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Amigos e rivais

Revelações do kartismo brasileiro, Felipe Baptista e Diego Ramos garantiram vários títulos para a Academia Shell Racing ao longo da temporada. Os dois jovens pilotos compartilham uma história bonita, de intensas disputas dentro da pista. Mas fora delas, a amizade prevalece

Um dos velhos lemas do esporte a motor como um todo diz que seu maior adversário, via de regra, é seu companheiro de equipe. Felipe Baptista e Diego Ramos cumprem com perfeição à escrita ao longo da temporada 2017 no kartismo brasileiro. Os jovens, que figuram entre as maiores revelações da modalidade no país, integram a Academia Shell Racing e protagonizaram grandes conquistas: na classe Júnior, dobradinha no Brasileiro de Kart e na Copa Brasil, com Diego no topo do pódio e Felipe em segundo; e o título nacional de Baptista na Sudam Júnior, que veio na esteira de um convite de última hora.

A proximidade dos dois sugere um ambiente tenso nos bastidores, mas não é isso o que ocorre. Pelo contrário. Fora das pistas, Felipe, de 14 anos, e Diego, de 15, nutrem uma saudável e verdadeira amizade, que só amadurece. Mas quando os pilotos baixam a viseira do capacete, é outra história. Cada um luta pelo seu triunfo, mas também com o pensamento voltado para os resultados pela Academia Shell Racing, o que mostra a evolução em termos de trabalho em equipe, quesito fundamental que norteia a carreira de um competidor do início ao fim.

O GRANDE PREMIUM conversou com os dois jovens pilotos, oriundos de São Paulo. O cartel dos dois, mesmo ainda com pouca idade, é invejável: Diego é tricampeão brasileiro, tetracampeão da Copa Brasil e lidera a prestigiada Copa SP Light de Kart, disputada no Kartódromo da Aldeia da Serra. Por sua vez, Baptista é campeão brasileiro com o título conquistado neste ano, além das taças da Copa SP Light em 2013, na Cadete, e da Kantan Kart, lograda em 2015.

Mas bem antes disso, Felipe e Diego já competiam um contra o outro. A idade semelhante fez com que os dois fossem adversários quase desde sempre no kartismo. 

Felipe Baptista e Diego Ramos lado a lado no Brasileiro de Kart em Penha

“Ando contra ele desde 2012, há quase seis anos, desde a Cadete. Desde então começamos a lutar juntos na ponta. É uma rivalidade meio Hamilton e Rosberg, mesmo. Claro que a rivalidade fica mais dentro da pista. Fora da pista somos super amigos. Dentro da pista, as coisas mudam, é um contra o outro, mas é bem legal”, conta Felipe, traçando um paralelo em relação a dois grandes pilotos que dividiam as pistas, mas foram bem amigos fora delas. Até que os dois bateram de frente nos tempos de Mercedes na F1…

Dono do numeral #121, Felipe lembra que a rivalidade nas pistas foi intensa desde cedo, com muitos toques a la Hamilton-Rosberg. Mas isso foi mais atrás.

“Ter o Diego como companheiro é uma motivação e um desafio. É um piloto muito rápido, está no terceiro ano na Júnior, tem muita experiência na categoria. Ele é muito bom e está sempre ali na frente, estamos sempre batendo roda. Chegamos a bater algumas vezes, sofremos algumas punições. Mas evoluímos com o tempo, e as disputas estão mais legais, mais divertidas, sem muita batida, mas com batalhas mais limpas. É muito legal porque ele faz com que eu consiga andar cada vez mais rápido e dê o máximo de mim e do kart. E isso me ajudou a ganhar o título brasileiro e fez com que buscasse andar perto dele na final da Júnior”, recorda.

Ramos, que compete com o #13, também ressalta o alto nível de competitividade do amigo — e rival — Felipe e também entende que um pressiona o outro. No fim das contas, os dois saem ganhando, ainda que só tenha espaço para um no topo do pódio.

“Tenho amizade com ele fora das pistas. Mas dentro, tenho de dar meu máximo porque ele é um piloto rápido e que está sempre à frente brigando comigo, então tenho de me esforçar muito para conseguir um bom resultado. Nos respeitamos ao máximo, mas é um querendo ser melhor que o outro, mas sempre jogando limpo, e isso é o automobilismo. Estar 100% focado, buscar ter um equipamento muito bom para fazer uma boa corrida e vencer”, explica.

Baptista também enumera as qualidades de Diego como um grande competidor e adversário. “É um cara muito desafiador, difícil de passar, consegue defender muito bem a posição. Mas não tenho medo de colocar meu carro [para passar]. Tem de ser tudo ou nada, mas tem de ter 100% de certeza para ultrapassar”.

