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Nossa corrida: um GP, três grandes histórias

Se restavam dúvidas sobre ser vantajoso Interlagos ser palco da última corrida do calendário, elas foram dissipadas em 2006: pelo segundo ano seguido, o Brasil foi palco do título de Fernando Alonso. Mas não só isso; Felipe Massa venceu e Michael Schumacher foi gênio mais uma vez

A seção 'Nossa corrida' desta semana, uma espécie de "contagem regressiva" para o GP do Brasil da temporada 2017, trata de uma história recente, que ocorreu há apenas 11 anos. Na verdade, uma história que pode ser contada em três diferentes capítulos, cada um com um final diferente – mas todos com emoção e simbólicos.

São três personagens: Felipe Massa, Fernando Alonso e Michael Schumacher. Cada um em um momento diferente da carreira, mas todos construindo um belo e marcante momento na mesma pista, ao mesmo tempo. Foi assim que o GP do Brasil de 2006 ocorreu, encerrando a temporada daquele ano com alegria difusa, mas que ficou para sempre na memória

Felipe Massa é o primeiro personagem. Em seu primeiro ano na Ferrari, havia conseguido uma vitória, na Turquia, e era terceiro no Mundial de Pilotos, mas já sem chance de título. Com a boa temporada, convenceu a Ferrari a deixá-lo usar um macacão verde e amarelo, com a escuderia italiana abdicando do vermelho pela primeira vez.

Massa, então, precisava provar que merecia a honraria. Na classificação, deu o primeiro indicativo: com 1min10s680, foi o único no grid a baixar de 1min11s. Pole e o primeiro capítulo do final de semana foi perfeito.

No domingo, largou muito bem e fez Interlagos explodir em vibração. Na sexta volta, na relargada com o safety-car, foi seguro e passou a correr sozinho lá na frente.

Na pista, foi só segurar a posição e conduzir sua Ferrari até a linha de chegada. O que importou foi o pós-bandeirada, com a torcida invadindo a pista paulistana pela primeira vez em 13 anos para celebrar uma vitória da casa.

Um emocionado Massa abriu a bandeira brasileira e se jogou nos braços do povo. Era a realização de um sonho que poucos conseguem alcançar. Quando se fala de Massa, é por atuações como a daquele final de semana que se deve repensar as críticas.

Felipe Massa nos braços do povo, após a vitória em Interlagos em 2006 (Felipe Massa vibra com a vitória no Brasil (Foto: Mark Thompson/Getty Images))

O segundo personagem é Fernando Alonso. Foi a tarde em que o espanhol colocou para sempre o Brasil – ou Interlagos – em seu coração. Dois títulos mundiais, dois títulos no mesmo palco.

Ele só precisava de um ponto para ser campeão – numa época em que as contas eram mais fáceis, com o vencedor fazendo dez pontos, por exemplo -, então a corrida dificilmente seria dramática. Mas o que importa no esporte é taça na mão, então ele precisava fazer sua parte.

O piloto da Renault se colocou em quarto no grid, com Michael Schumacher longe, em décimo. Tudo que ele precisava.

Sem grandes táticas para avançar no grid, Alonso ia se mantendo em quarto. Até que Jarno Trulli teve problemas com sua Toyota e foi aos boxes. Alonso virou terceiro. Depois, já com mais de 50 voltas, foi o último a parar. Voltou em segundo e tocou com tranquilidade seu carro até o fim.

Brigar com Massa pela vitória? Não precisava. Ele deixou o brasileiro fazer sua festa com o povo para pode fazer a sua consigo mesmo. Campeão do mundo novamente.

A promessa daquela tarde era de que Alonso seria multicampeão. Ele ainda segue na F1. Ainda é um dos mais – se não o mais – qualificados, talentosos. Mas, títulos, só naqueles dois anos. E em Interlagos.

Fernando Alonso celebra o título mundial no pódio de Interlagos, ao lado de Felipe Massa ( Felipe Massa e Fernando Alonso GP do Brasil 2006 (Foto: Ferrari) )

Por fim, a despedida de Michael Schumacher. O ferrarista busca seu oitavo título mundial, já quase impossível, precisando que Alonso não pontuasse. De fato não deu, mas isso não tornou a corrida menos importante para sua carreira.

Após problemas na pressão de combustível no motor, ficou em último no Q3, largando em décimo. Na corrida, então, optou por sair com tranquilidade, para não acabar com as já escassas chances. Ultrapassou dois carros e, na primeira volta, fechou em oitavo.

Mais cinco voltas, já era sexto. Não que desse para brigar com Alonso, mas milagres sempre ocorrem. Porém, problemas também. Quando ultrapassou Giancarlo Fisichella para se tornar quarto, na oitava volta, seu pneu esquerdo traseiro furou. Caiu para último.

Fim do sonho, mas hora do último show. Ele saiu ultrapassando todo o pelotão, em uma aula de pilotagem. Entrou na zona de pontuação pouco mais de 20 voltas depois. Quando Alonso se estabilizou em segundo, Schumi já era sétimo.

Ainda deu tempo de Rubens Barrichello, tal como Fisichella, ser ultrapassado. Nenhum brasileiro em Interlagos lamentou, pois o que importava era a magia do momento. Por fim, a última ultrapassagem de Michael na Ferrari, sobre Kimi Raïkkönen, a três voltas do final.

Não deu pódio, não deu título. Mas deu mais um capítulo de beleza ao gigante que foi Michael Schumacher nas pistas.

Festa na despedida de Michael Schumacher em Interlagos (Festa na despedida de Michael Schumacher da F1 (Foto: Ferrari) )

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