa e eu pegamos a mala e viemos para cá sem nada. É aquela coisa que você tem que decidir na vida. Mas são decisões de vida. Você deixa tudo para trás e vem”, lembrou o piloto.

Justin Allgaier, Nascar 2021
Justin Allgaier é o titular da JR Motorsport (Foto: Reprodução/Twitter/@JRMotorsport)

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