O repeteco do Junior Program

O Junior Program surgiu como um programa que além de ajudar os pilotos, os prepara para sua carreira no automobilismo. Após o sucesso da primeira edição, em outubro aconteceu a segunda seletiva - igualmente de sucesso

Nathalia De Vivo, de São Paulo

A Porsche Cup tem se estabelecido cada vez mais no Brasil, conquistando seu espaço e atraindo a atenção de grandes nomes nacionais quanto internacionais. Com categorias para os mais diversos públicos, abre um leque de opções para quem quer ter o gosto de ser piloto.

E já não é de hoje que a categoria monomarca deixou a imagem de que é apenas voltada para os ‘gentleman drivers’. Em 2018, mostrou que é capaz de revelar jovens talentos e também de formar futuros campeões.

Um importante e fundamental passo em toda essa jornada é o Junior Program, seletiva encarada como ‘categoria de base’ do automobilismo brasileiro. Dedicado aos pilotos de 15 a 24 anos, tem o objetivo de prepara-los e ajuda-los a competir nas temporadas seguintes.

A primeira edição do programa aconteceu no início de 2018 e foi um grande sucesso. Agora, no final do mesmo ano, aconteceu a segunda edição, com mais de 100 inscritos, testes ainda mais rigorosos e três vencedores que não poderiam ficar mais satisfeitos – como conta o texto do GRANDE PREMIUM abaixo.

 

A segunda edição

Após o grande sucesso da primeira edição da seletiva, a Porsche organizou em outubro a segunda seletiva brasileira. Assim como da outra vez, 12 selecionados seriam avaliados para tentar ganhar uma das três vagas disponíveis.

O programa consistiu em quatro dias de trabalho: nos dois primeiros, na sede da Porsche em São Paulo, fizeram testes de força, exercícios físicos e avaliações cognitivas, além de conhecerem o carro da categoria e participarem do briefing técnico.

Depois, após o final de semana de descanso, na segunda e terça-feira, foram para o Velo Città, em Mogi Guaçu, para então mostrarem o que sabiam. A simulação nos dois dias foi como se disputasse uma etapa, com simulações de treinos livres, classificação e corrida. Ainda, foram avaliados sobre seu comportamento diante de entrevistas com a imprensa e patrocinadores.

Para a edição deste ano, uma novidade foi apresentada. Os 12 finalistas foram separados em três categorias: a A, para pilotos com qualquer nível de experiência no automobilismo; a B, para aqueles que tenham até uma temporada em carro de corrida em uma só categoria; e a classe C, para pilotos que vieram do kart e que tenham participado de até duas corridas de carro na carreira.

Então, após a análise dos 150 currículos recebidos, os finalistas foram Bruna Tomaselli, Bruno Smielevski, Enzo Elias, Felipe Baptista, Felipe Papazissis, Pedro Aguiar, Pedro Lopes, Marcel Coletta, Matheus Coletta, Matheus Iorio, Murilo Coletta e Victor Schoma.

 

Os escolhidos

Passar por uma bateria tão grande de avaliações e testes não é tarefa fácil, ainda mais quando se está disputando com tantos jovens talentos ao seu lado. E não bastando, ao final de cada dia a Porsche Cup divulgava o ranking de colocação dos pilotos, o que adicionava ainda mais incentivo, ou pressão, neles.

Pois bem, após a árdua tarefa de ter de eleger apenas três dos 12 nomes, os grandes vencedores foram anunciados. Quem ficou com a primeira colocação foi Marcel Coletta, ganhando 70% de subsídio para a próxima temporada, com Matheus Iorio e Felipe Baptista ganhando o orçamento de 40% cada um.

Coletta, que já havia participado da primeira edição, comemora a oportunidade recebida. “Foi uma sensação indescritível. No ano passado, fiquei em terceiro e já tinha ficado muito feliz. Nesse ano, conquistando esse prêmio e representar a Porsche no ano que vem vai ser muito legal e uma coisa muito boa para a minha carreira”, fala ao GP*.

“Nós estamos mudando a cabeça cada vez mais tendo incentivo das categorias para ficarmos aqui. Vemos pilotos como Felipe Fraga, Cacá Bueno, ganhando bem e andando na frente e se divertindo. O importante é a gente fazer o que a gente gosta. Estou muito contente em correr no ano que vem carregando o logo da Porsche”, completa.

Nada como pegar algumas dicas, né?
Porsche Cup

Iorio viu no Junior Program a chance de ouro para a carreira. Após ficar dois anos na Europa correndo na Formula Open, não sabia que caminho seguir em 2019 – até ser um dos escolhidos. “Foi uma coisa que não esperava. Tive um primeiro dia muito difícil, nas avaliações físicas, tinha acabado de voltar da Europa, não tinha ideia de como ia ser”, diz.

