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Australiano, sim… mas com um quê de brasileiro

Daniel Ricciardo é dessas personalidades singulares que fazem a F1 sair do lugar comum com a irreverência e o sorriso que tornaram-se marcas registradas, além, claro, da enorme competência nas pistas. Seu jeitão todo espontâneo tem inspiração tupiniquim, que é amplificada toda vez que aporta em terra brasilis

O GP do Brasil é sempre um dos destinos mais aguardados pelos pilotos no calendário do Mundial de F1. A etapa de Interlagos representa a chance para muitos dos competidores mergulharem um pouco na cultura tupiniquim. Seja desfrutando de um jantar numa boa churrascaria, seja encarando o trânsito insano de uma cidade como São Paulo, ou então, conhecer de perto um esporte tipicamente nacional: o futevôlei.

Foi assim que Daniel Ricciardo se mostrou ainda mais próximo do Brasil, o que é evidenciado também pelo estilo de vida e também pelo largo sorriso, o que destoa um pouco do mundo (ainda) um tanto sisudo do esporte em si.

Hoje com 28 anos e no auge da forma como piloto na Red Bull, Daniel também cativa os fãs da F1 pelo seu jeitão diferente, tornando-se uma das figuras mais queridas do esporte. Seja dançando na chuva com seu companheiro de equipe, tirando onda numa entrevista coletiva ou tomando o celular de Lewis Hamilton para tirar uma foto e postar no Instagram, o piloto se notabiliza pelo bom humor, embora ressalte ser extremamente competitivo na pista.

Mas, fora dela, o australiano se identifica muito com a personalidade e a simpatia características do povo brasileiro.

E esse jeitão australiano com tom verde-e-amarelo ficou ainda mais evidente nesta semana com o aprendizado de um novo esporte. Às vésperas do GP do Brasil, Daniel e seu companheiro de equipe, Max Verstappen, foram apresentados ao futevôlei em São Paulo, mais precisamente numa quadra especialmente montada para receber a dupla da Red Bull e convidados no Jockey Club de São Paulo. Para o oceânico, foi quase uma paixão à primeira vista.

No Brasil, Ricciardo e Verstappen tiveram a chance de conhecer de perto o futevôlei (Vinícius Eleutério/Puma)

Ricciardo é nascido em Perth, na Austrália Ocidental. A cidade é praiana, banhada pelo Oceano Índico. Portanto, o ambiente da areia o deixou bastante à vontade para se arriscar no novo esporte, ainda que lhe falte o natural traquejo e jogo de cintura. Contudo, com apenas alguns minutos de treinamento ao lado de craques consagrados do esporte, logo Daniel pegou o jeito e conseguiu até arriscar algumas jogadas, arrancando aplausos de quem acompanhava a partida. No fim das contas, o que ficou foi sua maior marca registrada: o largo sorriso.

Em entrevista exclusiva ao GRANDE PREMIUM, Ricciardo falou justamente das suas raízes praianas para justificar o gosto pelo esporte e o apreço, logo de imediato, pelo futevôlei.

“É, eu nunca joguei antes (futevôlei). Mas acho que por ter praticado muito esporte quando criança, ter jogado futebol, você desenvolve um pouco de coordenação. Então acho que usei isso hoje. Foi divertido, eu gostei. Gosto de praticar esporte ao ar livre. Gostaria de jogar de novo, até, ficamos um bom tempo depois jogando.  Então fiquei bem feliz”, destaca.

Para Daniel, ter a chance de voltar ao Brasil é uma felicidade. Por vários motivos. “Sinto que o brasileiro tem uma paixão pelo esporte, as pessoas gostam de estar ao ar livre. Para mim é parte de uma vida saudável. São pessoas bem saudáveis, gostam de competir”, comenta o piloto, ressaltando algumas amizades marcantes feitas nas pistas.

“Eu fiz alguns grandes amigos brasileiros do mundo das corridas, como Felipe Massa. Vivi com um brasileiro há 10 anos, na Itália, quando estávamos correndo categorias menores, o César Ramos [hoje piloto da Stock Car, temos uma ótima amizade. Então acho que crescer praticando esportes produz algo, sabe, produz endorfina, hormônios, e faz você ter mais energia, ser mais positivo com si próprio”, diz.

