O pontapé inicial

A Porsche Cup organiza neste mês a segunda edição do Junior Program. Importante programa de incentivo para jovens pilotos, a seletiva oferece uma porta de entrada para viver profissionalmente no mundo do esporte a motor

Nathalia De Vivo, de São Paulo

 

Os primeiros passos de uma carreira profissional nunca são os mais fáceis. Encontrar apoio, patrocínios, categorias financeiramente viáveis e ainda ter de começar a desenvolver uma bagagem de experiência é uma tarefa árdua e é um dos motivos pelos quais muitos jovens desistem do sonho de viver do esporte. 

Entretanto, no Brasil, os pilotos novatos já podem contar com uma importante ajuda no início de sua trilha. A Porsche promove, pela primeira vez, o Junior Program, programa preparatório e que dá incentivos para aqueles que querem seguir com a marca alemã.

Após a primeira edição, que aconteceu no início de 2018, o campeonato monomarca realiza agora a segunda edição do processo seletivo em outubro, no Velo Città. E o GRANDE PREMIUM foi atrás então para entender mais sobre o programa e como a ajuda pode ser fundamental para os pilotos.

 

O Porsche Junior Programme global foi lançado em 1997, na Alemanha. Com o objetivo de desenvolver pilotos e dar todo o apoio, já revelou nomes como Timo Bernhard e Earl Bamber, ambos vencedores das 24 Horas de Le Mans, além de pilotos de fábrica. 

Com um programa completo e que dá toda a estrutura aos participantes, era fundamental trazer ao Brasil. Foi então que Dener Pires, organizador da Porsche Cup, decidiu apostar as fichas na iniciativa e trouxe o programa ao país, uma grande novidade no cenário nacional do esporte a motor.

Para se inscrever, é preciso ter entre 15 e 24 anos. A primeira fase consiste basicamente em uma análise dos currículos dos inscritos. Após um pente fino bastante rigoroso, são escolhidos 12 nomes que passarão para a segunda fase. E é aí então que as coisas começam a pegar.

Em quatro dias, os pilotos são testados no lado físico, cognitivo e ainda precisam mostrar toda a habilidade na pista. Ainda, enfrentam reuniões de feedback, precisam saber lidar com a imprensa e interpretar os dados. Tudo é pensado para, além de escolher o melhor piloto, deixá-los preparados para suas carreiras.

 

Os 12 finalistas da 1ª edição
Fernanda Freixosa

E o que torna o programa tão atraente além, claro, de poder pilotar um Porsche e passar por uma intensa preparação? É simples, todos os subsídios que podem ser conquistados. O primeiro colocado tem 70% da temporada da Carrera Cup 3.8 custeada, com os segundo ganhando incentivo de 40% e o terceiro, 30%.

“Nosso negócio é promover corridas. Temos os carros de competição mais produzidos no planeta, mas não existe corrida sem piloto. O brasileiro é apaixonado pelo esporte a motor e basta ver um Brasileiro de Kart, por exemplo, para ter certeza que essa paixão está lá. O gargalo muitas vezes acontece entre a base e os próximos passos, da saída do kart para os carros de corrida. Aqui é que se insere o Junior Program, pois acreditamos que como promotores de corridas também é nosso papel fomentar o esporte e contribuir no desenvolvimento do talento dos pilotos brasileiros”, explica Dener ao GRANDE PREMIUM.

“A primeira edição do Junior Program foi a grande novidade da cena brasileira do esporte a motor neste ano. A Porsche Cup acredita no talento dos nossos pilotos e, em linha com o programa de desenvolvimento existente na Alemanha há anos, tem orgulho de proporcionar aos jovens brasileiros essa oportunidade única. Administrado por grandes incentivadores do nosso esporte, o Velo Città é o mais moderno autódromo do Brasil e seu circuito seletivo será um palco excelente para a fase final da seletiva”, completa.

 

 

A PRIMEIRA EDIÇÃO

Como dito pelo Dener, a primeira edição foi um sucesso. Com as inscrições abertas, mais de 150 pilotos demonstraram interesse, com 40 efetuando definitivamente a inscrição. Após a triagem inicial, 12 nomes foram selecionados e convocados para a fase final.

Um dos participantes foi Enzo Elias. Apesar de não ter sido um dos vencedores, foi selecionado para a parte final e ao longo de 2018, tirou proveito do que aprendeu. “Participar da primeira edição foi uma experiência incrível, foi um programa que me impressionou muito. O Brasil estava precisando e que está mudando o desfecho do nosso automobilismo, pois é o melhor incentivo que temos no Brasil”, conta ao GP*.

