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Conteúdo Especial

O semáforo da Academia Shell Racing

Com o desfecho do primeiro semestre, a Academia Shell Racing avalia o que foi 2019 até agora nas pistas da Europa, com Gianluca Petecof na F4 Alemã e Italiana, e no Brasil, com a ampla participação do projeto na Stock Car, Stock Light, Porsche Cup e no kartismo

Há cinco anos, a Academia Shell Racing é o principal projeto de desenvolvimento de pilotos do automobilismo brasileiro. Desde sua implantação de forma efetiva a partir de 2015, foram conquistados inúmeras vitórias e títulos, além de conseguir revelar valores capazes de trilhar o caminho rumo ao topo do esporte a motor no mundo, como Gianluca Petecof, membro da Academia de Pilotos da Ferrari e atualmente em ação na F4 Alemã e Italiana, e ser uma das principais marcas nas pistas do Brasil, seja na Stock Car, na Stock Light, na Porsche Carrera Cup ou na base de tudo, o kartismo.

Em 2019, a Academia Shell Racing tem atuação forte e presente tanto na Europa, com Gianluca Petecof no seu segundo ano em disputa dos campeonatos Alemão e Italiano de F4, como aqui no Brasil. Ricardo Zonta e Átila Abreu, com a equipe Shell V-Power na Stock Car, têm novos companheiros de Academia Shell Racing com a presença do novato Gaetano di Mauro ao lado de Galid Osman na Shell Helix Ultra. Na Stock Light, o campeão Raphael Reis tenta seu segundo título tendo ao lado o jovem Diego Ramos, que vem de boa campanha na Sprint Race em 2018.

Os irmãos Vitor e Felipe Baptista lutam por vitórias e títulos na Porsche Carrera Cup, enquanto uma jovem esquadra no kart, formada por Aurélia Nobels, Gabriel Crepaldi, Lucas Staico e Richard Annunziata — com a companhia do multicampeão Dennis Dirani —, completam a escalação da Academia.

Na esteira do desfecho deste primeiro semestre de competições, é chegada a hora de fazer uma primeira avaliação. Vicente Sfeir, gerente de patrocínios e esportes a motor da Raízen, empresa responsável pela marca Shell no Brasil, descreve ao GRANDE PREMIUM o que a Academia Shell Racing entregou em cada uma das frentes em que atua nesta temporada, traçando ainda uma perspectiva do que está por vir a partir de julho.

(Fotos: José Mário Dias/Shell Racing)

Gianluca Petecof lidera com folga a F4 Italiana em 2019 (Gianluca Petecof (Foto: Prema Powerteam))

Gianluca Petecof, 16 anos
F4 Italiana – líder do campeonato, 3 vitórias, 100 pontos
F4 Alemã – 7º colocado, uma vitória, 47 pontos

Gianluca Petecof está no seu segundo ano correndo nos monopostos. Dono de uma carreira vitoriosa no kartismo, o paulista de 16 anos faz parte da Academia Shell Racing desde seu início e é a cara do projeto no exterior. Em 2018, tornou-se também membro oficial da Academia de Pilotos da Ferrari e teve um ano de muito aprendizado na F4, tanto na Alemanha como na Itália, acumulando experiência para colocar em prática em 2019, com a expectativa de conquistar o título nos dois campeonatos.

A avaliação de Vicente Sfeir sobre o trabalho feito por Petecof nesta primeira parte de 2019 é bastante positiva.

“É o segundo ano do Gianluca na categoria. Obviamente, com objetivos mais agressivos para a performance dele. O objetivo é a conquista do título dos dois campeonatos, tanto do Italiano quanto do Alemão. A Shell é líder absoluta no Italiano, aproveitando bastante as provas para abrir essa diferença. Não lideramos no Alemão, apesar de termos tido a chance de sermos líderes do campeonato, acabamos desperdiçando duas vitórias que eram praticamente confirmadas por alguns equívocos. Mas o campeonato ainda está no início, e acreditamos que o aprendizado desses erros vão ser importantes para desenhar o caminho para o título. Está em linha com a expectativa agressiva quanto aos resultados que almejamos atingir”, avalia o executivo.