Lado a lado na Academia Shell Racing
 

Baptista foi alçado ao projeto da Academia Shell Racing como novo integrante no começo da temporada 2016, o que foi muito importante para sua formação e desenvolvimento enquanto piloto desde então. Ramos se integrou ao projeto no início deste ano e, ao lado de Felipe e Gianluca Petecof, completa a armada de kartistas da Academia.

Enquanto Petecof trilha sua carreira no Velho Mundo, com direito a participação completa no Europeu de Kart e também no Mundial, no qual conquistou o sexto lugar na classe OK, na Inglaterra, Diego e Felipe buscam a evolução e títulos no cenário nacional. Contudo, agora que fazem parte da Academia e são companheiros de equipe, as disputas acontecem, porém são mais conscientes.

“Com minha entrada na Academia Shell Racing, disputando na mesma categoria que ele, nossa relação fora das pistas não mudou nada. Mas tornou-se um incentivo a mais para treinar mais, me dedicar mais e fazer as corridas com mais cabeça, pensando num time e nele como companheiro de equipe, ainda que todos nós tenhamos o foco de vencer”, comenta Ramos. “Sempre buscando uma dobradinha, com eu ou ele vencendo. Mas a equipe passa a ser o mais importante”.

O jovem de 14 anos endossa as palavras do colega de Academia. “Melhoramos muito nas nossas disputas. Agora, brigamos com consciência, pensando mais no time do que no pessoal, visando um melhor posicionamento no campeonato, uma dobradinha da equipe, então isso melhorou. Temos um respeito muito maior. A Academia Shell Racing me ajudou muito neste ano, me deu um grande apoio para isso”.

A entrada no projeto da Academia Shell Racing elevou ainda mais o patamar de Diego Ramos e Felipe Baptista, envoltos em um ambiente profissional e que oferece todas as condições, não só esportivas, de melhor preparação dentro e fora das pistas.

“É o melhor incentivo para jovens pilotos no Brasil. Foi muito bacana. Fico muito feliz por poder representar essa marca e por ter a chance de fazer parte de um projeto que abre muitas portas no automobilismo. Fico muito feliz por poder fazer parte da Academia Shell Racing”, analisa Ramos.
 

Felipe e Diego vão partir para o último duelo do ano na Copa SP Light de Kart (BRUNO GORSKI)

Expectativa para o duelo final de 2017
 

Como grande amostra de que os Diego e Felipe têm nível de performance muito semelhante, os dois chegam à última etapa da Copa SP Light de Kart como líder e vice-líder, respectivamente, separados por apenas um ponto. A grande decisão vai ser realizada no próximo dia 9 de dezembro e não tem muito segredo: quem chegar na frente leva o título. Prenúncio de uma nova dobradinha para a Academia Shell Racing, restando saber quem vai sorrir por último.

No fim das contas, terminar com o título seria o desfecho perfeito de temporada para os dois depois de um ano marcado por vitórias e títulos individuais e também para a Academia.

“Minha temporada foi muito boa. Fui tricampeão brasileiro e tetracampeão da Copa Brasil, os dois primeiros títulos meus com a Academia. Disputei o Skusa Supernationals em Las Vegas e vinha bem até o motor quebrar. Agora voltei à liderança da Copa SP Light. Foi um ano muito bom para mim e para a Academia também. Espero conseguir fechar o ano com chave de ouro com mais um título”, destaca Diego.

Diego Ramos faturou dois títulos nacionais em seu primeiro ano na Academia Shell Racing (Bruno Gorski)

Baptista também tem motivos de sobra para festejar, mas também sonha em fechar o ano com mais um título na carreira. “Acho que essa temporada 2017 foi sensacional. Comecei o ano mal na primeira etapa do Light, mas depois fiz quase todas as poles do ano: fui bem na Júnior com o vice-campeonato brasileiro e o título da Sudam Júnior, vice na Copa Brasil e agora estamos disputando o título da Light”.

“Todos os que estão ali na briga podem ganhar o título. Está bem legal, só tenho a agradecer. Aproveitei e aprendi bastante e, desde agora, estou preparado para o ano que vem”, finaliza.

O certo é que lado a lado, Felipe e Diego vão trilhando um bom caminho, vencendo, ajudando um ao outro a evoluir dentro e fora das pistas. E se a amizade fora delas também vai bem, os dois ganham e, assim como já aconteceu ao longo de todo ano com os membros da Academia Shell Racing na Stock Car, Porsche Cup, Brasileiro de Turismo, Europeu de Kart, também colocam a marca no topo do pódio por aqui.

Seja como amigos ou rivais, Felipe Baptista e Diego Ramos formam uma dupla que deu mais que certo e ainda vai render muitos frutos ao kartismo brasileiro.

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