E é justamente essa positividade que faz com que muitos pensem que Ricciardo tenha esse quê de brasilidade. “Honestamente muitos brasileiros falam isso, e eu acho que vocês poderiam ser australianos [risos]. Somos mais ou menos as mesmas pessoas, só jogados em países diferentes. Mas muito apaixonados, gostamos da vida, de viver, do sol, das coisas simples”.

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(Vinícius Eleutério/Puma)

Origem em Copacabana e ídolos do futebol como símbolos
 

A modalidade nasceu no Rio de Janeiro, mais precisamente na Praia de Copacabana nos anos 1960 e conseguiu reunir duas grandes paixões dos cariocas no mesmo esporte: futebol e vôlei de praia. O sucesso foi tamanho que não demorou muito para que o futevôlei tornar-se internacional, rompendo as fronteiras e ganhando o mundo, a começar por Portugal, na década de 1980.

Logo, o futevôlei se transformou num esporte lendário e uma das grandes marcas registradas do Rio de Janeiro. Grandes craques do futebol também se converteram em sumidades da modalidade. Impossível falar em futevôlei e não citar, por exemplo, Romário, Edmundo e Renato Gaúcho. Sem falar no folclórico ator Eri Johnson.

Mas o futevôlei vai muito além e é representado por profissionais que levam o esporte mundo afora. Como Bruno Barros e Giba Diniz, que estiveram presentes ao bate-bola no Jockey Club, além das amigas cariocas Natália Guitler e Bianca Hiemer, uma das duplas mais bem-sucedidas da areia e juntas no futevôlei desde 2012. Natália e Bianca venceram recentemente o Campeonato Sul-Americano da modalidade.

Ex-tenista profissional, Natália se apaixonou à primeira vista pelo futevôlei durante um período de férias. Desde então, não parou mais. Se aperfeiçoou, evoluiu e ganhou notoriedade nacional e internacional. Como acontece muito no vôlei de praia, é normal que, vez ou outra, uma dupla fique desfalcada. Foi o que aconteceu em um campeonato em Maresias, litoral de São Paulo. Natália conheceu Bianca, que estava só, e formou com ela uma nova e vitoriosa parceria. “Desde então, estamos entre as três melhores duplas do mundo”, conta ao GRANDE PREMIUM.

A dupla da Red Bull teve a chance de bater uma bola com grandes nomes do futevôlei (Lendas do futevôlei com Max Verstppen e Daniel Ricciardo (Foto: Vinícius Eleutério/Puma))

Inspiração para brilhar no Brasil. Mas sem pensar no futuro
 

Feliz com a chance de conhecer mais uma faceta do Brasil, Ricciardo agora almeja subir ao pódio pela primeira vez em Interlagos. A julgar pelo sua grande performance na temporada, com nove top-3, não seria um resultado dos mais difíceis. Mas o australiano prefere um discurso mais cauteloso. “Estou na espera pela corrida, estou ansioso. Nunca fui ao pódio aqui, acho que nunca fiquei nem no top-5. Essa é minha motivação para o fim de semana”.

“Quanto a conseguir um bom resultado, não sei, mas vou trabalhar duro para conseguir o resultado no domingo. Chegar ao pódio aqui seria ótimo pela atmosfera que temos”, comenta.

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Após as duas últimas corridas da temporada, Ricciardo vai partir para aquele que é, por enquanto, seu último ano de contrato com a Red Bull. Mas tal cenário ainda não o preocupa. “Sei que vou ficar na Red Bull ano que vem, não há nada me distraindo nesse ponto. Estou focando nas próximas corridas agora, e vamos ver ano que vem o que acontece”, sublinha o piloto, que não descarta nada para o futuro. Seu único desejo é ter um carro vencedor.

“Talvez no meio da temporada que vem pense no melhor lugar para se estar. Mas acho que o melhor lugar para mim é com o carro mais rápido que puder arranjar. Então, se vencermos na que vem com a Red Bull, eu continuarei”, finaliza.

A mesma competitividade com a qual encara o aprendizado nas areias do futevôlei se reflete também na busca incessante pelo maior objetivo da vida e da carreira: ser campeão mundial de F1. Mas qualquer que seja a situação, Ricciardo brilha com o sorriso de sempre. E o estilo de vida um quê de brasileiro.
(Vinícius Eleutério/Puma)

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