Felipe Baptista em ano de estreia na Porsche Cup (Felipe Baptista na Porsche Cup com a Academia Shell Racing (Foto: Luca Bassani))

Vitor Baptista, 21 anos
Porsche Carrera Cup 4.0 – líder do campeonato, duas vitórias, 108 pontos

Felipe Baptista, 16 anos
Porsche Carrera Cup 3.8 – vice-líder do campeonato, 2 vitórias, 106 pontos

A Academia Shell Racing abriu 2019 com uma renovada dupla na Porsche Carrera Cup. O talentoso Vitor Baptista subiu da 3.8 para a classe principal do grid, a 4.0, enquanto seu irmão Felipe Baptista, de apenas 16 anos, faz neste ano sua primeira temporada correndo de carros depois de anos de muitas vitórias e títulos no kart, com o novato acelerando na 3.8. E os dois pilotos fizeram grande trabalho neste primeiro semestre.

Foram três as rodadas duplas disputadas na temporada. Em todas, a Academia Shell Racing venceu na Porsche Cup. Vitor triunfou nas corridas 2 das etapas de Interlagos e Curitiba e acumulou resultados consistentes para colocá-lo na liderança do campeonato. E Felipe também soma dois triunfos, na corrida 2 de Interlagos e na primeira prova da etapa do Velo Città. Não à toa, o piloto luta pelo título de igual para igual com Enzo Elias, dono de mais experiência na categoria.

Desta forma, a avaliação de Vicente Sfeir é considerada bastante positiva nesta primeira parte de 2019. “O Vitor Baptista é o líder do campeonato. A expectativa era realmente de ser o líder. Ele é um piloto com experiência, velocidade, e já era esperado que ele fosse líder do campeonato. O objetivo é o título”.

“A surpresa positiva é a evolução do Felipe Baptista, no primeiro ano nos carros de turismo e já conquistando vitórias. Ele vem diminuindo o gap para a liderança do campeonato, que hoje é do Enzo Elias, mas vem surpreendendo bastante a evolução do Felipe. Sinal verde para a performance dos nossos pilotos”, diz.

Ricardo Zonta venceu na pista a etapa do Velo Città da Stock Car (Ricardo Zonta na Stock Car (Foto: José Mário Dias))

Ricardo Zonta, 43 anos
Equipe Shell V-Power, 17º no campeonato, 1 vitória, 44 pontos

Átila Abreu, 32 anos
Equipe Shell V-Power, 21º no campeonato, 32 pontos, 1 pódio

Gaetano di Mauro, 21 anos
Equipe Shell Helix Ultra, 20º no campeonato, 36 pontos

Galid Osman, 33 anos
Equipe Shell Helix Ultra, 15º no campeonato, 50 pontos

O crescimento exibido pela Shell V-Power ao longo da temporada 2018 da Stock Car, sobretudo depois da etapa de Santa Cruz do Sul, levou a marca a dobrar sua aposta na principal categoria do automobilismo brasileiro. Além dos experientes Átila Abreu e Ricardo Zonta, mantidos na equipe Shell V-Power, chefiada por Thiago Meneghel, a Academia Shell Racing passou a contar com uma nova dupla em 2019: o talentoso Gaetano di Mauro — no seu ano de estreia na Stock Car — e Galid Osman, que abriu um novo ciclo na categoria, com os dois representando a Shell Helix Ultra, chefiada por Maurício Ferreira, o experiente preparador ‘Mau Mau.

O primeiro semestre como um todo não foi verdadeiramente fácil. Abreu sofreu um sério acidente no treino classificatório da etapa que abriu o campeonato, no Velopark, e ficou fora não apenas da corrida 500 da Stock Car, como também da rodada dupla do Velo Città, voltando pra valer na etapa de Goiânia. O sorocabano terminou o primeiro semestre com um pódio ao cruzar a linha de chegada da corrida 2 de Londrina em terceiro.

Zonta, por sua vez, mostrou estar em ótima forma depois de ter fechado 2018 como o vencedor em Interlagos. Na segunda etapa, no Velo Città, teve uma grande jornada com o sétimo lugar na corrida 1 e a vitória na segunda prova. O triunfo, contudo, foi retirado após punição bastante polêmica por parte dos comissários de prova.