"Eles conseguem desenvolver o piloto, pois te entregam as mesmas condições de carro e equipamento independente da sua condição, você sempre tem os carros e equipamentos iguais, então o nível de competitividade passa a ser de piloto a piloto. Foi uma experiência incrível, não tenho palavras para descrever o quanto isso me ajudou, foi maravilhoso demais."

Marcel Coletta também participou da primeira edição e foi um dos selecionados. O piloto conta como foi todo o processo e a sensação de ter recebido o importante incentivo para correr a temporada na Carrera Cup 3.8.

 

“Eu fiquei sabendo do Junior Program na pista, era um assunto bastante recorrente. Resolvi me inscrever, mandei meu currículo, e então eu recebi o e-mail falando que eu estava convocado para a segunda fase, o que me deixou muito feliz. Nessa segunda fase, teve teste físico, teste cognitivo, além de dois dias de pista, onde consegui mostrar todo o meu potencial e consegui ser um dos três selecionados”, ressalta.

“Isso ajudou muito na minha carreira, foi meu primeiro contato com um carro de corrida, tive o acompanhamento de muitos pilotos experientes, inclusive do Max Wilson. Ele nos deu muitas dicas. E também estar concorrendo com tantos pilotos competentes ajudou muito. Eu levo essa bagagem do Junior Program até hoje na minha carreira.”

“Ganhar a vaga foi muito bom, fiquei muito feliz. De todos os inscritos, de todas as vagas, ser um dos selecionados foi uma coisa incrível. Esse ano tem sido muito bom estar correndo de Porsche, estou conseguindo conciliar Porsche e Stock Light, estou acumulando muita milhagem, tem sido um ano muito proveitoso da minha carreira”, completa.

E de todos os nomes inscritos, o vencedor da primeira edição foi Vitor Baptista. Impressionando jurados e a banca avaliadora, que contou com importantes nomes do automobilismo, o piloto recebeu o subsídio de 70% para a temporada, o que foi bastante importante, pois pôde investir sua verba em outros pontos ao longo do campeonato.

“Eu acho que foi um preparatório, como se fosse um teste. O que ajuda mesmo é o budget [orçamento], pois podemos nos planejar e organizar para a temporada. O dinheiro que seria destinado para a temporada podemos gastar com pneus, por exemplo. Ajudou bastante nisso. E principalmente no ano, que são os quatro dias de testes para o Junior Program, isso ajudou a tirar o máximo do que sabemos como falar outras línguas, da pista, o que conhecemos do carro. É um bom preparatório para começarmos o ano bem”, pontua.

Vitor Baptista, vencedor da primeira edição
Luca Bassani

A SEGUNDA EDIÇÃO

Agora os pilotos terão mais uma vez a chance de participar do Junior Program. A segunda edição do programa abriu as inscrições no último dia 24 de setembro, ficando abertas até o próximo dia 10 de outubro. Os 12 selecionados serão conhecidos já no dia 11.

Entre os dias 11 e 17 de outubro, os novatos serão submetidos a uma bateria de testes, no Velo Città, em Mogi Guaçu, para que sejam escolhidos os três finalistas. Assim como na primeira edição, o campeão terá uma bolsa de 70% de orçamento para a temporada 2019 da Porsche Carrera Cup 3.8. Já o segundo e terceiro colocados receberão agora 40% de subsídios. A premiação, no total, corresponde a R$ 900 mil.

Depois da experiência tão proveitosa em fevereiro, Enzo pretende participar mais uma vez – e já torce pela vitória. “Pretendo participar, com certeza quero voltar lá. O programa com certeza vai estar ainda melhor. Espero que dê tudo certo, que eu consiga ficar entre os três, meu objetivo é ficar em primeiro. Sei que não vai ser fácil, tem uma seleção boa de pilotos, mas com certeza vou dar o meu melhor”, fala.

Murilo Coletta, irmão de Marcel, também participou da primeira edição, que classificou como “muito positiva e de 100% de aproveitamento”, também pretende mandar seu currículo para ter mais uma chance de ser um dos três escolhidos.

Um dos testes que os pilotos são submetidos na fase final
Henrique Cardoso

“Eu pretendo participar da segunda edição do programa. O prêmio que o programa disponibiliza é muito bom, quero agora participar mais uma vez com certeza”, comenta o piloto, que falou que usa tudo o que aprendeu tanto na Porsche quanto na temporada da Stock Light.

Para a segunda edição, os resultados de cada etapa de avaliação serão divulgados nos finais de cada dia trabalhado, com o campeão sendo anunciado no último dia das atividades, que vai ser em 30 de outubro.
Os 12 nomes finalistas serão separados em três categorias, que serão montadas baseadas nos repertórios do esporte a motor ao longo de suas carreiras. As classes serão A, B e C.