“Consegui a bolsa de qualquer jeito e uma vantagem muito grande, tanto financeiramente quanto de oportunidade, poder estar junto com a categoria, poder estar aprendendo junto com eles. E outra que é uma honra muito grande poder ser um piloto Junior, isso me deixa muito, muito feliz”, continua.

Já Felipe foi o piloto agraciado com a vaga para aqueles que acabaram de deixar o kart. Com a chance, vai começar a carreira já em alta. “Foram quatro dias muito disputados e consegui aproveitar ao máximo cada um desses dias. Na pista consegui também aproveitar muito com o carro e aprender com todas as pessoas que estava lá, o Max [Wilson], o Ingo [Hoffmann]. Então foi muito legal, consegui aprender muito, e agora aproveitar com esse desconto que eu ganhei para correr ano que vem. Vamos com tudo para o ano que vem”, conta.

E Felipe ainda teve a ajuda fundamental de ninguém menos que seu irmão Vitor Baptista, vencedor do primeiro Junior Program. É claro que não deixou de pegar algumas preciosas dicas. “Dica de acerto, de traçado, de tudo. Ele é um piloto já muito experiente, quarto ano de carro, foi correr na Europa, correu aqui no Brasil de F3, ele sabe muito sobre vários tipos de carro, vários tipos de pista. Então ele conseguiu me ensinar muito bem”, fala.

Os vencedores da segunda edição
Porsche Cup

 

A espera por 2019

Com o fim da temporada 2018 da Porsche, que encerrou em Interlagos com uma prova de 500 km, resta segurar a ansiedade para o início do próximo campeonato, que já tem data e local definidos: dia 15 e 16 de março, em Interlagos.

Mas apesar da animação e toda a expectativa para 2019, os pilotos tentam manter a cabeça no lugar, ao menos foi o que Iorio afirma. “Não tenho muita expectativa, gosto de ser bem tranquilo com pé no chão. Vai ser meu primeiro ano com carro de turismo, estou realmente muito, muito feliz em poder voltar ao Brasil em nessa categoria com uma oportunidade dessas”, explica.

“A minha expectativa é, além de me divertir, aprender o máximo que eu posso e com certeza buscar pelo menos um top-3 no campeonato, que acho que para qualquer piloto é uma coisa que é visada. Claro que todo mundo quer ganhar, mas acho que isso vai ser uma consequência do trabalho que vai ser feito durante o ano inteiro. Pretendo me empenhar o ano inteiro para ver o que dá no final”, completa.

Baptista também foi contido nas declarações, apenas dizendo que pretende treinar bastante nas férias para começar o próximo ano tinindo. “A expectativa é boa, treinar bastante em simulador, outros carros, para pegar também a mão dessas pistas maiores, pois até agora estou acostumado com kartódromo que é pequenininho. Então agora vamos aproveitar essa oportunidade para passar para o autódromo. Acho que vai dar tudo certo”, pontua.

 

 

Com a palavra, Dener Pires

O responsável pela Porsche Cup, a vinda do Junior Program ao Brasil e pela tentativa de realizar o sonho dos jovens pilotos é Dener Pires. À frente da categoria no país, ressalta a importância de ter um programa que prepare os pilotos e os profissionalize em terras brasileiras.

“O objetivo do Junior Program é desenvolver pilotos aqui. Sabemos que, no Brasil, para desenvolverem seus talentos, os pilotos precisavam ir embora do país para fazer campeonato fora, como F3 ou até algum campeonato de turismo. O nosso propósito é fazer com que esses pilotos possam se desenvolver aqui no Brasil por meio desse programa, que é uma versão para o desenvolvimento dos jovens”, pontua.

“No programa chegam vários talentos e eles são comparados de forma idêntica, com equipamento idêntico. Isso é muito importante, pois sabemos que, no automobilismo, o equipamento pode fazer muita diferença. Essa situação é totalmente neutralizada, e é bom para os garotos que têm esse talento e que então é valorizado, e é bom para aqueles que ainda não se desenvolverem nesse nível entenderem o que está faltando”, segue.

“Nosso negócio é promover corridas. Temos os carros de competição mais produzidos no planeta, mas não existe corrida sem piloto. Então, acreditamos que como promotores de corridas também é nosso papel fomentar o esporte e contribuir no desenvolvimento do talento dos pilotos brasileiros”, explica.

“A primeira edição do Junior Program foi a grande novidade da cena brasileira do esporte a motor neste ano. A Porsche Cup acredita no talento dos nossos pilotos e, em linha com o programa de desenvolvimento existente na Alemanha há anos, tem orgulho de proporcionar aos jovens brasileiros essa oportunidade única”, encerra.