Na rodada dupla seguinte, em Goiânia, mais polêmica. Zonta terminou em segundo, atrás apenas de Thiago Camilo. O piloto do carro #21 foi punido por conta de uma queima de largada cinco horas depois da prova e perdeu a vitória, herdada por Zonta. No entanto, semanas atrás, o STJD aceitou o recurso impetrado pela defesa de Camilo e lhe devolveu a vitória em Goiânia. O resultado, entretanto, ainda está sub judice. Já em Londrina, uma falha cometida no pit-stop atrapalhou sua jornada rumo a pontos importantes.

Já a Shell Helix Ultra, com uma nova dupla, vem em temporada de crescimento. Gaetano vive um ano de aprendizado na Stock Car. O jovem paulista teve um bom começo, com destaque na chuvosa classificação no Velopark e passagem para o Q3, largando em sexto lugar. No Velo Città, outro top-10 no grid de largada. Foi em Mogi Guaçu também que o piloto logrou seu melhor resultado, o 11º lugar na corrida 2, com o 13º obtido na segunda prova da etapa de Goiânia antes de enfrentar problemas que o impediram de pontuar em Londrina.

Por sua vez, Galid Osman cresceu muito nas duas últimas etapas — depois de ter sido abalroado e ter perdido a chance de ir ao pódio no Velo Città — e somou pontos importantes tanto em Goiânia como em Londrina.

Após sete corridas já disputadas em 2019, a avaliação da Academia Shell Racing é que ainda há um caminho importante a ser percorrido em termos de performance e resultados.

“Mesmo com estratégias distintas para as duas equipes, a performance está um pouco abaixo da expectativa. A Academia Shell Racing tem traçado objetivos bem definidos para as duas equipes. Quanto ao Átila e o Zonta, esperávamos estar na briga por vitórias e pelo campeonato. Mas ainda estamos bem longe disso, ainda que tenhamos lidado com questões externas que tiraram o Ricardo dessa zona de disputa”, explica.
 

(Átila Abreu e Gaetano di Mauro (Foto: José Mário Dias))

“O Átila Abreu ficou fora das duas primeiras etapas, na terceira o carro apresentou problemas oriundos dessa montagem que ele teve de sofrer, então o campeonato acabou começando mesmo na quarta etapa, que acabou não sendo boa para nenhum dos dois carros. Átila teve um pódio, mas um pouco abaixo da performance esperada. Então, para a Shell V-Power, é farol amarelo e com expectativa de melhora”, comenta Sfeir.

“Quanto à Shell Helix Ultra, ela está mais próxima do objetivo, mas com farol amarelo neste momento também. O Gaetano começou muito bem, e tanto ele quanto a equipe sofreram um pouco com erros de estratégia, e a performance não veio de acordo com o que a gente esperava. E o Galid, num ano de reconstrução, vem tendo uma constância boa nas provas. Infelizmente, teve uma em que o tiraram na primeira volta. Mas vem numa regularidade boa, dentro da zona de pontuação; em Goiânia ele teve uma performance muito boa, andando sempre próximo aos principais carros da categoria. É farol amarelo porque a equipe está fora da meta, mas a Shell Helix Ultra está um pouco mais próxima do farol verde em relação à Shell V-Power”, completa.

Galid é o melhor colocado dentre os pilotos da Shell na Stock Car 2019 (Galid Osman (Foto: José Mário Dias))

Raphael Reis, 26 anos
Stock Light, 7º no campeonato, 2 pódios, 64 pontos

Diego Ramos, 17 anos
Stock Light, 10º no campeonato (2º entre os estreantes), 59 pontos

Assim como na Stock Car, a Academia Shell Racing dobrou seu investimento na Stock Light depois do título conquistado por Raphael Reis em 2018. O brasiliense, que disputa simultaneamente e pela primeira vez a Stock Car, luta pelo bi da categoria de acesso em 2019 representando a equipe chefiada por Serafin Jr. Reis tem ao seu lado nos boxes um companheiro de Academia Shell Racing: Diego Ramos, estreante no grid da Light.

Reis enfrenta muitos pilotos de experiência considerável na Stock Light e alguns até com passagens pela Stock Car. Nas três primeiras etapas, seu melhor fim de semana foi no circuito onde costuma andar melhor, Goiânia: pole-position e os dois pódios. Por sua vez, Ramos vem somando pontos importantes e acumulando experiência. Depois de terminar em oitavo nas corridas 2 do Velopark e de Goiânia, o piloto de Osasco faturou seu primeiro top-5 em Goiânia, onde também terminou a segunda prova em oitavo.