A classe A é para os pilotos com qualquer nível de experiência no automobilismo, enquanto a B é para aqueles que tenham até uma temporada em carro de corrida em uma só categoria. Já a classe C é para pilotos que vieram do kart e que tenham participado de até duas corridas de carro na carreira.

Exemplo de teste que os pilotos são submetidos na fase final
Henrique Cardoso

O QUE OS PILOTOS ACHAM DO INCENTIVO?

Com tantos incentivos, preparações, dicas e auxílio, é difícil não encontrar pilotos que se sentem atraídos a tentar uma chance no Junior Program. Inclusive, veem o incentivo da Porsche Cup como essencial e de muita ajuda, especialmente para aqueles que ainda estão no início da caminhada no esporte a motor.

“A importância do Junior Program foi de grande peso, principalmente para esse ano. Acho que eles trabalham tudo o que um piloto precisa em um final de semana de corrida, então dá para colocar tudo em prática. Vai desde preparação física até coisas técnicas de pista. Eles te ensinam a olhar todos os pequenos detalhes, te ensinam a ver o que você está fazendo errado e como você pode melhorar. Com isso, conseguimos identificar nossos erros, procurar soluções e assim desenvolver para conseguir o melhor resultado”, aponta Enzo.

“A importância dos incentivos é realmente de grande peso. No meu caso, por exemplo, não tenho patrocínio, então ajuda bastante, é um incentivo tremendo que eles oferecem para nós, e sem dúvida é uma das coisas que mais chama atenção no programa da Porsche”, continua.

Murilo concorda com Elias e ressalta o belo prêmio que o campeão da seletiva recebe, com quase todos os gastos da temporada pagos, dando a oportunidade para que os pilotos disputem profissionalmente no esporte.

“A importância dos incentivos que eles dão para os primeiros pilotos que estão começando agora no automobilismo é muito legal, pois o prêmio para o vencedor é muito bom, você praticamente ganha a temporada para correr ao lado de pilotos experientes. Então é bem bacana”, sublinha.

 

O SHOOTOUT NA ALEMANHA

Uma grande novidade também veio para Bruno Baptista. Após preencher todos os requisitos técnicos na temporada da Porsche Cup, os chefes da categoria escolheram o piloto da Hero para representar o Brasil no ‘shootout’ global da marca, que acontece no final do mês, na Alemanha.

O piloto de 21 anos vai competir contra 11 adversários de idades entre 18 e 26 anos, todos indicados pelas categorias nacionais em que disputam. O prêmio é nada menos que uma vaga no programa mundial da Porsche, que vai dar apoio em corridas internacionais em 2019.

Ao GRANDE PREMIUM, Bruno, que ainda não sabe como vai ser o teste, deixa suas impressões do que acha que vai encontrar em terras alemãs. “Serão três dias de testes que vão acontecer antes da Stock Car em Goiânia”, conta.

“Eles não falaram como serão os testes, mas, pelo meu ver, acredito que eles devem fazer uma demonstração de corrida, uma simulação de corrida. No primeiro dia, treino livre, segundo dia, classificação e no terceiro é corrida, mais ou menos isso. Lá também vão ter mídias sociais, vai ter uma prova para ver quem se sai melhor com a imprensa na Europa. Serão todos os testes possíveis para eles escolherem o candidato ideal”, segue.

 

 

Para que nenhum dos candidatos treine em excesso nos simuladores e já cheguem mais bem preparados, a Porsche não anunciou ainda qual vai ser o local da seletiva mundial, deixando para dar a informação poucos dias antes do início das atividades.

Com passagens em categorias da Europa, como a GP3, categoria de acesso à F1, Baptista, que hoje além de disputar a Porsche também corre na Stock Car, acredita que toda a experiência que tem nas pistas foi decisivo para ser um dos escolhidos – e que ainda vai ajudá-lo na seletiva.

“Tenho experiência na F4, três anos na Europa disputando os campeonatos da F-Renault, além de vários dias de testes em circuitos europeus e vários testes com F3. No meu último ano na Europa, fiz a GP3, e toda essa experiência ajudou a Porsche a me escolher e a Porsche na Alemanha aceitar minha candidatura”, diz.

“Essa experiência que estou levando daqui vai me ajudar na jornada de testes lá e tudo o que pude aprender nesses últimos anos tanto lá fora como aqui, na Stock Car também, vai me ajudar muito”, segue.

Por fim, se mostra muito feliz por ter sido o selecionado para representar o Brasil. “Independente do resultado que tiver nesse teste da Porsche, só de estar presente, mostrar que fui um dos candidatos, mostrar meu potencial, é incrível. Isso vai ficar no meu currículo e vai ser uma experiência única e incrível que terei no meu currículo, muitos pilotos não tem e dificilmente terão. É incrível mesmo estar participando desse projeto”, encerra.