A Stock Light faz um intervalo grande no calendário e só volta a ser disputada em agosto, no mesmo fim de semana da Corrida do Milhão da Stock Car, em Interlagos.

“A expectativa era de uma performance equivalente ao do ano passado com o Raphael Reis, que sofreu um pouco com o desempenho nas últimas etapas. E o Diego Ramos vem tendo uma evolução considerável, na última etapa já começou a andar no top-5, que é algo que a gente espera. Então, como time na Stock Light, avaliamos como farol amarelo, mas mirando para uma melhoria de performance para entrar na zona verde, que é o que a gente espera da nossa dupla”, avalia Vicente Sfeir.

Raphael Reis e Diego Ramos formam dupla na Stock Light em 2019 (Raphael Reis e Diego Ramos, a equipe da Academia Shell Racing na Stock Light (Foto: José Mário Dias))

Aurélia Nobels, 12 anos, Júnior Menor
Lucas Staico, 14 anos, Júnior, 2 vitórias na Copa SP Light de Kart
Gabriel Crepaldi, 15 anos, Graduados, 3 pódios na Copa SP Light de Kart
Richard Annunziata, 17 anos, Graduados, 2 pódios na Copa SP Light de Kart
Dennis Dirani, 31 anos, Sênior, 3 vitórias na Copa SP Light de Kart

Por fim, o kartismo. Base do automobilismo, a modalidade sempre contou com altos investimentos da Academia Shell Racing, que já comemorou títulos do Brasileiro de Kart, da Copa Brasil, dentre outros tantos de caráter nacional, além de participações marcantes com Gianluca Petecof e Gaetano di Mauro no Mundial de Kart nos últimos anos.

Para a temporada 2019, a Academia Shell Racing promoveu uma grande renovação na sua equipe de kart com três novos nomes: Aurélia Nobels — a primeira mulher a fazer parte do projeto —, Lucas Staico e Richard Annunziata. O único remanescente é Gabriel Crepaldi, que neste ano subiu da classe Júnior para a Graduados. A voz da experiência do grupo é o multicampeão Dennis Dirani, que recentemente estreou na classe Sênior.

Quanto aos jovens pilotos, foco principal do trabalho de desenvolvimento por parte da Academia, os melhores resultados foram obtidos por Staico e, no fim de semana passado, por Dirani. Para o segundo semestre, estão previstas as principais competições do ano, como o Brasileiro de Kart, a ser realizado em Cascavel, a Copa Brasil e o Mundial, que neste ano vai acontecer na Itália e vai ter novamente a participação de Gaetano di Mauro.

Gabriel Crepaldi, Richard Annunziata, Lucas Staico e Aurélia Nobels (Gabriel Crepaldi, Richard Annunziata, Lucas Staico, Aurélia Nobels (Foto: Bruno Gorski))

Vicente Sfeir explica que o alto nível alcançado por pilotos que conquistaram vitórias e títulos nos últimos anos, como Petecof, Felipe Baptista e Diego Ramos, elevou o desafio para os jovens que passam a fazer parte do grupo com a missão de continuar a história bem-sucedida para o projeto no kartismo.

“A Academia Shell Racing tinha em mente que iria sofrer um pouco com a reconstrução, com a renovação dos pilotos no kart. A gente vinha com pilotos de nível muito forte, que saíram do kart para as categorias maiores. A quantidade de vitórias e títulos que nós conquistamos nos últimos anos fez com que tivéssemos uma expectativa um pouco melhor, mesmo se tratando de pilotos ainda no primeiro ano de academia, com o próprio Crepaldi subindo para a Graduados”, comenta.

“Então, no kart é farol vermelho, bastante abaixo da expectativa, falando ainda em campeonatos regionais. Agora começamos a mirar o Open do Brasileiro de Kart e o próprio Brasileiro de Kart. Vamos ver se conseguimos fazer um trabalho de reconstrução mirando sobretudo o campeonato nacional”, finaliza o chefe da Academia Shell Racing, já de olho no segundo semestre de 2019.

Vicente Sfeir é o comandante da Academia Shell Racing (Vicente Sfeir (Foto: José Mário Dias))

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